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Los Angeles, Califórnia
Quinta-feira, 19:30h O sol de Los Angeles começava a se despedir no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e violeta, mas Hunter Blackwood mal percebia a beleza do entardecer. Para o quarterback estrela do time da cidade, o mundo se resumia ao gramado impecável sob seus pés e ao peso da bola de couro em suas mãos calejadas. O treino de quinta-feira havia sido intenso; os músculos de seus braços, cobertos por tatuagens que contavam histórias de força e resiliência, latejavam com o esforço. No próximo sábado, ele enfrentaria um dos jogos mais importantes da temporada. Hunter estava no topo, no auge de sua carreira e de sua forma física, um homem que exalava poder e controle em cada movimento. Por volta das 17:00h, o som estridente de seu celular rompeu a concentração do final do treino. Ao ver o nome na tela, um sorriso raro e genuíno iluminou seu rosto severo. Ele atendeu a vídeo chamada imediatamente. — Oi, meu amor — disse Clara, a voz soando como uma melodia suave que sempre conseguia acalmar o turbilhão na mente de Hunter. Ela sorria para a câmera, os cabelos castanhos levemente desgrenhados pelo vento. — Cadê as mulheres da minha vida? — Hunter perguntou, encostando-se a um banco no vestiário, ignorando os companheiros de equipe que passavam ao redor. — Papai! — O grito entusiasmado veio do banco de trás do carro. Lily, com seus seis anos e olhos cheios de vida, surgiu na tela, agitando as mãos. — Oi, minha princesa — respondeu Hunter, e seu coração pareceu derreter. — O papai está com saudades. Estou ansioso para chegar em casa e encher vocês duas de beijos. — Também queremos encher o papai de beijos, não é, filha? — Clara disse, lançando um olhar carinhoso para a pequena pelo retrovisor. — Sim, mamãe! — Lily exclamou, rindo. Hunter mudou levemente o tom de voz, uma nota de preocupação surgindo em seu olhar. — Minha vida, onde vocês estão? Pensei que já tivessem chegado em casa. — Fizemos uma parada para lanchar — explicou Clara calmamente. — Lily disse que estava com muita fome, mas falta apenas uma hora de viagem. Logo estaremos aí. — Minha vida, eu já te disse... — Hunter suspirou, o instinto protetor falando mais alto. — Quando for visitar seus pais, precisa sair mais cedo de lá. Eu não gosto de vocês duas pegando estrada à noite sozinhas. Los Angeles pode ser perigosa, e o cansaço da estrada me preocupa. Clara soltou uma risada leve, tentando dissipar a tensão do marido. — Amor, fica tranquilo. Daqui a pouco estaremos em casa e tudo ficará bem. Agora vou desligar porque preciso focar no trânsito. Dá tchau para o papai, filha. — Tchau, papai! Amo você! — Lily mandou um beijo para a câmera. — Até logo, minha princesa. Clara, cuidado, por favor. Quando você chegar, eu já estarei em casa esperando por vocês. — Tudo bem, amor. Eu te amo muito. Hunter sentiu um calor no peito que nenhum troféu ou vitória jamais lhe dera. — Minha vida, eu te amo mais. Clara riu, o som sendo a última coisa que Hunter ouviu antes de ela selar o destino deles com a frase que era o lema do casal: — Agora e para sempre! — Sim — Hunter sussurrou. — Agora e para sempre. A ligação foi encerrada. Clara guardou o celular e concentrou-se na estrada à frente. No entanto, o clima na Califórnia, muitas vezes imprevisível, decidiu mudar. Nuvens carregadas encobriram a lua e uma chuva torrencial começou a cair, transformando o asfalto em um espelho traiçoeiro. Tudo aconteceu em uma fração de segundos. O brilho ofuscante de faróis altos surgiu na direção oposta. Um motorista em alta velocidade, tentando uma ultrapassagem imprudente, perdeu o controle. O impacto foi brutal. O som de metal retorcido e vidro quebrando abafou o som da chuva. O carro de Clara foi arremessado para fora da pista. No silêncio assustador que se seguiu, o único som audível era o das sirenes que, momentos depois, começaram a ecoar na distância, cortando a noite escura. Na mansão dos Blackwood, o relógio de parede na sala de estar marcava 19:30h. Hunter andava de um lado para o outro, o jantar intocado sobre a mesa. A angústia apertava seu peito de uma forma que ele não conseguia explicar. O silêncio da casa era ensurdecedor. O toque da campainha não foi um alívio, mas um gatilho para o terror. Ao abrir a porta, Hunter deparou-se com dois policiais. Seus uniformes estavam úmidos pela chuva e suas expressões eram sombrias, desprovidas de qualquer vestígio de boas notícias. — Aconteceu alguma coisa? — Hunter perguntou, sua voz saindo mais rouca do que o normal. Ele já sabia a resposta, mas sua mente lutava para não aceitar. — Eu sinto muito, Sr. Blackwood — disse um dos oficiais, tirando o quepe. — Mas sua esposa e sua filha sofreram um grave acidente de carro. Naquele instante, Hunter sentiu o chão se abrir sob seus pés. O mundo, que antes ele dominava com tanta facilidade, desmoronou. A força de seus músculos de atleta parecia ter evaporado, deixando apenas um homem vulnerável e aterrorizado. — Onde elas estão? — Ele perguntou, a voz trêmula, enquanto buscava oxigênio que parecia ter sumido do ambiente. — Foram socorridas e levadas para o Hospital Santa Mônica. Sem dizer mais uma palavra, Hunter pegou a carteira e as chaves do carro. Seus movimentos eram mecânicos, impulsionados pelo puro desespero. — Vamos acompanhar o senhor — disse o policial, vendo o estado de choque do homem. Hunter apenas assentiu. Ele entrou em seu carro e dirigiu como um louco pelas ruas molhadas de Los Angeles. As luzes da cidade eram apenas borrões coloridos. Ele precisava chegar lá. Precisava salvar o que restava do seu mundo. Ao chegar ao hospital, ele não esperou o carro parar totalmente. Correu para a recepção, o peito subindo e descendo em uma respiração descompassada. — Minha mulher e minha filha... Clara e Lily Blackwood! Onde elas estão? — Ele gritou para a atendente, que se assustou com a imponência e o desespero do homem tatuado à sua frente. — Senhor, por favor, acalme-se. Sua esposa foi levada imediatamente para a sala de cirurgia. O senhor deve sentar e aguardar notícias.Sete anos se passaram como um sopro de vento, transformando a mansão Blackwood em um cenário de movimento constante. Onde antes reinava o silêncio do luto, agora ecoavam as batidas de música pop, os gritos de Thomas correndo pelos corredores e, mais recentemente, as longas conversas ao telefone de uma adolescente que descobria o mundo. A festa de 15 anos de Lily não era apenas um evento; era o baile do ano. Hunter não poupou recursos. O salão principal da cidade estava decorado como um jardim de inverno encantado, com cristais pendendo do teto e milhares de rosas brancas. °°° Elena terminou de ajustar o colar de pérolas em Lily e deu um passo para trás, emocionada. A menina retraída de oito anos havia dado lugar a uma jovem deslumbrante. Lily usava um vestido de baile azul-claro que realçava seus olhos, e seu sorriso tinha uma confiança que Elena ajudara a cultivar dia após dia. — Você está maravilho
O jardim da mansão Blackwood estava diferente de qualquer outra celebração que já havia passado por ali. Não havia a rigidez dos eventos corporativos, nem a sombra do luto que pairou por tanto tempo. Hoje, o ar estava preenchido pelo som de risadas infantis, pelo aroma de pipoca e pelo brilho de balões em tons de azul e dourado que flutuavam sob o céu claro de domingo. Thomas completava seu primeiro ano de vida. Elena observava a cena da varanda, sentindo um calor no peito que nenhuma palavra conseguiria descrever. Ela estava radiante, com os cabelos soltos e um vestido leve. Ao seu lado, Hunter se aproximou, envolvendo sua cintura com um braço e depositando um beijo em seu ombro. Ele parecia anos mais jovem; as linhas de tensão em seu rosto tinham sido substituídas por uma serenidade profunda. — Olhe para isso — Hunter sussurrou, apontando para o gramado. — Quem diria que esta casa voltaria a ter tanta vi
Dias depois... A madrugada estava silenciosa na mansão Blackwood quando o mundo de Elena mudou. Não houve um grande alarde, apenas uma sensação estranha e úmida que a fez despertar de um sono leve. Ao se sentar na cama, sentiu a primeira contração — uma pressão forte e ritmada que a fez prender o fôlego. — Hunter… — ela chamou, tocando o ombro do marido. Ele, que andava dormindo em alerta máximo, despertou no mesmo instante. Bastou um olhar para a expressão de Elena para que o "General" assumisse o controle, mas desta vez com um brilho de ansiedade nos olhos que ele não conseguia esconder. — Está na hora? — ele perguntou, já se levantando e pegando o telefone. — Está na hora. Enquanto Hunter ligava para o Dr. Aris e para Steve, Elena tentava manter a calma, respirando fundo como havia praticado. Sônia que ultimamente estava dormindo na mansão foi acordada para ficar com Lily, que ainda dormia o
A festa finalmente tinha acabado. O silêncio da casa era gostoso, quebrado apenas pelo som distante do vento lá fora. No quarto, a luz estava baixinha, deixando tudo com um clima acolhedor e calmo. Hunter fechou a porta devagar e caminhou até Elena, ele parou a milímetros dela, encostando a testa na sua. Eles ficaram ali por um momento, apenas respirando o mesmo ar, sentindo o alívio de que, agora, eram oficialmente um só. — Sra. Blackwood... — ele murmurou. A voz de Hunter, geralmente um comando de autoridade nos campos e nas salas de reunião, saiu como um segredo sagrado, carregado de uma reverência que fez os olhos de Elena arderem. Elena sorriu, sentindo um friozinho bom na barriga ao ouvir o nome. Aquele nome não era apenas um sobrenome; era o símbolo da sua vitória sobre a infertilidade, sobre a solidão e sobre as mentiras de Vanessa. — Soa bem, não soa? — ela respondeu em um sussurro, passando os dedos pela nuca dele, sentindo a te
O jardim estava mergulhado em um silêncio reverente. O vento soprava suave, agitando as pétalas de lírios, enquanto o sol dourava o rosto dos convidados. Hunter e Elena estavam frente a frente, as mãos entrelaçadas sobre o ventre dela, onde Thomas parecia inquieto, como se soubesse da importância daquele instante. O celebrante fez um sinal, e Hunter deu um passo à frente. Ele não precisava de papel; as palavras estavam gravadas em sua alma. — Elena... — a voz de Hunter falhou por um milésimo de segundo, revelando a vulnerabilidade que apenas ela conhecia. — Há onze meses, eu achava que o meu coração tinha se tornado um lugar onde ninguém mais poderia morar. Eu vivia entre as sombras, acreditando que a felicidade era algo que eu só veria no espelho retrovisor. Mas aí, você chegou. Você não pediu licença; você simplesmente trouxe sua luz para a minha escuridão. Ele apertou as mãos dela, os olhos escuros brilhando com uma intensidade avassal
Três semanas depois... A mansão Blackwood amanheceu envolta em uma aura mágica. O jardim, que antes carregava o peso da solidão de Hunter, fora transformado em um cenário etéreo. Arcos de flores brancas e lírios do campo — a flor favorita de Elena — adornavam o caminho até o altar, enquanto cadeiras de madeira rústica esperavam pelos poucos e seletos convidados. No andar de cima, o quarto estava mergulhado em um caos organizado. Elena observava seu reflexo no espelho, sentindo uma emoção que transbordava. Ela já estava com quase oito meses de gestação, e sua barriga era uma curva majestosa sob o vestido de noiva. Sarah, a esposa de Steve, ajudava a ajustar os últimos detalhes. O vestido era uma obra-prima de seda fluida, em um tom de pérola que iluminava a pele de Elena. O corte império, logo abaixo dos seios, permitia que o tecido caísse com leveza sobre o ventre, conferindo-lhe uma elegância serena e materna. Seu cabelo estava preso em







