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12 - O que aconteceu lá?

Autor: Ellen Souza
last update Fecha de publicación: 2025-09-23 08:39:56

TAMARA

Os braços que me tiraram daquele caos ainda me rodeavam. Ele estava me levando para longe. Longe daquele caos, longe da minha mãe, longe daquela casa que mesmo depois de anos, ainda me fazia lembrar e reviver o luto do meu irmão dia após dia, remoendo o fato de que ele não voltaria mais.

Meu coração ainda batia fortemente em um ritmo descompassado; me trazendo a sensação de que meu peito poderia se rasgar ao meio a qualquer momento. E mesmo indo para longe de tudo aquilo, eu ainda me
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Último capítulo

  • Minha Cura   13 - Não somos amigos.

    TAMARA— Aconteceu que eu surtei, — comentei, sorrindo sem humor. — Eu surtei pra caramba! Deixando de encarar a vista, virei-me para o lado contrário, onde estava o bar, apoiando minhas costas na grade. — Aquela foi a primeira vez, desde os últimos anos, em que eu perdi totalmente o controle. Sentir o pânico tomar o controle de todo o meu corpo foi bizarro pra caralho. Se não fosse você ter me tirado de lá, eu não sei o que seria de mim ou da minha mãe... — Despejei tudo de uma vez, esperando alguma reação da parte dele. Mas o silêncio entre nós prevaleceu, me deixando desconfortável. — Agora que já sabe, não tem mais motivos para ficar. Eu não estou mais em apuros — fui irônica — eu vou ficar bem, mas agora preciso ver como está a dona Talita. Eu não disse obrigado. Isso era óbvio. Contar o que havia acontecido, demonstrar que era importante ele saber... aquela era a minha forma de agradecer. Eu não era muito boa com palavras, e não era a melhor pessoa para falar sobre os meus

  • Minha Cura   12 - O que aconteceu lá?

    TAMARA Os braços que me tiraram daquele caos ainda me rodeavam. Ele estava me levando para longe. Longe daquele caos, longe da minha mãe, longe daquela casa que mesmo depois de anos, ainda me fazia lembrar e reviver o luto do meu irmão dia após dia, remoendo o fato de que ele não voltaria mais. Meu coração ainda batia fortemente em um ritmo descompassado; me trazendo a sensação de que meu peito poderia se rasgar ao meio a qualquer momento. E mesmo indo para longe de tudo aquilo, eu ainda me sentia sufocada; como se alguém quisesse me fazer suplicar pelo ar que me faltava... — Calma, porra! — ele me apertou, descendo o beco estreito com pressa, enquanto me carregava em seus braços... — Respira! Eu vou te tirar daqui. — suspirou, me encarando por um segundo. — Eu não vou conseguir... — minha voz saiu arrastada, a respiração ainda ofegante. Eu odiava essa sensação, e odiava ainda mais não consegui deixá—la ir embora sozinha — me ajuda, por favor! Meu pedido soou como súplica, mas

  • Minha Cura   11 - Se ainda se importa, preste socorro.

    MEXICANOColoquei a chave na ignição, jogando a bandoleira para trás trazendo o fuzil para a frente no modo porte e montei na moto acelerando em meio as ruas estreitas do morro, a fim de chegar mais rápido ao pegar os atalhos, mas o caminho parecia ficar ainda mais longe à medida que eu avançava entre as vielas.Era estranho, essa sensação era desconhecida para mim quando eu só estava esperando arrependimento. Eu não deveria estar desesperado para chegar, ou preocupado demais com alguém que eu tinha acabado de conhecer. Eu não era do tipo que tinha empatia por qualquer pessoa, mas aquele choro me comoveu o bastante para eu abandonar o plantão e sair sem ao menos olhar para trás.Mas quem eu queria enganar? Ela era uma das poucas pessoas que realmente tiveram um diálogo duradouro comigo sem que me achasse um grande filho da puta, e mesmo eu ignorando, isso mexeu comigo. Eu odiava ver uma mulher chorar.Atravessei uma última viela e passei para o outro lado da rua, parando em frente ao

  • Minha Cura   10 - Forte e amargo.

    TAMARATalvez enfermagem não fosse o meu curso. Talvez não fosse o que eu realmente queria. Eu gostava de ajudar, mas não tinha esse instinto. Não era algo que vinha ser automático...Ver a minha mãe caída no chão e não ter o reflexo de checar os seus sinais vitais ou qualquer outra coisa que eu pudesse fazer para ela recobrar consciência, me fez sentir incapaz de exercer as manobras básicas que aprendi no decorrer dos últimos anos na faculdade. Naquele momento era apenas eu, uma filha desesperada para socorrer a mãe que estava em uma situação delicada e que sequer sabia que ela sairia dela. Era apenas eu ligando para alguém que havia acabado de conhecer, para ajudar a levar minha mãe até o hospital mais próximo da comunidade, sem ao menos ter certeza de que receberia a ajuda que eu procurava e precisava. — Não somos amigos. Você entendeu, não é? — a voz soou sarcástica do outro lado da linha. Não rebati. Apenas a minha respiração estava sendo ouvida pela linha telefônica, e sem que

  • Minha Cura   09 - Teremos que seguir em frente.

    TAMARA Acompanhei cada passo seu até ele chegar ao final do corredor estreito, onde o beco que dava acesso à minha casa terminava. Talvez ele estivesse certo. Mas a vingança não traria o meu irmão de volta, assim como não mudaria o fato de que eu já estava condenada a viver o resto da minha vida no submundo do crime, ou à morte de qualquer forma, no momento em que aceitei o acordo que eu mesma propus para o Darlan. Eu não queria admitir que isso havia passado pela minha cabeça, e que, por um mísero segundo, eu pensei em estar aqui só para me vingar de qualquer um que fez o meu irmão sofrer, porque era mais fácil admitir que eu estava precisando de dinheiro do que querer uma vingança que no final seria algo totalmente suicida. Eu não era tão tola, no final das contas. Parado na entrada do beco, ele nem se deu ao trabalho de olhar para trás. Apenas observou ambos os lados da rua e sumiu entre uma esquina e outra, com a missão de me buscar na noite de amanhã para dar início a um cam

  • Minha Cura   08 - Ele não iria querer te ver aqui.

    TAMARAObservei o Darlan sair do meu campo de visão ao descer pela escadinha em frente a casa onde ele estava com os outros dois deixando apenas um dos três que o acompanhavam comigo, e sumir por uma das vielas que desembocavam nas próximas ruas a nossa frente ligando umas as outras. E quando os meus olhos não o alcançaram mais, eu soltei todo o ar preso em meus pulmões como quando a válvula de um cilindro de oxigênio é girada repetidas vezes, para salvar a vida de alguém.— Ele não iria querer te ver aqui. E você sabe disso, não é? — o homem ao meu lado proferiu, agora sem expressar nenhuma emoção ao me encarar com suas íris pretas, não me deixando ver sua dilatação.Seu corpo era alto e esguio, com tatuagens espalhadas por seus braços e ombros largos. Seu pescoço também era tatuado, com um desenho mórbido de uma imensa aranha que descansava em sua teia, a espera de uma presa fácil.Eu queria conseguir respondê-lo, usar a mesma confiança que usei com o Darlan para não transparecer a

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