LOGINLaura estava sentada diante do espelho de um dos salões de beleza mais exclusivos da cidade, enquanto uma cabeleireira trabalhava cuidadosamente em seus cabelos. O ambiente cheirava a produtos importados, e o som dos secadores se misturava às conversas animadas das clientes. Vestindo um conjunto elegante de grife, ela examinava as próprias unhas enquanto aguardava a amiga, que havia marcado um horário para fazer as unhas na cadeira ao lado. — Juro que não sei como ainda consigo manter a sanidade naquela casa — reclamou Laura, observando o próprio reflexo. — É uma tortura diária! Débora, sua amiga de longa data, ergueu os olhos do celular. — Estamos falando da mesma casa onde você mora sem precisar se preocupar com contas, cercada de funcionários e com acesso a tudo o que deseja? Laura lançou-lhe um olhar atravessado. — Você está simplificando demais a situação. — Ah, claro. Esqueci que a vida de uma mulher bonita, hospedada em uma mansão, namorando um bilionário, é extremamente
POV: MÁXIMO, Saí do saguão irritado com Grego. A insistência do meu irmão em continuar preso a uma mulher que o abandonara havia seis anos era exaustiva. Eu já estava cansado de vê-lo desperdiçar a própria vida esperando por alguém que, na minha opinião, não merecia mais espaço em seus pensamentos. Se ele soubesse de toda a verdade, talvez finalmente conseguisse enxergar Salomé de outra maneira. Talvez tivesse encontrado forças para reconstruir a própria vida muito antes. Mas eu não podia contar. Não sem ter certeza de que estava preparado para lidar com as consequências. Entrei no meu quarto e tomei um banho frio, esperando que a água ajudasse a diminuir a irritação. Não funcionou completamente, mas pelo menos me permitiu organizar os pensamentos antes de sair. Escolhi uma camisa social preta, justa o suficiente para destacar os músculos que eu trabalhava tanto para conquistar na academia. Deixei alguns botões abertos, revelando parte do peitoral, passei a mão pelos cabelos negr
Saí do banho decidido a deixar aqueles pensamentos para trás. Vesti um terno preto de corte impecável, prendi os cabelos loiros em um coque discreto e conferi os documentos da reunião antes de deixar o quarto. Quando cheguei ao saguão, Máximo já me aguardava perto de uma das mesas reservadas para nosso encontro. Meu irmão estava impecável, como sempre. O cabelo negro permanecia perfeitamente alinhado, e o terno escuro valorizava sua postura descontraída, embora o olhar demonstrasse que ele já estava impaciente com a demora dos empresários. A reunião começou pontualmente. Durante quase duas horas, discutimos fornecedores, prazos, ajustes nas peças e a organização do desfile da nova coleção. Os representantes das empresas envolvidas eram experientes, e algumas divergências exigiram mais firmeza do que eu esperava. Mantive a postura profissional, analisei os números e apresentei minhas considerações. Por fora, tudo parecia perfeitamente normal. Por dentro, porém, minha atençã
POV: GREGO, A viagem até Lisboa havia sido cansativa. Assim que chegamos ao hotel, meu pai seguiu para o próprio quarto, enquanto Máximo e eu fizemos o mesmo. A reunião para os preparativos do desfile da nova coleção estava marcada para depois do almoço, no saguão do hotel, e eu pretendia aproveitar aquelas poucas horas para descansar. A chuva caía incessantemente contra as janelas do enorme edifício, criando um ritmo monótono que parecia acompanhar a solidão que me perseguia desde que deixara minha filha para trás. O silêncio daquele quarto era quase insuportável. Eu estava acostumado à algazarra de Felícia pela manhã, aos seus passos apressados pelos corredores e às perguntas que surgiam nos momentos mais inesperados. Sentia falta até das pequenas interrupções que, em outros tempos, poderiam parecer inconvenientes. Agora, sem ela por perto, a mansão e o hotel pareciam lugares grandes demais para uma única pessoa. O aroma de café recém-passado, vindo da cafeteria na esquina
— Marilua! A voz de Grego a chamou novamente. Ela ergueu a cabeça, confusa, e percebeu que estava sentada na poltrona do escritório havia alguns minutos, perdida em pensamentos. — Desculpe, senhor. Estava distraída. — Percebi. — Ele a observou por um instante. — Aconteceu alguma coisa? Marilua ajeitou a bolsa no colo. — Não, senhor. Apenas estou cansada. Grego pareceu não acreditar inteiramente, mas não insistiu. Em vez disso, recostou-se na cadeira e cruzou as mãos sobre a mesa. — Você sabe que pode me procurar se precisar de alguma coisa, não sabe? Ela assentiu, surpresa com a gentileza. — Obrigada. — Ótimo. Agora, venha até aqui. Quero lhe mostrar uma coisa. Marilua se levantou e contornou a mesa, aproximando-se dele. Grego também ficou de pé. Por um instante, os dois permaneceram frente a frente, tão próximos que ela conseguiu sentir o perfume amadeirado que sempre parecia acompanhá-lo. Ele ergueu a mão e tocou delicadamente seu rosto. Marilua esqueceu
Marilua não pregou os olhos durante toda a noite. Depois de receber a mensagem ameaçadora no celular de Davi, permaneceu ao lado do irmão, observando cada movimento de seu peito e esperando que o médico chegasse. Quando finalmente foi atendido, ele confirmou que, apesar dos hematomas e dos ferimentos, Davi não apresentava sinais evidentes de lesões internas graves. Ainda assim, recomendou repouso e atenção a qualquer piora. A recomendação médica trouxe algum alívio, mas não foi suficiente para afastar o medo. A cada ruído vindo do quintal, Marilua se levantava e caminhava até a porta com uma faca de cozinha nas mãos. Bastava um cachorro latir na rua ou o vento bater contra uma janela para que seu coração disparasse. Ela sabia que aquela atitude não seria suficiente para protegê-los caso os homens voltassem. Mesmo assim, precisava fazer alguma coisa. Não suportaria permanecer sentada, esperando que o pior acontecesse. Dona Lola tentou convencê-la a descansar, mas Marilua recu







