LOGINAlexanderO primeiro dia de uma vida inteira juntosAcordei antes que o despertador tocasse.A claridade da manhã paulistana atravessava suavemente as frestas da cortina, cortando a penumbra e trazendo consigo a certeza de que a noite anterior não fora um sonho. Abri os olhos devagar, sentindo o peso suave do corpo de Elizabeth sobre o meu. O perfume do shampoo dela ainda impregnava os lençóis de linho, misturado ao cheiro inconfundível do nosso amor consumado no banheiro e prolongado até a madrugada.Observei seu rosto adormecido. Ela repousava com a bochecha colada ao meu peito desnudo, uma das pernas grossas e macias jogada por cima das minhas coxas, os cílios longos descansando suavemente sobre a pele alva. A respiração ritmada de Liz fazia seu peito subir e descer devagar. Um sentimento de posse e devoção absoluta transbordou no meu peito. Eu estava em casa.Deslizei os dedos pela curvatura das suas costas, sentindo a pele sedosa arrepiar-se instantaneamente sob o meu toque, mesm
AlexanderDe Volta para ElaO avião tocou o solo de São Paulo pouco antes das seis da tarde. Assim que as rodas encontraram a pista, senti uma emoção difícil de explicar.Eu estava de volta.Mas, dessa vez, não era apenas uma visita.Eu estava voltando para ficar.Depois de tantas decisões erradas, de tantas noites em que tentei me convencer de que conseguiria seguir em frente, de tantas lembranças que tentei esconder sob responsabilidades, negócios e uma vida que, no fundo, nunca pareceu realmente minha...Eu estava, finalmente, voltando para casa.Dessa vez, porém, havia alguém me esperando.Elizabeth.Apenas pensar no nome dela foi suficiente para fazer meu coração acelerar, batendo com mais força dentro do peito e despertando em mim uma ansiedade que eu já não conseguia controlar.Durante todo o voo, contei os minutos para aquele momento. Passei boa parte da viagem olhando pela janela, observando o céu enquanto minha mente reconstruía, repetidamente, a imagem que eu mais queria en
AlexanderO Regresso— Thank you, Dr. Washington. May I resume my activities?— Yes, taking into account all the precautions we’ve already discussed.Nove dias haviam se passado desde que minha pequena retornara ao Brasil.Nove dias.Era estranho como o tempo conseguia ser tão cruel. Os ponteiros avançavam, as horas se sucediam, os compromissos preenchiam minha agenda, mas, dentro de mim, nada parecia acompanhar aquele movimento.Nós nos falávamos todos os dias.Mensagens. Ligações. Algumas palavras trocadas no meio da correria. Pequenos detalhes sobre como havia sido o nosso dia. Ainda assim, quanto mais eu falava com Elizabeth, maior parecia ficar a saudade.Era como se cada conversa, em vez de diminuir a distância, apenas me lembrasse de tudo o que eu queria ter ao meu lado.Ela me atraía como um ímã poderoso.Naquela manhã, depois de passar por uma avaliação médica, voltei para o hotel e liguei o notebook assim que entrei no quarto. Eu precisava ocupar a mente, manter-me concentra
ElizabethO presente chegouCheguei a São Paulo pouco depois das cinco da tarde, trazendo comigo o cansaço de uma viagem longa demais e uma saudade que parecia ter atravessado o oceano antes mesmo de mim.O calor me envolveu assim que deixei uma área de desembarque privada. Era aquele calor tão característico do Brasil: intenso, úmido, familiar, capaz de me fazer respirar mais fundo e fechar os olhos por um instante. Depois de alguns dias longe, sentir o ar quente tocar meu rosto despertou em mim uma sensação difícil de explicar, uma mistura de alívio, pertencimento e nostalgia.Eu estava em casa.No meu país.No meu lugar.Peguei um táxi e, durante todo o trajeto até o apartamento, permaneci em silêncio, observando pela janela as ruas movimentadas de São Paulo. O trânsito daquela hora começava a se intensificar; os faróis dos carros acendiam-se aos poucos, misturando-se às luzes dos edifícios e às placas luminosas das lojas. Pessoas caminhavam apressadas pelas calçadas, enquanto vend
AlexanderCada vez mais livreAquele dia havia deixado marcas profundas em minha alma. Algumas feridas não sangram, mas doem em lugares que ninguém consegue alcançar. E eu sentia cada uma delas.A sensação de ter a própria vida manipulada como um simples fantoche pelas mãos daqueles que deveriam ser meu porto seguro era sufocante, mas uma certeza germinou dentro de mim, firme e inabalável: eu não toleraria mais ninguém dando palpites na minha existência. Chegara ao meu limite. A tarde se arrastou dolorosamente lenta, cada minuto pesando como séculos sobre os meus ombros. O ar no quarto parecia denso, e o silêncio só alimentava a tempestade de pensamentos que tiravam a minha paz. As palavras da minha mãe continuavam ecoando dentro da minha cabeça, repetindo-se como uma sentença da qual eu não conseguia escapar.A maneira como ela havia manipulado Marcela.A forma como havia interferido no meu divórcio, atravessando uma decisão que pertencia exclusivamente a mim.E, acima de tudo, a f
AlexanderA respostaMarcela surgiu na porta.— Alex...?Meu olhar encontrou o dela no mesmo instante.Toda a raiva que eu havia tentado sufocar durante o trajeto voltou a incendiar meu peito com uma força devastadora. Bastou vê-la diante de mim para que a indignação que eu acreditava controlar rompesse todas as barreiras.Ela permaneceu imóvel, como se os próprios pés tivessem criado raízes no piso.Os olhos claros, que um dia transbordaram leveza, agora pareciam perdidos em um emaranhado de culpa, medo e uma esperança que eu não conseguia compreender. Havia algo em sua expressão que denunciava que aquela visita não era exatamente uma surpresa. Era como se, no fundo, ela soubesse que aquele momento chegaria.O silêncio entre nós pesava mais do que qualquer palavra.A luz intensa do fim da manhã atravessava a porta entreaberta, desenhando sombras delicadas pelo hall de entrada. O perfume adocicado que Marcela sempre usava ainda impregnava a casa, misturando-se ao aroma da madeira nobr







