ANMELDENMarilua nunca imaginou que um sapato vermelho quebrado mudaria sua vida para sempre. Filha de família humilde, ela aceita o emprego dos sonhos: ser babá de Felícia, a filha pequena de Grego Aslan, um empresário rico, frio e ainda marcado pela partida repentina da esposa, Salomé. O que começa como uma relação profissional se transforma, aos poucos, em um amor que nenhum dos dois esperava — mas o passado de Grego não ficou para trás. Máximo, seu irmão mais novo, guarda um segredo capaz de destruir tudo: ele também conheceu Marilua antes dela se tornar a babá da família, e carrega uma dúvida que pode reescrever a história de todos. A Babá que Roubou o Coração dos Aslan, é a história de como o amor verdadeiro sobrevive às mentiras, às traições e às reviravoltas mais cruéis — e de como uma família se reconstrói, peça por peça, quando escolhe a verdade e o perdão acima de tudo.
Mehr anzeigenPov: Grego Aslan
Éramos jovens demais quando decidimos jurar amor eterno. Naquela época, acreditávamos que amar era suficiente. Que duas pessoas apaixonadas poderiam enfrentar qualquer dificuldade, construir uma família e permanecer juntas até o fim da vida. Eu realmente acreditava nisso. O dia do nosso casamento havia sido o mais feliz da minha vida. Ainda conseguia me lembrar de Salomé caminhando em minha direção, usando um vestido branco que parecia ter sido feito especialmente para ela. Seus olhos brilhavam, e o sorriso em seus lábios fazia meu coração bater tão depressa que eu mal conseguia ouvir as palavras do celebrante. Naquele dia, quando ela segurou minha mão e prometeu ficar ao meu lado para sempre, eu não tive nenhuma dúvida. Ela seria minha esposa. Eu seria seu marido. E, juntos, construiríamos nossa família. Por muito tempo, acreditei que tínhamos conseguido. Até Felícia nascer. Nossa filha havia acabado de completar um ano, e eu ainda me emocionava todas as vezes que a via sorrir. Ela era pequena, delicada e tinha transformado completamente a nossa casa. Eu amava ser pai. Amava chegar do trabalho e encontrá-la correndo em minha direção com aqueles passinhos desajeitados. Amava quando ela estendia os bracinhos para mim e escondia o rosto contra meu peito. Aquela menina era o meu mundo. E eu também amava Salomé. Ou, pelo menos, acreditava que ainda éramos capazes de nos amar como antes. Naquela tarde de inverno, a chuva insistia em cair sobre a cidade. O céu estava escuro, e as gotas escorriam pelos vidros do carro enquanto eu dirigia de volta para casa. O dia havia sido cansativo na empresa da nossa família, mas, pela primeira vez em semanas, eu estava de bom humor. Era o aniversário de um ano da nossa filha. Eu queria que aquela noite fosse especial. Não apenas para Felícia. Para Salomé também. No caminho, parei diante de uma pequena floricultura. Entrei sem pensar duas vezes. — Rosas vermelhas — pedi à atendente. — As mais bonitas que tiver. Salomé sempre havia amado rosas vermelhas. Quando éramos namorados, eu costumava aparecer na casa dela com um buquê nas mãos. Ela dizia que não precisava de presentes, mas sempre sorria daquele jeito que fazia tudo valer a pena. Enquanto segurava as flores, imaginei sua reação. Talvez ela sorrisse. Talvez me abraçasse. Talvez aquela noite pudesse nos lembrar de quem éramos antes de a rotina transformar nossos dias em uma sucessão de obrigações. Paguei pelas rosas e voltei para casa. Assim que entrei, percebi que havia alguma coisa errada. A casa estava silenciosa demais. Coloquei o buquê sobre a mesa e olhei ao redor. — Salomé? Nenhuma resposta. Caminhei primeiro até o quarto de Felícia. Abri a porta devagar. Nossa filha dormia tranquilamente em seu berço, abraçada a um pequeno coelho de pelúcia. Fiquei alguns segundos apenas observando-a. Era impossível não sorrir. Aproximei-me, inclinei-me sobre o berço e beijei sua testa. — Papai está aqui, princesa. Ela se mexeu levemente, mas continuou dormindo. Saí do quarto e fechei a porta com cuidado. Foi então que percebi a luz acesa no nosso quarto. Salomé devia estar acordada. Talvez estivesse me esperando. Talvez as rosas ainda pudessem fazer aquela noite ser especial. Empurrei a porta. E parei. Salomé estava sentada na ponta do sofá, diante da janela. A lareira estava acesa, espalhando um calor agradável pelo quarto, mas ela parecia não sentir. Suas mãos estavam entrelaçadas sobre o colo. E lágrimas escorriam silenciosamente por seu rosto. Meu coração disparou. — Salomé? Ela ergueu os olhos. Havia alguma coisa naquele olhar que me assustou. Não era apenas tristeza. Era distância. Como se ela já estivesse muito longe de mim, embora estivesse sentada a poucos metros. Aproximei-me imediatamente. — Meu amor, o que aconteceu? Ela não respondeu. — Por que está chorando dessa maneira? Aconteceu alguma coisa com Felícia? — Não. Sua resposta foi tão baixa que quase não consegui ouvi-la. — Então o que houve? Sentei-me ao lado dela. Tentei tocar sua mão, mas ela não reagiu. Aquela pequena rejeição me causou uma dor inexplicável. — Fale comigo, Salomé. Ela respirou fundo. Então, finalmente, disse: — A nossa vida de casados não está dando mais certo. Senti como se tivesse levado um golpe no peito. — O quê? Ela desviou o olhar para a janela. — Eu me sinto tão sozinha, Grego. Franzi a testa. — Sozinha? Mas você não está sozinha. Você tem a mim. Tem a Felícia. Um sorriso triste surgiu em seus lábios. — Esse é justamente o problema. Não consegui entender. — Como assim? Ela limpou uma lágrima com os dedos. — Todos os dias são iguais. Eu acordo, cuido da Felícia, cuido da casa, espero você chegar do trabalho... Quando percebo, mais um dia acabou. — Mas podemos mudar isso. Minha voz saiu mais desesperada do que eu gostaria. — Eu posso trabalhar menos. Podemos viajar. Podemos contratar alguém para ajudar em casa. Podemos sair mais. Fazer qualquer coisa que você queira. — Não é isso. — Então me diga o que é! Ela finalmente me encarou. — Eu não sei mais ser sua esposa. As palavras me deixaram sem reação. Por alguns segundos, apenas o som da chuva preenchia o quarto. — Você está dizendo que não sabe mais ser minha esposa? Ela assentiu. — Eu queria que fosse diferente. Juro que queria. Quando nos casamos, eu acreditava que seria feliz para sempre. Quando Felícia nasceu, achei que finalmente tínhamos encontrado nossa felicidade completa. Ela respirou fundo, como se precisasse reunir coragem para continuar. — Mas alguma coisa dentro de mim mudou. Levantei-me. Eu precisava fazer alguma coisa. Não podia simplesmente aceitar aquilo. Não depois de tudo o que havíamos construído. Fui até a estante e peguei o álbum de fotografias que guardávamos ali. Voltei para perto dela e me sentei. Abri em uma das primeiras páginas. — Olhe. Mostrei uma fotografia da nossa viagem à praia. Salomé estava sorrindo, os cabelos espalhados pelo vento e os pés enterrados na areia. — Lembra desse dia? Ela olhou para a fotografia. — Lembro. — Você estava feliz. Passei o dedo pela imagem. — Eu também estava. E nós ainda podemos ser felizes assim. Ela permaneceu em silêncio. — Podemos viajar novamente. Podemos voltar para aquela praia. Podemos fazer tudo diferente. Só me diga o que precisa de mim. Ela abaixou os olhos. — Eu não quero voltar para aquela vida. Meu coração apertou. — Então para qual vida você quer voltar? Ela demorou alguns segundos para responder. — Para nenhuma. Fechei o álbum lentamente. — O que você está tentando me dizer? Salomé respirou fundo. E então pronunciou as palavras que mudariam minha vida para sempre. — Eu quero ir embora, Grego. Fiquei imóvel. — Embora? — Sim. — Para onde? — Eu não sei. Ela enxugou as lágrimas. — Só sei que preciso descobrir quem eu sou longe daqui. Senti minha garganta apertar. — Longe de mim? Ela fechou os olhos. — Sim. Aquela simples palavra destruiu alguma coisa dentro de mim. Olhei para a mulher que, anos antes, havia prometido ficar ao meu lado para sempre. — E Felícia? Salomé começou a chorar novamente. — Eu amo nossa filha. — Então como consegue fazer isso? Minha voz falhou. — Como consegue abandonar a nossa família? Ela ficou em silêncio. Talvez porque soubesse que não havia resposta capaz de diminuir aquela dor. Olhei para o buquê de rosas que havia deixado sobre a mesa. Eu tinha comprado aquelas flores pensando em fazê-la sorrir. Agora, pareciam uma lembrança cruel de um amor que talvez só existisse dentro de mim. — Eu pensei que éramos felizes — murmurei. Salomé abaixou a cabeça. — Eu também pensei. Aquelas palavras foram ainda piores. Levantei-me e caminhei até a janela. Do lado de fora, a chuva continuava caindo. Algumas horas antes, eu dirigia para casa imaginando como seria a noite perfeita. Agora, estava diante da mulher que amava, tentando compreender como o nosso para sempre havia terminado antes mesmo de percebermos. Eu queria lutar. Queria implorar. Queria fazê-la ficar. Queria dizer que nossa família ainda podia ser salva. Mas, naquele momento, percebi uma coisa que doía mais do que qualquer palavra: eu não podia obrigar alguém a permanecer ao meu lado. Então fiz a única coisa que consegui. Engoli a dor. — A vida é feita de recomeços. Se essa parte da sua vida não está funcionando, talvez você precise descobrir o que realmente vai fazê-la feliz. Salomé levantou os olhos. Por um instante, pareceu surpresa com minha resposta. Eu não sabia se havia acabado de perder minha esposa ou se estava apenas adiando o inevitável. Talvez, no fundo, ainda existisse uma pequena esperança de que ela mudasse de ideia. Mas naquela noite, enquanto nossa filha dormia tranquilamente no quarto ao lado, meu casamento chegou ao fim. Eu ainda não sabia como sobreviveria àquela perda. Muito menos sabia que aquela seria apenas a primeira de muitas perdas que mudariam para sempre a família Aslan. Porque, naquela noite, eu perdi minha esposa. E, sem saber, comecei a perder também uma parte de mim.A manhã em Paris havia começado com o céu encoberto, mas, dentro do hotel, a rotina de Grego e Máximo já estava em movimento. A última reunião da viagem havia terminado na noite anterior. Os contratos estavam praticamente fechados, os documentos revisados e os detalhes da nova coleção da Aslan Shoes encaminhados. Restava apenas voltar para casa. Grego fechou a pasta de couro e conferiu novamente o celular. Havia algumas mensagens da empresa, mas nenhuma de Nina. Ele franziu discretamente a testa. — Ainda nada? — Máximo perguntou, enquanto ajeitava o relógio no pulso. — Nada. — Você poderia ligar. Grego ergueu os olhos. — Para quem? — Para Nina. — Ela me avisaria se houvesse algum problema. Máximo segurou um sorriso. — Você acabou de olhar o celular pela quarta vez em menos de dez minutos. Grego ignorou o comentário. Pegou o paletó e vestiu-o. — Vamos. O carro os levou até o aeroporto executivo. Durante o trajeto, Grego permaneceu em silêncio, observando a cidade pel
O dia chegou com uma atmosfera diferente na mansão Montenegro. Felícia acordara cedo, como de costume, mas, ao contrário dos dias anteriores, não havia pressa para se arrumar para a escola. Naquela manhã, ela poderia permanecer de pijama, tomar café tranquilamente e passar o dia ao lado dos avós. Helena observava a neta sentada à mesa enquanto ela tentava escolher entre uma fatia de bolo e algumas frutas. — Vovó, posso comer os dois? Helena ergueu uma sobrancelha. — Se conseguir terminar os dois, pode. Felícia abriu um sorriso satisfeito. Augusto, sentado na outra extremidade da mesa, acompanhava a conversa em silêncio. — Essa menina tem um apetite impressionante. — Ela está crescendo — respondeu Helena. Felícia olhou para o avô. — Vovô, você também come bolo de manhã? Augusto sorriu. — Quando sua avó deixa. Helena lançou-lhe um olhar. — Não coloque a culpa em mim. Felícia começou a rir. A conversa continuou durante alguns minutos, e a menina parecia
A noite havia caído sobre a mansão Aslan. Sem Felícia correndo pelos corredores, a casa parecia diferente. Mais silenciosa, quase grande demais para a quantidade de pessoas que permanecia ali. Marilua havia passado boa parte da tarde organizando algumas coisas no quarto da menina e separando o material que precisaria levar para a mansão Montenegro caso Nina precisasse enviar alguma coisa. Felícia ficaria alguns dias com os avós maternos. Grego havia autorizado a visita, e tudo já estava combinado antes mesmo de sua viagem. Marilua sabia que não deveria se preocupar. Ainda assim, sentia falta da presença da menina. Era estranho. Havia poucos dias que começara a trabalhar naquela casa, mas a rotina com Felícia já começava a fazer parte de seus dias. Depois de conferir algumas roupas da menina, Marilua decidiu descer até a cozinha. Precisava de água. Quando entrou, encontrou Nina sentada à mesa, conferindo uma lista de tarefas. Beth estava perto da pia, terminando d
A tarde avançava tranquilamente na mansão Montenegro. Depois de mostrar a Felícia o antigo quarto de Salomé, Helena decidiu levá-la para a sala de dança. O ambiente permanecia praticamente intocado, preservado ao longo dos anos como uma lembrança de uma época que parecia pertencer a outra vida. Felícia entrou devagar. Seus olhos percorreram o grande espelho que ocupava uma das paredes, o piso de madeira perfeitamente conservado e a barra de apoio instalada próxima à janela. — Mamãe dançava aqui? Helena assentiu. — Dançava. Felícia se aproximou do espelho. — Ela era boa? Um pequeno sorriso apareceu no rosto de Helena. — Era muito dedicada. Helena caminhou até uma das fotografias antigas que permaneciam sobre um aparador. Nela, Salomé aparecia ainda adolescente, usando uma roupa de balé e os cabelos presos em um coque. Felícia observou a fotografia por alguns segundos. — Ela era bonita. Helena ficou em silêncio por um instante. — Era. Não havia exagero em sua voz. Tampou


















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