MasukEnquanto isso em Edimburgo, uma jovem nem mesmo teve tempo de desfazer suas malas, Selena Haven estava em seu quarto abrindo a primeira bolsa quando o pai lhe comunicou de seu destino.
— Bom, é isso minha filha... Vamos para Londres e lá será o noivado, organizaremos tudo lá, o casamento será em no máximo um mês.
— Mas pai, eu não o conheço, terei que me casar tendo o visto apenas no noivado? — Selena sabia como era o destino das moças na organização, mas tinha esperanças de um futuro diferente, tinha sonhos que via desmoronar com a notícia de um casamento.
Selena era amiga íntima de Nina Light a jovem filha do chefe da máfia, sabendo ela que o chefe não obrigava as moças a se casarem, pensou que seu destino seria outro, pensou que teria tempo para se apaixonar e assim construir uma relação. Que assim como na família de sua amiga, poderia estudar e fazer algo útil de seu tempo. Doce ilusão… Ela pensou.
O que Selena não sabia era que seu pai era arcaico, a organização podia ter se renovado em muitos sentidos com a ascensão da família Light ao poder, mas para a família Haven as coisas não mudaram, Selena ainda era uma moeda de troca e não teria como fugir disso, seria dada em casamento para um homem que nunca viu e teria que aceitá-lo independente das circunstâncias.
— Sim querida, tem que se casar e se entregar a ele na noite de núpcias, a família Dark também é tradicional, cumpra com o seu dever como mulher e ele fará o dele para com a nossa família. — O pai de Selena disse e em sua cabeça a palavra negócios dava voltas, para ele esse casamento era apenas negócios.
Selena tinha um irmão mais velho, que a amava muito, assim como ela a ele. Logan Haven fez questão de pesquisar sobre o futuro marido de Selena, e entregou a ela os relatos das atrocidades que ele era capaz de fazer.
Selena pensou que esse casamento seria a sua morte, e quem a mataria seria o próprio marido.
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No sábado tudo estava pronto, a família de Selena chegou dois dias antes e preparou um jantar e uma cerimônia formal para o noivado de Selena e Caspian.
— Filha você está linda... A noiva mais bela de todos os tempos. — O pai disse e deu um beijo na testa de Selena.
Ela usava um vestido branco até os joelhos, as mangas iam até os cotovelos, mas eram finas e transparentes, uma maquiagem leve e brincos dourados como seus cabelos. Estes estavam soltos, tendo apenas uma pequena presilha de diamantes em um dos lados, presente do chefe Escocês para a jovem noiva.
— Pai, se ele disser não? E se ele não aparecer? Eu não preciso me casar, não é? — Selena perguntou e aguardou ansiosa a resposta do pai, sua esperança era Caspian desistir, talvez o casamento fosse uma imposição a ele também e isso significaria que ele podia desistir, mas essa desistência só poderia ser feita antes do noivado, depois daquela noite o seu destino estaria selado.
O pai riu da inocência de Selena, pensou que ela estava esperando por um verdadeiro milagre para livrá-la do casamento.
— Ele não vai desistir, tenha certeza disso, ele quer trabalhar com a nossa família e esse casamento é a condição para isso.
A festa requintada contava com vários membros da organização, Selena estava na companhia de uma das filhas do chefe Light e de uma outra jovem, Selena tentava não chorar sobre o seu destino, pensava que na sua geração apenas ela estava passando por isso.
— Laysa, ninguém mais age desse jeito, mal saí do convento e tenho um casamento, vou me casar com um estranho... — Selena dizia e limpava as lágrimas que teimavam em sair, ela já havia perdido as esperanças, mas ainda relutava em aceitar seu destino.
— Não fique assim Selena, sabe que os costumes não morreram. E você pode ser feliz, ele pode ser um bom marido pra você.
— Não será, o meu irmão pesquisou sobre ele, tem até fotos das mulheres com quem ele se envolveu, todas marcadas, ele é cruel e sádico, vou morrer nas mãos desse homem... — O irmão de Selena a queria preparada para o casamento, mas não achou nada de positivo sobre o noivo, a fama de Caspian era ruim e era com esse homem que ela teria que se casar.
— Ah, Laysa. Cadê a sua irmã? Por que a Nina não veio? — Selena se lembrou da amiga, pensou que ela estaria ali a consolando, mas Nina Light não compareceu.
— Ela aprontou e está de castigo, é o que posso dizer. — Laysa respondeu e arrumou um pouco o cabelo de Selena, limpou do rosto dela uma lágrima e ofertou um sorriso amigável.
Selena não tinha a quem recorrer, só lhe restara rezar para que não fosse morta rapido demais por aquele a quem teria que obedecer como marido.
Mesmo assim daria um jeito, Selena podia ser ingenua, mas nunca se entregaria rápido demais, fácil demais Caspian teria que pegá-la e com certeza, ela tentaria fugir.
A médica fez os exames com Maria desacordada, quando ela recobrou a consciência já estava vestida e no tapete de seu quarto, tinha a coberta grossa sobre o seu corpo e em cima da cama um copo de suco e um sanduíche.Ela levantou-se e deu uma mordida no sanduíche, Dominic já tinha percebido que Maria não resistia a nenhum tipo de comida, ela só não gostava de coisas amargas, Dominic descobriu isso depois que a viu curiosa com as garrafas de bebidas em seu escritório, ela chegou a colocar um pouco de whisky em um copo, ela cheirou e fez uma careta, deu um pequeno gole que na mente dele nem se deixava apreciar o sabor, mas ela fez uma careta de nojo pior ainda e correu para o banheiro do quarto, escovou os dentes e limpou o quanto podia a boca, ele enquanto isso, fez um suco de morango com leite, fez o mais doce possível e deu a ela quando a viu sair do quarto. Ela tomou quase tudo sozinha.Quando Maria saiu do quarto Dominic estava na sala, ele tinha a TV em um filme e um balde de pipoc
Naquela semana, Dominic agendou as consultas que Selena sugerira. Escolheu um hospital em que um dos sócios era conhecido da família. Queria discrição. Corredores menos expostos. Gente que soubesse guardar nome e rosto. Não se sabia a idade de Maria, o corpo era de uma mulher e o calendário interno ainda estava em pedaços. Uma consulta médica diria muito sobre ela.A psicóloga seria por videochamada. Três vezes por semana, no começo. Maria poderia perguntar o que quisesse: o nome das horas, o que era autonomia, por que as pessoas andavam de mãos dadas sem pedir licença. Não era aula de criança. Era o mundo inteiro, atrasado, atravessando uma tela.A consulta ginecológica foi outra coisa.O consultório cheirava a álcool e papel. A luz branca deixava a pele de Maria ainda mais pálida. No centro da sala, a maca ocupava o espaço como uma sentença. Cama hospitalar, cama comum — para ela, o formato não mudava. Altura, lençol, a ordem de deitar. O corpo lembrava antes da boca.Foi difícil co
Enquanto isso, Dominic e Caspian voltavam para a sala. Os passos dos dois soavam pesados no corredor. Lá fora, o lago continuava quieto. Lá dentro, a casa ainda cheirava ao almoço que Maria fizera e ao perfume doce que Selena deixara no ar.— Dom, não se preocupe. Nem precisava ter comprado essas coisas para ela. Vou levá-la para um convento. Em no máximo uma semana você se livra disso. Apesar de ter me feito casar, não vou pagar na mesma moeda. A Selena se mostrou uma excelente esposa.Dominic parou. A resposta veio sem hesitação.— Não. A Maria fica. Não vai a lugar nenhum.A voz saiu convicta. Ele não queria admitir, mas Maria já mexia com sentimentos que andavam adormecidos havia anos. Desde a noiva, desde o ataque, desde o dia em que aprendera que amar também podia ser uma armadilha, Dominic fechara a porta. Agora aquela mulher de pés descalços e sorrisos raros abria a porta novamente.Caspian arqueou a sobrancelha. Achou graça, mas não da forma cruel de antes. Será que o irmão e
Enquanto isso, Maria e Selena construíam a amizade sem pressa, como quem aprende a confiar no som da voz da outra. Sentaram-se no banco à beira do lago. A água batia mansa nas pedras. O vento de novembro trazia cheiro de terra molhada e folhas. Selena ajeitou o casaco sobre a barriga e olhou Maria com uma curiosidade suave, sem julgamento.— Selena, você é casada com o Caspian?— Sim. Estamos casados há quase um ano. E agora vamos ter o nosso primeiro filho.Maria acompanhou o contorno da barriga com os olhos, fascinada e um pouco assustada.— Entendi. Foi ele que me tirou da casa do Mestre. Ele disse que eu vou ficar melhor aqui.— E você está gostando? É bom conviver com o Dom?Maria pensou um pouco. O lago refletia o céu claro. Longe, a casa de Dominic parecia quieta e segura.— Sim… Quando nasce o seu bebê?— Daqui a duas semanas.— Isso é quanto tempo exatamente?— O quê? — Selena piscou, confusa. Para ela, a explicação tinha sido clara.Maria tinha fascinação pelo tempo. Não sab
Dominic olhou pela câmera e viu o irmão passar.— Tinha amigas quando criança? — Ele perguntou.— Não... As minhas únicas amigas eram a Ava e a Docinho, sinto falta delas.Dominic pensou que daria um jeito das meninas se encontrarem.— Vou te apresentar uma pessoa, ela é confiável e será sua amiga, pode perguntar tudo para ela.Eles foram até a sala e Caspian já passava pela porta com algumas sacolas, eram as roupas de Selena que ela não usava mais.Maria viu a moça com a barriga enorme, não precisava de explicação, Selena teria um bebê muito em breve.— Dom, que saudade cunhado!— Está linda Selena, e o meu sobrinho? — Dominic disse enquanto a abraçava.— Está bem, pesado e não para de se mexer um minuto.Maria saiu atrás de Dominic. Caspian notou que ela usava roupas diferentes, mas a blusa de frio universitária tinha certeza de que era de Dominic.— Vejo que está bem cuidada Maria, meu irmão tem sido bom para você? — Caspian perguntou.— Sim, ele me deixa comer a hora que eu quiser
Dominic levou Maria para casa. Havia pouco mais de uma semana que ela estava ali, e, apesar do medo ainda vivo sob a pele, começava a se sentir em casa. O portão se fechou atrás deles com um som pesado e definitivo. O lago ao fundo brilhava sob o céu de novembro. Dentro, o cheiro de madeira e café parecia grande demais para o silêncio que ela trazia nos ombros.Ele a sentou no sofá. Antes do susto no shopping, Maria evitava qualquer contato. Depois de se refugiar nos braços dele, a presença de Dominic já não doía do mesmo jeito.Dominic ajeitou uma manta sobre as pernas dela e, em vez de sentar ao lado, ajoelhou-se no chão para ficar à altura dos olhos dela.Maria se surpreendeu. Sempre fora ela a se ajoelhar aos pés do Mestre. Poucas vezes estivera de pé ou sentada diante dele. Agora havia um homem de joelhos à sua frente, sem exigir nada, só olhando. O gesto impensado balançou o seu coração com tanta força que, por um instante, ela até esqueceu o susto.— Maria, consegue me contar o







