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####CAPITULO 1

last update Data de publicação: 2025-11-25 07:36:51

Sete meses depois, a vida parecia ter seguido em frente, mas para Damian Alexander Ashford, cada dia era idêntico ao anterior, uma repetição monótona marcada por uma profunda solidão.

— O sinal fechou com um estalo seco, como se o destino estivesse a sinalizar que ele permanecia preso em um ciclo vicioso.

— Damian, sempre impecável ao volante, mantinha o olhar reto, sua expressão uma máscara de controle absoluto, tentando organizar sua mente com a mesma precisão milimétrica que governava seus negócios.

— Enquanto a cidade se movia ao seu redor, ele conseguia atuar como um maestro nas montanhas de números e gráficos do mundo financeiro.

— No entanto, controlar seus pensamentos era outra história; eles escorregavam, voltavam e o corroíam, como sombras persistentes que se recusavam a ser dissipadas.

Por vezes, à noite, quando a solidão tornava-se mais pesada, Damian acordava ouvindo mentalmente a frase que o perseguia: — “Você não é um príncipe.”

— As palavras, cortantes e cruéis, reverberou em sua mente, trazendo à tona lembranças dolorosas que ele teria preferido enterrar.

— Ele inspirou fundo, apertando o volante, tentando afastar o passado que teimava em assombrá-lo como um espectro.

Então, uma batida suave no vidro interrompeu seu ciclo de pensamentos.

— Seus olhos se moveram e lá estava uma garota, jovem demais para enfrentar a crueza da vida, magra como um botão de rosa ainda fechado, e com frio demais para estar ali àquela hora da noite.

— Ela segurava um ramalhete de rosas com as duas mãos pequenas, cada flor colorida contrastando com a palidez de seu rosto.

— Senhor... — a voz dela saiu baixa, mas determinada, como se cada sílaba fosse uma pequena oração.

— Gostaria de comprar rosas para sua amada? São cultivadas por mim. — Cada uma carrega um significado: amor, pureza, fraternidade.

Ela ergueu um sorriso — pequeno, frágil e esperançoso, mas também carregando uma resiliência que parecia desafiar as dificuldades da vida.

— Damian virou o rosto, ríspido e defensivo, quase brutal na sua rejeição.

— Eu não tenho amor — disse, seco, com um tom que ressoou como uma porta se fechando.

— Não tenho amada, e não tenho para quem dar. Então me diga... por que eu compraria rosas de você?

Ele não levantou a voz, mas sua frieza foi tão cortante quanto um tapa, um golpe desferido a partir de seu lugar de dor e desilusão.

— A garota piscou, surpresa, ferida, um olhar de confusão passando por seus olhos, mas apenas por um segundo.

—Depois, ela ergueu o queixo, orgulhosa como alguém que a vida tentou esmagar, mas não conseguiu.

— Desculpe, senhor — respondeu, tentando manter a dignidade em sua voz que tremia um pouco.

— Eu só ofereci minhas flores, o senhor não precisava falar comigo assim; estou apenas tentando vender rosas.

O olhar dela tremia, mas não tinha medo, foram palavras honestas, como uma luz tênue em meio à escuridão.

— Era coragem, uma bravura que não combinava com seus dezenove anos, mas que parecia brotar de um lugar profundo dentro dela.

— Eu não tenho culpa se alguém machucou o seu coração — continuou, firme, com uma maturidade que desafiava o que se esperava de alguém tão jovem.

— O meu também foi machucado... mas eu escolhi não machucar ninguém só porque fui ferida.

Ela ajeitou as flores nos braços, como quem cuida de algo vivo, delicado e, ao mesmo tempo, poderoso, uma metáfora perfeita para a própria vida que ela estava se recusando a deixar que a dor moldasse.

— Tenha um bom dia, senhor.

E deu um passo para trás, mantendo a postura ereta, demonstrando a força que poderia passar despercebida.

— Damian abriu a boca para dizer algo — qualquer coisa que pudesse salvar aquele momento de se afundar ainda mais em seu próprio vazio.

— Um “espere”, um “desculpe”, um “quanto custa uma rosa”. — Mas nada saiu; sua voz estava presa na garganta como um grito sufocado.

— A garota se afastou entre os carros, com a postura de alguém que perdera tudo, menos a própria bondade, uma aconchegante chama de esperança em um mundo frio.

—E algo dentro dele pesou: arrependimento, culpa, humanidade — aquela que ele achava que tinha morrido na mesma noite em que Sabina o abandonou, deixando-o vagar em um deserto emocional.

— O sinal finalmente abriu, e Damian acelerou, mas, pela primeira vez em meses, desejou voltar atrás, fazendo as coisas de maneira diferente.

— Sem entender que aquele rosto jovem, aquela voz frágil, aquela rosa não vendida... voltaria para sua vida do jeito mais improvável, desafiando-o a reconsiderar os próprios muros que havia construído em torno de seu coração.

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Último capítulo

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO FINAL

    A vida de Morgan e Yasmin transcorreu de maneira calma e harmoniosa, marcada por uma continuidade tranquila, como um rio que flui serenamente sem tormentas em sua superfície. — Não houve grandes rupturas ou recomeços tumultuados; pelo contrário, tudo se desenrolava de forma natural, como as folhas de uma árvore que caem suavemente no outono.Com o passar do tempo, Morgan, já distante da necessidade de validação, percebeu que suas empresas prosperavam sob uma administração sólida, semelhante a um jardim que floresce quando bem cuidadas. — Ele aprendeu a importância de delegar responsabilidades, confiando nas pessoas ao seu redor, enquanto se mantinha presente em suas vidas, como um sol que, mesmo à distância, ilumina e aquece tudo ao seu redor.Ao promover um ambiente de trabalho colaborativo, sua equipe tornou-se mais engajada e inovadora, resultando em projetos de sucesso, como um coral que opera em harmonia para criar uma bela sinfonia.— O trabalh

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO BÔNUS 01

    SABINA. Após cumprir uma pena de doze anos, Sabina viveu como um livro fechado, sem fofocas nem entrevistas, evitando tentativas de reescrever sua história. — O tempo, como um juiz implacável, revelou o peso de suas decisões. Ao sair da prisão, não encontrou aplausos, olhares curiosos ou alguém especial à sua espera; apenas uma pequena mala e a amarga certeza de que nada poderia ser recuperado — nem o passado, nem suas filhas, nem o homem que, em algum momento, confundiu amor com posse.— Em busca de um novo começo, mudou-se para outro país, motivada não por nobreza, mas por necessidade, como um pássaro que precisa migrar para encontrar um novo lar. Sob uma nova língua e uma rotina diferente, longe de sobrenomes conhecidos, experimentou pela primeira vez o anonimato, onde cada dia se tornava uma oportunidade para reescrever sua narrativa, livrando-se do fardo do reconhecimento público. — Essa nova realidade a forçou a enfrentar a si mesma

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO BÔNUS

    CATHERINE Catherine não saiu ilesa, não saiu impune e principalmente, não saiu a mesma após cumprir a sentença.—O julgamento foi um divisor de águas para ela; as manchetes que tentou ignorar ecoaram em sua mente, e o silêncio que se seguiu substituiu os convites e contatos influentes que antes recebia. Através dessa dura realidade, Catherine aprendeu algo crucial: inteligência sem caráter não sustenta poder algum. — O que ela havia considerado uma estratégia revelou-se como soberba, e o controle que buscava era, na verdade, um desespero desmedido. A sentença foi dura, mas justa, e mais importante, definitiva. — Nos anos que se seguiram, Catherine enfrentou uma batalha interna contra seu próprio reflexo. Não era a luta contra as escolhas que fez — que durante muito tempo tentou justificar — mas sim contra a imagem da mulher que havia se tornado. Já não era a executiva admirada ou a presença respeitada; sua nova realidade a reduziu a

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO

    Dezesseis anos se passaram desde que as gêmeas entraram na vida de Morgan, e, desde então, minha existência passou a girar em torno dessa família que eu nunca imaginei formar. — O tempo, ao invés de correr, se arrastou como uma suave correnteza que, mesmo em seus momentos lentos, trouxe uma serenidade inesperada e transformadora. Cada dia se desdobrou como uma pétala de flor, criando raízes profundas em nossas vidas e tornando-se parte da nossa rotina. — Esse período foi um mosaico vibrante de risos e um cansaço gratificante, em que os silêncios compartilhados falavam mais do que palavras poderiam expressar; eram momentos de conexão genuína que transcendem a mera comunicação. As decisões que tomamos foram sempre impregnadas de amor e de uma certeza inabalável, fundamentadas em um laço forte que se solidificou através de cada desafio e celebração que enfrentamos juntos. — Hoje, as gêmeas têm dezesseis anos: são altas e autoconfiante, cada uma com su

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####CAPÍTULO 74

    Entrei em casa naquela noite sem anunciar de onde eu estava vindo. — A porta fechou atrás de mim com um som discreto. Por um instante, permaneci parado, sentindo o peso do dia escorregar pelos ombros, como se meu corpo tivesse chegado antes e minha mente ainda estivesse presa naquele corredor da delegacia. —As lembranças da sala abafada, o olhar vazio de Sabine, e a amarga constatação de que certas histórias não terminam em gritos, nem em acusações, mas com a firme decisão de não permitir que o passado continue respirando dentro de nós, estavam frescas na memória.Yasmin estava sentada, amamentando os gêmeos.— A cena me atingiu com uma força que nenhum depoimento, prova ou assinatura poderia alcançar. Havia cansaço ali, havia dor, e marcas que não eram apenas do corpo; mas, acima de tudo, havia presença.— Ela sustentava vida. Sustentava nossa casa. Sustentava a paz que eu passei tempo demais achando que se comprava com controle e sil

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####CAPÍTULO 73

    Uma semana depois, voltei à delegacia. Não porque fosse uma obrigação ou exigência policial, mas porque precisava de um fechamento interno que não encontrei nas palavras faladas ou nas promessas mentidas. — Algumas questões não se resolvem apenas com processos ou laudos; elas exigem um confronto direto com o passado, mesmo que esse passado já não tenha espaço na nossa vida. Enquanto atravessava o corredor frio, marcado pelo eco de vozes passadas e o cheiro forte de desinfetante, senti um peso estranho no peito — como se estivesse carregando um fardo invisível que eu mesmo havia criado. — Era uma sensação desconfortável que me acompanhava, não era saudade ou raiva, mas a amarga consciência de que algumas escolhas, uma vez feitas, não permitem retorno. Essas decisões são como portas que, uma vez fechadas, não podem ser reabertas sem deixar cicatrizes; marcas que ecoam através do tempo, transformando-se em memórias persistentes que surgem nos momentos mais

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