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Mahjong

Autor: Agnela
last update Data de publicação: 2025-09-12 14:53:59

Clara olhou para Yelissa.

— Ela é uma empregada Gustavo. Como pensa em mudar isso? — cruzou as pernas— Amber tem razão. Ela é uma empregada na casa dela. Sendo sua convidada ou não. Não dá para mudar a natureza das coisas.

Gustavo cerrou o punho. Se levantou e puxou a mão de Yelissa, ambos foram para fora.

Os dois saíram do condomínio correndo. Os cabelos de Gustavo esvoaçavam, e Yelissa olhava para ele distraída, mas encantada. Seus olhos brilhavam só de olhar para ele. Era lindo até de costas, o suor se negava a sair, mas ela tinha certeza que se ele suasse, seria perfeito, com as gotas caindo de seus cabelos ou o rosto brilhando com os raios de sol do entardecer sobre ele.

Seu coração acelerava, podia ser da corrida, ou então do momento mais estranho de sua vida.

Depois de uma longa corrida, ambos ficaram sem fôlego.

— Porquê estamos correndo? —perguntou, olhou para o chão, com a intenção de expirar e inspirar.

— Não sei! Apenas fiz por que quis. Queria ver a tua resistência.

Ela franziu o cenho.

—Minha resistência para quê?

— Para poder fazer isso— Gustavo a puxou para um beijo. Foi o beijo mais inocente, puro e desajeitado que dera em toda sua vida. Mais de certeza que seria o mais memorável.

Ele a agarrou na mandíbula com as duas mãos, e a puxou para mais perto dele. O beijo foi sem pressa, carregado de alguma coisa que eles não queriam ou não os deixavam parar.

Mas precisavam. Ela estava sem fôlego. Quando a soltou seu peito arfava. Mas foi só um olhar, e ela voltou nos braços dele. Agora com mais certeza do que queria, e do que estava a fazer. No meio da rua Gustavo sentiu tudo o resto desaparecer. Era só ele e ela.

A noite. Yelissa estava deitada ao lado da pequena Raissa e o Noah. Agora já em um colchão e com cobertas e colchas maiores e melhores.

Ela olhava para os dois, mas pensava no beijo, memorável.

“Foi o primeiro beijo perfeito”.

Durante dias, Gustavo ia pegar ela depois do trabalho, ambos passavam a maior parte do tempo juntos, conversando sobre assuntos aleatórios. Mas um dia, sobre o pôr do sol, Gustavo abriu seu coração para ela.

— Há muito tempo, eu perdi um amigo— disse, fazendo carinho nos cabelos bagunçados da garota, que estavam espalhados sob o banco do pendura— Ele, era tudo de ruim que alguém poderia ser.

— Como alguém assim poderia ser seu amigo? Você é tão…

—Bonzinho?

Os dois riram-se.

—Eu realmente não sou como ele— Continuou— Ele consegue ser desprezível, a ponto de ter tanta gente feliz por ter sumido— falou com nostalgia— Mas ele sempre esteve lá pra mim. Rebelde, briguento, ranzinza, mal caráter, traiçoeiro, trapaceiro…

—Nossa! É um perfeito vilão— Disse brincando.

— Não para mim. Embora que noventa e nove por cento da cidade inteira ache que sim.

— Sente muita falta dele?

— Demais! Faz seis anos que ele…

— Não vou roubar você dele, nem ocupar o seu lugar, mas posso ser sua melhor amiga até ele voltar.

Ele olhou para ela no fundo dos olhos— Eu quero mais que isso— Sussurrou para ela. Um beijo. O mais puro e verdadeiro, o momento memorável que ficaria gravado por tanto tempo, uma memória inesquecível de como foi sentir os lábios puros e doces daquela adolescente. Ele olhou para ela no fundo dos olhos— Eu quero mais que isso— Sussurrou no seu ouvido. Yelissa ficou imóvel com a tamanha aproximação dele.

Seu coração acelerou. E então seus lábios se tocaram. Ela ainda tremia levemente, mas ainda assim era maravilhoso, os sentidos dele estavam a mil, uma onda de eletricidade passou pelo corpo dele, e então a ereção.

O momento tinha passado de gracioso e doce, para excitante com o som dos lábios, a pele dela arrepiada e leve gemido que ela deu, quando a soltou para recuperar o fôlego.

—Quero ser seu namorado também —disse finalmente— Eu gosto de você.

—Eu…

—Não diga que não por favor— Segurou em suas mãos— Eu sei que é muito cedo, mas eu realmente quero ficar com você.

— Não! — Respondeu firme. Olhando bem no fundo dos seus olhos.

— Não? Ninguém nunca me deu um não assim tão direto. Tem algum motivo para isso?

— A senhorita Clara é sua namorada, não acho certo a gente ficar junto. Sem falar na sua idade. És sete anos mais velho. E por último é não menos importante eu sou doméstica. Eu não acredito no clássico amor entre um garoto rico e uma garota pobre—disse séria.

Gustavo desviou o olhar. Sabia que ela não cederia. A menina tímida, não era tão boba quanto parecia.

— Domingo será o meu aniversário! Poderia aparecer?

Ela olhou para janela. Sabia que não era uma boa ideia. Era claro que Clara e Amber não a suportavam e Gustavo sabia disso.

— Não tenho roupas para isso. Podemos comemorar seu aniversário numa outra ocasião— disse ela. Abrindo a porta do carro. Gustavo a segurou no braço antes que ela saísse.

— Será em um restaurante. Uma coisa simples só para os mais próximos.

Ela assentiu. E saiu do carro.

— Amanhã posso te ver? Tenho uma surpresa para ti.

Yelissa sorriu como se dissesse que sim. E foi embora.

Gustavo estava triste por ela não ter aceitado e sabia que ela tinha razão, embora não parecesse, ela tinha apenas dezesseis anos, tentar alguma coisa com ela, seria crime.

Na casa de seu melhor amigo, Gustavo estava sentado na poltrona olhando para o colar que queria dar para ela. Não teve coragem porque ela não aceitou o seu pedido.

— Eu nunca fui emocionado e você sabe disso mais do que ninguém— Disse para o amigo— A primeira vez que há vi, foi tudo muito intenso, diferente, real demais para ser verdade. Mas ela ainda é menor de idade e eu fiz algo idiota, ao pedir ela em namoro. Onde é que eu estava com a cabeça? —sorriu torto.

Continuou girando o colar em suas mãos, ele tinha um diamante nele, feito pelo próprio, especificamente para ela.

— Lembras a primeira vez que te disse o nome dela? Yelly. Ela é linda como o nome, perfeita e simples, tudo a minha medida. Eu vou esperar ela atingir a maior idade, enquanto isso, vou cuidar dela. Grava bem esse nome. Yelissa, ela será sua futura cunhada.

Deu duas palmadas na perna do amigo e se levantou.

— Acorde logo! O mundo não pode se livrar de um homem perverso como você assim tão fácil— Gerônimo seu pai, entrou no quarto e encontrou Gustavo lá.

— Que bom ver-te aqui— falou, se posicionando no batente da porta com os braços cruzados— Têm conversado muito nos últimos tempos. Conheceu uma garota nova?

Ele sorriu.

— Pior que foi isso mesmo tio— Disse, coçando a cabeça— A mulher ideal.

— Não existe esse negócio de mulher ideal. Mulher é mulher.

— Lamento descordar senhor Ford. Ela não é simplesmente uma mulher qualquer. Ela é perfeita.

O senhor de quase sessenta anos riu-se.

— Que moleque apaixonado. Depois do casamento, tudo isso acaba.

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