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A bebê do beco escuro

Author: Agnela
last update Petsa ng paglalathala: 2025-09-12 14:50:42

Mas o que fez ela quase perder as forças nas pernas, foi o sorriso dele. Dentes brancos, tão brancos que pareciam um anjo. Uma madeixa do seu cabelo sedoso — deu um leve movimento com a brisa gelada daquela noite.

—Eu sou Gustavo. Gustavo Foster. E tu?

Ela sentiu seus lábios tocaram uns nos outros, mas não ouviu sua voz, talvez fosse pela voz interior que gritava— tão alto que não podia ouvir à exterior ou talvez o seu coração que fazia sons estranhos que nunca antes tinha ouvido. Ou ainda a briga tensa entre seu coração e seu — cérebro, disputando quem consegue tomar conta do corpo.

Olhou para baixo, tentando ganhar coragem — e talvez vergonha na cara.

— Yelly! — falou finalmente.

—Lindo nome—Assentiu — posso te convidar para entrar?

Olhou para dentro, seus amigos também olharam para eles, pareciam confusos com o que o jovem fazia parado com aquela estranha. Ao perceber a hesitação da menina, disse logo— Meus colegas são gente boa. Tenho certeza que vão adorar te conhecer.

Ela continuou calada. Olhando para ele.

Gustavo tirou seu sobretudo e colocou nela. Yelissa assustou-se. Mas logo entendeu a sua intenção.

—Você está gelada. Precisa de tomar alguma coisa quente. Não vai ficar bem se continuar andando de baixo desse frio—disse, tentando convencê-la a ficar.

Ela olhou para jovem de cabelos escuros sentada ao lado da cadeira vazia, olhava para ela como se a expulsasse com o olhar.

—Obrigada pelo convite, mas preciso ir— Antes que ele pedisse, ela correu para onde era seu destino.

Ao chegar. Olhou para as imensas prateleiras, eram muitas fraldas, umas mais caras que outras. E o dinheiro era pouco.

“Com fé e um pedido com carinho, eles podem me deixar levar faltando apenas setenta centavos.” Pensou.

Antes que saísse, olhou para o absorvente. Aquele dia estava quase chegando, e não tinha nada que pudesse usar.

Suspirou fundo.

—A bebê precisa muito mais do que eu— disse para si mesma.

“Roubar não é opção. Se eles me pegarem posso ir presa. E Noah vai ficar assustado se não me ver chegando.”

Abaixou a cabeça e deu um passo para trás. Esbarrando em alguém. Quando levantou a cabeça, viu a mesma jovem que olhava para ela no café.

—Precisa de óculos? —perguntou incomodada.

—Desculpa! Não vi você aí—disse se afastando.

—Quem é você? E de onde conhece o Gustavo? —perguntou desconfiada.

Ela não sabia o que responder. Nem sabia quem era a estranha que olhava para ela como quem olha para um monte de lixo.

—Eu…eu não…—ela tentava falar. Mas parece que sua voz não obedecia ao seu comando.

—Deixa a garota em paz, Amber—disse a voz feminina a sua trás. Yelissa se virou para ver quem era. Também era uma das jovens que sentava na mesa. Tinha cabelos loiros muito lindos, e com cachos grossos.

—Quer assustar a nova amiga do Gustavo? —perguntou, com um sorriso enviesado— Oi eu sou a Clara.

—Yelly— falou meio sem graça.

—Amigas do Gustavo são nossas amigas também. Onde você mora? —Perguntou Clara. Yelissa não sabia o que responder nem que história contar.

—Eu estou de férias! Vim visitar uma tia, ela trabalha como doméstica, então eu estou ajudando. A filha de uma das empregadas precisou de fraldas então eu vim pegar—disse. Fechando os olhos as vezes.

—Eu só perguntei onde você vive. Não quis saber do seu histórico familiar—disse, cruzando os braços.

—E quem fica de férias em abril? Você por acaso está mentindo? — perguntou a Amber.

Ela abanou a cabeça.

—O que estão fazendo com ela? — perguntou o Gustavo. Aparecendo do nada.

O coração de Yelissa, voltou aquele ritmo descompassado. E evitou olhar para ele. Clara percebeu o gesto da menina e logo perguntou.

—Gostou tanto assim do meu namorado? — perguntou direito.

Ela levantou a cabeça rapidamente. Seus olhos estavam espantados e começavam a ter lágrimas.

—Eu? Não—disse tímida.

“É claro que ele teria namorada. Um homem desse tão lindo, nunca estaria solteiro.”

—É brincadeira— disse sorrindo.

Gustavo chegou perto delas e logo colocou as mãos no ombro de Yelissa. Que no mesmo instante tirou de cima dela e afastou-se.

Amber riu-se da atitude da menina, mas Gustavo a puxou e voltou a fazer o mesmo.

—Não precisa fugir de mim! O que veio comprar aqui? — perguntou interessado.

—Eu… eu preciso… preciso de…

—É gaga? —perguntou Amber impaciente.

—Não! Não sou… eu vim comprar fraldas.

Gustavo olhou para ela da cabeça aos pés. Ela era tão pequena para o casaco dele que chegou muito abaixo dos joelhos.

Sorriu depois de ver o que ela tinha calçado. Sabia que aquelas roupas de empregada eram familiares.

Tirou o absorvente e fraldas, e dois casacos na sessão de roupas de inverno. Pagou tudo e chamou Yelissa.

A jovem não percebeu o que acabou de acontecer. Apenas se movia ao mando do homem.

—Toma! Leva para casa—Colocou as sacolas nas mãos dela—Tens algum celular?

Ela abanou a cabeça lentamente. Mesmo que tivesse, não teria onde carregar.

—Vou escrever o meu terminal aqui—pegou uma caneta e escreveu na sacola— Quando quiser pode me ligar. E se não conseguir me encontrar, eu estudo na Universidade de Kinwells. Só precisa dizer que me conhece eles vão deixar você entrar.

Ela assentiu e começou a andar, lançando curtos olhares para trás enquanto tentava entender o que foi aquilo.

As duas jovens saíram e pararam atrás dele. Cruzando os braços.

—O que foi aquilo? — perguntou a Clara.

—Minha boa ação da semana— disse, sem tirar os olhos da garotinha, de cabelos longos mal penteados.

—Espero que não voltemos a nos encontrar—disse Amber. Se vir aquele cabelo outra vez, eu juro que corto.

Ele sorriu.

“Ela parece um gatinho sem dono.”

—Completamente o meu tipo— Sussurrou para sim mesmo.

Ao chegar perto, Yelissa ouviu choros de bebê, correu o mais rápido que conseguiu para saber o que tinha se passado.

Quando chegou, Noah tentava fazer de tudo para acalmar a menina. Mas nada resultava. E quando viu Yelissa chegando se sentiu aliviado.

O menino estava com expressão séria. Parecia irritado quando ela chegou.

—Onde estiveste? — gritou.

Yelissa pegou a bebê da caixa e a levou ao colo. Fez com que calasse, até que entendeu onde estava o problema.

A fralda dela estava cheia, e sua virilha avermelhada. Ela não sabia muito o que fazer, apenas trocou a fralda dela e achou que o problema estaria resolvido. Mas a bebê não parava com os choros.

—Vamos devolver ela onde a encontramos, se calhar a mãe dela estava arrependida e foi procurar por ela— disse o Noah.

—Nós vamos resolver! Vai ficar tudo bem— Olhou para o menino que abraçava os joelhos— Tem casacos nessas sacolas, use-os.

Noah fez o que ela mandou e logo adormeceu.

Com a bebê no colo, Yelissa não parava de pensar na noite que acabava de ter. Ao pensar no sorriso do homem loiro, um sorriso se fez nos seus lábios.

Durante semanas, Yelissa trabalhava todos os dias e conseguia trazer algumas coisas de onde trabalhava. Saía sempre antes do sol se pôr.

E no primeiro salário, a primeira coisa que fez, foi encontrar um lugar para viverem. Era mais longe do trabalho, mas era alguma coisa.

—É aqui onde vamos viver? — perguntou Noah entusiasmado.

—Sim! E aos poucos vamos deixar esse lugar bem a nossa cara.

Ele riu-se. Como uma criança poderia ser tão irônica?

—Somos um monte de peças quebradas.

—Então vamos montar as peças outra vez— disse animada— Para de ser tão negativo. Vem cá, você só tem cinco anos mesmo?

Ele não respondeu. Se limitou em jogar a caixa amassada onde a bebê dormia, no chão.

—Faz um mês que estamos com ela. Temos que parar de chamá-la de Bebê.

—E como a Vamos chamar? — perguntou ele. Parecia nada interessado.

—Não sei. Vamos pensar em alguma coisa.

—Yelissa.

—Hum?

—Raissa. Combina.

—Raissa— repetiu baixo— Você é bom com isso. Então vai ser Raissa mesmo.

Yelissa não costumava trabalhar nos finais de semana. Então fazia outros bicos por aí, em outras casas. E sua chefe a recomendou para suas amigas. E em uma dessas casas, era da mãe de Amber.

A menina limpava as louças caras da grande casa. Com uma concentração dos infernos.

Até que a campainha tocou. Ela teve que se retirar. Os convidados nunca podiam a ver. Principalmente por ela ser menor de idade.

—O que você faz aqui? Não deveria estar com seu pai na Noruega? — perguntou sua mãe. Assim que Amber entrou.

A menina jogou a mochila no sofá e suspirou alto.

—Tive que voltar. Clara disse que precisava de mim. Ela e o Gustavo terminaram.

A mãe revirou os olhos. Sabia que a filha tinha uma devoção irritante por essa amiga.

—Claro! Daqui a dois dias eles se resolvem.

—Parece que não! Dessa vez é sério.

A mãe da garota deu duas palmadas na perna da filha e disse:

—Todos nessa cidade sabem que eles vão se casar! Depois de Sarah ter saído do caminho dela, ninguém mais se atreveria.

—Não sei não mãe— disse ela com tom enigmático—Ele anda muito estranho por causa de uma zinha que viu apenas uma vez.

A senhora riu-se.

—Esse seu primo não tem mais jeito. Aposto que já se apaixonou. Ele gosta de um bom caso perdido.

—Faz cinco anos que Hades está naquela cama de hospital. De alguma forma isso mudou muita coisa na vida de Gustavo, afinal eles são muito amigos.

—Pará de tentar justificar as peças que seu primo pega! E já agora. A nova faxineira vai fazer uma geral naquele seu quarto, está um caso perdido, pior do que esses que Gustavo gosta.

— Tá! Eu entendi—disse, se deitando no colo da mãe.

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