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Capítulo 4

Author: Eternity
O céu voltou a escurecer depois que saí do Hotel Bellandi.

Ava me entregou a chave do carro e examinou meu rosto.

— Você está com cara de quem acabou de sair de um necrotério. Finalmente entrou em guerra com aquele Don dos Bellandi?

Balancei a cabeça.

— Não.

Não tínhamos entrado em guerra. Nem sequer levantamos a voz um para o outro.

Estávamos apenas caminhando, em silêncio e sem hesitar, em direção ao fim daquela contagem regressiva.

Às seis da tarde, o vento ficou mais forte sem nenhum aviso.

Eu dirigia de volta para a cobertura quando passei sob o viaduto ferroviário de cargas de West Loop. Uma tira de metal retorcido abandonada na pista rasgou um dos pneus.

O carro deu um solavanco violento e parou de vez sob o viaduto.

Armazéns abandonados se amontoavam dos dois lados da rua, e dois dos postes de iluminação estavam apagados.

Tudo o que eu conseguia ouvir era o ruído fino e incessante dos grãos de neve batendo contra o teto do carro.

Peguei o celular. Só tinha treze por cento de bateria.

Liguei para Lucian.

Durante sete anos, telefonar para ele tinha sido meu primeiro instinto sempre que eu enfrentava algum problema.

O telefone chamou por um longo tempo antes que ele atendesse.

— Elena.

Sua voz soou confusa. Homens gritavam ao fundo e, em algum lugar, ouvi o som de vidro se quebrando.

— Lucian, um dos pneus furou debaixo do viaduto ferroviário de West Loop.

Meus dedos já estavam rígidos ao redor do volante.

— Não há ninguém por perto, e não consigo chamar nenhum carro até aqui. Pode mandar alguém me buscar?

Ele ficou em silêncio por um segundo.

Então, os soluços desesperados de Mia atravessaram a ligação.

— Eu não queria arruinar o carregamento. Eu juro. Se a família perder todo aquele dinheiro, não vou conseguir pagar nem em dez vidas. Talvez seja melhor eu simplesmente desaparecer.

A voz de Lucian se tornou tensa e urgente.

— Mia, largue a arma. Isso não é algo em que você possa tocar.

Em seguida, ele voltou a falar comigo, rapidamente:

— Elena, Mia entregou um registro das docas para a pessoa errada. Um dos nossos rivais quase descobriu a rota de hoje à noite. Ela está histérica e pegou uma arma.

Ele respirou fundo.

— Não posso sair daqui. Ligue para a segurança e peça que mandem um carro.

A ligação foi encerrada. Fiquei olhando para a tela escura do celular.

De repente, o interior do carro pareceu mais gelado do que a neve lá fora.

Não liguei novamente para Lucian, e também não telefonei para a segurança. Apenas abri a porta e saí em meio à tempestade.

A neve golpeou meu rosto como pequenas lâminas. Meus saltos afundavam na lama formada pelo gelo derretido, e cada passo parecia frio, pesado e absurdamente alto naquela rua deserta.

Caminhei sozinha por um longo tempo ao longo do viaduto ferroviário. Somente quando cheguei perto de uma oficina mecânica que funcionava vinte e quatro horas, consegui parar um carro.

Quando voltei para a cobertura, já era quase meia-noite.

Peguei uma mala verde-escura, abri o guarda-roupa e guardei apenas as roupas que costumava usar, meu passaporte, meus cartões bancários e a velha fotografia emoldurada que minha mãe tinha deixado para mim.

Não toquei nos vestidos de gala que Lucian encomendou para mim, na chave do nosso camarote da ópera nem no cartão de membro do clube de automobilismo que ele emitiu em meu nome, sob o sobrenome Bellandi.

Depois de terminar de arrumar a mala, fui até o escritório.

Rosalind já tinha enviado uma lista com tudo o que precisava ser feito para separar minhas contas, meus acessos às propriedades e todos os acordos particulares ligados à família Bellandi.

Analisei cada item e deixei instruções sobre tudo o que precisava ser desvinculado do nome Bellandi antes da minha partida de Chicago.

Em seguida, coloquei a lista de Rosalind e um bilhete sobre a mesa de centro de obsidiana negra, no meio da sala de estar.

Ao lado dos papéis, deixei o anel de noivado de diamantes que Lucian colocou em meu dedo na noite em que me pediu em casamento.

Quando tudo ficou pronto, peguei minha mala e deixei a cobertura onde tinha vivido durante sete anos.

Às duas da manhã, Lucian abriu a porta de casa, com a exaustão marcada em cada linha de seu rosto.

Ele acabara de resolver a confusão envolvendo o registro das docas e mandar Mia de volta para a casa segura.

— Elena, cheguei.

Enquanto chamava meu nome, ele desafivelou o coldre.

Ninguém respondeu.

Lucian franziu a testa e acendeu as luzes da sala.

A primeira coisa que viu foi a pilha de papéis sobre a mesa de centro, o bilhete ao lado e o anel de diamantes refletindo a luz como um pedaço de gelo.

Ele se aproximou e pegou o bilhete.

[Lucian, estou cancelando nosso noivado. Não venha atrás de mim.]

Seus olhos desceram do bilhete para o anel de noivado sobre a mesa.

Pela primeira vez na vida, algo muito parecido com pânico o atingiu com violência.

Naquele exato instante, a contagem regressiva sobre sua cabeça — aquela que já tinha caído para menos de cem dias — começou a piscar intensamente.

[89 dias, 12 horas e 5 minutos.]

Uma luz vermelha explodiu. Então, os números mudaram.

[125 dias, 7 horas e 30 minutos.]

Pela primeira vez, a contagem regressiva começou a correr ao contrário.
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