LOGINLEON Suspirei pesadamente e disse: — Nos primeiros momentos, ela falava sobre usar a avó de Anya para recorrer à cláusula do testamento. Dizia que, como a avó de Anya era sentimental, ia fazer exatamente o que ela queria. E se não funcionasse, ela tinha outros planos. Ela queria que você pagasse por ter roubado o que ela acredita ser dela. — Ou seja, você — Valentina falou entre dentes. — Não somente eu, mas tudo o que eu represento: poder e dinheiro. Em um dos áudios, ela falava claramente com o Pedro sobre a empresa deles. Dizia que a empresa estava em frangalhos, que precisavam do meu dinheiro. Se eu não voltasse para ela, perderiam tudo. Foi aí que eu percebi que todo esse tempo foi só por dinheiro. Ela nunca me amou. Aliás, agora eu sei que nunca amou ninguém, na verdade. — Ela é uma cobra, Leon. Sempre foi. Assenti, me preparando para contar a Valentina que aquilo nem de longe era o pior que descobri sobre Isadora. Então continuei: — Sim. Tanto que a maldita ameaçou você,
LEON Quando chegamos à delegacia, eu e Rafael, com as provas contra Isadora nas mãos, eu tinha certeza de que o delegado ficaria chocado com as gravações. E ele ficou. Mas o que me deu raiva foi que, ao invés de agir imediatamente, ele começou a fazer perguntas idiotas sobre como conseguimos aquelas gravações. Como se a origem da prova importasse mais do que o crime em si. Senti a raiva subir como lava. A culpa, a impotência, a dor de saber que a mulher que eu deixei entrar na minha vida, na vida do meu filho, era uma assassina — tudo isso me cegava. Eu estava à beira de cometer uma bobagem diante das perguntas daquele delegado. Se não fosse Rafael, que me segurou pelo braço e falou em meu lugar, eu teria explodido ali mesmo. — Delegado — Rafael disse, a voz calma mas com um tom de ameaça velada —, entendo que o senhor precisa seguir os procedimentos. Mas estamos falando de uma assassina. E se o senhor não agir agora, ela vai fugir. E aí, a imprensa vai adorar saber que a polícia d
RAFAELNo exato momento em que Leon ouviu o áudio, percebi que algo quebrou dentro dele. Não era raiva — era algo mais profundo, mais perigoso. Uma fúria fria que fazia os olhos azuis dele ficarem escuros, como um animal prestes a atacar. Ele já estava quase na porta, os punhos cerrados, a respiração pesada.— Vou acabar com ela, Rafael. Vou fazer essa desgraçada pagar por tudo.Ele falou entre dentes, e eu sabia que ele não estava brincando. Conhecia meu irmão o suficiente para saber quando ele estava prestes a fazer uma besteira. E aquela era uma das piores.Antes que ele pudesse sair, segurei o braço dele com força.— Leon, para.— Tira a mão de mim, Rafael.— Não vou tirar. Você precisa se acalmar para poder agir.Ele tentou se soltar, mas eu apertei mais forte.— Você não entende, porra! Ela dormiu na minha cama, criou o meu filho, e agora descobri que foi ela que...— Eu entendo! — gritei de volta. — Eu entendo mais do que você imagina. Mas se você sair daqui agora, de cabeça qu
LEONA avó de Anya me recebeu com a expressão severa, e não esperou nem eu pôr os pés direito dentro do seu escritório. Ela já foi logo dizendo:— Ainda bem que veio, Leon.Ela era uma senhora de rosto enrugado, pequena de estatura, com a aparência frágil, mas os olhos azuis como os de Anya brilhavam com uma intensidade que denunciava sua força. Os cabelos grisalhos estavam perfeitamente presos em um coque elegante, e cada movimento seu transmitia orgulho e determinação. Era difícil não sentir o peso da presença dela.— Bem, eu tinha que vir. Você praticamente me obrigou, não? — respondi, tentando manter a calma. — Por qual motivo, senhora Montreal?Sem paciência, ela jogou logo a bomba:— Preciso que você entenda: vou fazer de tudo para que a vontade da minha neta seja cumprida o quanto antes. Ainda mais agora que sei que você realmente pretende levar essa história de casamento com a babá a sério, ao invés de casar com Isadora. Vou usar a cláusula de Anya para isso.Eu soltei um sorr
LEONAntes de passar na casa da avó de Anya, fui primeiro ao apartamento do meu irmão para saber como ele estava e que tipo de informações ele tinha sobre Isadora e Pedro.Quando cheguei, havia seguranças dele na frente da porta do seu apartamento. Depois que me autorizaram a entrada, entrei e percebi que ele e Verônica faziam as malas — talvez para poder se afastar do perigo que os cercava. Eu queria ajudar meu irmão, mas por que diabos os Alencar eram sempre tão orgulhosos e teimosos?Não tive tempo de perguntar nada, ele já veio com a bomba nas mãos.— Leon, você não vai acreditar no que conseguimos — Rafael disse, com um sorriso de canto.— O quê?— O cara que eu contratei mandou um dos seus homens para dentro da empresa deles. Ele está lá trabalhando como se fosse um deles há semanas. E conseguiu isso.Ele me mostrou um pendrive.— Áudios. Conversas da Isadora com o irmão e com a mãe.Fiquei indignado com a ineficiência do meu investigador. Senti a raiva subir como fogo.— Mas co
LEON Mais tarde, já no quarto, eu a puxei para perto. O beijo não foi qualquer beijo — foi de fome, de posse, de promessa. Encostei seu corpo contra a parede, e ela riu suavemente. — Estou bem, amor. Estou aqui. E estou viva. — Valentina, você não imagina como eu teria ficado se algo tivesse acontecido. Se aquele desgraçado tivesse feito algo a você e aos meus filhos... — Calma, meu amor. Não aconteceu nada. Eu ainda estou aqui com você e… Ela falou, tocando minhas mãos. — O nosso filho está dormindo tranquilo no quarto, e o nosso bebê está aqui — ela disse, fazendo-me tocar suavemente a barriga já visível. — Viu? Nós estamos bem. — Sim, estão. E agora percebo que deveria aprender urgentemente a rezar. — Rezar? Por quê? — Pra agradecer a Deus por todos os cuidados com vocês. Valentina riu. — Se quiser, eu te ensino, amor. Não respondi. Apenas a puxei novamente para mim. — Depois, linda, pois agora o que tenho em mente é bem menos santo. Ela riu, e eu a fiz subir no meu







