MasukANAEu precisava alcançar a barra de ferro. Mas estava longe. E ele havia suspendido minhas duas mãos para cima, no chão. Por mais que eu me debatesse, as mãos dele eram como grilhões. Ele devia ter uns noventa quilos ou mais. Era um brutamontes. Eu não tinha chance contra ele. Por mais que me debatesse.Foi quando pensei melhor. Parei de chorar. Parei de me debater. E disse uma verdade que poderia atiçá-lo ainda mais ou fazê-lo ceder um pouco a força.— Moço, por favor, não me machuca. Por favor, não faz isso... isso assim. Eu… eu sou... virgem.— Virgem? Uau. Não me lembro se já comi alguma virgem. Que delícia. Uma bucetinha apertada pra mim...Ele falou, e eu fiquei com nojo dele quando ele começou a beijar e lamber meu pescoço e seios. Meu corpo se retesou de puro asco e medo.“Droga! O truque deu errado”, eu pensei, desesperada, sentindo cada fibra do meu corpo travar. Então falei mais uma vez, fingindo inocência o máximo que pude:— Se... se prometer não me machucar, eu prometo
ANAEu estava com a Maitê nos braços quando a "enfermeira" que nos sequestrou me empurrou para dentro de um galpão abandonado. O lugar era enorme, escuro, com cheiro de mofo e ferrugem. No fundo, uma única lâmpada pendurada no teto iluminava uma mesa e algumas cadeiras. E, sentada numa delas, estava ela. Isadora.— Você! Exatamente como pensei. Está louca, Isadora! Nos solte imediatamente! — eu sussurrei, sentindo o sangue ferver.Ela se levantou, com um sorriso frio nos lábios.— O quê?! A amiga da santinha? O que a fiel escudeira da desgraçada está fazendo aqui, afinal?Ela perguntou para a mulher que me levou.— Desculpa, senhora Isadora. É que ela era a única que conseguia fazer a bebê se calar.— Maldição! E agora, o que vou fazer com essa idiota aqui?— Nos solte! Nos deixe ir! — eu falei imediatamente.— Isso nunca. Essa menina vale ouro, está me entendendo?— Você é louca, mesmo, né Isadora? Aliás, sempre foi. A Valentina e o Leon não merecem isso. E essa criança menos ainda.
LEONMe aproximei e perguntei, aborrecido diante da aparente inércia de todos:— O que estão esperando? Para invadir e pegar minha filha e minha sobrinha de lá? — gritei para o delegado.— Senhor, prendemos três homens de Murilo, mas eles nos deram informações de que há explosivos no local. Não podemos invadir sem o esquadrão antibombas.— Não pode ser! E as crianças? Realmente estão lá dentro? — perguntei, desesperado.— Sim, estão.— Mas o quê? Vão ficar aí parados enquanto esses loucos seguram a minha filha em um local cheio de explosivos?— Senhor Alencar, entendo a sua angústia, mas...— Não me venha com "mas"! Eu vou entrar nesse maldito lilugar e nem tentem me impedir!— Leon, não! — Rafael e Henrique tentaram me segurar. — Vamos esperar o esquadrão.— Não posso esperar, Rafael! A Maitê é um bebê! A Lili tem só seis anos! E não sabemos se a Ana ainda está... está com elas.Eu falei, encarando Henrique, que contorceu o rosto de pavor.— Não... não, Leon. Eles não podem ter feito
LEONFui informado sobre o sequestro da Maitê e da Ana no hospital. Não pensei duas vezes. Peguei meu carro e fui em direção ao hospital. Quando cheguei, não sabia se acabava com os meus seguranças ou se entrava para consolar Valentina. Ela estava inconsolável. A polícia já estava lá, tentando colher o depoimento dela, e eu briguei e expulsei eles de lá, pois Valentina não podia passar por aquilo no pós-parto.Entrei no quarto e vi Valentina sentada na cama, o rosto molhado de lágrimas, os olhos vermelhos, o corpo tremendo. Os agentes estavam ao redor dela, fazendo perguntas, e ela mal conseguia responder. Estava soluçando, imaginando coisas horríveis que Isadora poderia fazer contra nossa filha.— Parem! De sufocar minha mulher e façam o seu trabalho! Procurem no hospital, nas câmeras, dentro e fora! O número do carro, o nome da mulher que levou as duas! — gritei.Os agentes se entreolharam, assustados com a minha fúria.— Senhor Alencar, precisamos entender o que aconteceu...— Ente
RAFAELALGUNS DIAS ANTES...A vida estava seguindo em paz. Pela primeira vez em muito tempo, eu podia dizer que estava feliz. A amizade com o Leon estava mais forte do que nunca. A gente se falava todos os dias, e os nossos pais... bem, os nossos pais não tinham mais nenhuma influência sobre nós. É lógico que agora estavam envergonhados com respeito à Isadora e ao meu irmão. Afinal, eles eram os que mais defendiam a Isadora, e agora que a mídia já tinha mostrado que tipo de pessoa ela era, uma fugitiva da lei, os nossos pais sequer se aproximavam. Como sempre, eu era diferente do Leon. Os nossos pais nunca conseguiram se meter na minha vida. Eu estava apaixonado pela Verônica e gritava pro mundo inteiro, e eles jamais tentavam falar nada e nem conseguiriam. Já na vida de Leon, eles quase conseguiram destruir. Mas agora era bonito de ver: ele dando um basta definitivo neles.Naquele dia, eu teria um show. A banda costumava se apresentar geralmente à noite, fazia parte do estilo, do cli
A enfermeira me entregou, e, por fim, no meu colo, ela parou de chorar quando eu comecei a falar com carinho. — Calma, meu amorzinho. Tia Ana está aqui. Fica calminha pra mamãe poder também descansar... — Isso é injusto, Maitê. Eu também sou sua tia, sabia? Não é só a chata da Ana — Mariana disse, brincalhona. — Mas acho que ela acha justo, sim — Valentina respondeu, sorrindo. — Afinal, ela ainda lembra da voz de Ana, quando ela conversava com ela dentro da minha barriga. Até cantar, ela cantava. Toda desafinada, mas cantava. — Ah, então é por isso que ela é apaixonada pela titia Ana! — falei, sorrindo. — Viu só, Mariana? Ela não é uma bebê injusta. É só uma bebê exigente. Todas riram. Até a Maitê fez uns barulhinhos que pareciam risos. Ficamos ali, brincando com ela. Antes de sair a enfermeira disse que, se precisasse dela novamente, era só chamar. Logo em seguida, Mariana também se despediu de mim e de Valentina. Eu percebi que Valentina estava muito sonolenta. — Se ela dormi







