INICIAR SESIÓNQuase em sincronia, as cinco cabeças colossais giraram. Percebendo, ao pé das raízes ancestrais da árvore, uma figura pequena e desfalecida que jazia sobre a relva.
Em um clarão de luz e fumaça elemental, os dragões voltaram às suas formas humanoides, correndo em direção ao corpo caído.
Pyro foi o primeiro a parar, os olhos brilhando com uma incredulidade flamejante.
— Isso, é uma humana? — ele exclamou, a voz carregada de choque. — O que essa coisa faz em Solária? Como ela ousou poluir o ar de Solária com essa fragilidade?
Alaric, ignorando a indignação do outro, inclinou-se ligeiramente, um sorriso de lado surgindo em seus lábios enquanto observava os cabelos ruivos espalhados como fogo na grama.
— Pelo vento... ela é linda — ele murmurou, o tom galanteador intocado pela situação, atraindo a atenção de todos a sua bela aparência. — Um presente inesperado dos deuses, talvez?
— Ela não deveria ter entrado aqui! — Tork rosnou, o som vindo do fundo do peito, os punhos cerrados e a expressão mais fechada do que nunca. — É uma invasora. E o fedor de humanos me irrita. Ela... Essa coisinha, é um problema de que não precisamos.
Corvus, permanecendo um passo atrás, manteve a face sombria. Sua voz saiu baixa e gélida, desprovida de qualquer emoção óbvia enquanto ele olhava para o peito da jovem, que mal se movia.
— Ela está viva?
Houve um segundo de hesitação entre eles, até que Dior se aproximou, empurrando Alaric, Tork e Pyro com um desdém absoluto. Sua expressão era de puro tédio, mas seus olhos azuis faiscavam com uma irritação cortante.
— Saiam da frente, seus imbecis imprestáveis — Dior disse, a voz monótona e cortante — Nem para ver se essa coisa está viva vocês prestam. São todos músculos e nenhum cérebro.
Ele se abaixou com movimentos calculados. Ignorando os olhares furiosos dos outros quatro, Dior tocou o pulso da jovem. Com um gesto elegante da mão, ele convocou uma esfera de água límpida e brilhante que flutuou sobre as feridas da linda mulher. O poder curativo da água começou a fechar os cortes mais superficiais e a estabilizar a respiração dela.
Dior examinou o rosto de Orin por um segundo a mais do que o necessário, a máscara de desinteresse vacilando por um milésimo de segundo antes de ele se levantar abruptamente, limpando as mãos como se tivesse tocado em algo poeirento.
— Ela vai viver. Infelizmente, para o desgosto de vocês. — ele declarou, voltando à sua postura monótona.
— E agora? — Tork bufou, apontando para a humana. — Vamos deixá-la aqui à mercê da sorte? Ela violou as fronteiras!
— Não seja um bárbaro, Tork — Alaric rebateu, cruzando os braços com um brilho manipulador nos olhos. — Ela é uma raridade. Imagine o que podemos descobrir. Por exemplo, sobre como ela cruzou o véu.
— Ela é um risco de segurança! — Pyro interveio, a voz subindo de tom enquanto uma pequena chama dançava em seu ombro. — Eu não permitirei que uma fêmea humana circule livremente por aqui.
A discussão recomeçou, mais alta e caótica do que antes, enquanto os cinco príncipes rodeavam a pequena e inconsciente Orin. Cada um reivindicando uma razão diferente para odiar, temer ou desejar a presença daquela mulher que, sem saber, acabara de se tornar o centro dos problemas de todos eles.
O despertar de Orin, infelizmente, para ela, foi um processo lento e agonizante. Antes mesmo de ter força para abrir as pálpebras, o mundo se manifestou através da dor.
Orin tentou mover um braço, mas cada centímetro de sua pele parecia ter sido pisoteado por uma manada.
Era uma dor profunda e visceral, que irradiava de sua coluna para as extremidades, como se seus ossos tivessem sido estilhaçados e, de alguma forma mística, colados novamente no lugar.
Um gemido involuntário escapou de seus lábios, agora secos e com gosto de ferro por causa do sangue e ela se encolheu, o movimento fazendo o mundo girar e a náusea subir por sua garganta.
Cada músculo pulsava em uma batida rítmica de sofrimento, e a sensação de estar toda quebrada, mesmo que seus membros ainda respondessem, era quase paralisante.
Ali, encolhida contra as raízes úmidas e sentindo o frio da terra, Orin percebeu que a curiosidade quase a tinha matado.
Mas ela não estava sozinha. O ar ao seu redor ainda vibrava com o calor residual da batalha que presenciara, e o cheiro de queimado e a pressão de um poder colossal, era tão forte que ela conseguia senti-lo agonizantemente.
— Ela poderia ter morrido, seu estúpido!
A voz cortou o ar como um chicote. Era grave, carregada de uma fúria vibrante que fez os ouvidos de Orin zumbirem.
O som a forçou a lutar contra a escuridão e abrir as pálpebras, mas o mundo ainda era um borrão de cores desconexas e luzes turvas. A dor lancinante em sua nuca a obrigou a fechar os olhos novamente, soltando uma lufada de ar trêmula.
Com um esforço hercúleo, ela levou as mãos ao rosto. Seus dedos tatearam a têmpora, massageando a pele com uma cautela desesperada, tentando afastar a névoa que nublava seus sentidos.
Ela tinha consciência da terra em suas mãos e do cheiro de chuva e fogo que impregnava o lugar, mas sua prioridade era entender quem eram os donos daquelas vozes masculinas que agora discutiam ao seu redor, as palavras se atropelando em um coro de autoridade e raiva.
“-Foco, Orin. Foco.”
Ela piscou uma, duas vezes, forçando a visão a se estabilizar enquanto o corpo protestava a cada centímetro.
Quando a imagem finalmente entrou em foco, o fôlego que ela tanto lutava para recuperar sumiu de vez.
Orin não encontrou as enormes feras de escamas e garras. Pois no lugar dos magníficos dragões, cinco homens estavam parados ali.
E eles eram... irreais.
A camponesa sentiu o coração falhar uma batida, não mais pelo medo, mas pelo choque de se deparar com tamanha perfeição.
Cada um deles possuía uma beleza tão magnética e avassaladora que parecia ferir os olhos.
Eram altos, de ombros largos e feições esculpidas com uma precisão que nenhum humano jamais alcançaria.
A aura que emanava deles ainda era a mesma de minutos antes, orgulhosa, letal e divina, mas agora, em formas humanoides, aquela energia se transformava em uma tensão sexual e de poder que tornava o ar difícil de respirar.
Ela estava caída ao pé de uma árvore, ferida e suja, enquanto os cinco homens mais lindos que já existiram em toda a história do mundo a cercavam como juízes... ou predadores.
Orin estava paralisada. E o fôlego, que já era escasso devido à dor nas costelas, pareceu sumir de vez.
Ela os encarava boquiaberta, sem qualquer reação que não fosse o puro deslumbramento. Eles não eram apenas homens; eram a perfeição em forma humana, envoltos em uma aura de poder que fazia o ar ao redor vibrar.
— Ninguém mandou essa humana invadir nosso território!
A voz soou como um trovão baixo, fazendo Orin sobressaltar-se.
Ela focou no dono da fala, um homem de pele morena, profunda como a terra fértil, com cabelos escuros presos em tranças impecáveis que emolduravam um rosto de ângulos agressivos.
Seus olhos, de um tom verde-água hipnotizante, brilhavam com uma irritação latente. E o desprezo na voz dele era óbvio, mas Orin mal conseguia processar o insulto, pois sua atenção foi capturada por algo muito mais bizarro e fascinante.
“-O que é isso na cabeça deles?”
Ela estreitou os olhos, lutando contra a visão turva.
Conseguindo ver com dificuldade, acima das testas orgulhosas e emergindo entre os fios de cabelo, chifres magníficos e retorcidos que coroavam cada um daqueles homens.
Não eram adornos; eram parte deles, exalando o mesmo brilho e textura das escamas que ela vira momentos antes.
“-São chifres? São... chifres de verdade?”
O pânico começou a se misturar ao choque. Ela reconheceu o padrão. O formato, a curvatura, a energia... eram os mesmos dos cinco dragões que, instantes atrás, quase reduziram a floresta a cinzas.
“-Ai meu Deus! Eles são aqueles cinco? Não é possível... é?”
A mente de Orin trabalhava em uma velocidade frenética, tentando conciliar a imagem das feras gigantescas com os homens esculturais à sua frente.
— Ela de fato não deveria estar aqui, mas está — comentou um segundo homem, sua voz soando como o gelo trincando.
Orin desviou o olhar para ele e sentiu um novo calafrio. Ele tinha cabelos acinzentados, cortados por mechas de um azul profundo que pareciam brilhar com luz própria.
O detalhe mais marcante, porém, era a cicatriz que cruzava um de seus olhos esverdeados, uma marca de guerra que só acentuava sua beleza fria e letal. Ele não parecia arrependido, apenas analítico.
— Acertar ela foi inevitável, já que o estúpido ali se moveu! — vociferou o jovem de pele morena, cujas longas tranças negras chicotearam as costas enquanto ele apontava com fúria para o homem da cicatriz.
Seus olhos, que Orin agora via serem de um dourado líquido e predatório, ardiam em brasas.
O homem da cicatriz soltou um riso curto e carregado de deboche, sem se intimidar pela fúria do outro.
— Esquivo como uma serpente — ironizou o moreno.
— Ruim de mira — rebateu o de cabelos azulados, inclinando a cabeça com um sorriso de canto que era puramente provocativo.
A tensão entre os dois escalou em um segundo. Esquecendo completamente da presença da jovem humana caída aos seus pés, ambos ergueram as mãos. E o ar ao redor começou a estalar.
Após mais alguns minutos de explicações, discussão e reclamações, Orin se impôs.— Já que estão todos aqui, vamos resolver isso agora.Ela arrancou um fio de seu próprio cabelo ruivo e o colocou sobre a superfície cristalina do espelho, nas mãos do patriarca Élfico. Em seguida, olhou para cada um de seus machos com uma firmeza que os fez estremecer. Um por um, eles se aproximaram.Dior foi o primeiro e colocou um de seus fios azul-marinho no espero. Nada.Alaric foi o seguinte e colocou um fio negro. Nada.Pyro, Tork e Corvus também tentaram. E o espelho permanecia inerte, os fios parados como se o espelho nem mágico fosse.— Esse troço deve estar quebrado — resmungou Pyro.- Ou nenhum de nós é o pai. – Rebateu Alaric lançando um olhar provocante para Killian.Killian contev
Serena encarou Wess com o lábio tremulo, antes de lançar um olhar sobre cada um de seus parceiros, a fazendo surtar quando seu olhar encontra o de Apollo, que era sua única salvação no meio destes loucos.— Até você Apollo?! — Serena gritou, indignada, ao ver o dragão mais sério e mudo dar um sorriso de lado, fazendo seu queixo cair.— Ora, você começou a provocação, agora aguenta. — Draco riu, aproximando-se. — Se você gosta tanto assim de nos ver lutar por você, quem somos nós para negar esse prazer?— Ei! Parem já com isso! Eu não quis dizer isso! — Ela começou a surtar, o rosto ficando vermelho de vergonha enquanto eles a cercavam com olhares predadores e flertes cada vez mais abertos.— Então... — Dart sussurrou, inclinando-se perto do ouvido dela. — Quem te
“- Não é possível que ele seja borracha fraca” - Orin pensou, surpresa, enquanto seus olhos desciam pelo corpo dele. - “Com esse corpão e com esse pau enorme?”Ela percebeu o quanto ele estava magoado consigo mesmo quando ele tentou se afastar, os ombros caídos em um sinal de derrota silenciosa. Ele parecia estar se perguntando se ela o abandonaria ali mesmo, se o rejeitaria por aquela falha em seu momento de glória.— Killian — ela sussurrou, segurando o rosto dele com as duas mãos e forçando-o a olhá-la. O brilho de angústia nos olhos azuis dele partiu o coração dela. — Ei, olhe para mim. Eu não vou a lugar nenhum.Ela acariciou suas bochechas, tranquilizando-o com um sorriso doce.— Eu entendo... você esperou muito e ficou muitos anos sozinho. E por isso está ansioso. Além disso sou mais humana q
Mais dois dias se arrastaram, completando um ciclo de doze noites de incerteza para os seis Reis Dragonianos de Solária. Killian entrou no quarto silencioso para render Dior, que, fiel ao seu apelido de morto-vivo, estava afundado no colchão ao lado da fêmea, os olhos opacos e a postura de quem não sabia o que era um descanso real há muito tempo.Killian não se aproximou de imediato; manteve-se encostado no batente da porta, observando a cena com uma mistura de respeito e aquela pontada de inveja e rivalidade que nunca morria em seu peito.Dior sentiu a presença do novo companheiro, bocejou, um som arrastado, e saiu da cama com movimentos pesados, quase automáticos. Assim como ele, todos os Reis carregavam olheiras profundas e uma tensão constante nos ombros; a preocupação com a amada adormecida havia drenado até o último resquício de vaidade deles.Fisicamente, Orin
Killian suspirou e um rubor raro tingiu a pele alva de suas bochechas. Ele recolheu suas garras, sentindo o coração martelar, e flexionou os dedos para eliminar a tensão antes de se unir a eles e cercar Orin.A Rainha, porém, os observava de cima com uma frieza gélida. Ela ergueu uma barreira de magia invisível, vibrante que chiava como eletricidade para mantê-los afastados.Dior foi o primeiro a forçar caminho. Cada passo era um suplício; a magia dela queimava sua pele e esmagava seus ossos, mas ele continuou, absorvendo a dor que o poder dela infligia.— Orin, a guerra acabou. Nos perdoe por não cumprir com nossa promessa. — ele disse, a voz firme apesar do sofrimento.— É, senhorita Orin — Corvus manifestou-se logo atrás, enfrentando a pressão esmagadora. — Perdoe-nos, estávamos enlouquecendo sem você.— Ach&
Orin pousou, meio cambaleante por ainda estar se adaptando a sua nova fisionomia, e o som de suas garras bateram contra a pedra da praça, soando como o martelo de um juiz em um tribunal silencioso.Ela ignorava o alarme que vinha de seus parceiros, ignorava a dor dilacerante em seu corpo. Seus olhos verdes, agora brilhando de puro poder, piscavam entre o verde e o branco, travando-se nos seus parceiros e em Killian, e o ar entre eles pareceu faiscar com uma tensão que prometia mudar o destino de todos ali presentes.E foi ai que Orin viu que aquele homem frio, que a sequestrou, ameaçou e que seus maridos tanto odiavam escondia um brilho de admiração devota só para ela. Killian a olhava como se ela fosse um fruto proibido, uma visão que ele não tinha o direito de contemplar, mas da qual não conseguia desviar.— Killian — a voz dela soou profunda, carregada pelo eco de sua forma dragoniana.