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Sally Skellington
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Romances de Sally Skellington

TARDE DEMAIS PARA IMPLORAR, SENHOR CEO

TARDE DEMAIS PARA IMPLORAR, SENHOR CEO

"Este casamento é apenas uma transação corporativa. Não espere meu toque, minhas noites ou meu amor. Vou me guardar para a mulher que eu realmente escolhi." Clara amava Arthur Albuquerque em segredo desde a adolescência. Mas na noite de núpcias do casamento arranjado entre suas famílias, as palavras gélidas do implacável CEO destruíram suas ilusões. Para ele, ela era apenas uma moeda de troca burocrática; para ela, ele era o homem de sua vida. Durante dois anos, ela suportou o desprezo, a solidão e as humilhações da alta sociedade em silêncio. Até que o limite de sua dignidade é atingido quando Arthur exige o divórcio para assumir publicamente sua amante. Sem chorar ou implorar, Clara aceita assinar os papéis, mas com uma única e misteriosa condição: eles terão que viver 30 dias como um casamento real antes da separação definitiva. O que Arthur não imagina é que, ao aceitar o acordo, ele abrirá as portas para o maior arrependimento de sua vida. E que, quando o prazo terminar, o preço para recuperar o coração da esposa que ele tanto desprezou será alto demais para o seu império pagar.
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Chapter: Capítulo 200: O Eterno Paraíso de Pedra
A manhã do dia seguinte nasceu na Serra da Mantiqueira como uma pintura divina de proporções monumentais. O céu do alvorecer não trazia nuvens, apresentando uma graduação sublime de tons de azul-turquesa, rosa-orquídea e dourado-puro que se espalhava sobre as cristas e abismos do Vale de Roseiras. A geada matinal cobrira os gramados, os telhados de cerâmica e as pétalas das hortênsias com uma fina e brilhante camada de cristais de gelo que faiscavam como diamantes ao primeiro contato com os raios do sol.O ar era de uma pureza indescritível — frio, cortante e revigorante —, trazendo consigo o canto melodioso dos sabias e dos bentevis que povoavam os pinheirais da propriedade.Ao meio-dia, o calor morno do sol da montanha derretera a geada, deixando sobre a vegetação milhares de gotas de orvalho transparente que refletiam a iluminação de um início de tarde inesquecível.Na varanda principal do Pátio das Hortênsias, a família reunira-se para o almoço dominical. A grande mesa de madeira d
Última atualização: 2026-08-05
Chapter: Capítulo 199: A Noite de Luzes e Promessas
Com o encerramento do dia no Pátio das Hortênsias, a temperatura na Serra da Mantiqueira despencou com a rapidez típica do outono das altitudes. O ar tornou-se extremamente frio, seco e límpido, fazendo com que o céu se enchesse de um número incontável de estrelas que brilhavam como diamantes cravados em um veludo azul-profundo.No interior do casarão, o silêncio da noite instalara-se com uma mansidão acolhedora. No andar superior, os quartos das crianças já estavam na mais completa calma. Clarice adormecera em sua mesa de estudos após concluir a leitura de um clássico da literatura, com a lâmpada de cabeceira apagada carinhosamente por Sophia. No quarto ao lado, os gêmeos Matheus e Helena repousavam em suas camas de peroba-rosa, cobertos por edredons pesados de fustão, dormindo o sono tranquilo da infância preservada. Sophia recolhera-se aos seus aposentos após a habitual oração de agradecimento.Na grande sala de estar do pavimento térreo — um amplo espaço de arquitetura colonial-mo
Última atualização: 2026-08-05
Chapter: Capítulo 198: O Retrato da Família Valois
A luz do outono tardio na Serra da Mantiqueira possuía uma qualidade quase espiritual. Desprovida do calor excessivo do verão e da frialdade severa do inverno pleno, a iluminação do meio da tarde filtrava-se pelas copas das araucárias e dos pinheiros seculares em feixes dourados e oblíquos. Cada folha suspensa no ar parecia flutuar sobre um oceano de tranquilidade, e o aroma característico do Vale de Roseiras — uma combinação inebriante de lavanda, terra úmida, madeira envelhecida e as inconfundíveis hortênsias em pleno desabrochar — impregnava o pátio central do casarão.Não havia pressa nos passos daqueles que transitavam pela propriedade. O movimento que se observava na varanda principal e no gramado circundante era marcado por uma cadência serena, quase cerimonial.Na extremidade do jardim das hortênsias azuis e brancas, junto à balaustrada de pedra-sabão que se debruçava sobre o vale, uma figura elegante vestida em tons de cinza-grafite e empunhando uma câmera analógica de grande
Última atualização: 2026-08-05
Chapter: Capítulo 197: O Legado de Roseiras
Cinco anos haviam se passado desde a noite histórica em que Clara lançara O Livro das Hortênsias. O tempo na Serra da Mantiqueira, ao contrário da pressa devoradora das grandes metrópoles, fluía com a majestade das estações bem vividas: as primaveras floriam com mais abundância, os invernos traziam a geada prateada sobre os vales, e os outonos douravam as copas do grande carvalho do Pátio com uma cadência de paz e fartura.O Pátio das Hortênsias e a Fundação Flor de Jericó haviam atingido uma maturidade institucional e humana de escala internacional. O modelo de negócios sociais e de preservação cultural idealizado por Gabriel e Clara tornara-se referência de estudos em universidades de Genebra, Harvard e Tóquio. Contudo, para a comunidade de Roseiras, a verdadeira vitória não estava nos relatórios acadêmicos ou nas menções honrosas no exterior; estava na transformação visível e concreta das vidas daquela gente.Naquela manhã radiante de outubro, o Pátio vestia-se de um entusiasmo esp
Última atualização: 2026-08-05
Chapter: Capítulo 196: O Livro das Hortênsias
A névoa matinal que subia suavemente pelas encostas da Serra da Mantiqueira trazia consigo aquele aroma inconfundível que marcou a história do Vale de Roseiras: uma mistura perfeita de pinho úmido, terra revolvida pelo sereno e a fragrância sutil, mas inebriante, das lavandas e hortênsias em flor. Naquela manhã de início de primavera, contudo, o pátio central do casarão do Pátio das Hortênsias não testemunhava apenas o desabrochar da natureza; vivia a celebração máxima da palavra, da memória e da arte que salvara tantas vidas.No pavilhão principal da Fundação Flor de Jericó, um espaço arquitetônico monumental projetado com vigas de canela-imbuia e amplas paredes de vidro transparente que se abriam para o vale, o movimento começara antes mesmo do nascer do sol. Mesas de madeira de demolição, perfeitamente polidas com cera de abelha silvestre, alinhavam-se ao longo da galeria central. Sobre elas, arranjadas com o apuro estético de quem entende o valor do detalhe, repousavam centenas de
Última atualização: 2026-08-05
Chapter: Capítulo 195: O Eternecer no Pátio das Hortênsias
O sol da Mantiqueira principiava o seu declínio derradeiro sobre o horizonte recortado pelas serras. As cristas mais altas das montanhas pareciam cobertas por um manto de fogo suave, pintando as nuvens de um tom de cobre polido, rosa-queimado e violeta-profundo. A névoa habitual do final da tarde começava a subir mansamente do fundo do vale, flutuando sobre o leito do riacho de pedras e espalhando-se pelas alamedas com a delicadeza de um véu de seda transparente.O silêncio que reinava no Pátio das Hortênsias era solene, denso de paz e plenitude. Não era um silêncio vazio de solidão, mas aquele murmúrio sagrado das terras que descansam felizes após cumprirem a sua missão de dar frutos, acolher a vida e abrigar a justiça.Na varanda do casarão, o movimento festivo das jornadas anteriores dera lugar à calma doce da vida cotidiana restaurada. As crianças, exaustas das brincadeiras e das correrias da celebração, adormeciam sob os cuidados carinhosos de Sophia Mendes e de Marta. Clarice, c
Última atualização: 2026-08-05
Casada com o Meu Pior Inimigo

Casada com o Meu Pior Inimigo

Quando a vida da sua família está à beira da ruína, Lívia Albuquerque aceita fazer o impensável: casar-se com um homem que a despreza. Arthur Valença é frio, poderoso e perigoso. Dono de um império bilionário, ele carrega um único objetivo — destruir a mulher que ele acredita ter arruinado seu passado. O problema? Essa mulher… é Lívia. Presos em um casamento baseado em ódio, humilhação e segredos, os dois entram em um jogo cruel de poder, onde cada toque é uma provocação e cada olhar esconde uma guerra. Mas à medida que o desprezo se transforma em desejo… e o desejo em algo muito mais perigoso, verdades enterradas começam a emergir. E quando a maior delas vier à tona, não será apenas o casamento que estará em risco… Será tudo. Porque amar pode ser fatal — mas odiar… pode ser ainda pior.
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Chapter: Capítulo 120 — Epílogo: Casada com o Meu Pior Inimigo
Um ano depois.Lívia costumava pensar que finais felizes eram feitos de grandes momentos.Declarações em lugares perfeitos.Promessas diante de centenas de pessoas.A sensação de que, depois de uma grande batalha, tudo finalmente ficaria exatamente como deveria ser.Ela estava errada.O verdadeiro final feliz não parecia uma cena de filme.Parecia uma manhã comum.Parecia acordar com Arthur reclamando porque ela havia roubado metade do cobertor durante a noite.Parecia café derramado na mesa.Parecia livros abertos em todos os cantos da casa.Parecia uma vida que não precisava ser extraordinária para ser preciosa.— Você está escrevendo sobre mim?Arthur perguntou.Lívia levantou os olhos do caderno.Ele estava encostado na porta do escritório, segurando duas xícaras de café.Ela sorriu.— Talvez.Arthur colocou uma das xícaras ao lado dela.— Essa resposta significa sim.— Você ficou muito convencido.Ele sentou ao lado dela.— Depois de tudo que aconteceu, acho que tenho direito a u
Última atualização: 2026-07-09
Chapter: Capítulo 119 — Um Novo Começo
Seis meses depois.A vida voltou a ter sons simples.E, depois de tudo que haviam vivido, Arthur descobriu que eram justamente esses sons que mais significavam.O barulho de uma xícara sendo colocada sobre a mesa.O riso de alguém na cozinha.A chuva batendo na janela durante uma tarde tranquila.O silêncio confortável entre duas pessoas que não precisavam mais preencher todos os espaços com explicações.Durante muito tempo, ele acreditou que a paz seria algo grandioso.Uma vitória.Uma conquista.Um momento em que finalmente sentiria que havia vencido.Mas a paz não chegou como uma explosão.Ela chegou em pequenas coisas.Como acordar ao lado de Lívia e saber que ela estava ali porque escolheu estar.A casa havia mudado.Não por causa de reformas.Mas porque agora tinha vida.Livros espalhados pela sala.Flores na mesa.Desenhos de Caio emoldurados nas paredes.Fotografias de momentos que antes pareciam impossíveis.Era diferente da antiga mansão dos Vasconcelos.Lá tudo era perfeito
Última atualização: 2026-07-09
Chapter: Capítulo 118 — O Fim de Aurora
O último dia em Aurora chegou sem cerimônia.Sem câmeras.Sem jornalistas.Sem pessoas esperando uma grande revelação.Apenas um pequeno grupo caminhando pelos corredores que um dia pareceram intermináveis.Arthur segurava a mão de Lívia.Dessa vez, não para guiá-la.Não para protegê-la.Apenas porque queria.E essa diferença significava tudo.O complexo estava quase vazio.As paredes que antes carregavam centenas de telas agora tinham apenas marcas do tempo.Os corredores onde pessoas haviam perdido anos de suas vidas estavam iluminados pela luz natural que entrava pelas janelas abertas.Pela primeira vez, Aurora parecia um lugar comum.Talvez esse fosse o maior sinal de que tinha acabado.Gabriel caminhava à frente com alguns documentos.— O processo de encerramento foi aprovado.Todos os servidores restantes serão desmontados.Os arquivos históricos ficarão no memorial.Nada relacionado aos experimentos continuará ativo.Clara olhou ao redor.— É estranho.Gabriel concordou.— O qu
Última atualização: 2026-07-09
Chapter: Capítulo 117 — O Sim Que Nasceu da Liberdade
Durante alguns segundos, Lívia não conseguiu responder.Não porque tivesse dúvidas.Mas porque, pela primeira vez em toda a sua história com Arthur, ela queria guardar aquele instante.Não havia contratos.Não havia ameaças.Não havia famílias decidindo por eles.Não havia um passado empurrando os dois para uma direção que não escolheram.Havia apenas Arthur.Ajoelhado diante dela.Esperando.Escolhendo.Ela olhou ao redor.A antiga Aurora estava diferente.O lugar que um dia representou medo agora carregava flores, luz e lembranças.Caio estaria feliz.Helena teria orgulho.E talvez aquela fosse a maior vitória de todas.Transformar um lugar criado para controlar vidas em um lugar onde duas pessoas podiam escolher uma.Arthur ainda segurava sua mão.— Lívia...A voz dele estava baixa.— Se você precisar de tempo...Ela balançou a cabeça imediatamente.— Não.Ele se surpreendeu.Ela sorriu através das lágrimas.— Eu passei tempo demais esperando respostas.Esperando descobrir quem eu
Última atualização: 2026-07-09
Chapter: Capítulo 116 — A Segunda Vez Que Eu Escolhi Você
Capítulo 116 — A Segunda Vez Que Eu Escolhi VocêTrês semanas se passaram.Pela primeira vez em muitos meses, Arthur acordou sem o som de alarmes, mensagens urgentes ou o peso constante de estar sendo perseguido.A casa era silenciosa.Silenciosa de um jeito bom.O aroma de café recém-passado vinha da cozinha.Lívia cantarolava baixinho enquanto preparava o café da manhã.Arthur permaneceu alguns segundos parado na porta.Apenas observando.Ela usava um moletom largo dele.Os cabelos estavam presos de qualquer jeito.Havia farinha em uma das bochechas.E ela parecia completamente feliz.Nenhuma maquiagem.Nenhuma preocupação.Nenhuma sombra do passado.Naquele instante, Arthur compreendeu que era daquela mulher comum que havia se apaixonado.Não da mulher cercada por mistérios.Nem da vítima.Nem da heroína.Apenas de Lívia.Ela percebeu sua presença.— Vai ficar me olhando até o café esfriar?Arthur sorriu.— Talvez.Ela riu.— Então venha me ajudar.Ele aproximou-se e, sem dizer nad
Última atualização: 2026-07-09
Chapter: Capítulo 115 — O Peso do Perdão
O cemitério estava vazio.Era uma manhã tranquila, dessas em que o vento parecia caminhar devagar entre as árvores, sem pressa de chegar a lugar algum.Arthur estacionou o carro e permaneceu alguns instantes com as mãos apoiadas sobre o volante.Respirou fundo.Durante anos, imaginara aquele momento de formas diferentes.Em algumas delas, chegava tomado pela raiva.Em outras, fazia perguntas que jamais seriam respondidas.Também houve um tempo em que acreditou que pisaria ali apenas para dizer ao pai tudo o que havia destruído.Agora, nenhuma dessas palavras fazia sentido.Lívia segurou sua mão.— Não precisa entrar sozinho.Ele olhou para ela e sorriu.— Eu sei.Mas acho que essa conversa é minha.Ela assentiu.— Estarei aqui.Sempre.Arthur acariciou seu rosto com delicadeza antes de descer do carro.Os passos sobre o cascalho pareciam mais pesados do que realmente eram.Cada metro percorrido carregava lembranças de uma infância confusa, de uma juventude marcada pelo ressentimento e
Última atualização: 2026-07-09
A Esposa Virgem do CEO: 90 Dias de Rebeldia

A Esposa Virgem do CEO: 90 Dias de Rebeldia

Com apenas 90 dias de vida após um diagnóstico devastador, Clara Albuquerque decide que não morrerá como a esposa virgem e invisível de Ricardo, o bilionário e frio CEO que a ignorou durante três anos de um casamento de fachada. O pavor de morrer desaparece para dar lugar a uma rebeldia perigosa: sem revelar a doença fatal, Clara muda o visual, gasta milhões do marido, peita a sogra tirana e invade o escritório blindado do homem que a desprezava. Pressionada contra a mesa da diretoria por Ricardo — tomado por uma mistura furente de possessividade, raiva e um desejo incontrolável que nunca admitiu sentir —, ela sente a respiração quente dele contra o seu pescoço enquanto ele sussurra: "O que você quer de mim, Clara?" Sorrindo com audácia, ela responde bem perto dos seus lábios: "Quero te destruir antes que o tempo acabe." Correndo contra o relógio, Ricardo fará de tudo para domar a mulher fascinante que se tornou sua maior obsessão, sem imaginar que cada segundo ao lado dela é uma contagem regressiva para a despedida.
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Chapter: Capítulo 130 – Fome de Vida
Era fim de tarde quando eles decidiram voltar ao mirante. Não aquele da moto, necessariamente, mas algum ponto alto da cidade de onde se via o horizonte, os prédios, o trânsito, o movimento incessante.Lucas reclamou da subida. Ana pediu colo no meio do caminho. Helena, Julian, a professora de inglês, as equipes da Fundação, alguns amigos, o pai de Clara (ou sua figura de referência) — todos estavam ali, espalhados, conversando, rindo.Clara e Ricardo se afastaram um pouco, caminhando até a grade de proteção. O vento batia no rosto, trazendo um cheiro de cidade que, anos atrás, a teria enjoado. Agora, era quase revigorante.— Lembra daqui? — ela perguntou.— Lembro de você dizendo que ia me matar se eu te matasse — ele respondeu.— Me mataria duas vezes — ela corrigiu.Ficaram alguns segundos em silêncio, olhando a cidade.— Se alguém tivesse me mostrado essa cena quando eu saí do consultório com o diagnóstico… — Clara começou —, eu teria rido na cara da pessoa. Diria que era roteiro b
Última atualização: 2026-05-16
Chapter: Capítulo 129 – Três Legados
Alguns anos se passaram.A Fundação cresceu: a unidade nova funcionava a pleno vapor, o programa de línguas tinha sido ampliado, inclusive para adolescentes e mães das crianças. A professora de inglês agora coordenava equipes, um de seus irmãos trabalhava como monitor, outro cursava faculdade com bolsa do programa.Lucas, mais velho, era uma espécie de embaixador informal da Fundação. Ajudava as crianças menores a se adaptar, organizava pequenas ações, levava trabalhos de escola sobre “minha família” e sempre incluía a Fundação no desenho.Ana, com suas peraltices e risadas, corria pelos corredores como se aquilo fosse extensão da própria casa. As pessoas já estavam acostumadas a ver a filha da Clara surgindo no meio de reuniões, pedindo colo.Julian se tornara parceiro fixo da Fundação, não só como investidor, mas como alguém que via ali parte de seu propósito. Ao mesmo tempo, sua vida pessoal seguia um curso próprio: morava com a professora, dividiam um apartamento cheio de livros e
Última atualização: 2026-05-16
Chapter: Capítulo 127 – Família de Dois Jeitos
A casa, que já parecia cheia com Lucas, ganhou um novo tipo de caos com a chegada de Ana. Fraldas, mamadeiras, choro, risos, noites mal dormidas. E, no meio disso, a rotina da Fundação, as demandas da empresa, a família se reorganizando.— Eu não sabia que dava pra amar duas crianças tão diferente e tão igual ao mesmo tempo — Clara comentou com a terapeuta.— A maternidade não copia e cola, ela multiplica — a Dra. Fernanda respondeu.Lucas alternava entre orgulho e ciúme. Em alguns dias, queria fazer tudo pela irmã: pegar a chupeta, cantar, contar histórias. Em outros, batia a porta do quarto, irritado porque “só falam de fralda nessa casa”.Clara e Ricardo se esforçavam para criar momentos exclusivos com ele.— Hoje é dia de cinema só nosso — Ricardo dizia, pegando o filho para ver um filme enquanto Ana ficava com Clara.— Hoje é dia da pizza da mamãe com o Lucas — Clara anunciava, deixando o pai e a bebê dormirem enquanto os dois comiam pizza na cozinha, conversando sobre escola.Um
Última atualização: 2026-05-16
Chapter: Capítulo 126 – Nasce
Os últimos meses de gravidez foram uma aula contínua de paciência. Para alguém acostumada a correr contra o tempo, a esperar exames que podiam decidir o rumo da vida, a sensação de “esperar um bebê” parecia, ao mesmo tempo, estranha e milagrosa.— Nunca esperei algo tão bom com tanto medo — comentou com Ricardo, numa noite em que o bebê chutava demais e ela não conseguia dormir.— E eu nunca tive tanto medo de um pontinho de três quilos — ele respondeu.Na reta final, alguns sustos menores surgiram: pressão um pouco alta, contrações antes da hora. O médico optou por antecipar um pouco o parto por segurança.Na maternidade, tudo parecia um déjà-vu invertido. Clara, deitada numa cama, monitorada, rodeada por médicos. Ricardo ao lado, segurando a mão. Mas, desta vez, o objetivo não era impedir a morte, e sim acompanhar a chegada de uma nova vida.— Você tá bem? — ele perguntou, olhando mais assustado que ela.— Assustada e animada — respondeu. — Tipo montanha-russa.— Eu odeio montanha-r
Última atualização: 2026-05-16
Chapter: Capítulo 125 – Casamento Real
De volta da pousada, com a barriga já delineada e a casa adaptada à nova dinâmica, a ideia surgiu numa tarde de domingo em que Clara arrumava uma caixa de papéis.Encontrou, entre lembranças antigas, o convite do primeiro casamento: dourado, cheio de arabescos, com letras em relevo e frases pomposas.— “A família Albuquerque tem a honra de convidar para o enlace de seu filho Ricardo com a distinta senhorita Clara…” — ela leu em voz alta, com sarcasmo. — Parece anúncio de fusão de empresas.Ricardo, passando pela sala, pegou o papel das mãos dela.— Foi basicamente isso — comentou. — Uma fusão com cláusulas abusivas.Ela riu e, sem pensar demais, falou:— Eu quero casar com você.Ele parou, olhando fixo pra ela.— De novo? — perguntou.— Pela primeira vez — corrigiu. — Da outra vez, eu fui figurante no evento da sua família. Eu quero um casamento nosso. Pequeno, do jeito que a gente é hoje. Com as pessoas que de fato importam. Na Fundação, se possível. Ou em qualquer lugar que não seja
Última atualização: 2026-05-13
Chapter: Capítulo 124 – Lua de Mel Tardia
Foi numa dessas consultas de rotina que a obstetra deu o empurrão final.— Vocês têm uma janela de umas quatro semanas agora — explicou. — Antes de entrarmos no último trimestre, quando vou proibir viagens, escadas demais e aventuras variadas. Se quiserem fazer alguma coisa especial, é agora.No carro, na volta, Clara comentou:— Nós nunca tivemos lua de mel.Ricardo franziu a testa.— Tivemos uma viagem depois do casamento — disse. — Paris, lembra?Ela o encarou.— Você foi a reuniões, eu tirei fotos sozinha em ponto turístico — respondeu. — À noite, você dormia exausto, eu comia serviço de quarto vendo TV. Se isso foi lua de mel, foi a versão corporativa.Ele riu, sem graça.— Tem razão.Ela olhou pela janela, pensativa.— Eu queria uma lua de mel real — disse. — Não com o homem do contrato. Com você. Esse você. Mesmo com barriga, com Lucas, com agenda cheia. Um tempo em que não sejamos CEO, fundadora, pai, mãe, sobrevivente. Só… Ricardo e Clara.Ele ficou em silêncio por alguns seg
Última atualização: 2026-05-13
O Preço do Desejo: A Esposa Contratada do CEO

O Preço do Desejo: A Esposa Contratada do CEO

Uma Cláusula. Três Regras. Nenhum Escápula. Regra nº 1: Finja ser a esposa perfeita em público. Regra nº 2: Não faça perguntas sobre o meu passado. Regra nº 3 (a mais importante): Nunca, sob hipótese alguma, se apaixone por mim. Para salvar a vida da minha mãe, eu me vendi ao homem mais implacável do país. Gabriel Montiel é o tipo de CEO que não aceita um "não" como resposta. Lindo, podre de rico e perigosamente frio, ele precisava de um casamento de fachada para não perder o controle do império da família. Eu era apenas a garota desesperada, com uma conta bancária zerada e uma dívida milionária, perfeita para ser manipulada. A assinatura no contrato selou meu destino: 365 dias ao lado de um monstro em terno de grife. O plano parecia simples. Eu aguentaria a frieza dele, pegaria o dinheiro para o tratamento da minha mãe e sumiria para sempre. O que eu não esperava era a química devastadora que se acenderia entre nós no momento em que as portas do quarto se fechassem. Por trás da fachada de homem sem coração, Gabriel esconde um toque de fogo que me faz esquecer até do meu próprio nome. E quando seus olhos escuros me encaram com uma possessividade que não estava no contrato, a linha entre o ódio e o desejo desaparece. Mas este casamento esconde um segredo sombrio. Uma verdade terrível sobre o motivo pelo qual ele me escolheu entre tantas outras... Quando o prazo do contrato acabar, ele vai me libertar... ou vai me prender para sempre em suas garras?
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Chapter: Capítulo 120: O Horizonte Aberto
(Salto temporal: 10 anos depois - O Aniversário de 50 anos da Regenera)O terraço do novo Centro Cultural Montiel oferecia a melhor vista do Rio de Janeiro. O Cristo Redentor de um lado, a Baía de Guanabara do outro, e a cidade pulsando abaixo. A festa de 50 anos da Regenera estava no auge. Helena, agora com 40 anos e no auge de sua carreira como CEO global, conversava com o Ministro da Economia. Ela exalava poder. Mas eu notava, com meu olho de mãe, que ela verificava o celular com uma frequência ansiosa. Alguma coisa em Singapura não estava cheirando bem.Theo, com 25 anos, tinha vindo de Viena para a festa. Ele estava mais maduro, vestindo um smoking desalinhado de propósito. Ele conversava com uma jovem violoncelista que eu nunca tinha visto antes, mas a forma como ele protegia o copo dela sugeria que não era apenas uma colega de orquestra. Havia um segredo ali.Eu e Gabriel estávamos sentados em uma mesa reservada, longe do barulho. Gabriel, aos 70 anos, ainda era o homem mais bo
Última atualização: 2026-04-02
Chapter: Capítulo 119: O Longo Pôr do Sol
A mesa de café da manhã parecia um campo de pouso deserto. Onde antes havia cadeirões, brinquedos, mochilas e discussões sobre o mercado de ações, agora havia apenas dois lugares postos, um vaso de orquídeas e o silêncio. Theo estava em Viena. Helena estava em Singapura fechando um acordo. Éramos só nós.Gabriel dobrou o jornal (de papel, um hábito antigo que ele retomou). — Está quieto demais — ele comentou. — Está — concordei, tomando meu chá. — Sinto falta da gritaria. Sinto falta até das brigas.— O que vamos fazer hoje? — ele perguntou. — Não tenho reuniões. Não tenho que buscar ninguém na escola. Não tenho que salvar a empresa. — Podemos… não fazer nada? — sugeri. Gabriel riu. — Nós não sabemos fazer "nada", Elisa. Vamos enlouquecer até o meio-dia.— Tem razão. — Levantei-me. — Vamos ao Centro. Quero ver a inauguração da biblioteca do Projeto Renascença.Centro do Rio. Rua do Ouvidor.Caminhamos de mãos dadas pelas ruas de paralelepípedo. O prédio que Gabriel tinha comprado como
Última atualização: 2026-04-02
Chapter: Capítulo 118: O Fantasma de Roberto
O escritório de Gabriel cheirava a couro antigo e tabaco (embora ele não fumasse há anos). Helena estava de pé, os braços cruzados, defensiva. — Você me desautorizou na frente dele, pai. Como vou liderar essa família se você me trata como uma criança?Gabriel serviu dois copos de água. Ele não ofereceu álcool. A conversa exigia sobriedade. — Sente-se, Helena.— Eu prefiro ficar de pé.— Sente-se. — A voz dele não foi um grito, mas um comando. O mesmo tom que ele usava para parar negociações hostis. Helena sentou-se, contrariada.Gabriel sentou-se à frente dela. — Você sabe por que eu me tornei CEO da Montiel Mining aos vinte e dois anos? — Porque o vovô morreu. — Não. Porque ele matou o arquiteto dentro de mim antes de morrer. — Gabriel olhou para as mãos. — Eu desenhava, Helena. Como o Theo toca piano. Eu tinha sonhos. Mas Roberto Montiel achava que arte era fraqueza. Ele me forçou, me moldou, me quebrou até eu caber no terno dele.Helena desviou o olhar. — E você se tornou um grande
Última atualização: 2026-04-02
Chapter: Capítulo 117: O Peso do Sangue
(Salto temporal: 5 anos depois - Theo com 15 anos, Helena com 30)O jantar de domingo na mansão era sagrado. Eu e Gabriel tínhamos voltado de uma temporada de seis meses na Europa, e a casa estava cheia novamente. Mas o ar estava pesado. Helena, sentada na cabeceira (o lugar que costumava ser de Gabriel), digitava no celular entre uma garfada e outra. Theo, agora um adolescente alto e desengonçado, com cabelos cacheados caindo sobre os olhos, empurrava a comida no prato, evitando contato visual.— Theo — Helena disse, sem largar o celular. — Marquei uma reunião para você com o Diretor de Branding amanhã às 14h. Corte o cabelo e vista uma camisa decente.Theo suspirou, soltando o garfo com um barulho metálico. — Eu não posso amanhã. Tenho ensaio da orquestra.Helena bloqueou a tela e olhou para ele com aquele olhar de "CEO lidando com funcionário insubordinado". — Cancele o ensaio. O estágio de verão começa na segunda-feira. Você vai rodar pelas áreas de Marketing e Design. Preciso que
Última atualização: 2026-04-02
Chapter: Capítulo 116: A Coroação
(Salto temporal: 3 anos depois - Helena com 25 anos)Minha sala na sede da Regenera estava estranhamente vazia. As estantes, antes cheias de prêmios e relatórios, estavam limpas. Apenas uma caixa de papelão repousava sobre a mesa de vidro. Dentro dela: uma foto de Gabriel e eu jovens, o primeiro desenho de Theo e a caneta Montblanc que usei para assinar a compra da Montiel Mining décadas atrás.Helena entrou. Aos 25 anos, ela era uma força da natureza. Vestia um terninho branco impecável (uma escolha ousada, que dizia "eu não tenho medo de me sujar porque eu mando em quem limpa"). Ela parou na porta, olhando para a sala vazia. — Parece menor sem as suas coisas — ela disse.— A sala é a mesma. A ocupante é que vai mudar. — Sentei-me na cadeira pela última vez. — Está pronta?— Os relatórios trimestrais estão prontos. O discurso para os acionistas está revisado. A equipe de transição está alinhada. — Ela listou, eficiente. — Tecnicamente, estou pronta.— Não perguntei tecnicamente. Perg
Última atualização: 2026-04-02
Chapter: Capítulo 115: O Herdeiro e o Artista
(Salto temporal: 7 anos depois - Theo com 7 anos, Helena com 22)A festa de formatura de Helena em Engenharia Ambiental foi, previsivelmente, um evento corporativo disfarçado. Metade do PIB brasileiro estava no salão de festas do Copacabana Palace. Helena, deslumbrante em um vestido verde esmeralda, navegava pelo salão como um tubarão em águas calmas. Ela apertava mãos, lembrava nomes de esposas de investidores e discutia tendências de mercado com a facilidade de quem foi treinada para isso desde o útero.Eu e Gabriel observávamos de longe, orgulhosos, mas cansados. — Ela é melhor do que nós éramos nessa idade — Gabriel comentou, tomando um gole de uísque. — Ela é mais técnica. Menos emocional. — Concordei. — O estágio no sertão tirou o romantismo dela, mas deixou a eficiência. Ela está pronta para a Diretoria de Operações.Senti um puxão no meu vestido. Era Theo. Aos sete anos, ele era a cópia física de Gabriel, mas com uma alma completamente diferente. Enquanto Gabriel era aço, Theo
Última atualização: 2026-04-02
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