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12 - O que aconteceu lá?

Autor: Ellen Souza
last update Fecha de publicación: 2025-09-23 08:39:56

TAMARA

Os braços que me tiraram daquele caos ainda me rodeavam. Ele estava me levando para longe. Longe daquele caos, longe da minha mãe, longe daquela casa que mesmo depois de anos, ainda me fazia lembrar e reviver o luto do meu irmão dia após dia, remoendo o fato de que ele não voltaria mais.

Meu coração ainda batia fortemente em um ritmo descompassado; me trazendo a sensação de que meu peito poderia se rasgar ao meio a qualquer momento. E mesmo indo para longe de tudo aquilo, eu ainda me
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Último capítulo

  • Minha Cura   15 - Você está me ameaçando, soldado?

    TAMARA— Que atrevida — ele riu, encarando-me. Um sorriso frio, provocador. Ainda mantinha uma das mãos em um aperto firme no meu braço, parecendo disposto a qualquer coisa para não me deixar ir assim, tão facilmente. — Sua mãe não te ensinou que se deve respeitar os mais velhos? Principalmente aqueles que podem te matar.Questionou, e a ironia dançava nas entrelinhas de cada palavra dita por ele. Aquilo estava me irritando profundamente, a ponto de eu não medir o peso das minhas próprias palavras.— Você está me ameaçando, soldado? — sorri, amarga, deixando as palavras saírem mais afiadas do que deveriam.Ele inclinou a cabeça e se aproximou, observando o meu sorriso. Não pareceu surpreso. Pelo contrário. Agora havia algo divertido em seu olhar, como se tivesse acabado de encontrar o desafio mais saboroso da sua vida.— Você saberia se fosse... — sorriu, mostrando os dentes perfeitamente brancos e alinhados.Sua mão livre subiu sutilmente, e seus dedos tocaram a lateral do meu rosto,

  • Minha Cura   14 - Fugindo de alguém, ratinha?

    TAMARA — Tamara, eu... eu liguei pra ele! Eu estive com você em todos os momentos, — lembrou, com a voz embargada — eu te ajudei nas buscas, a Talita recebeu meu apoio como irmã... porque... porque você está fazendo isso comigo? — perguntou, enquanto as lágrimas desciam, impiedosas sobre as suas bochechas. — Mas aí você soube sobre a morte dele, e não pensou duas vezes em ir embora. — Acusei, tentando me manter firme, mas, foi em vão. — Você nem se quer ajudou a pagar pelo velório, caramba! — A minha voz saiu engasgada, e a essa altura eu já estava chorando. Por deixar transparecer a minha fragilidade, ela pensou que eu daria alguma abertura para ela ter novamente uma aproximação. Mas, no momento em que ela deu alguns passos em minha direção e ergueu sua mão para me acalentar, o Mexicano deu um passo à frente, segurando seu braço em um aperto firme. — Se manda, você já fez o que tinha que fazer. Não tenta forçar nada, você sabe que eu não sou nenhum cavalheiro. Será um prazer te p

  • Minha Cura   13 - Não somos amigos.

    TAMARA— Aconteceu que eu surtei, — comentei, sorrindo sem humor. — Eu surtei pra caramba! Deixando de encarar a vista, virei-me para o lado contrário, onde estava o bar, apoiando minhas costas na grade. — Aquela foi a primeira vez, desde os últimos anos, em que eu perdi totalmente o controle. Sentir o pânico tomar o controle de todo o meu corpo foi bizarro pra caralho. Se não fosse você ter me tirado de lá, eu não sei o que seria de mim ou da minha mãe... — Despejei tudo de uma vez, esperando alguma reação da parte dele. Mas o silêncio entre nós prevaleceu, me deixando desconfortável. — Agora que já sabe, não tem mais motivos para ficar. Eu não estou mais em apuros — fui irônica — eu vou ficar bem, mas agora preciso ver como está a dona Talita. Eu não disse obrigado. Isso era óbvio. Contar o que havia acontecido, demonstrar que era importante ele saber... aquela era a minha forma de agradecer. Eu não era muito boa com palavras, e não era a melhor pessoa para falar sobre os meus

  • Minha Cura   12 - O que aconteceu lá?

    TAMARA Os braços que me tiraram daquele caos ainda me rodeavam. Ele estava me levando para longe. Longe daquele caos, longe da minha mãe, longe daquela casa que mesmo depois de anos, ainda me fazia lembrar e reviver o luto do meu irmão dia após dia, remoendo o fato de que ele não voltaria mais. Meu coração ainda batia fortemente em um ritmo descompassado; me trazendo a sensação de que meu peito poderia se rasgar ao meio a qualquer momento. E mesmo indo para longe de tudo aquilo, eu ainda me sentia sufocada; como se alguém quisesse me fazer suplicar pelo ar que me faltava... — Calma, porra! — ele me apertou, descendo o beco estreito com pressa, enquanto me carregava em seus braços... — Respira! Eu vou te tirar daqui. — suspirou, me encarando por um segundo. — Eu não vou conseguir... — minha voz saiu arrastada, a respiração ainda ofegante. Eu odiava essa sensação, e odiava ainda mais não consegui deixá—la ir embora sozinha — me ajuda, por favor! Meu pedido soou como súplica, mas

  • Minha Cura   11 - Se ainda se importa, preste socorro.

    MEXICANOColoquei a chave na ignição, jogando a bandoleira para trás trazendo o fuzil para a frente no modo porte e montei na moto acelerando em meio as ruas estreitas do morro, a fim de chegar mais rápido ao pegar os atalhos, mas o caminho parecia ficar ainda mais longe à medida que eu avançava entre as vielas.Era estranho, essa sensação era desconhecida para mim quando eu só estava esperando arrependimento. Eu não deveria estar desesperado para chegar, ou preocupado demais com alguém que eu tinha acabado de conhecer. Eu não era do tipo que tinha empatia por qualquer pessoa, mas aquele choro me comoveu o bastante para eu abandonar o plantão e sair sem ao menos olhar para trás.Mas quem eu queria enganar? Ela era uma das poucas pessoas que realmente tiveram um diálogo duradouro comigo sem que me achasse um grande filho da puta, e mesmo eu ignorando, isso mexeu comigo. Eu odiava ver uma mulher chorar.Atravessei uma última viela e passei para o outro lado da rua, parando em frente ao

  • Minha Cura   10 - Forte e amargo.

    TAMARATalvez enfermagem não fosse o meu curso. Talvez não fosse o que eu realmente queria. Eu gostava de ajudar, mas não tinha esse instinto. Não era algo que vinha ser automático...Ver a minha mãe caída no chão e não ter o reflexo de checar os seus sinais vitais ou qualquer outra coisa que eu pudesse fazer para ela recobrar consciência, me fez sentir incapaz de exercer as manobras básicas que aprendi no decorrer dos últimos anos na faculdade. Naquele momento era apenas eu, uma filha desesperada para socorrer a mãe que estava em uma situação delicada e que sequer sabia que ela sairia dela. Era apenas eu ligando para alguém que havia acabado de conhecer, para ajudar a levar minha mãe até o hospital mais próximo da comunidade, sem ao menos ter certeza de que receberia a ajuda que eu procurava e precisava. — Não somos amigos. Você entendeu, não é? — a voz soou sarcástica do outro lado da linha. Não rebati. Apenas a minha respiração estava sendo ouvida pela linha telefônica, e sem que

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