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####CAPÍTULO 2

last update Data de publicação: 2025-11-25 08:04:04

Dubai

— Nesse mesmo momento, Sabina Hale Marwick girava lentamente diante do espelho dourado do palácio, observando seu reflexo sob três ângulos diferentes.

— O vestido azul-celeste que vestia — feito de seda pura e bordado à mão — moldava seu corpo como uma lembrança de seu novo título: quarta esposa do Sheik Hassan Al-Masri, a esposa mais jovem, a mais bela e a favorita entre todas.

— Suas pulseiras de ouro tilintavam ao ritmo de seus gestos enquanto ela aplainava a barriga grávida, sorrindo para a própria imagem como se contemplasse a realização de um sonho.

—O vasto quarto, iluminado por lustres de cristal e ostentando cortinas pesadas vindas diretamente de Marrocos, parecia girar ao seu redor.

—A cama circular, que mais parecia um trono, completava a cena de opulência, com servas a acompanhando silenciosamente, carregando bandejas repletas de frutas, perfumes e joias.

Sabina desfrutava desse tratamento com um deleite que à primeira vista poderia parecer superficial, mas que, para ela, era o ápice de uma vida de desejos reprimidos.

— Desde a infância, havia alimentado sonhos de grandeza, idealizando a figura de uma princesa em meio ao glamour e à sofisticação.

— A cada anel de ouro que adornava suas mãos, sentia-se mais próxima de seu sonho.

—Era o que sempre acreditara merecer: ser servida, mimada, adornada com jóias, tratada como uma verdadeira princesa.

—Desde que deixara Damian, meses atrás, viver naquele palácio significava a cada dia um reforço de que fizera a escolha certa.

— Embora Damian possuísse uma fortuna, somente o sheik a dotava de poder, título e status royal.

—Agora, com a gravidez, ela acreditava firmemente que estava prestes a solidificar sua posição, um herdeiro — ou, melhor dizendo, dois.

— O sheik costumava dizer com orgulho que a fertilidade dela era uma bênção divina. — As outras esposas, em silêncio, a invejavam, pois nenhuma delas esperava gêmeos.

—Com a chegada iminente das crianças, Sabina estava convicta de que seu lugar no palácio se tornaria intocável, contudo, o destino tinha outros planos.

—O dia do parto chegou com muita pompa.

As esposas mais velhas se uniram em oração, enquanto os criados se movimentavam freneticamente, médicos particulares se posicionaram.

—O sheik, sentado em um trono menor em um canto do quarto, aguardava, como se esperasse, um presente vindo do céu. Sabina estava eufórica.

— Embora sentisse a dor das contrações, sorria como quem sabe que está a vencer. Até que o primeiro choro ecoou pela sala.

— E em seguida, o segundo,

no instante em que as duas bebês foram colocadas lado a lado, o ambiente parecia congelar.

— Suas peles, claras como porcelana, cabelos tão loiros que lembravam fios de ouro, e olhos azul-cristal que brilhavam como lâminas recém-despertas… nada no mundo — nem o deserto, nem os ancestrais, nem a genética de Hassan — poderia explicar aquilo.

O sheik se levantou lentamente. Cada passo ecoava pelo quarto silencioso.

— Ele se inclinou sobre os berços, respirando pesadamente, a mão crispada. — Essas crianças… — disse, com a voz arranhada pela incredulidade — não são minhas.

Sabina sentiu o pânico se alastrar pelo corpo como um gelo queimando.

— Eu achei que eram suas... — mas as palavras ficaram entaladas na garganta.

O rugido de Hassan cortou a atmosfera como uma lâmina.

— Você se atreveu a me enganar, mulher?

— As servas se ajoelharam, e as outras esposas se afastaram apressadamente, uma delas tapando o rosto, aterrorizada.

— Sabina tentou se levantar, mas suas pernas, trêmulas, quase a traíram

. — Eu não sabia... — murmurou, agora tomada pelo verdadeiro medo.

— Eu juro que pensei que eram minhas, mas... palma da mão do sheik golpeou o braço do trono.

— O pai é seu ex-noivo — afirmou, como se preferisse uma sentença, devolva-as, agora, Você me expôs ao ridículo... e pagará por isso, a humilhação foi imediata.

A princesa de luxo transformou-se em prisioneira.

As joias permaneceram, mas o brilho não significava mais nada — tornaram-se algemas adornadas.

—As servas a conduziram de volta ao quarto, não com respeito, mas com vigilância.

Atrás dela, Hassan proferiu a ordem que mudaria o destino de todos os envolvidos. — Levem essas crianças ao verdadeiro pai.

Não quero escândalos, entreguem-nas em sigilo, sem deixar rastros. Antes que o mundo descubra que fui enganado.

— E pela primeira vez desde que chegou ao palácio, Sabina Hale Marwick compreendeu: — o luxo não a salvava.

— O ouro não a protegia, o título de princesa não tinha valor algum, quando a verdade clamava mais alto do que qualquer joia que pudesse adornar seu corpo.

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Último capítulo

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO FINAL

    A vida de Morgan e Yasmin transcorreu de maneira calma e harmoniosa, marcada por uma continuidade tranquila, como um rio que flui serenamente sem tormentas em sua superfície. — Não houve grandes rupturas ou recomeços tumultuados; pelo contrário, tudo se desenrolava de forma natural, como as folhas de uma árvore que caem suavemente no outono.Com o passar do tempo, Morgan, já distante da necessidade de validação, percebeu que suas empresas prosperavam sob uma administração sólida, semelhante a um jardim que floresce quando bem cuidadas. — Ele aprendeu a importância de delegar responsabilidades, confiando nas pessoas ao seu redor, enquanto se mantinha presente em suas vidas, como um sol que, mesmo à distância, ilumina e aquece tudo ao seu redor.Ao promover um ambiente de trabalho colaborativo, sua equipe tornou-se mais engajada e inovadora, resultando em projetos de sucesso, como um coral que opera em harmonia para criar uma bela sinfonia.— O trabalh

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO BÔNUS 01

    SABINA. Após cumprir uma pena de doze anos, Sabina viveu como um livro fechado, sem fofocas nem entrevistas, evitando tentativas de reescrever sua história. — O tempo, como um juiz implacável, revelou o peso de suas decisões. Ao sair da prisão, não encontrou aplausos, olhares curiosos ou alguém especial à sua espera; apenas uma pequena mala e a amarga certeza de que nada poderia ser recuperado — nem o passado, nem suas filhas, nem o homem que, em algum momento, confundiu amor com posse.— Em busca de um novo começo, mudou-se para outro país, motivada não por nobreza, mas por necessidade, como um pássaro que precisa migrar para encontrar um novo lar. Sob uma nova língua e uma rotina diferente, longe de sobrenomes conhecidos, experimentou pela primeira vez o anonimato, onde cada dia se tornava uma oportunidade para reescrever sua narrativa, livrando-se do fardo do reconhecimento público. — Essa nova realidade a forçou a enfrentar a si mesma

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO BÔNUS

    CATHERINE Catherine não saiu ilesa, não saiu impune e principalmente, não saiu a mesma após cumprir a sentença.—O julgamento foi um divisor de águas para ela; as manchetes que tentou ignorar ecoaram em sua mente, e o silêncio que se seguiu substituiu os convites e contatos influentes que antes recebia. Através dessa dura realidade, Catherine aprendeu algo crucial: inteligência sem caráter não sustenta poder algum. — O que ela havia considerado uma estratégia revelou-se como soberba, e o controle que buscava era, na verdade, um desespero desmedido. A sentença foi dura, mas justa, e mais importante, definitiva. — Nos anos que se seguiram, Catherine enfrentou uma batalha interna contra seu próprio reflexo. Não era a luta contra as escolhas que fez — que durante muito tempo tentou justificar — mas sim contra a imagem da mulher que havia se tornado. Já não era a executiva admirada ou a presença respeitada; sua nova realidade a reduziu a

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO

    Dezesseis anos se passaram desde que as gêmeas entraram na vida de Morgan, e, desde então, minha existência passou a girar em torno dessa família que eu nunca imaginei formar. — O tempo, ao invés de correr, se arrastou como uma suave correnteza que, mesmo em seus momentos lentos, trouxe uma serenidade inesperada e transformadora. Cada dia se desdobrou como uma pétala de flor, criando raízes profundas em nossas vidas e tornando-se parte da nossa rotina. — Esse período foi um mosaico vibrante de risos e um cansaço gratificante, em que os silêncios compartilhados falavam mais do que palavras poderiam expressar; eram momentos de conexão genuína que transcendem a mera comunicação. As decisões que tomamos foram sempre impregnadas de amor e de uma certeza inabalável, fundamentadas em um laço forte que se solidificou através de cada desafio e celebração que enfrentamos juntos. — Hoje, as gêmeas têm dezesseis anos: são altas e autoconfiante, cada uma com su

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####CAPÍTULO 74

    Entrei em casa naquela noite sem anunciar de onde eu estava vindo. — A porta fechou atrás de mim com um som discreto. Por um instante, permaneci parado, sentindo o peso do dia escorregar pelos ombros, como se meu corpo tivesse chegado antes e minha mente ainda estivesse presa naquele corredor da delegacia. —As lembranças da sala abafada, o olhar vazio de Sabine, e a amarga constatação de que certas histórias não terminam em gritos, nem em acusações, mas com a firme decisão de não permitir que o passado continue respirando dentro de nós, estavam frescas na memória.Yasmin estava sentada, amamentando os gêmeos.— A cena me atingiu com uma força que nenhum depoimento, prova ou assinatura poderia alcançar. Havia cansaço ali, havia dor, e marcas que não eram apenas do corpo; mas, acima de tudo, havia presença.— Ela sustentava vida. Sustentava nossa casa. Sustentava a paz que eu passei tempo demais achando que se comprava com controle e sil

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####CAPÍTULO 73

    Uma semana depois, voltei à delegacia. Não porque fosse uma obrigação ou exigência policial, mas porque precisava de um fechamento interno que não encontrei nas palavras faladas ou nas promessas mentidas. — Algumas questões não se resolvem apenas com processos ou laudos; elas exigem um confronto direto com o passado, mesmo que esse passado já não tenha espaço na nossa vida. Enquanto atravessava o corredor frio, marcado pelo eco de vozes passadas e o cheiro forte de desinfetante, senti um peso estranho no peito — como se estivesse carregando um fardo invisível que eu mesmo havia criado. — Era uma sensação desconfortável que me acompanhava, não era saudade ou raiva, mas a amarga consciência de que algumas escolhas, uma vez feitas, não permitem retorno. Essas decisões são como portas que, uma vez fechadas, não podem ser reabertas sem deixar cicatrizes; marcas que ecoam através do tempo, transformando-se em memórias persistentes que surgem nos momentos mais

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