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Capítulo 8: O Boato da Mídia

Author: Tais Galvão
last update publish date: 2026-09-01 02:19:21

— Exatamente — disse Petter, caminhando até a mesa dela e inclinando-se sobre a superfície. — Vamos transformar aquele jantar no nosso palco. Quero que você pareça a mulher mais desejada e inalcançável daquela sala. E quero que todos vejam que você pertence a mim.

— Ninguém "pertence" a você, Petter — retrucou Tiffany imediatamente, sem se deixar intimidar pela proximidade física ou pelo tom possessivo. Ela manteve o olhar firme, embora a pulsação acelerada na base do pescoço traísse o impacto que aquelas palavras causavam. — Nós temos um contrato de prestação de serviços e gestão de imagem. Eu sou sua parceira estratégica nesse jogo, não sua propriedade.

Petter curvou os lábios em um sorriso gélido e perspicaz, aproximando o rosto mais alguns centímetros, até que ela pudesse ver as pequenas fagulhas douradas na íris escura dele.

— Para a imprensa, para o conselho e para o mercado financeiro, a diferença entre parceria e posse é puramente semântica — sussurrou ele, a voz grave ressoando como um comando aveludado. — O público não quer ver um acordo contratual frio, Tiffany. Eles querem ver obsessão. Eles querem ver o CEO inabalável perder o controle por uma mulher. Se você quer que essa ação da empresa suba de volta, precisamos entregar exatamente a ilusão que eles estão famintos para consumir.

Tiffany sustentou o olhar, sentindo a sala de reuniões do último andar da Torre Vance diminuir até parecer um espaço sufocante. Pela janela panorâmica de vidro, o horizonte da metrópole parecia distante, mas a pressão sobre os ombros de ambos era imediata e brutal. A queda de três por cento nas ações logo na abertura do mercado era o primeiro aviso de que a paciência dos investidores estava se esgotando.

— Se vamos atuar no Gala da Associação de Comércio, faremos da forma correta — disse ela, empurrando a cadeira para trás com elegância e levantando-se. Ela ajustou o blazer do terno e contornou a mesa, ficando cara a cara com ele. — Eu escolho o vestido, eu defino a minha narrativa nas conversas e você não vai agir como um tirano controlador na frente das câmeras. O público ama um homem poderoso, mas adora ainda mais quando esse homem é visivelmente vulnerável à mulher ao seu lado.

Petter desencaixou as mãos do tampo de madeira nobre e endireitou a postura. Ele ergueu as sobrancelhas, ligeiramente surpreso com a audácia do contra-ataque dela, mas o brilho em seus olhos revelava um respeito quase involuntário.

— Aceito suas condições — declarou ele, ajeitando a botoeira do paletó. — Mas o figurino e a preparação ficam por conta da equipe de estilistas da empresa. Quero você impecável. A imprensa vai analisar cada milímetro do seu terno, do seu cabelo, até a forma como você segura uma taça de champanhe.

Nos dias que se seguiram até o final da semana, a sede do Grupo Vance transformou-se em um campo de treinamento de alta pressão. Entre reuniões de emergência com os diretores e checagens constantes das flutuações da bolsa de valores, Tiffany enfrentou provadores fechados, maquiadores renomados e consultores de imagem trazidos pessoalmente por Petter. A rotina exaustiva deixava pouco espaço para descanso, mas a convivência forçada na cobertura continuava a atear fogo às rachaduras de suas defesas.

Na noite do evento, o grande salão do palacete neoclássico que abrigava a Associação de Comércio estava iluminado por dezenas de lustres de cristal. O tapete vermelho na entrada parecia uma arena: fotógrafos se cotovelavam, flashes disparavam em um ritmo ensurdecedor e repórteres de todas as redes de televisão disputavam um segundo de atenção dos empresários mais influentes do país.

Quando o limusine preta de Petter parou em frente à entrada principal, o murmúrio da multidão subiu de tom. As lentes das câmeras focaram instantaneamente no veículo.

Dentro do carro, o silêncio entre eles era absoluto. Tiffany vestia um longo de seda verde-esmeralda, com um corte impecável que moldava suas curvas de forma sofisticada, deixando as costas descobertas até a cintura. O cabelo estava preso em um coque elegante, e um colar de diamantes — fornecido pelo cofre da família Vance — brilhava contra sua pele.

Petter, ao seu lado, vestia um smoking feito sob medida. Ele olhou para ela por um momento demorado, a frieza habitual dando lugar a uma expressão densa e difícil de decifrar.

— Você está devastadora — disse ele, a voz saindo mais baixa do que o pretendido.

— É para isso que você está me pagando, lembra? — respondeu ela, tentando manter o tom sarcástico para esconder o nervosismo.

— Não passe da conta com o cinismo esta noite, Tiffany — advertiu ele, estendendo a mão para ela. — Quando aquela porta se abrir, nós somos a única história que importa nesta cidade.

Tiffany colocou a mão sobre a dele. Os dedos de Petter se fecharam em torno dos seus com uma firmeza protetora e possessiva.

A porta da limusine foi aberta pelo segurança, e o som dos flashes estourou no ar como uma saraivada de tiros. Petter saiu primeiro, ajustando o botão do paletó, e imediatamente se virou para oferecer a mão a Tiffany. Quando ela pisou no tapete vermelho, um suspiro coletivo pareceu correr pela multidão de jornalistas.

Petter não apenas a acompanhou; ele a envolveu. Com a mão espalmada na curvatura da cintura nua de Tiffany, ele a manteve colada ao seu corpo a cada passo em direção à entrada. O toque de sua palma quente na pele exposta das costas dela disparava arrepios contínuos por toda a sua espinha.

— Mantenha o sorriso — murmurou Petter ao pé de sua orelha, inclinando o rosto de forma tão íntima que parecia estar sussurrando uma promessa amorosa para os fotógrafos. — O repórter do Daily Financial está à nossa esquerda. Olhe para mim como se eu fosse a única coisa no mundo que importa.

Tiffany girou o rosto ligeiramente para cima, encarando os olhos escuros dele. Ela não precisou simular a intensidade do olhar; a tensão, a atração e a eletricidade que queimavam entre os dois no dia a dia transbordaram com uma força avassaladora. Ela ergueu a mão e tocou suavemente a lapela do smoking dele, ajustando o tecido com uma delicadeza calculada.

— Você j**a muito bem, Sr. Vance — sussurrou ela, com os lábios a milímetros do queixo dele.

— Eu nunca jogo para perder — respondeu ele, apertando a cintura dela com um pouco mais de força, reivindicando aquele momento diante de dezenas de câmeras que registravam cada gesto.

A entrada triunfal durou menos de três minutos, mas o impacto foi imediato. Antes mesmo de entrarem no salão principal, a fotografia dos dois no tapete vermelho — com a mão de Petter firme nas costas dela e os olhares cravados um no outro — já circulava nas redes sociais e nos portais de notícias, sepultando os rumores do tablóide com uma demonstração avassaladora de química e cumplicidade.

Ao cruzarem as grandes portas de madeira do salão, a música suave da orquestra e o tilintar das taças de cristal os acolheram. O mercado já começava a responder. Petter checou discretamente o celular no bolso e inclinou-se novamente para ela.

— As ações futuras na bolsa de Nova Iorque subiram um ponto e meio nos últimos dez minutos — disse ele, a sombra de um triunfo desenhada em seu rosto.

— Viu? Eu disse que a vulnerabilidade vende mais que a tirania — retrucou Tiffany, pegando duas taças de champanhe da bandeja de um garçom e entregando uma a ele.

— Não se engane, Tiffany — Petter aproximou-se, tocando a taça dele na dela com um estalido seco. — O que eles viram lá fora não foi vulnerabilidade. Foi a declaração pública de que ninguém toca no que é meu.

Tiffany tomou um gole da bebida bolhante, sustentando o olhar desafiador dele por cima da borda do cristal. A atuação para a imprensa tinha funcionado com perfeição, mas, enquanto observava a intensidade no olhar de Petter, uma dúvida perturbadora começou a se instalar em sua mente: até que ponto aquilo ainda era apenas um espetáculo de dez milhões de dólares, e onde começava a perigosa verdade que nenhum dos dois tinha a coragem de admitir?

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