FAZER LOGINMahjong é uma possibilidade simbólica, como a vida amorosa pode ser complicada. Mahjong. Um jogo chinês de paciência, estratégia e timing — quatro jogadores, centenas de peças e uma tensão que cresce a cada rodada. Cada movimento é calculado, às vezes lento, outros impulsivos. Há primeira vista, parece apenas sorte, mas na essência é preciso memória afiada, atenção aos padrões e a coragem de arriscar tudo para vencer.
Era esse o jogo que mais lembrava a vida amorosa de Yelissa. Não havia pressa em Mahjong, como também não havia em suas relações. Cada peça revelada expunha uma parte do jogo — como as pequenas confissões que surgem entre duas pessoas que tentam se entender. Um gesto, uma ausência, um toque inesperado… tudo revelava intenções, tudo podia ser aproveitado ou descartado. Na mesa da vida, Yelissa já tinha descartado muitas peças. Algumas com dor, outras com alívio. Já segurou combinações promissoras nas mãos, apenas para vê-las desmoronar por causa de um detalhe fora do lugar. Também foi forçada a blefar — a parecer mais forte do que era — porque viver, como jogar, nem sempre permitia mostrar o que se sentia. E no centro do jogo… a espera. Aquele momento silencioso onde tudo parece estagnado, até que uma peça muda completamente o rumo da partida. Foi assim com Gustavo. Ele surgiu como a peça que ela nem sabia que faltava. E então, o jogo recomeçou — com mais risco, mais desejo, e menos certezas. Porque no amor, como no Mahjong, vencer não é sobre ter todas as peças certas, mas saber o momento exato de jogá-las. Enquanto limpava o quarto — ela esbarrou em um dos patins de Amber e caiu de joelhos no chão, olhou para cômoda e viu a foto dos jovens que tinha conhecido no mês anterior. “Que coincidência estranha”. O som da campainha soou outra vez, e tinham vozes na sala conversando. Ela ia se levantar quando Amber entrou no quarto falando alguma coisa sobre coisas frágeis. Mas parou no meio da frase quando viu quem era. —Garota do café? Yelissa ficou olhando para ela. Parada no chão sem saber o que fazer. Puxou a vassoura para tirar o lixo que estava por baixo da cama. —Só estou arrumando o que a senhora pediu. Já saio do seu quarto—disse ela desviando o olhar da mulher que fervia por cima dela. —Você fez estragos garota— disse calmamente cruzando os braços—Faças o que fizeres não deixa ele te ver. Se esconde ou algo do tipo. Combinado? Ela não sabia a quem se referia. Apenas assentiu. Voltou a sua faxina. — Não ver quem? —A voz de Gustavo saiu grossa. Yelissa assustou-se e bateu com a cabeça na cômoda—Aiii— esfregou com as mãos na cabeça freneticamente. —Está tudo bem? — perguntou sem olhar para o rosto dela. Ela estava de costas quando assentiu. Sabia exatamente quem era, e entendeu o recado de Amber. — Vamos deixar ela terminar a limpeza. Podemos ficar na sala de jogos até a Clara chegar. Gustavo bufou. Mas seguiu sua prima, para o andar de baixo. Jogaram durante horas. A mãe de Amber pediu que Yelissa levasse aperitivos para sua filha e o seu primo. Ela quis negar, mas então a campainha tocou outra vez. Yelissa estava parada na porta, segurando o envelope de dinheiro, Clara depois de sair do Hall de entrada, seu olhar saiu de baixo para cima até encontrar os olhos de Yelissa. — Que má sorte encontrar você— Disse a jovem que parecia uma modelo de capa de revista. As duas ficaram bons momentos olhando uma para outra. Até ouvirem a voz de Gustavo conversando com Amber, subindo as escadas juntos. — Clara! Seja bem-vinda, bom que chegou— Paula, a mãe de Amber olhou para as duas que se estranhavam. E no mesmo momento que Gustavo entrou, ambas olharam para ele. O clima ficou estranho. O triângulo amoroso era muito óbvio, Gustavo olhava para Yelissa, e ela para ele, mas o olhar de Clara estava sobre ele, e no sorriso sincero de seus lábios, que não eram para ela. — Vocês se conhecem? — Paula estava confusa, a energia beirava a entre leve e intensa. Deixando as pessoas a volta deles intrigadas e desconfortáveis. — A empregada é amiga do Gustavo— disse Clara, com certo ceticismo. — Yelly. A quanto tempo— Disse ele animado. — Que ótimo! Não esqueceu o nome dela— resmungou Amber— Tenho certeza que já acabou o seu serviço. Agora pode ir— Disse ela irritada. — Não! Por favor fica. Penso que minha tia querida não vai se importar— disse ele. Amber olhou para ele, e depois para mãe, que ficou intrigada com que estava acontecendo de baixo do seu nariz. — Claro. Não vejo por que não. Amber revirou os olhos. Clara deu um sorriso enviesado. —Amigas do meu namorado são minhas amigas também— disse ela. Yelissa franziu o cenho. —Eu não posso ficar! Obrigada pelo convite. Tenho coisas para fazer em casa— falou. —Fica só mais uma hora. Tenho certeza que sua tia! Não vai se incomodar— falou Amber com ironia. — É. Você desapareceu do nada, nem me ligou. Fiquei pensando se perdeu o meu número. —Eu…é. —Ficou gaga outra vez? —disse Amber. Gustavo terminou de subir os últimos degraus, chegou perto dela e segurou suas mãos. — Trinta minutos. Só preciso de trinta minutos com você— pediu. Ela sabia que tinha deixado tudo pronto em casa e que Noah não precisaria dela por enquanto. Sem deixar ela responder Gustavo a puxou para sala de jogos. Amber e Clara estavam sentadas nas poltronas olhando para os dois que conversavam animados. Depois de muito tempo. Yelissa tinha esquecido o que eram responsabilidades. A leveza de uma vida adolescente. Uma garota que acabou de completar dezesseis anos. Que fugiu de casa aos catorzes porque sua família adotiva era horrível. E sempre quis saber o que era ser amada. — Quantos anos tens— ele perguntou, enquanto acariciava suas mãos. —Dezesseis— disse tímida. —De sobra ainda é tímida— murmurou Amber. —Não se intrometa por favor— falou Ele sem desviar o olhar dela— Tens irmãos? Ela abanou a cabeça. Estava feliz e animada talvez por alguém querer saber mais sobre ela, além de seu tipo sanguíneo. — Agora eu preciso ir! Devem estar me esperando… Gustavo tocou no rosto dela. A menina ficou assustada e se afastou ligeiramente. — Você é tão linda. Tem namorado? — Eu nunca tive—falou baixo. Clara sorriu. Achava isso cafona demais, irritante demais. —Vai pegar uma água por favor — Disse Amber — E traga dois refrigerantes bem gelados. Todos ficaram em completo silêncio, enquanto ela jogava distraída. Yelissa se levantou pronta para obedecer. Mas Gustavo segurou nas mãos dela. — Estás aqui como minha convidada. Se ela quiser alguma coisa, vá chamar as outras empregadas que tem aqui— disse incomodado. — Ela trabalha para mim Gustavo. E eu estou com sede — disse insistente.Na semana seguinte, Noah consegui comprar o brinquedo com o adiantamento de Gerônimo. Depois da saída das meninas, ele esperou por Melissa para devolver o brinquedo. —Melissa— chamou. A babá que carregava ela ao colo parou — Desculpa pelo seu brinquedo quebrado. Toma! Comprei outro pra você. A menina sorriu e abraçou Noah com tanta força. —Calma— deu leves tapinhas nas costas dela— preciso respirar. —Muito obrigada. —De nada— fez festinha em sua cabeça. Em casa, Melissa não largava o brinquedo, nem deixava que penteassem o cabelo dela. Sara tentou manter-se distante, entendeu o recado de Gustavo. E sabia que insistir, só deixava ela mais vulnerável. Mas Igor entrou para tirá-la do seu devaneio. —Temos um jantar hoje! —Não vou —Não perguntei! Apenas informei. —Não tenho clima pra isso!
Faziam dias que Gustavo evitava Sara. No trabalho, na rua e em casa. A perseguição era cansativa para ambos. Depois daquela noite, na manhã seguinte ele foi embora. Não sabia o que dizer nem o que fazer, sempre a tinha visto como a mulher que seu amigo ama. E por ter confundido ela com Yelissa, deixava as coisas mais estranhas. Mas a culpa por ter sido o primeiro homem dela, não o deixava. Ele jurava que depois de Yelissa não seria ninguém mais. Clara percebeu a diferença do homem, que mais parecia um fantasma, senão pela sua filha. —O que raio está acontecer contigo? —Clara entrou no escritório sem bater a porta—Tens andado muito diferente nesses últimos dias. Aconteceu algo com a empresa? —Hades proibiu a minha entrada em sua casa! Ele não te contou? —Gustavo estava a servir um copo de uísque. Clara riu-se da piada de mal gosto do seu suposto marido! —Hades nunca faria uma coisa dessas! Conta outra vai—ela sentou-se na cadeira à frente da sua. G
Depois de desligar o telemóvel, Noah colocou um contrato já assinado por ele na mesa! Gerônimo olhou para ele e depois para o papel! —Se vamos fazer isso! Precisa ser da forma certa— deu a sua própria caneta para que ele assinasse. E Gerônimo assinou! Noah colocou o documento no envelope e deu as mãos de forma a fechar um contrato, com o homem que era seu avô! —Foi um prazer fazer esse acordo com o senhor! —Geronimo surpreso com a atitude do menino, retribuiu. Após ter saído. Ele suspirou profundamente. —Ele é a cópia da Yelissa, mas no corpo de Hades! Seria o herdeiro perfeito. Noah caminhava em direção a saída quando ouviu gritos vindo do quarto de Hades! Ele não gritava, mas a mulher sim. Era Amanda com dois meses de gravidez exigia que ele fizesse a coisa certa! —Tu não podes fazer isso comigo—gritou! —Eu me entreguei a ti, tu foste o meu primeiro homem. Como podes simplesmente dizer que não vamos nos casar? Quem você acha q
Levou-a ao colo.—Vamos para o hotel! —Não! Quero ficar aqui papá! Estou cansada daquele hotel, tenho saudades do meu quarto e dos meus brinquedos. Gustavo respirou fundo! Sabia que ela tinha razão, era exausto ficar num hotel para ele, para uma criança seria muito mais. —Tudo bem! O papai fica aqui com você pode ser? —Tudo bem! —Melissa voltou a brincar com a sua babá! Ao descer as escadas, Clara olhava para ele descer.—Peço o quarto de hóspedes pra ti? —perguntou divertida! Ele apenas assentiu, sentou-se no sofá com as mãos na cabeça. —Bebeu demais e dormiu com a sua Yelly? Foi? —Não é da sua conta! Mete-se na tua vida— levantou e foi para o escritório. Em uma ligação, Gustavo pede ao seu assistente para fechar a reserva do quarto depois que Sara saísse. E assim foi feito. Amber, foi informada que ele estava de volta e que não precisava mais cuidar da pequena Melissa. Aos olhos de Clara, tudo estava de v
Sara, conseguia ouvir a conversa atrás da porta. —Sabe porque Gustavo não está? O homem que dedicou anos a cuidar da sua adorada filha desde o momento que ela nasceu até então nenhum dia se fez ausente, hoje que ela está doente ele simplesmente não está aqui, você faz ideia do porquê? —O que queres dizer com isso? —Yelissa. É isso que eu quero dizer. Seu querido primo, está louco por essa mulher. E encontrá-la é a sua maior prioridade nesse momento. Se ele não aparecer até amanhã, eu levo a menina comigo! Clara entrou no quarto e sentou-se no sofá, distante da cama, mexia no celular. Sara foi ter com a amiga que estava imóvel com os punhos cerrados. —O que foi? —Aquela mulher precisava arruinar tudo dessa vez? Ela só precisava não voltar. —Gustavo a ama tanto assim? —Preciso achar ele, mas não posso deixar a Mel aqui, pode me ajudar? —Claro! —Aqui o cartão! Vê no hotel, na empresa, em algum bar, ou na casa de Hades, onde e
Gustavo sentia o coração acelerado, como quando Melissa nasceu. —Senhor Foster! O senhor Ford não esperava pelo senhor tão cedo! —disse Bruno. Caminhando até ele.Sem mesmo estacionar o carro ou fechar a porta! Caminhou com urgência até a casa principal. O objetivo era questionar o amigo. Por quê ela estava de volta? Por quê ele não foi informado?Ele abriu a porta sem antes bater. Hades estava perdido entre pensamentos. Era muita coisa para processar em tão pouco tempo. —Como foste capaz disso? — Gustavo estava claramente irritado, seu peito arfava pela rapidez com que subiu as escadas. —O que foi que eu fiz dessa vez? Outra gravidez surgiu? — estava impaciente, não sabia o que o amigo falava, mas em breve iria descobrir. Gustavo caminhou até ele e segurou na gola de sua camisa. Os olhos tinham alguma coisa que ambos não entendiam. Nunca tinham chegado a esse ponto. —Porquê Yelissa está de volta e eu não sabia de nada? Hades não consegu







