Share

Capítulo 3 - Sala Proibida

Penulis: LIDIANE
last update Tanggal publikasi: 2025-07-10 03:38:39

Kyra

Às 18h45, terminei de me trocar.

Simples. Discreta. Um vestido preto, liso, que não chamava atenção demais, mas ainda marcava minha cintura com certa elegância. Prendi o cabelo em um coque baixo, como se isso pudesse me fazer parecer mais profissional e menos… vulnerável. O relógio na parede marcava 18h58 quando saí do quarto e caminhei até a sala de jantar.

A mesa já estava posta. Guardanapos perfeitamente dobrados. Talheres alinhados como num catálogo. O tipo de organização que não aceitava deslizes. Nem barulho. E o tipo de coisa que eu também não estava totalmente acostumada a lidar.

Julie já estava sentada em uma das pontas. Vestia um vestido claro, os cabelos escovados com perfeição. Mas o olhar era o mesmo da manhã: distante. Observador. Silencioso. Liam apareceu dois minutos depois. Calmo, sem pressa. Como se o tempo estivesse ao seu favor e nós, à sua mercê.

— Pontual de novo — disse, puxando a cadeira da cabeceira. — Já está se saindo melhor que as outras.

— As outras? — perguntei antes de me censurar. O tom soou curioso demais. — Desculpe!

— As outras candidatas — ele respondeu, enquanto servia água para Julie. — Nenhuma durou mais que uma semana aqui dentro. Não me pergunte o motivo, pois eu também queria saber.

Sentei em silêncio, tentando esconder o nó que se formava na boca do estômago. Julie começou a mexer na comida sem muito apetite. Liam, por outro lado, cortava a carne com precisão cirúrgica, como se cada pedaço tivesse que ter o tamanho exato.

— Como está a comida, Julie? — perguntei, tentando criar algum laço. Mas cai na real que parecia mais uma idiota.

Ela olhou para mim, sem expressão, e respondeu num tom quase inaudível:

— Igual a ontem. Não há diferença.

Liam sorriu. Mas não era um sorriso doce. Era o tipo de sorriso de quem entende os jogos que as palavras silenciosas jogam. Afinal, ela era filha dele. Deve ter um pouco da sua personalidade nela.

— Ela tem memória gustativa — explicou ele. — E pouca paciência para pequenas gentilezas.

Respirei fundo e voltei ao meu prato. Sentia os olhos dele sobre mim. Me testando. Medindo cada gesto meu. Como se ali eu fosse uma peça no xadrez dele.

— Você leu todas as instruções? — ele perguntou, sem desviar o olhar.

— Duas vezes — respondi. — Como mandou.

— E entendeu todas?

Assenti.

— Algumas pareciam mais… pessoais que profissionais. Mas sim, entendi todas perfeitamente, senhor.

Ele apoiou os cotovelos na mesa. As mangas da camisa dobradas até os antebraços, mostrando a pele pálida e forte. A presença dele era… imensa. Como se tomasse todo o ar ao redor.

— Tudo nessa casa é pessoal, Kyra. E se não entendeu isso ainda, vai entender com o tempo.

A tensão correu pela minha espinha como um arrepio involuntário. Julie, curiosamente, não reagia. Apenas observava, com a colher parada no ar, como se estivesse assistindo a um filme daqueles que adultos falam coisas estranhas.

— Você disse que minha função era cuidar da Julie — retruquei, com cautela.

— E é. Mas eu cuido de quem cuida dela. — Ele se inclinou sutilmente. — Se você não estiver em equilíbrio… ela sente. E eu também.

O ar parecia preso entre nós três. Como se ninguém pudesse soltar um suspiro sem desrespeitar a ordem invisível que Liam criava com as palavras. Ele terminou o jantar antes de todos. Limpou os lábios com o guardanapo e levantou-se com a elegância exata de quem nunca foi contrariado.

— Kyra, venha comigo antes de recolher-se.

Julie nem piscou. Levantei, confusa, mas o segui pelo corredor. Ele parou diante da porta branca do fundo — a mesma que não tinha sido aberta até então.

— Aqui ficam as regras. Eu pensei que as tivesse lido.

Ele destrancou a porta. Dentro, não havia papéis. Havia... itens. Pessoais demais.

Coleiras. Algemas. Máscaras. Um pequeno sofá de couro escuro. Um armário com roupas de tecido fino e recortes ousados demais para serem usados como uniformes.

— Isso... não faz parte do trabalho com a Julie — sussurrei, em choque. — Desculpe-me, senhor Blackthorne se quebrei alguma regra tão cedo.

— Não ainda — ele respondeu, com a voz mais baixa, mais rouca. — Mas é parte do contrato se aceitar, é claro!

Engoli em seco.

— Eu nunca… aceitei isso. Desculpe-me a pergunta, mas agora entendo o porquê de todas elas irem embora.

— Eu nunca propus isto a ninguém, senhorita. Mas, conheço pessoas pelo olhar e o seu me pareceu tentador demais para não perguntar.

Ele fechou a porta devagar. Não me tocou. Não se aproximou demais. Mas estava ali, no limite entre o controle e a provocação.

— Enfim... não leve isso para o lado pessoal. Agora entenda porque está é uma sala que ninguém entra.

E então se foi. Deixando a porta trancada. E meu coração acelerado demais para o silêncio da casa que era assustadoramente silencioso.

Depois que Liam desapareceu no corredor, meu corpo demorou a relaxar. Levei a mão ao peito. O coração ainda corria como se quisesse fugir antes de mim. O que era aquela sala? O que ele queria realmente de mim? E porque ele me mostrou tal coisa? Não me interessa. Nada disso me interessa.

Respirei fundo e voltei à sala, esperando encontrar Julie no mesmo lugar — mas ela não estava. A mesa já tinha sido limpa por alguém que eu nem vi passar. Silêncio. De novo, aquele silêncio estranho dessa casa onde até os passos têm vergonha de ecoar. Caminhei pelo corredor e encontrei a porta do quarto de Julie entreaberta. Bati de leve e abrir um pouco.

— Julie? — A chamei antes de entrar.

— Entra — ela disse com a voz baixa, abafada pelo travesseiro. — Está aberta.

Entrei devagar. Ela estava deitada de lado, abraçando um bichinho de pelúcia. Os olhos brilhavam na penumbra. Com apenas a luz fraca do abajur distante da cama.

— Você está bem? Gosta de histórias?

Ela assentiu com a cabeça.

— Você pode me contar uma história? De verdade?

A pergunta me pegou de surpresa. Não pela simplicidade, mas pela doçura inesperada em sua voz.

— Posso, sim. Qual tipo de história você quer ouvir? Tem alguma preferida?

Julie puxou o cobertor até o queixo.

— Uma história boa. Não de monstros. Uma história onde alguém se sente segura. Não tenho nenhuma preferida, ninguém me conta histórias. Só meu pai.

Segura. A palavra me cortou por dentro.

A filha de um bilionário com todo o dinheiro do mundo pedindo segurança para uma babá como se fosse um tesouro impossível.

— Tudo bem... — sentei na beira da cama — Vou te contar sobre uma menina chamada Lía, que vivia numa floresta onde tudo era silêncio. Ela ouvia os passarinhos, o vento, os galhos, mas ninguém falava com ela...

Enquanto contava, vi os olhos de Julie ficarem mais pesados. Sua respiração se acalmava. Em algum ponto da história, ela esticou a mãozinha e segurou a minha. Ficamos assim. Eu sentada, ela dormindo. Até que senti meus próprios olhos pesarem. E, sem perceber, me deitei ao lado dela, ainda com a mão entrelaçada à sua.

Liam

O relógio já passava da meia-noite quando decidi checar se tudo estava em ordem. Era um hábito antigo. Um tipo de toque obsessivo disfarçado de responsabilidade. Silenciosamente, atravessei o corredor. A luz do quarto de Julie ainda estava acesa, fraca. Bati duas vezes, como sempre fazia. Nenhuma resposta.

Abri a porta e parei diante à cena. Kyra dormia ao lado da minha filha, o corpo curvado em direção ao dela. As mãos entrelaçadas. A expressão... tranquila. Algo que Julie raramente exibia. Por um instante, algo apertou no meu peito. Aquilo... não fazia parte das regras.

Nenhuma funcionária havia chegado tão perto.

Nenhuma havia tocado Julie. Nenhuma havia sido autorizada. Mas ela... Ela fez sem pedir.

E Julie deixou, sem ao menos questionar sobre ela.

Fiquei ali, parado, por tempo demais. Observando. Tentando entender por que aquela imagem me perturbava mais do que deveria. Kyra está ultrapassando limites. Mas por que parece tão certo... tão inevitável?

Fechei a porta devagar. Sem som. Sem reação.

Sem quebrar o laço que, mesmo adormecido, começava a se formar entre minha filha e a doce babá dela.

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • A Doce Babá Do Bilionário Arrogante    Capítulo 46 — Finalmente Feliz!

    O Casamento Kyra Eu não imaginei que Liam fosse ser tão prestativo e rápido. Ele pensou em literalmente tudo. Eu não me preocupei com nada, além dos experimentos do vestidos, das provas do buffet e das músicas escolhidas, além dos arranjos que ficariam na entrada principal. Eu não queria que fosse nada grande demais, mas Liam fazia questão de mostrar para todos o quanto ele estava feliz. Quem sou eu para impedir a felicidade do meu amado! O maquiador estava dando os últimos retoques no blush — eu não quis nada extravagante, mas insistem que hoje é o meu dia. O dia mais importante e inesquecível da minha vida. Estava ansiosa, uma parte de mim queria casar logo e sair dali correndo. A outra parte queria que o mundo soubesse que Liam Blackthorne vai ser meu esposo, para todo o sempre. Queria gritar que eu o amo, mas a única coisa que eu conseguia sentir era nervosismo. Minhas mãos suando sem parar, minha mente dizendo que eu estou esquecendo de algum

  • A Doce Babá Do Bilionário Arrogante    Capítulo 45 — Sexto Sentido

    Kyra Despertei ainda sentindo meu corpo cansado. A cabeça doendo enquanto eu tentava levantar ou processar alguma coisa. — Bom dia, tia Kyra. Você tá bem? Julie estava sentada na poltrona ao lado da cama, com seu coelhinho no colo e as mãos inquietas. — Ela estava esperando para fazer o desjejum com você. Se recusou a ir comigo, infelizmente. — Liam estava concentrado no notebook. — Bom dia meu amor.— Que horas são? Eu dormi tanto assim? — Quase dez, mas eu não estou com tanta fome. Meu pai me deu torradas com mel, então eu posso esperar. — Eu vou me arrumar e a gente desce, tudo bem? — Ela assentiu e saiu correndo para a varanda.Liam estava focado demais na planilha que estava revisando. — Alguma coisa urgente? — Me aproximei dele sutilmente, sem invadir seu espaço. — Acho que vamos ter que voltar hoje mesmo. Surgiu algumas pendências na empresa e eu tenho que estar presente dentro de 48 horas. — Estava nítido a irritação em seu olhar. — Me desculpa, eu prometo que vamos v

  • A Doce Babá Do Bilionário Arrogante    Capítulo 44 — Indisponibilidade

    Liam Kyra acordou cedo, abriu as cortinas e me evitou pela manhã. Descemos juntos para o café da manhã. No almoço, ela saiu com Julie para explorar a praia, eu fiquei apenas observando de longe o quanto elas duas se completam. — É uma bela vista, não é? — A senhora ao meu lado perguntou, até então eu não havia notado sua presença ali. — É sua esposa e sua filha? — Minha noiva e minha filha — respondi ainda preso na paisagem que eu nunca imaginei ver a olho nu. — É realmente uma bela vista. — E o que está esperando para casar com ela? — A pergunta me tocou a fundo, mesmo eu nunca tendo parado para pensar nisso. — Sua filha gosta dela e pelo que seus olhos dizem, você também a admira, além de amá-la também, suponho.Antes que a conversa se tornasse longa, Olívia apareceu, mais uma vez. Tudo calculado, como sempre. — Vocês já se conhecem? — Ela perguntou, colocando as mãos nos ombros da senhora que sorria para mim. — Acabamos de nos conhecer e estávamos falando o quando essa vista

  • A Doce Babá Do Bilionário Arrogante    Capítulo 43 — Completamente Seu

    Liam Kyra e Julie decidiram que queriam ir para uma ilha e aqui estamos nós três, em Mykonos, na Grécia. Nós nos hospedamos no Myconian Villa Collection, em Elia Beach. A médica da Julie veio conosco, não posso arriscar a vida da minha filha enquanto estamos vivendo. Por precaução, e como já são amigas, decidi convidá-la e pagar bem mais do que o de costume em dias normais. Kyra estava à vontade, ao menos é o que ela deixa transparecer. Em alguns momentos a vejo com o olhar distante, como se buscasse por algo que deixou no passado. E dessa vez, a mesma coisa estava se repetindo. Ela olhava o mar através da janela, respirava leve e pensativa. — Então… já decidiu por onde começar? — Sabe, Liam, eu estava pensando em como as coisas podem mudar de uma hora para a outra. Há alguns meses atrás eu tinha certeza que eu iria morrer sem nenhuma piedade. Mas eu te conheci, você me apresentou Julie e… — ela não completou a frase e as palavras ficaram pairando no ar. — E tudo isso só acont

  • A Doce Babá Do Bilionário Arrogante    Capítulo 42 — Deixando Claro O Quanto Te Quero

    Alguns dias depois Kyra Os dias felizes estavam contados. Os advogados de Liam estavam no andar debaixo, com papéis nas mãos e conversando sobre algo inaudível — mas eu sei exatamente sobre o que era: Marcos. Julie estava arrumando a mochila que iríamos levar para a viagem, enquanto eu… eu estava com o coração aflito com tudo que aconteceu. — Kyra? Eles já foram embora. — Liam estava parado em frente a porta, com os braços cruzados e uma expressão irritada. — Eu… — quis dizer alguma mas nada saia. — Liam, não era pras coisas tá acontecendo desse jeito. Você só agiu daquela forma por minha causa. Eu não quero que leve a culpa por algo que eu trouxe pra sua vida. Olhei para a janela, tentando reunir forças para resolver o que eu pudesse. — Nada disso é culpa sua. Ele sempre foi um erro que veio junto com a irmã. Digamos que você foi essencial para o que eu queria. Acredite, nada disso é culpa sua. Eu nunca deixaria alguém tocar na pessoa que eu amo e você é essa pessoa. — Eu sei

  • A Doce Babá Do Bilionário Arrogante    Capítulo 41 - Pétalas

    Liam Decidi que não iria mais insistir naquele assunto, mesmo algo dentro de mim gritando para arrancar uma resposta dela. — Tá legal. Me desculpa, às vezes eu sou mesmo uma idiota e não percebo as coisas boas que tenho ao meu redor. — Sua tocou a minha e eu senti meu corpo reagir no mesmo instante. — Eu quero muito tá com você, eu só não quero ser um fardo. — Você nunca foi um fardo, sabe disso. Parei o carro ainda longe de casa, Julie me olhou sonolenta mas não perguntou nada. — Eu quero te dizer que eu… que eu acho muito injusto você querer ir para longe de onde eu possa te ver todos os dias ao acordar. Sabe que eu… — Liam, você não vai me ver acordar todos os dias, assim como eu também não vou sumir do dia pra noite. Afinal, do que está com tanto medo? — Seu olhar me deixava confuso, principalmente quando ela fixava seus olhos nos meus em um momento tão íntimo como esse. — Não vou sumir da sua vida nem que agora você quisesse isso, tá? Kyra me faz perceber que eu semp

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status