INICIAR SESIÓNHelena não quis permanecer ali para ouvir uma discussão que, de qualquer maneira, não parecia ter intenção de a incluir. Foi buscar Henrique, que estava a lavar as mãos, e acompanhou-o até à mesa. O menino sentou-se e começou a contar o que tinha feito na escola. Dário ouviu com atenção, fez algumas perguntas e elogiou o trabalho que Henrique tinha levado para casa. Sofia também participou na conversa, mas, sempre que Helena se aproximava para ajudar o menino, o seu rosto endurecia. Depois do almoço, Henrique pediu para mostrar os desenhos à tia. Sofia aceitou, e os dois foram para a sala. Helena ficou a alguma distância, organizando os materiais escolares que precisariam de ser preparados para o dia seguinte. — Este é o desenho que fiz ontem — anunciou Henrique, entregando-lhe uma folha. Sofia observou a imagem. Estavam representadas quatro figuras diante de uma casa: Dário, Henrique, Bianca e Helena. — Já te disse que a tua mãe não está aqui, Henrique — comentou ela, sem a
A manhã começou com uma tranquilidade que não correspondia ao ambiente dentro da mansão. Helena levantou-se cedo, tomou banho e vestiu-se para mais um dia de trabalho. Enquanto prendia o cabelo diante do espelho, pensou na visita de Sofia e nas palavras que ouvira no dia anterior. Não pretendia conquistar a simpatia da irmã de Bianca, muito menos disputar com ela um lugar naquela casa. Ainda assim, não conseguia ignorar a sensação desagradável de estar a ser julgada por alguém que mal a conhecia. Quando chegou ao quarto de Henrique, encontrou o menino sentado na cama, abraçado ao seu pequeno dinossauro de peluche. — Bom dia, Henrique. — Bom dia, Helena. A tia Sofia ainda está cá? — Está, sim. Por quê? O menino encolheu os ombros. — Ontem ela disse que hoje queria brincar comigo. Helena sorriu enquanto abria as cortinas. — Então talvez possas mostrar-lhe os teus desenhos. — Ela não gostou muito do desenho da nossa casa. Helena virou-se para ele. — Como assim? — D
Antes que respondesse, Dário interveio. — Sofia, chega. A irmã de Bianca voltou-se para ele. — Estou apenas a dizer que a presença dela nesta casa é recente. Não acho que devas permitir que alguém que mal conheces se torne tão importante para o Henrique. Dário ficou imóvel durante alguns segundos. — Helena foi contratada para cuidar do meu filho. Tem feito o trabalho dela com dedicação e respeito. O Henrique sente-se seguro com ela, e isso é o que importa. — Não estou a dizer que não faz o trabalho dela. — Então não vejo motivo para a tratares desta maneira. Sofia desviou o olhar, contrariada. — Estás a defendê-la com muita facilidade. — Estou a exigir respeito. Não é a mesma coisa. O silêncio que se seguiu tornou o ambiente pesado. Helena não esperava que Dário interviesse com tanta firmeza. Ainda assim, não queria que a conversa se transformasse numa disputa entre eles. Era a primeira visita de Sofia desde que a rotina da casa começou a mudar e Henrique não pr
Seguiram para uma pequena sala ao lado do escritório, onde poderiam falar sem serem ouvidos por Henrique. Dário fechou a porta, mas permaneceu a uma distância respeitosa. — Lamento a maneira como a minha irmã te tratou. Helena pousou a pasta sobre uma cadeira. — Não precisas de pedir desculpa pelo comportamento dela. — Talvez não seja responsável pelo que ela diz, mas sou responsável por não permitir que te trate assim na minha casa. Helena observou-o durante alguns segundos. — Ela está a sofrer. Consigo compreender isso. — E eu não quero que sintas que tens de aceitar tudo por causa disso. A sinceridade da resposta tocou-a. — Não vou criar problemas, Dário. Mas também não quero ter de me justificar constantemente por fazer o meu trabalho. — Não terás de o fazer. Ele pareceu querer aproximar-se, mas conteve o impulso. — Se ela voltar a fazer algum comentário desagradável, diz-me. Helena franziu ligeiramente o sobrolho. — Posso responder por mim mesma. Dá
Helena chegou ao quarto de Henrique pouco depois das sete da manhã. O menino ainda estava deitado, com a manta enrolada à volta das pernas e um dos braços estendido para o lado onde costumava deixar o seu urso de peluche. Quando a ouviu entrar, abriu os olhos lentamente e sorriu ao reconhecer a pessoa que estava à porta.— Bom dia, Henrique.— Bom dia. A tia Sofia vem hoje?Helena aproximou-se da cama e afastou-lhe uma madeixa de cabelo da testa.— Sim. O teu pai disse que ela chegará durante a manhã.Henrique sentou-se, subitamente mais desperto.— Achas que ela vai gostar do meu desenho?— Acho que vai gostar de o ver. E, mesmo que não goste de alguma coisa, isso não significa que o desenho não seja bonito.O menino pareceu satisfeito com a resposta e começou a procurar os chinelos.— Vou mostrar-lhe o Trovão.— Então temos de nos despachar. Primeiro, banho, depois vestimo-nos e vamos tomar o pequeno-almoço.Henrique fez uma expressão de desagrado.— Outra vez o banho?— Sim, outra
Dário assentiu lentamente. — Isso é justo. — E não precisas de me explicar tudo sobre a Bianca. Ela foi tua esposa. Há coisas que pertencem à vossa história e que não precisam de ser partilhadas comigo para que eu respeite a memória dela. Ele baixou os olhos, visivelmente tocado pela resposta. — Às vezes, és mais compreensiva do que eu mereço. Helena não gostou daquela formulação. — Não faças isso. Dário voltou a encará-la. — O quê? — Não transformes cada conversa numa avaliação sobre o que mereces. Não estou aqui para decidir se és digno de carinho ou não. Estou aqui para trabalhar, cuidar do Henrique e, se continuarmos a aproximar-nos, conhecer-te melhor. Não preciso de te absolver de nada. A franqueza apanhou-o desprevenido. Durante alguns segundos, Dário não encontrou uma resposta. Depois, assentiu. — Tens razão. Desculpa. Helena sorriu discretamente. — Está tudo bem. Ele pareceu querer dizer mais alguma coisa, mas o telemóvel vibrou. Dário consultou







