LOGINLEONMe aproximei e perguntei, aborrecido diante da aparente inércia de todos:— O que estão esperando? Para invadir e pegar minha filha e minha sobrinha de lá? — gritei para o delegado.— Senhor, prendemos três homens de Murilo, mas eles nos deram informações de que há explosivos no local. Não podemos invadir sem o esquadrão antibombas.— Não pode ser! E as crianças? Realmente estão lá dentro? — perguntei, desesperado.— Sim, estão.— Mas o quê? Vão ficar aí parados enquanto esses loucos seguram a minha filha em um local cheio de explosivos?— Senhor Alencar, entendo a sua angústia, mas...— Não me venha com "mas"! Eu vou entrar nesse maldito lilugar e nem tentem me impedir!— Leon, não! — Rafael e Henrique tentaram me segurar. — Vamos esperar o esquadrão.— Não posso esperar, Rafael! A Maitê é um bebê! A Lili tem só seis anos! E não sabemos se a Ana ainda está... está com elas.Eu falei, encarando Henrique, que contorceu o rosto de pavor.— Não... não, Leon. Eles não podem ter feito
LEONFui informado sobre o sequestro da Maitê e da Ana no hospital. Não pensei duas vezes. Peguei meu carro e fui em direção ao hospital. Quando cheguei, não sabia se acabava com os meus seguranças ou se entrava para consolar Valentina. Ela estava inconsolável. A polícia já estava lá, tentando colher o depoimento dela, e eu briguei e expulsei eles de lá, pois Valentina não podia passar por aquilo no pós-parto.Entrei no quarto e vi Valentina sentada na cama, o rosto molhado de lágrimas, os olhos vermelhos, o corpo tremendo. Os agentes estavam ao redor dela, fazendo perguntas, e ela mal conseguia responder. Estava soluçando, imaginando coisas horríveis que Isadora poderia fazer contra nossa filha.— Parem! De sufocar minha mulher e façam o seu trabalho! Procurem no hospital, nas câmeras, dentro e fora! O número do carro, o nome da mulher que levou as duas! — gritei.Os agentes se entreolharam, assustados com a minha fúria.— Senhor Alencar, precisamos entender o que aconteceu...— Ente
RAFAELALGUNS DIAS ANTES...A vida estava seguindo em paz. Pela primeira vez em muito tempo, eu podia dizer que estava feliz. A amizade com o Leon estava mais forte do que nunca. A gente se falava todos os dias, e os nossos pais... bem, os nossos pais não tinham mais nenhuma influência sobre nós. É lógico que agora estavam envergonhados com respeito à Isadora e ao meu irmão. Afinal, eles eram os que mais defendiam a Isadora, e agora que a mídia já tinha mostrado que tipo de pessoa ela era, uma fugitiva da lei, os nossos pais sequer se aproximavam. Como sempre, eu era diferente do Leon. Os nossos pais nunca conseguiram se meter na minha vida. Eu estava apaixonado pela Verônica e gritava pro mundo inteiro, e eles jamais tentavam falar nada e nem conseguiriam. Já na vida de Leon, eles quase conseguiram destruir. Mas agora era bonito de ver: ele dando um basta definitivo neles.Naquele dia, eu teria um show. A banda costumava se apresentar geralmente à noite, fazia parte do estilo, do cli
A enfermeira me entregou, e, por fim, no meu colo, ela parou de chorar quando eu comecei a falar com carinho. — Calma, meu amorzinho. Tia Ana está aqui. Fica calminha pra mamãe poder também descansar... — Isso é injusto, Maitê. Eu também sou sua tia, sabia? Não é só a chata da Ana — Mariana disse, brincalhona. — Mas acho que ela acha justo, sim — Valentina respondeu, sorrindo. — Afinal, ela ainda lembra da voz de Ana, quando ela conversava com ela dentro da minha barriga. Até cantar, ela cantava. Toda desafinada, mas cantava. — Ah, então é por isso que ela é apaixonada pela titia Ana! — falei, sorrindo. — Viu só, Mariana? Ela não é uma bebê injusta. É só uma bebê exigente. Todas riram. Até a Maitê fez uns barulhinhos que pareciam risos. Ficamos ali, brincando com ela. Antes de sair a enfermeira disse que, se precisasse dela novamente, era só chamar. Logo em seguida, Mariana também se despediu de mim e de Valentina. Eu percebi que Valentina estava muito sonolenta. — Se ela dormi
ANAFazia dois dias que Valentina tinha dado à luz, e eu e Mariana não saíamos do hospital. A Maitê era a coisa mais linda que eu já tinha visto. Pequenininha, de olhos azuis, cabelo escuro como o pai. E o melhor de tudo: Henrique também estava sempre por lá. Sempre trazia flores, livros, ursinhos de pelúcia e algumas outras bugigangas para bebê. Ele dizia que era para animar a Valentina e a pequena Maitê, mas eu sabia que era para me ver também.Eu tentava me afastar. Mas ele sempre estava lá, e isso sempre me lembrava que os sentimentos que eu tinha por ele já estavam instalados no meu peito e não saíam mais, por nada, mesmo que eu desesperadamente tentasse negar.Naquela manhã, encontrei ele no corredor. Como sempre, começamos com uma leve discussão.— Por favor, Ana, já é o terceiro segurança que você ameaçou de assédio sexual e que desistiu de sua proteção. Será que você não entende que, se mandei, eles foi pensar no seu bem, na sua proteção? — ele disse.— Henrique, pelo amor de
LEONAinda corríamos perigo. Isadora e Murilo estavam soltos em algum lugar, e a polícia não conseguia encontrá-los. Fazia meses que não tentavam nada contra nós, mas eu sabia que isso não significava paz. Significava espera. Eles estavam planejando algo. Eu sentia.Além disso, Valentina ainda não tinha conseguido contato com o irmão. Ela havia enviado e-mails, mensagens e até ligado para o número que o investigador conseguiu. Nada. Ele não respondia. Não queria falar com ela. E isso a machucava mais do que ela deixava transparecer.Mas, naquela manhã, tudo isso ficou em segundo plano.Eu estava no escritório, revisando alguns documentos, quando ouvi Valentina me chamar. A voz dela saiu estranha. Diferente.— Leon?Levantei os olhos e a vi parada na porta, a mão na barriga, o rosto contorcido.— Amor? O que foi?— Eu... acho que a Maitê está chegando.Fiquei paralisado por um segundo. Depois, me levantei tão rápido que derrubei a cadeira.— O quê? Agora? Mas não é cedo demais? Não era







