MasukEla só precisava de dinheiro. Ele nunca soube aceitar um “não”. Amélia Collins jamais imaginou que, para salvar o irmão, precisaria entrar em um mundo que sempre desprezou. Contratada para acompanhar homens ricos durante noites regadas a bebidas e luxo, ela mal consegue suportar sua primeira experiência. Amélia deixa claro que não está à venda e que não é uma prostituta. Mas entre tantos homens, um deles não consegue tirar os olhos dela. Alexander Haeys. Frio, poderoso e acostumado a conseguir tudo o que deseja, ele começa a investigar a misteriosa garota que ousou rejeitá-lo. Quanto mais descobre sobre Amélia, mais determinado fica a tê-la por perto — principalmente quando descobre que, por trás daquela aparência inocente, existe algo que torna seu desejo ainda mais intenso: ela é virgem. Desesperada para salvar o irmão, Amélia aceita entrar no mundo de Alexander sem imaginar quem ele realmente é. CEO de uma das empresas mais poderosas da cidade durante o dia, Alexander comanda um império criminoso nas sombras. Um homem acostumado ao controle, ao medo e ao poder. Até Amélia entrar em sua vida. Agora, ela se tornou sua maior obsessão… e talvez seja a única pessoa capaz de fazê-lo perder o controle. Entre segredos, perigo, desejo e uma atração impossível de ignorar, Amélia descobrirá que se aproximar de Alexander Haeys pode custar muito mais do que sua inocência.
Lihat lebih banyakO silêncio que pairava na sala entre as duas mulheres era tão denso que chegava a provocar arrepios em Amélia. Sentada diante da mesa, ela mal conseguia se mexer sem deixar transparecer o desconforto que sentia.
Seus olhos verdes, realçados pela maquiagem, piscaram algumas vezes enquanto tentava manter a atenção na mulher do outro lado da mesa. A proprietária da lanchonete permanecia concentrada no computador. Tinha o cabelo preso em um coque baixo, algumas linhas de expressão no rosto e vestia roupas simples. Seus lábios finos estavam comprimidos em uma linha reta enquanto examinava o currículo, detendo-se em cada informação sem esboçar qualquer reação.
Será que não estava gostando do que lia?
Amélia sabia que não havia muito para colocar no currículo, mas estava disposta a dar tudo de si em qualquer trabalho que lhe oferecessem. Precisava apenas de uma oportunidade.
A mulher tornou a alternar o olhar entre a tela do computador e os papéis espalhados pela mesa. Depois de alguns instantes, virou-se para Amélia, que respirou fundo e abriu seu sorriso mais simpático.
— Amélia Collins... Cooper - leu a mulher.
Amélia assentiu, colocando uma mecha do cabelo ruivo atrás da orelha.
— Você concluiu o ensino médio mais cedo e ingressou na faculdade de medicina, mas saiu antes de terminar o primeiro período. Por quê?
— Meus pais morreram há alguns anos. Fiquei sozinha com meu irmão - contou, tímida.
A mulher baixou os olhos para a folha sobre a mesa, na qual havia uma foto de Amélia, e depois voltou a encará-la.
— Desde então, tenho cuidado dele com muito amor, carinho e atenção.
— Sim, compreendo. Restaram apenas vocês dois - disse a mulher, sem demonstrar grande comoção. — Mas não temos uma vaga para você aqui na lanchonete.
Amélia entreabriu os lábios. Seus ombros caíram, enquanto a mulher finalmente esboçava um sorriso aberto.
— Você não tem experiência.
— Tenho experiência em outros trabalhos, embora tenham sido por períodos curtos - argumentou Amélia, agarrando-se à esperança de fazê-la mudar de ideia.
— Você nem sequer concluiu a faculdade. Portanto, não há vaga para você.
A mulher juntou as mãos e as apoiou sobre os papéis.
— Eu comecei uma faculdade de medicina, não um curso para trabalhar em lanchonete - respondeu Amélia, procurando manter a calma. — Não preciso de uma graduação para anotar pedidos e servir algumas mesas. Por acaso, a senhora tem alguma?
A pergunta pareceu ofendê-la.
— Mas que garota abusada!
A mulher se levantou depressa e saiu de trás da mesa. Amélia também se pôs de pé, parando diante dela. A proprietária era mais baixa, mas seu olhar carregava um julgamento tão grande que parecia fazê-la crescer.
— Sabe o que eu tenho de mais importante do que a sua faculdade inacabada? Cuidado com aquilo que é meu. Abri esta lanchonete ainda muito jovem, com a ajuda do meu marido, e desde então tenho cuidado tanto do negócio quanto dele.
Amélia ergueu uma sobrancelha, sem entender aonde ela queria chegar.
— Estamos casados há vinte anos. Acredita?
A garota olhou ao redor, como se procurasse alguém que pudesse ajudá-la a compreender aquela conversa. Não fazia ideia do que um casamento de vinte anos tinha a ver com sua faculdade inacabada ou com uma vaga de emprego em uma lanchonete de esquina.
— Fico muito feliz por vocês poderem comemorar tantos anos de casamento - disse, unindo as mãos diante do peito e oferecendo seu melhor sorriso. — Muitos casamentos terminam cedo por falta de amor. Vinte anos é mesmo uma marca admirável para um casal apaixonado.
— Apaixonado... - repetiu a mulher com uma risada seca, cruzando os braços. — É justamente por isso que não tenho uma vaga para você. Não quero garotas ingênuas andando de um lado para o outro perto do meu marido.
Amélia endireitou os ombros e recuou um passo.
Então era aquilo?
— Você é jovem, tem apenas vinte anos, é ruiva, alta, ingênua e muito abusada. Pretendo comemorar nossas bodas de zircão, e não será uma garotinha esnobe que ameaçará meu casamento.
Amélia a encarou de cima, espantada. Permaneceu imóvel por alguns instantes, incapaz de acreditar no que acabara de ouvir. Não estava procurando um namorado, um marido ou um amante. Tudo o que queria era um emprego para conseguir se manter e cuidar do irmão.
— Não me importo com seu marido e não estou procurando namorado algum. Só preciso de um emprego - declarou, encarando-a diretamente. — Meu irmão está doente. Preciso pagar as despesas do hospital.
Era seu último fio de esperança.
— Ah, céus! Essa é a desculpa mais clichê que uma mulher pode usar quando quer dinheiro. Por favor, saia.
Amélia inspirou profundamente e soltou o ar, lutando para conter todo o desprezo que sentia. Sem responder, pegou a bolsa e o currículo sobre a mesa. Passou pela mulher, deixando para trás apenas o som de suas sandálias favoritas batendo contra o piso.
Percorreu o corredor até retornar ao salão da tão adorada lanchonete. Havia poucas pessoas ali, mas, ao observar melhor, percebeu algo que não notara antes: não havia nenhuma mulher trabalhando. Apenas homens corriam de um lado para o outro, atendendo aos pedidos.
Revirou os olhos e, então, avistou o suposto marido exemplar. O homem tinha o cabelo, o bigode e a barba desgrenhados. Sua camisa amarrotada mal cobria a enorme barriga.
Amélia desviou o olhar e seguiu diretamente para a saída.
Aquela havia sido sua última entrevista do dia. Como podia passar por quatro lugares diferentes e não conseguir uma única oportunidade?
O celular vibrou em sua mão. Outra notificação do hospital. Mais uma cobrança referente aos dias de internação e aos medicamentos que seu irmão mais novo recebia diariamente.
As lágrimas vieram antes que pudesse impedi-las.
Amélia virou-se na calçada e se deparou com o próprio reflexo em uma vitrine, iluminado pelas luzes da noite. Encarou o rosto fino, os lábios carnudos e os olhos verdes, que brilhavam sob a claridade artificial.
Tentou erguer o canto dos lábios, como se ainda fosse capaz de formar um sorriso.
Mas sorriria por quê?
Para quê?
Amélia não se assustou quando outra notificação fez o aparelho vibrar em sua mão. Virou a tela em direção ao rosto e encontrou mais uma cobrança. Dessa vez, era do prédio onde morava.
Além do condomínio atrasado, ainda havia as mensalidades da faculdade e as despesas hospitalares de Bento. Realmente não tinha motivos para sorrir, embora tivesse inúmeros para chorar. No entanto, sabia que não pagaria nenhuma daquelas dívidas com suas lágrimas.
Seguiu até a estação e aguardou o trem com os ombros pesados. Talvez não fosse apenas por causa da carga emocional. A física também parecia pesar mais a cada entrevista fracassada.
Sentada em um dos bancos da plataforma, apagou todas as anotações com os horários e endereços das entrevistas daquele dia. Mais um dia desperdiçado. Mais uma sequência de portas fechadas.
Ergueu os olhos, procurando um instante de silêncio dentro da própria mente, mas encontrou alguns homens olhando em sua direção. Os sorrisos debochados e ameaçadores lhe provocaram calafrios.
Tudo aquilo por quê?
Por causa de seu cabelo ruivo? Dos lábios carnudos? Ou dos seios cobertos por um vestido discreto, de alças largas?
Amélia tentou ignorar os olhares maliciosos durante todo o caminho. Só baixou a guarda quando atravessou a entrada do hospital. Pelo menos ali poderia desmoronar. Já estaria no lugar certo caso alguma coisa acontecesse. Não a deixariam morrer; apenas aumentariam sua dívida e incluiriam mais uma paciente na conta da família Collins.
— Amélia...
Ela ouviu seu nome enquanto percorria os corredores em direção ao quarto do irmão. Parou e se virou devagar, encontrando mais uma vez aquele homem caminhando em sua direção com um sorriso carregado de segundas intenções.
— Chegou tarde hoje. Já conseguiu um emprego?
Marco parou diante dela e cruzou os braços. Era um pouco mais alto que Amélia, mas a diferença de altura não era o que a impedia de encará-lo. Ela temia que qualquer reação desagradável pudesse resultar na expulsão de seu irmão daquele hospital.
— Não consegui, senhor Marco - respondeu, desviando o olhar com tristeza. - As entrevistas não saíram como eu esperava.
— Ah, querida... Que pena. Sinto muito. Muito mesmo.
O tom insinuante de sua voz fazia a cabeça de Amélia doer.
— Mas você sabe que não podemos esperar por muito mais tempo. Seu irmão precisa de uma cirurgia. Não vamos deixá-lo morrer, é claro, mas ele está na lista de espera pelos recursos necessários para o procedimento. Infelizmente, não temos verba suficiente.
— Eu entendo. Entendo perfeitamente e estou tentando - respondeu Amélia, sentindo o desespero apertar seu peito. — Céus, eu não quero que meu irmão morra.
O homem sorriu e se aproximou. Caminhou lentamente ao redor dela, examinando-a sem qualquer constrangimento. Amélia permaneceu imóvel, com o rosto enrubescido e os músculos rígidos.
— Você sabe que posso ajudá-la com qualquer coisa - murmurou ele. — Basta me pedir.
Amélia ergueu a cabeça, retomou o caminho até o quarto do irmão e o deixou para trás sem dar uma resposta.
O quarto estava mergulhado em penumbra. O silêncio era interrompido apenas pelo som constante dos aparelhos que mantinham seu irmão mais novo respirando.
Amélia fechou a porta atrás de si e soltou uma risada nervosa, quase sem humor, antes de caminhar até a cama. Aproximou-se devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse piorar a situação. Já não havia sinal dos cabelos ruivos de Bento sob os equipamentos e curativos. Vê-lo tão pequeno, imóvel e dependente daquelas máquinas era desesperador.
— Amélia.
Ela se assustou com a voz suave vinda da porta. Ao se virar, encontrou uma de suas enfermeiras preferidas. Eliza entrou no quarto e a recebeu com um abraço breve, mas afetuoso.
— Pensei que você viesse mais cedo hoje.
Amélia permaneceu olhando para as mãos de Eliza sobre as suas. Depois de passar o dia inteiro sendo rejeitada e tratada como se fosse a pior pessoa do mundo, aquele gesto simples de apoio devolveu-lhe um pouco de esperança. Uma lágrima se formou no canto de seu olho.
— O que é isso? Uma lágrima? Por que está chorando?
Eliza soltou suas mãos e começou a cuidar dos afazeres daquela noite. Amélia a acompanhou com o olhar, atenta a cada passo e a cada gesto. Não sabia se sentia inveja da intimidade que a enfermeira tinha com Bento ou se estava apenas grata pelo carinho com que ela cuidava dele.
— Não estou chorando. Eu só... tive um dia muito ruim. - Amélia respirou fundo. — Sei que todo mundo passa por dias assim, mas os meus parecem ficar cada vez piores.
Eliza procurava os medicamentos quando respondeu:
— Eu não tenho dias ruins. Na verdade, os meus estão sempre perfeitamente alinhados. Sabe por quê?
— Porque você tem sua mãe, uma família incrível e não precisa cuidar de ninguém além de si mesma.
O sorriso de Eliza desapareceu aos poucos. Ela ergueu os olhos e encarou Amélia do outro lado da cama.
— Não, Amélia. É porque eu sou uma mulher bonita. Pessoas bonitas, principalmente mulheres lindas, não deveriam ter preocupações.
Amélia desviou o olhar, contendo uma risada.
— Mas, vendo você assim, percebo que esse ditado da minha mãe é completamente falso.
Eliza voltou a rir, enquanto administrava outro medicamento na medicação intravenosa de Bento. Depois, voltou toda a atenção para Amélia, embora o garoto ainda estivesse entre as duas.
— Amélia Collins, você é uma mulher linda. Tem cabelos ruivos, olhos verdes e um corpo maravilhoso. - Eliza a observou de cima a baixo. — O que está esperando para arranjar um namorado rico que possa ajudá-la?
— Um namorado rico? Eu não quero um namorado rico, Eliza. Eu quero um trabalho.
Eliza olhou para Bento. Demorou alguns segundos antes de encarar Amélia outra vez.
— Eu não deveria falar sobre isso, mas talvez minha mãe e eu possamos ajudar.
Ela contornou a cama, segurou uma das mãos de Amélia e a conduziu para perto da janela.
— Eu estudei em uma das universidades mais caras do mundo sem ter um emprego fixo. Sabe como consegui?
Amélia estreitou os olhos, desconfiada.
— Trabalhando como acompanhante de homens muito ricos. Daqueles que pagam milhões apenas para ver você usando um vestido elegante.
Amélia puxou a mão para longe.
— O quê? Do que você está falando, Eliza?
— Nunca contei isso para quase ninguém porque existe muito preconceito. Mas não sou prostituta. Eu me sento à mesa, converso, ajudo a entreter os clientes e bebo com eles. Depois, vão embora e deixam muito dinheiro. Alguns homens mais velhos gostam de ter a companhia de mulheres jovens e bonitas.
Amélia continuou encarando-a, sem saber o que dizer.
— Calma, Amélia. Não me olhe assim, pelo amor de Deus. - Eliza tocou o colar que usava. — Paguei minha faculdade, comprei minha casa... E você acha que estas joias são falsas? Minha mãe é dona da boate. Comprou o lugar há dois anos, e desde então temos lucrado muito.
— Eu nem sabia que você tinha uma casa - admitiu Amélia. — Muito menos tanto dinheiro.
Eliza revirou os olhos, divertida.
— Na verdade, se minha mãe tivesse comprado aquele lugar antes, eu poderia ter ficado milionária em uma única noite.
Ela se dirigiu à porta.
— Como assim?
Amélia deu um passo à frente, interessada. Eliza parou, sorriu de canto e tornou a se virar para ela.
— Dá para ganhar tanto dinheiro assim em uma noite só, bebendo com homens?
— Claro que não.
A seriedade repentina de Eliza fez Amélia prender a respiração.
— Eu teria vendido minha virgindade. Em vez disso, entreguei para um idiota da faculdade que ainda teve a coragem de me trair. Se soubesse como tudo terminaria, teria vendido com o maior prazer e passado o resto da vida viajando.
— Sua... virgindade?
— Sim. Sendo linda desse jeito, chegaram a me oferecer milhões. Mas desistiram quando descobriram que eu já não tinha esse tesouro.
Amélia corou. Seus lábios se entreabriram, mas nenhuma palavra saiu. As mãos começaram a tremer, e seus olhos voltaram a se encher de lágrimas.
Eliza observou aquela reação por alguns segundos. Então arregalou os olhos, como se tivesse acabado de compreender algo extraordinário.
— Amélia...
Ela se aproximou depressa.
— Meu Deus! Você ainda é virgem?
Amélia recuou, assustada com o entusiasmo repentino.
O sorriso de Eliza cresceu.
— Você é um tesouro.
A porta fechou rapidamente escondendo o escritório do homem. Amélia engoliu a seco olhando para o currículo na mão, e depois para a madeira.Virou devagar dando um sorriso pequeno.Ergueu a cabeça atravessando aquele corredor pisando com tanto ódio que nem se conhecia. Seus olhos se encheram de lágrima enquanto chegava à rua. A chuva tinha aumentado assim como sua lista de fracasso.Outra vez parada na rua.Novamente naquele metro.Mas diferente, abriu a porta da sua casa jogando sua bolsa de um lado, chutou os sapatos para o outro e desfez os botões de seu vestido atrás o tirando rapidamente e jogando o mais longe possível.Gritou alguma coisa que seus vizinhos reclamariam depois e só então, respirou fundo finalmente podendo deixar uma lágrima cair.O mundo lá fora, aqueles que a rejeitavam não iria lhe ver chorar depois de outro dia péssimo.Percorreu todo o apartamento chegando à cozinha subindo dois degraus. A geladeira quase vazia, mais ao menos tinha uma coisa que amava, leite.
Aquele dia frio, não amanheceu igual para todos.A mulher correu quando a porta do carro foi aberta, subiu as escadas, atravessou a sala grande subindo as escadas quase caindo. Chegou ao corredor daquele lado, arrumou os cabelos, o vestido curto e até os saltos colocando formalmente em seus pés. Respirou profundamente buscando qualquer calma em sua alma, calma, paciência, disponibilidade e acima de tudo, cuidado em suas palavras.MUITO.CUIDADO.EM SUAS PALAVRAS.Bateu duas vezes escutando a voz grossa a deixar entrar, e como das outras vezes, não se impressionou com a figura atrás da mesa de madeira encostado em sua cadeira, brincando divertidamente com sua faca preferida entre seus dedos.Ana parou diante da mesa com um sorriso tão falso que fazia até mesmo o homem mais sério do mundo rir. Ela não se preocupava nem mesmo em esconder sua insatisfação ao parar diante da mesa dele uma hora antes do seu horário principal.— Você veio rápido — Afirmou ele agarrando a faca e se ajeitou na
Um arrepio frio tomou conta do seu corpo quando seus olhos claros e sem vida caíram diretamente em outros tão negros quanto à escuridão da noite lá fora. As mãos estavam sobre a pia fria e permaneceram ali, sem conseguir se mexer.Além do olhar a paralisar, havia um corpo, um corpo maior que o seu a cobrindo por inteira, a sombra dele não deixava a sua aparecer. O cabelo negro que caia ao redor de seu rosto não o escondia de verdade, mantendo sua beleza tão radiante. Ela abriu os lábios não sabendo ao certo o que dizer.Não havia sequer um sorriso naqueles lábios grossos, só uma linha fina, mostrando seriedade. Ele entreabriu os lábios, arqueou uma sobrancelha como se fizesse uma pergunta muda, mas ela continuou ali, segurando a pia como se fosse cair, o corpo em choque, as pernas trêmulas, ela não iria se mexer.— Hm… — Ele soltou, tirou uma de suas mãos do bolso, olhou para a porta do banheiro, para o espelho e voltou para a mulher curvada diante de si.Não saberia explicar como sua
Amélia via claramente os lábios de Eliza se movendo enquanto ela falava sobre todas as loucuras que poderiam fazer ali. No entanto, não conseguia ouvir uma única palavra. Tudo o que chegava aos seus ouvidos era o som de seus próprios passos ecoando pelo extenso corredor.Aqueles passos a conduziam para um lugar ao qual jamais imaginara pertencer. Só estava ali por causa de uma espécie de punição imposta pelos céus, como se todas as suas escolhas a tivessem levado inevitavelmente àquele destino.Respirou fundo, mas o cheiro forte do ambiente a deixou tonta. Parou de repente e apoiou-se na parede mais próxima. Tentou puxar o ar outra vez, porém tudo ao redor parecia sujo e sufocante. Fechou os olhos, fingindo por alguns segundos que nada daquilo existia. Arrastou as mãos pela superfície da parede em busca de equilíbrio, mas nem ela parecia lhe oferecer segurança.Afastou-se bruscamente e bateu as costas na parede oposta.Eliza finalmente parou diante dela. O sorriso entusiasmado desapar












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