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####CAPÍTULO 4

last update Data de publicação: 2025-11-25 22:20:23

O silêncio no saguão da empresa parecia palpitar quando Damian finalmente encontrou sua voz. —Diante de Yasmin, uma mulher com roupas modestas, ele vislumbrou uma cena incomum: duas crianças, que claramente não pertenciam a aquele ambiente corporativo — e muito menos a ela. — Eram dois recém-nascidos, cuidadosamente envoltos em mantas luxuosas, adornadas com detalhes apenas acessíveis a famílias extremamente ricas. — O choque paralisou seu corpo.

— Quem entregou essas crianças a você? — Damian indagou, mantendo um tom firme, embora a confusão em seu olhar fosse inegável. Yasmin engoliu em seco; seus braços tremiam, mas ela segurava os bebês com extremo cuidado, como se temesse que qualquer movimento brusco pudesse machucar aquelas vidas diminutas, que não deveriam estar em seus braços.

— Senhor… — ela começou, esforçando-se para articular as palavras. — Eu estava lá fora, vendendo minhas flores, quando duas mulheres se aproximaram rapidamente. Elas me entregaram os bebês e disseram que eu precisava entregá-los ao dono da empresa antes de desaparecerem. Fiquei apavorada.

Ela olhou para os pequenos novamente, tentando ainda processar a absurdidade da situação. — Vi que eram muito pequenos... acho que recém-nascidos mesmo — continuou, a voz embargada. — E estavam chorando... não consegui simplesmente deixá-los ali.

Ela respirou fundo e completou: — Veja as roupas delas, senhor. São de luxo. Tudo aqui tem muito valor. — Não são crianças abandonadas por falta de recursos… isso foi cuidadosamente planejado. — Acredito que haja algum tipo de correspondência entre as mantas, um bilhete... algo que explique essa situação. — Eu só vim entregar, não sabia o que mais fazer, senhor.

Damian passou a mão pelos cabelos e respirou fundo. — Por um breve momento, todo o ambiente corporativo, o mármore, o vidro, a equipe em silêncio desapareceu. — O que restou foi a pergunta que ardia dentro dele: — quem faria isso, e por quê?

Ele se virou para Yasmin, notando o medo genuíno em seus olhos e a forma como ela instintivamente protegia as crianças. — Uma mulher que não lhe devia nada... mas que ali estava, tremendo, sem tentar escapar.

— Havia algo profundamente errado naquela entrega; e, ainda assim, tudo parecia estranhamente inevitável.

“A vida tem suas próprias regras,” refletiu, sentindo um peso imenso em seus ombros.

— Me dê uma delas — disse Damian, em um tom baixo, excessivamente controlado para disfarçar o pânico que ameaçava transbordar.

— Yasmin hesitou, o instinto de proteção prevalecendo, mas, por fim, entregou uma das crianças em seus braços.

Foi nesse instante que Damian compreendeu que aquele choque… era apenas o começo. — Assim que os bebês começaram a chorar em uníssono, ele percebeu que, entre as mantas, havia um bilhete.

— No papel estava escrito: “Damian, são suas filhas. Meu marido não as quis. — Cuide delas, nasceram há dois dias. Seguem os documentos para que você possa registrá-las; por favor, coloque 'mãe desconhecida'. — Sou casada com um Sheik, e o nome dele não pode aparecer.”

Sabine havia ultrapassado todos os limites; agora, o estrago estava feito, e a realidade se tornava insuportável, maldita!

O silêncio opressivo no saguão parecia amplificar a gravidade da situação a cada segundo que passava. Yasmin, envolta em uma teia de nervosismo e urgência, suportava o peso dos olhares penetrantes dos executivos presentes, todos inconscientemente tornando-se espectadores de um drama impensável.

— Era como se o tempo tivesse parado; os relógios nos muros brancos e frios da empresa marcavam cada instante de tensão em vão.

—Damian, por sua vez, sentia a pressão crescente em seu peito, como se um vazio se formasse ali, um espaço que ecoava com perguntas sem respostas.

A ideia de que aquelas crianças, frágeis e indefesas, foram deixadas em suas mãos revolviam seu estômago. — Cada batimento do seu coração ressoava como um lembrete cruel de que ele precisava agir; a responsabilidade agora estava em suas mãos.

— Damian piscou, tentando clarear a mente enquanto Yasmin falava, sua voz cada vez mais abafada pela emoção.

Ele a observava com mais atenção, percebendo que sua postura, embora imbuída de medo, transparecia uma determinação silenciosa.

— Havia algo mais profundo na forma como ela segurava os bebês, um instinto materno que ela mesma não parecia entender, refletindo um desejo profundo de proteger aquelas vidas pequenas a qualquer custo.

— Ela não apenas entregou os bebês; estava lhes oferecendo um fio de esperança em uma situação que parecia desmoronar. Se as mantas finas eram sinônimo de riqueza, havia uma fragilidade por trás da opulência que agora clamava por atenção e compreensão.

Com um suspiro profundo que parecia originar-se de uma junção de raiva e desespero, Damian silenciosamente fez sua escolha. — Ele não sabia o que o futuro reservava, mas compreendia que não poderia ignorar aquele presságio. — As crianças clamando em seus braços, de repente, deixaram de ser estranhas e tornaram-se parte dele, criando um vínculo inegável.

— Enquanto suas mãos trêmulas seguravam o bilhete, ele leu a mensagem reveladora e percebeu que o mundo como o conhecia começou a se fragmentar em pedaços.

— Forçado a unir os cacos de sua vida, ele enfrentava uma nova e assustadora realidade.

Sabine havia cruzado um limite que nenhum deles poderia imaginar, e agora Damian se via diante de um abismo de perguntas sem fim, confrontando a inevitabilidade de um futuro que não escolheu, maldita!

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Último capítulo

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO FINAL

    A vida de Morgan e Yasmin transcorreu de maneira calma e harmoniosa, marcada por uma continuidade tranquila, como um rio que flui serenamente sem tormentas em sua superfície. — Não houve grandes rupturas ou recomeços tumultuados; pelo contrário, tudo se desenrolava de forma natural, como as folhas de uma árvore que caem suavemente no outono.Com o passar do tempo, Morgan, já distante da necessidade de validação, percebeu que suas empresas prosperavam sob uma administração sólida, semelhante a um jardim que floresce quando bem cuidadas. — Ele aprendeu a importância de delegar responsabilidades, confiando nas pessoas ao seu redor, enquanto se mantinha presente em suas vidas, como um sol que, mesmo à distância, ilumina e aquece tudo ao seu redor.Ao promover um ambiente de trabalho colaborativo, sua equipe tornou-se mais engajada e inovadora, resultando em projetos de sucesso, como um coral que opera em harmonia para criar uma bela sinfonia.— O trabalh

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO BÔNUS 01

    SABINA. Após cumprir uma pena de doze anos, Sabina viveu como um livro fechado, sem fofocas nem entrevistas, evitando tentativas de reescrever sua história. — O tempo, como um juiz implacável, revelou o peso de suas decisões. Ao sair da prisão, não encontrou aplausos, olhares curiosos ou alguém especial à sua espera; apenas uma pequena mala e a amarga certeza de que nada poderia ser recuperado — nem o passado, nem suas filhas, nem o homem que, em algum momento, confundiu amor com posse.— Em busca de um novo começo, mudou-se para outro país, motivada não por nobreza, mas por necessidade, como um pássaro que precisa migrar para encontrar um novo lar. Sob uma nova língua e uma rotina diferente, longe de sobrenomes conhecidos, experimentou pela primeira vez o anonimato, onde cada dia se tornava uma oportunidade para reescrever sua narrativa, livrando-se do fardo do reconhecimento público. — Essa nova realidade a forçou a enfrentar a si mesma

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO BÔNUS

    CATHERINE Catherine não saiu ilesa, não saiu impune e principalmente, não saiu a mesma após cumprir a sentença.—O julgamento foi um divisor de águas para ela; as manchetes que tentou ignorar ecoaram em sua mente, e o silêncio que se seguiu substituiu os convites e contatos influentes que antes recebia. Através dessa dura realidade, Catherine aprendeu algo crucial: inteligência sem caráter não sustenta poder algum. — O que ela havia considerado uma estratégia revelou-se como soberba, e o controle que buscava era, na verdade, um desespero desmedido. A sentença foi dura, mas justa, e mais importante, definitiva. — Nos anos que se seguiram, Catherine enfrentou uma batalha interna contra seu próprio reflexo. Não era a luta contra as escolhas que fez — que durante muito tempo tentou justificar — mas sim contra a imagem da mulher que havia se tornado. Já não era a executiva admirada ou a presença respeitada; sua nova realidade a reduziu a

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####EPÍLOGO

    Dezesseis anos se passaram desde que as gêmeas entraram na vida de Morgan, e, desde então, minha existência passou a girar em torno dessa família que eu nunca imaginei formar. — O tempo, ao invés de correr, se arrastou como uma suave correnteza que, mesmo em seus momentos lentos, trouxe uma serenidade inesperada e transformadora. Cada dia se desdobrou como uma pétala de flor, criando raízes profundas em nossas vidas e tornando-se parte da nossa rotina. — Esse período foi um mosaico vibrante de risos e um cansaço gratificante, em que os silêncios compartilhados falavam mais do que palavras poderiam expressar; eram momentos de conexão genuína que transcendem a mera comunicação. As decisões que tomamos foram sempre impregnadas de amor e de uma certeza inabalável, fundamentadas em um laço forte que se solidificou através de cada desafio e celebração que enfrentamos juntos. — Hoje, as gêmeas têm dezesseis anos: são altas e autoconfiante, cada uma com su

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####CAPÍTULO 74

    Entrei em casa naquela noite sem anunciar de onde eu estava vindo. — A porta fechou atrás de mim com um som discreto. Por um instante, permaneci parado, sentindo o peso do dia escorregar pelos ombros, como se meu corpo tivesse chegado antes e minha mente ainda estivesse presa naquele corredor da delegacia. —As lembranças da sala abafada, o olhar vazio de Sabine, e a amarga constatação de que certas histórias não terminam em gritos, nem em acusações, mas com a firme decisão de não permitir que o passado continue respirando dentro de nós, estavam frescas na memória.Yasmin estava sentada, amamentando os gêmeos.— A cena me atingiu com uma força que nenhum depoimento, prova ou assinatura poderia alcançar. Havia cansaço ali, havia dor, e marcas que não eram apenas do corpo; mas, acima de tudo, havia presença.— Ela sustentava vida. Sustentava nossa casa. Sustentava a paz que eu passei tempo demais achando que se comprava com controle e sil

  • A BABÁ DAS GÊMEAS DO MAGNATA AMARGURADO    ####CAPÍTULO 73

    Uma semana depois, voltei à delegacia. Não porque fosse uma obrigação ou exigência policial, mas porque precisava de um fechamento interno que não encontrei nas palavras faladas ou nas promessas mentidas. — Algumas questões não se resolvem apenas com processos ou laudos; elas exigem um confronto direto com o passado, mesmo que esse passado já não tenha espaço na nossa vida. Enquanto atravessava o corredor frio, marcado pelo eco de vozes passadas e o cheiro forte de desinfetante, senti um peso estranho no peito — como se estivesse carregando um fardo invisível que eu mesmo havia criado. — Era uma sensação desconfortável que me acompanhava, não era saudade ou raiva, mas a amarga consciência de que algumas escolhas, uma vez feitas, não permitem retorno. Essas decisões são como portas que, uma vez fechadas, não podem ser reabertas sem deixar cicatrizes; marcas que ecoam através do tempo, transformando-se em memórias persistentes que surgem nos momentos mais

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