LOGINO jantar na mansão Aslan transcorria em perfeita harmonia, como uma sinfonia cuidadosamente ensaiada. A mesa estava impecável, os pratos eram servidos no momento certo e as conversas se alternavam entre os negócios da família e os detalhes da viagem a Lisboa. Álvaro parecia particularmente satisfeito por estar de volta. Contava sobre os preparativos para o desfile da nova coleção, enquanto Grego ouvia com atenção, fazendo algumas observações sobre a organização do evento. Máximo, por sua vez, mantinha uma expressão despreocupada, participando da conversa apenas quando lhe interessava. Laura ocupava o lugar ao lado de Álvaro, sorrindo nos momentos apropriados e demonstrando interesse por cada detalhe. De vez em quando, tocava discretamente o braço do namorado ou lhe servia mais vinho, satisfeita com a imagem que formavam diante dos outros. Felícia estava sentada perto do pai, contando animadamente sobre a cidade que construíra com Marilua. — E essa casa tem uma janela enorme! — exp
Marilua acabara de ajudar Felícia a trocar de roupa quando ouviu passos firmes no corredor. A menina estava diante do espelho, tentando prender uma presilha no cabelo loiro, enquanto a babá organizava as peças espalhadas sobre a cama. — Lua, você acha que o papai vai gostar do meu vestido? Marilua se aproximou para ajeitar a gola delicada. — Tenho certeza. Mas acho que ele vai gostar ainda mais de encontrar a filha esperando por ele com esse sorriso. Felícia abriu um sorriso largo e se virou para abraçá-la pela cintura. — Eu estava com saudade dele. — Eu sei, meu amor. Marilua beijou o alto de sua cabeça. Desde que começara a trabalhar naquela casa, aprendera a reconhecer a falta que Grego fazia à filha nos momentos mais simples. Felícia era cercada de conforto, brinquedos e funcionários dispostos a atender seus pedidos, mas nada substituía a presença do pai. — Agora vá terminar de se arrumar — pediu a jovem. — Daqui a pouco, seu pai chega. Felícia correu para o banheiro, e M
Marilua acabara de ajudar Felícia a trocar de roupa quando ouviu passos firmes no corredor. A menina estava diante do espelho, tentando prender uma presilha no cabelo loiro, enquanto a babá organizava as peças espalhadas sobre a cama.— Lua, você acha que o papai vai gostar do meu vestido?Marilua se aproximou para ajeitar a gola delicada.— Tenho certeza. Mas acho que ele vai gostar ainda mais de encontrar a filha esperando por ele com esse sorriso.Felícia abriu um sorriso largo e se virou para abraçá-la pela cintura.— Eu estava com saudade dele.— Eu sei, meu amor.Marilua beijou o alto de sua cabeça. Desde que começara a trabalhar naquela casa, aprendera a reconhecer a falta que Grego fazia à filha nos momentos mais simples. Felícia era cercada de conforto, brinquedos e funcionários dispostos a atender seus pedidos, mas nada substituía a presença do pai.— Agora vá terminar de se arrumar — pediu a jovem. — Daqui a pouco, seu pai chega.Felícia correu para o banheiro, e Marilua ap
Laura estava sentada diante do espelho de um dos salões de beleza mais exclusivos da cidade, enquanto uma cabeleireira trabalhava cuidadosamente em seus cabelos. O ambiente cheirava a produtos importados, e o som dos secadores se misturava às conversas animadas das clientes. Vestindo um conjunto elegante de grife, ela examinava as próprias unhas enquanto aguardava a amiga, que havia marcado um horário para fazer as unhas na cadeira ao lado. — Juro que não sei como ainda consigo manter a sanidade naquela casa — reclamou Laura, observando o próprio reflexo. — É uma tortura diária! Débora, sua amiga de longa data, ergueu os olhos do celular. — Estamos falando da mesma casa onde você mora sem precisar se preocupar com contas, cercada de funcionários e com acesso a tudo o que deseja? Laura lançou-lhe um olhar atravessado. — Você está simplificando demais a situação. — Ah, claro. Esqueci que a vida de uma mulher bonita, hospedada em uma mansão, namorando um bilionário, é extremamente
POV: MÁXIMO, Saí do saguão irritado com Grego. A insistência do meu irmão em continuar preso a uma mulher que o abandonara havia seis anos era exaustiva. Eu já estava cansado de vê-lo desperdiçar a própria vida esperando por alguém que, na minha opinião, não merecia mais espaço em seus pensamentos. Se ele soubesse de toda a verdade, talvez finalmente conseguisse enxergar Salomé de outra maneira. Talvez tivesse encontrado forças para reconstruir a própria vida muito antes. Mas eu não podia contar. Não sem ter certeza de que estava preparado para lidar com as consequências. Entrei no meu quarto e tomei um banho frio, esperando que a água ajudasse a diminuir a irritação. Não funcionou completamente, mas pelo menos me permitiu organizar os pensamentos antes de sair. Escolhi uma camisa social preta, justa o suficiente para destacar os músculos que eu trabalhava tanto para conquistar na academia. Deixei alguns botões abertos, revelando parte do peitoral, passei a mão pelos cabelos negr
Saí do banho decidido a deixar aqueles pensamentos para trás. Vesti um terno preto de corte impecável, prendi os cabelos loiros em um coque discreto e conferi os documentos da reunião antes de deixar o quarto. Quando cheguei ao saguão, Máximo já me aguardava perto de uma das mesas reservadas para nosso encontro. Meu irmão estava impecável, como sempre. O cabelo negro permanecia perfeitamente alinhado, e o terno escuro valorizava sua postura descontraída, embora o olhar demonstrasse que ele já estava impaciente com a demora dos empresários. A reunião começou pontualmente. Durante quase duas horas, discutimos fornecedores, prazos, ajustes nas peças e a organização do desfile da nova coleção. Os representantes das empresas envolvidas eram experientes, e algumas divergências exigiram mais firmeza do que eu esperava. Mantive a postura profissional, analisei os números e apresentei minhas considerações. Por fora, tudo parecia perfeitamente normal. Por dentro, porém, minha atençã







