INICIAR SESIÓNPor um segundo, nenhum de nós se move.
As mãos dele continuam firmes na minha cintura, quentes demais através do tecido fino da camiseta.
Meu coração b**e tão forte que tenho quase certeza de que ele consegue ouvir.
Os olhos verdes descem do meu rosto até onde suas mãos me seguram, depois voltam para mim com uma intensidade que faz minhas pernas quase cederem.
— Srta. Collins — ele diz, a voz rouca. — Imagino que tenha lido as regras, certo?
Engulo em seco, tentando ignorar o calor subindo pelo meu pescoço.
— Eu… li — murmuro, odiando o quanto minha voz sai mais fraca do que eu gostaria. — Só vim pegar um copo de leite.
— Leite — ele repete devagar, e os dedos apertam levemente minha cintura. — No meio da madrugada. Vestindo… isso.
O olhar dele desce com calma pela minha camiseta, para no shortinho que mal cobre metade das minhas coxas e sobe de novo.
Meu corpo inteiro esquenta sob o exame silencioso.
E piora quando meus olhos, completamente traidores, percorrem o corpo dele. O cabelo bagunçado, o abdômen definido, a calça de moletom preta marcando um “V” que deveria ser proibido por lei…
— Eu não sabia que você estaria aqui — respondo, mas soa fraco demais para ser convincente.
— Assim como não sabia quem eu era naquela boate? — Ele dá um passo à frente, me prensando contra a geladeira.
— Eu não sabia quem você era — respondo rápido demais. — Ou não teria…
— Aceitado meu drink? — ele interrompe, arqueando uma sobrancelha. — Me deixado te beijar até acabar sentada no meu colo, implorando por…
— Eu não implorei por nada — rebato, quase num sussurro.
— Talvez não — ele diz, sem desviar o olhar. — Mas teria implorado se não tivesse fugido.
Meu corpo inteiro reage às palavras. Porque ele está certo.
Talvez eu tivesse implorado. Talvez tivesse esquecido completamente da razão e, pela primeira vez, me deixado levar pelo que o meu corpo queria.
E agora… estou aqui. Nos braços dele outra vez.
Os dedos dele deslizam até o meu queixo, inclinando meu rosto para cima, me obrigando a encará-lo.
— Eu devia ter te mantido longe de mim — ele continua, roçando o nariz na minha bochecha com uma lentidão cruel, fazendo meus olhos se fecharem. — Devia ter te esquecido no segundo em que você saiu correndo daquela boate.
— E por que não esqueceu? — pergunto, abrindo os olhos para encará-lo.
— Porque você invadiu a porra da minha empresa — responde, rouco. — Entrou na minha sala. Conquistou meu filho. E agora está aqui, na minha casa, vestindo isso, me provocando.
— Não estou te provocando…
— Não está? — murmura, enquanto a mão desliza da minha cintura até minha bunda, me puxando para mais perto. — Então, o que é isso, Ivy? Por que continua nos meus braços, praticamente implorando para que eu te toque de novo?
Minha voz desaparece.
E quando ele se inclina, quando seus lábios roçam nos meus em um toque lento, carregado de pecado…
Eu me perco.
Fecho os olhos, pronta para cometer o erro mais delicioso da minha vida.
Mas então…
O celular vibra sobre o balcão, cortando o momento como um balde de água fria.
Desviamos o olhar ao mesmo tempo. E é aí que vejo a foto de uma mulher loira acima da notificação.
Lucas se afasta de repente, soltando minha cintura como se eu queimasse. Depois, dá dois passos para trás, passa a mão pelos cabelos com força.
— Porra — murmura, mais para si mesmo do que para mim. — Isso não pode acontecer nunca mais, ouviu?
Pisco, tentando processar o que acabou de… ou melhor, o que quase aconteceu.
— O que voc…
— Aquela noite foi um erro — ele corta, apontando entre nós dois. — E isso aqui não pode se repetir.
— Sei disso — murmuro, me esforçando para manter a voz firme, apesar das pernas trêmulas. — Foi só um beijo. Nada demais. Já até me esqueci.
Desvio o olhar para que ele não perceba minha mentira descarada.
Porque é claro que eu não esqueci.
Aquele beijo ainda está vivo demais na minha memória… mas ele não precisa saber disso.
Lucas solta uma risada curta, sem humor.
— Ótimo — ele diz, enfim, pegando o celular no balcão. — Então estamos entendidos. Você é minha funcionária. Eu sou seu chefe. E o que aconteceu naquela boate… nunca existiu.
— Exatamente — concordo, pegando o leite esquecido no balcão.
Fico em silêncio, com os pés plantados no chão. Eu deveria pegar o copo e sair. Correr para o quarto antes que eu faça mais alguma besteira.
Mas não consigo.
— Porra… — ele murmura, passando a mão pelo cabelo enquanto lê algo no celular. — Mais isso agora.
— Algum problema? — pergunto sem pensar, enquanto despejo o leite no copo.
Ele levanta o olhar, como se despertasse de um transe irritado.
— Nada que te diga respeito, Srta. Collins — responde, retomando a frieza habitual. — Volte para o seu quarto. E, da próxima vez, tente respeitar as regras.
Uau. O rei da simpatia.
Assinto, pego o copo e tento manter o resto da dignidade intacta.
— Boa noite, Sr. Sinclair.
Lucas não responde, só continua digitando, com o maxilar tenso e os olhos grudados na tela que ilumina seu rosto fechado.
Viro as costas e saio da cozinha o mais rápido possível sem parecer que estou fugindo novamente… embora esteja. Totalmente.
Quando chego ao corredor, encosto as costas na parede fria e fecho os olhos, tentando fazer o coração desacelerar.
— Meu Deus… — sussurro, levando a mão ao peito enquanto minhas pernas ainda tremem. — Eu… quase beijei ele. De novo.
Meu drama silencioso é interrompido pela voz dele, baixa e irritada, vinda da cozinha.
— Sim, Blair, estou sozinho — diz, num tom que eu nunca ouvi antes. Cansado. — Você disse que ficaria mais uma semana. Por que decidiu voltar amanhã?
Franzo as sobrancelhas, esquecendo completamente o quase beijo de segundos atrás.
Blair? Quem é Blair?
É a loira da foto?
E, mais importante… ela volta amanhã.
Pra onde exatamente?
Pra cá?
“Lucas Sinclair”Passei a vida inteira tomando decisões. Algumas fáceis, a maioria não.Aprendi cedo que hesitação tem custo, que clareza é mais útil do que conforto, que o mundo não para para esperar que você esteja pronto.Mas, quando Ivy entrou no final do corredor com o vestido branco e os olhos presos nos meus… percebi que não há decisão que eu tenha tomado na vida que tenha pesado tanto quanto essa.E que nenhuma foi tão certa.Ela aperta minha mão quando o padre anuncia que é a vez dela, e sinto a leve pressão dos dedos dela nos meus antes que vire o corpo para mim.— Lucas — começa, suave. — Quando aceitei trabalhar na sua casa, tinha um plano muito claro do que aquilo seria. Temporário, prático, necessário. Definitivamente, você não estava nesse plano.Ouço algumas risadas baixas entre os convidados, mas não desvio os olhos dela.— Você foi a coisa mais complicada que já aconteceu comigo — continua, com os olhos brilhando pelas lágrimas. — Teimoso, controlador, impossível de
A música começa no instante em que as portas da igreja se abrem. Meu coração dispara tão forte que consigo sentir cada batida ecoando no peito, enquanto dou o primeiro passo ao lado de Owen. As luzes suaves iluminam o corredor longo, coberto de flores brancas e velas douradas. Os convidados se levantam devagar, mas mal percebo os rostos. Porque meus olhos encontram ele imediatamente. Lucas. Parado no altar, com o terno escuro perfeitamente alinhado e aquele controle impecável que sempre carregou… completamente destruído no segundo em que me vê. E Deus. Nunca vou me cansar de perceber como aquele homem olha para mim. — Vamos? — Owen diz, estendendo o braço. Concordo com a cabeça, segurando-o com cuidado. Caminhamos devagar pelo corredor, enquanto a música preenche a igreja inteira com uma suavidade que contrasta completamente com o caos dentro do meu peito. Owen mantém a mão firme sobre a minha, como se soubesse exatamente o quanto minhas pernas estão tentando esquecer como
“Ivy Collins” Um ano e dois meses se passaram desde aquele pedido. Mais de um ano tentando transformar um sim em uma cerimônia, porque, quando você é Lucas Sinclair, não aceita nada que não esteja exatamente certo. Ele me levou ao limite em cada detalhe que insistiu em controlar pessoalmente. Da lista de convidados às flores, que foram trocadas três vezes até finalmente chegarmos a um consenso. Reclamei, mas não quis nada diferente. E hoje estou aqui. Admirando o vestido que levou dois meses para ficar pronto, no quarto reservado de um venue em Manhattan, que é exatamente o tipo de lugar que eu jamais imaginaria frequentar antes de tudo mudar. Sophia se mexe, e desvio os olhos para ela imediatamente. Há uma semana, minha cunhada sorri toda vez que coloca as mãos na barriga. Ela acha que está disfarçando bem o quanto está encantada com essa nova vida de apenas dez semanas. Mas não está. — Você percebe que está sorrindo para a própria barriga há quase cinco minutos, né? — com
“Ivy Collins” O buquê ainda está nas minhas mãos quando percebo que estou sorrindo de um jeito que não planejei. É branco, com flores pequenas e perfume suave, e chegou até mim com uma força que fez todo mundo ao redor rir e aplaudir como se fosse um sinal do universo. Talvez seja. — Olha quem pegou — Tiffany comenta, ao meu lado. — Que surpresa. — Foi sorte — respondo, olhando para o buquê. — Claro que foi. Levanto os olhos e encontro Sophia do outro lado do jardim, ao lado de Blake, me observando com um sorriso satisfeito. Lucas se aproxima de mim e segura minha mão, me olhando com aquela atenção que ainda me pega de surpresa depois de anos, mesmo depois de tudo que construímos juntos. — Vem comigo — diz, me puxando. Assinto, sem questionar. Ele me leva para longe da festa, até parar em um canto do jardim, onde as luzes são mais suaves e o som da música chega abafado. — Você está bem? — pergunto, preocupada com a urgência. Lucas não responde de imediato. Só
Blake segura minha mão e andamos pelo tapete vermelho. Somos recebidos por uma chuva de arroz assim que chegamos ao final dele. A festa acontece do lado de fora, com mesas espalhadas pelo jardim e música suave preenchendo o ar, enquanto as luzes penduradas nas árvores iluminam tudo com um brilho dourado. É simples, mas lindo. Exatamente o tipo de coisa que nunca imaginei querer até perceber que, no fim, o que importava não era o tamanho da cerimônia. Era ele. Blake segura minha mão enquanto caminhamos entre as mesas, recebendo abraços e cumprimentos. — Nunca achei que ver você casar fosse me deixar emocionalmente instável — Owen comenta, surgindo ao meu lado com uma taça na mão. — Você literalmente chorou no seu casamento, Owen. — E vou negar isso até morrer. Abre a boca para provocá-lo um pouco mais, mas não tenho tempo para falar nada quando o DJ anuncia a primeira dança. Blake segura minha mão e me conduz até o centro da pista no exato momento em que a música come
Três anos. É o tempo que leva para uma vida desmoronar e se reconstruir de um jeito que você não planejou, mas que, de alguma forma, faz mais sentido do que qualquer coisa que teria escolhido sozinha. Três anos desde Chicago. Desde Simon. Desde que Blake Reeve entrou na minha vida como uma dor de cabeça de uniforme e acabou se tornando o homem sem o qual não consigo imaginar acordar. E hoje… ele está me esperando no altar. — Para de sorrir assim ou vai borrar o batom antes de chegar lá — Ivy diz, ao meu lado, sem desviar os olhos do celular, onde revisa alguma coisa da lista de convidados pela décima vez. — Não estou sorrindo. — Está — Tiffany confirma, ajeitando o véu com cuidado, séria demais. — E é estranho. Você nunca sorri assim. — Porque hoje vou me casar com o homem que amo. — Awn… ela admite agora sem nem tentar disfarçar — Ivy comenta, finalmente levantando os olhos do celular. — Sempre admiti. — Não desse jeito — Tiffany rebate, colocando a mão na própria barriga







