FAZER LOGINDominic naquela semana, fez a viagem até a Escócia, ele não conseguiu se reunir pessoalmente com o chefe da família Haven, o homem sempre tinha uma desculpa para não encontrá-lo, por fim trataram tudo por um intermediário ou por telefone, mas Dominic voltou para Londres com o contrato assinado e com uma surpresa para o irmão.
Assim que chegou ele ligou para Caspian, daria a boa e inusitada notícia ao irmão o quanto antes.
— Fala Dominic... Quando chegou? — Caspian perguntou ao atender.
— Ontem, e voltei com o contrato assinado. — Dominic tinha um sorriso na voz, estava achando graça da situação.
— Parabéns! E como conseguiu dobrar o velho?
— Te conto, mas não pode rir... — Dominic tinha a voz leve e divertida, provavelmente seria uma história para se achar graça, claro se não fosse com ele.
Dominic ouviu a risada rouca de Caspian antes de começar a contar, pensou que quando o irmão soubesse da história não acharia tão engraçada.
— O velho estava irredutível, dizia que só trabalharia com alguém da família e me falou da jovem filha que acabou de sair do convento. Se era preciso ser da família para ter o contrato, pois bem... A família Dark se unirá a família Haven através de um casamento com a jovem filha dele. — Dominic disse segurando a risada, ele ouviu Caspian rir da situação, achou ousado, mas estava satisfeito, teria um contrato quase milionário com a família Escocesa.
— Dominic, você me surpreendeu, não achei que iria tão longe por esse contrato, mas estou satisfeito, espero que a noiva seja bonita. Pode até jogar fora aquele meu último presente.
— Caspian, eu não vou me casar!
Caspian limpou a garganta, agora achava que Dominic estava sendo ingênuo, se a palavra de um Dark tinha sido empenhada, ela tinha que ser cumprida. Eles aprenderam isso com o pai, a nunca prometer levianamente e que a família Dark tinha honra.
— Dominic Dark, você prometeu um casamento por esse contrato, não pode voltar atrás, temos palavra, temos honra, então esse casamento terá que acontecer. — Caspian disse sério, apesar de ser mais novo que Dominic, ele era mais responsável, nunca faria um jogo perigoso como o que Dominic estava fazendo, nunca entraria em uma furada sem saber as consequências.
— Caspian, a família está vindo com a moça para um noivado oficial, será esse fim de semana e será realizado pelo próprio chefe Light, pois querem um noivado tradicional da máfia, querem um juramento de sangue. Mas o que você se esqueceu é que usei o seu nome, durante toda a transação eles pensavam estar falando com você Caspian Dark, então parabéns, te vejo no sábado, no seu noivado. — Dominic disse e desligou.
Caspian levou alguns segundos para processar, ele tinha um acordo de casamento, tinha a data do noivado e como ele mesmo disse não podia voltar atrás, tinha que cumprir a palavra.
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Naquela tarde Caspian dirigiu até a casa de Dominic, ele ainda tinha as senhas do portão e encontrou o irmão alimentando os peixes no pequeno lago.
Ele se aproximou e antes mesmo de Dominic dizer algo, ele deu um soco em Dominic que caiu no chão. Se notava a fúria, a angústia e a raiva que crescia em Caspian.
— Que brincadeira é essa Dominic? Como pôde fazer um acordo em meu nome? Não quero e não vou me casar! — Caspian gritou enfurecido para ele.
Dominic se levantou limpando o canto da boca, bateu as mãos na roupa para tirar a terra e olhou desgostoso para Caspian.
— Não vou nem revidar, vou manter a sua cara inteira para o dia do noivado, não quero assustar a minha cunhada. — Dominic ainda zombou de Caspian, colocou o irmão em uma enrascada e estava se divertindo com isso, por mais que ele pensasse na escuridão que crescia no irmão, a situação para ele ainda era como em uma brincadeira que os dois faziam um com o outro desde crianças até a idade adulta. — Você colocou uma boneca em minha cama, a que te arrumei anda e fala, considere isso um bônus!
— Bônus um caralho! Você nunca foi tão longe Dominic, isso não é brincadeira, esse casamento é de verdade, não posso devolver a moça para loja como você! Passou de todos os limites! — Para Caspian aquela brincadeira tinha ido longe demais, a peça que ele pregou em Dominic não interferia em sua vida, mas o que Dominic fez, sim.
Caspian chegou a segurar na camisa de Dominic, pronto para um novo golpe, mas o soltou e andava de um lado para o outro, parecia angustiado por algo, tinha seus demônios para acalmar antes de receber uma mulher em casa, por isso recusava o casamento, temia o dia em que estivesse com sua esposa e a machucasse, mesmo sem perceber.
— Você demorou para acreditar em mim. O que houve? — Dominic disse e pegou a comida para peixes, continuou jogando no lago, como se nada tivesse acontecido.
— O Light me ligou, disse que se quero ser o novo executor estou no caminho certo, disse que estava feliz com a minha escolha para o casamento. Que a moça é amiga de uma de suas filhas, que é bonita e gentil, como essa mulher poderá se unir à mim? O que será dela?
Caspian por um instante duvidou de Dominic, ele e o irmão viviam pregando peças um no outro, pensou que aquela era apenas uma brincadeira de Dominic e ignorou por hora, mas quando o chefe da máfia ligou o parabenizando pelo casamento, Caspian caiu em si, ele tinha um acordo de verdade.
— Como vou me casar com essa moça? Até mesmo as prostitutas, às vezes se recusam a dormir comigo, o que será dela Dominic em minhas mãos? Não podia ter feito isso comigo!
Dominic olhou para Caspian e entendeu a agonia dele. Eles perderam o pai cedo, Dominic já tinha uma vida sexual ativa e recebeu todos os conselhos necessários do pai, sabia como tratar uma mulher, sabia respeitar os limites que uma relação impunha, mas ele falhou com o irmão, deixou que Caspian descobrisse sozinho do que gostava e às vezes, esses gostos surpreendiam mulheres experientes, muitas delas não passavam de uma noite com Caspian e o que restou a ele foram as prostitutas, um bom pagamento convencia qualquer uma a se deitar em sua cama. Contudo ele achava que não poderia ser ele mesmo com sua esposa, que aquela que fosse sua companheira de vida merecia mais, mas será que ele poderia ofertar isso?
— Primeiro, me desculpe! Talvez eu realmente tenha passado um pouco dos limites... — Dominic disse complacente.
— Um pouco Dominic? Um pouco?
— Tá, passei muito! Mas porra Caspian, não é o fim do mundo! Conheça a moça, rejeite o acordo, diga que o velho entendeu errado... Faça isso no noivado, ou... — Dominic parou.
— Ou o quê? — Caspian perguntou impaciente.
— Ou se case, uma moça direita, de família, um casamento decente, não é a pior coisa do mundo.
— Pois se essa mulher tentar me matar é melhor você aparecer para me salvar, ou eu mesmo mato você.
Dominic riu, toda a situação podia ter começado como uma brincadeira, mas o resultado poderia ser melhor do que o pensado.
A médica fez os exames com Maria desacordada, quando ela recobrou a consciência já estava vestida e no tapete de seu quarto, tinha a coberta grossa sobre o seu corpo e em cima da cama um copo de suco e um sanduíche.Ela levantou-se e deu uma mordida no sanduíche, Dominic já tinha percebido que Maria não resistia a nenhum tipo de comida, ela só não gostava de coisas amargas, Dominic descobriu isso depois que a viu curiosa com as garrafas de bebidas em seu escritório, ela chegou a colocar um pouco de whisky em um copo, ela cheirou e fez uma careta, deu um pequeno gole que na mente dele nem se deixava apreciar o sabor, mas ela fez uma careta de nojo pior ainda e correu para o banheiro do quarto, escovou os dentes e limpou o quanto podia a boca, ele enquanto isso, fez um suco de morango com leite, fez o mais doce possível e deu a ela quando a viu sair do quarto. Ela tomou quase tudo sozinha.Quando Maria saiu do quarto Dominic estava na sala, ele tinha a TV em um filme e um balde de pipoc
Naquela semana, Dominic agendou as consultas que Selena sugerira. Escolheu um hospital em que um dos sócios era conhecido da família. Queria discrição. Corredores menos expostos. Gente que soubesse guardar nome e rosto. Não se sabia a idade de Maria, o corpo era de uma mulher e o calendário interno ainda estava em pedaços. Uma consulta médica diria muito sobre ela.A psicóloga seria por videochamada. Três vezes por semana, no começo. Maria poderia perguntar o que quisesse: o nome das horas, o que era autonomia, por que as pessoas andavam de mãos dadas sem pedir licença. Não era aula de criança. Era o mundo inteiro, atrasado, atravessando uma tela.A consulta ginecológica foi outra coisa.O consultório cheirava a álcool e papel. A luz branca deixava a pele de Maria ainda mais pálida. No centro da sala, a maca ocupava o espaço como uma sentença. Cama hospitalar, cama comum — para ela, o formato não mudava. Altura, lençol, a ordem de deitar. O corpo lembrava antes da boca.Foi difícil co
Enquanto isso, Dominic e Caspian voltavam para a sala. Os passos dos dois soavam pesados no corredor. Lá fora, o lago continuava quieto. Lá dentro, a casa ainda cheirava ao almoço que Maria fizera e ao perfume doce que Selena deixara no ar.— Dom, não se preocupe. Nem precisava ter comprado essas coisas para ela. Vou levá-la para um convento. Em no máximo uma semana você se livra disso. Apesar de ter me feito casar, não vou pagar na mesma moeda. A Selena se mostrou uma excelente esposa.Dominic parou. A resposta veio sem hesitação.— Não. A Maria fica. Não vai a lugar nenhum.A voz saiu convicta. Ele não queria admitir, mas Maria já mexia com sentimentos que andavam adormecidos havia anos. Desde a noiva, desde o ataque, desde o dia em que aprendera que amar também podia ser uma armadilha, Dominic fechara a porta. Agora aquela mulher de pés descalços e sorrisos raros abria a porta novamente.Caspian arqueou a sobrancelha. Achou graça, mas não da forma cruel de antes. Será que o irmão e
Enquanto isso, Maria e Selena construíam a amizade sem pressa, como quem aprende a confiar no som da voz da outra. Sentaram-se no banco à beira do lago. A água batia mansa nas pedras. O vento de novembro trazia cheiro de terra molhada e folhas. Selena ajeitou o casaco sobre a barriga e olhou Maria com uma curiosidade suave, sem julgamento.— Selena, você é casada com o Caspian?— Sim. Estamos casados há quase um ano. E agora vamos ter o nosso primeiro filho.Maria acompanhou o contorno da barriga com os olhos, fascinada e um pouco assustada.— Entendi. Foi ele que me tirou da casa do Mestre. Ele disse que eu vou ficar melhor aqui.— E você está gostando? É bom conviver com o Dom?Maria pensou um pouco. O lago refletia o céu claro. Longe, a casa de Dominic parecia quieta e segura.— Sim… Quando nasce o seu bebê?— Daqui a duas semanas.— Isso é quanto tempo exatamente?— O quê? — Selena piscou, confusa. Para ela, a explicação tinha sido clara.Maria tinha fascinação pelo tempo. Não sab
Dominic olhou pela câmera e viu o irmão passar.— Tinha amigas quando criança? — Ele perguntou.— Não... As minhas únicas amigas eram a Ava e a Docinho, sinto falta delas.Dominic pensou que daria um jeito das meninas se encontrarem.— Vou te apresentar uma pessoa, ela é confiável e será sua amiga, pode perguntar tudo para ela.Eles foram até a sala e Caspian já passava pela porta com algumas sacolas, eram as roupas de Selena que ela não usava mais.Maria viu a moça com a barriga enorme, não precisava de explicação, Selena teria um bebê muito em breve.— Dom, que saudade cunhado!— Está linda Selena, e o meu sobrinho? — Dominic disse enquanto a abraçava.— Está bem, pesado e não para de se mexer um minuto.Maria saiu atrás de Dominic. Caspian notou que ela usava roupas diferentes, mas a blusa de frio universitária tinha certeza de que era de Dominic.— Vejo que está bem cuidada Maria, meu irmão tem sido bom para você? — Caspian perguntou.— Sim, ele me deixa comer a hora que eu quiser
Dominic levou Maria para casa. Havia pouco mais de uma semana que ela estava ali, e, apesar do medo ainda vivo sob a pele, começava a se sentir em casa. O portão se fechou atrás deles com um som pesado e definitivo. O lago ao fundo brilhava sob o céu de novembro. Dentro, o cheiro de madeira e café parecia grande demais para o silêncio que ela trazia nos ombros.Ele a sentou no sofá. Antes do susto no shopping, Maria evitava qualquer contato. Depois de se refugiar nos braços dele, a presença de Dominic já não doía do mesmo jeito.Dominic ajeitou uma manta sobre as pernas dela e, em vez de sentar ao lado, ajoelhou-se no chão para ficar à altura dos olhos dela.Maria se surpreendeu. Sempre fora ela a se ajoelhar aos pés do Mestre. Poucas vezes estivera de pé ou sentada diante dele. Agora havia um homem de joelhos à sua frente, sem exigir nada, só olhando. O gesto impensado balançou o seu coração com tanta força que, por um instante, ela até esqueceu o susto.— Maria, consegue me contar o







