LOGINNenhum funcionário ligado à antiga administração teria acesso ao local, não depois do que descobrimos sobre Victor.
O corredor do décimo sétimo andar estava vazio quando chegamos. As luzes de emergência iluminavam a parede renovada atrás da qual a sala havia sido escondida. Michael nos aguardava diante da porta metálica. — Consegui analisar as marcas deixadas na fechadura — disse ele. — Alguém tentou acessar o compartimento há poucos dias. Não usou a chave originO beijo começou divertido, com uma provocação de cada lado, mas logo ficou mais lento. Mais profundo. Minha mão deslizou até suas costas, e Tiffany apoiou as mãos no meu peito, sorrindo contra meus lábios.— Você sabe que eu amo você, não sabe? — ela sussurrou.A pergunta me desarmou.— Sei. Mas gosto de ouvir.— Eu amo você, Peter Donovan.Encostei minha testa na dela.— Eu amo você, Tiffany Donovan. Mais do que qualquer coisa que meu pai deixou para mim. Mais do que essa empresa. Mais do que o sobrenome que passei a vida inteira tentando honrar.Ela me olhou com os olhos brilhando.— Então, quando tudo isso acabar, vamos fazer alguma coisa só nossa?— O quê?— Tirar uns dias. Sem reuniões, sem arquivos secretos, sem mensagens anônimas e sem você tentando dominar o mundo antes do café da manhã.Pensei por um instante.— Posso dominar o mundo depois do café?Ela me deu um tapa leve no peito.— Peter!Ri
Nenhum funcionário ligado à antiga administração teria acesso ao local, não depois do que descobrimos sobre Victor. O corredor do décimo sétimo andar estava vazio quando chegamos. As luzes de emergência iluminavam a parede renovada atrás da qual a sala havia sido escondida. Michael nos aguardava diante da porta metálica. — Consegui analisar as marcas deixadas na fechadura — disse ele. — Alguém tentou acessar o compartimento há poucos dias. Não usou a chave original. Forçou o mecanismo com uma ferramenta específica. — Conseguiu identificar quem foi? — perguntei. — Não. As câmeras daquele corredor ficaram sem sinal durante onze minutos. Soltei uma risada sem humor. — É claro que ficaram. Tiffany segurou a chave de Daniel. — Vamos abrir. Michael olhou para mim. — Tem certeza, Peter? Observei a porta. Durante toda a minha vida, aquele prédio representou poder
— Por quem? — Tiffany perguntou. — Victor Donovan comandava a operação. Harrison Vance ajudava a manter tudo funcionando. Mas havia alguém dentro do sistema que autorizava as mudanças sem deixar rastros aparentes. — Claire Whitmore — falei. — Talvez. Ela tinha acesso aos arquivos médicos e documentais, mas nunca consegui provar até onde chegava seu envolvimento. Jonathan anotou alguma coisa. — E Daniel descobriu o registro original? — Sim. Ele disse que havia encontrado uma prova capaz de derrubar Victor e impedir que Orion continuasse sendo usado. — Que prova? — perguntei. Minha mãe balançou a cabeça. — Nunca me contou o conteúdo completo. Disse apenas que não era um documento que pudesse ser interpretado isoladamente. Havia um anexo, uma lista de autorizações e um registro de duas identidades que precisavam ser analisadas juntas. Senti meu estômago se contrair, duas identidades, doi
O prédio estava quase vazio. Apenas alguns funcionários da segurança permaneciam nos andares inferiores, e as luzes da área administrativa estavam reduzidas. Michael nos encontrou no acesso ao subsolo. — Recebi sua mensagem — disse ele. — Já separei as caixas que ainda não foram digitalizadas. — Alguma coisa relacionada à data? — Ainda não. Mas encontrei um registro de movimentação de arquivos datado de abril de 1993. Uma caixa foi retirada do depósito por ordem de Arthur Donovan e nunca aparece como devolvida. — Quem retirou? Michael me entregou uma cópia do registro. O campo destinado ao responsável estava preenchido com uma única palavra: PRESIDÊNCIA. — Isso não identifica ninguém — observou Tiffany. — Naquela época, meu pai era o presidente da empresa — respondi. — Mas alguém poderia ter usado a a
Peter Donovan Eu deveria estar comemorando, pela primeira vez desde que assumi a presidência executiva da Donovan Tech, eu tinha conseguido reunir provas suficientes para desmontar parte da conspiração que havia destruído minha família. A votação do conselho fora favorável, a transferência das ações familiares estava em processo de formalização e Harrison Vance finalmente não podia mais usar sua influência para controlar as decisões da empresa. Minha mãe estava viva, Tiffany estava comigo e, depois de tantos anos, eu tinha motivos para acreditar que a minha vida estava começando a entrar nos eixos. Mas bastou uma única mensagem para transformar aquela sensação de alívio em um novo pesadelo. “Se Peter assumir a Donovan Tech antes de descobrir o que Victor fez, estará entregando a ele exatamente aquilo que sempre quis.” A frase estava escrita à mão na margem de um documento assinado pelo meu pai na noite anterior à sua morte. Arthur Donovan nunca foi um homem que escrevia
— Eu gostaria de registrar que mantenho minhas reservas sobre a extensão do controle concentrado em uma única pessoa. Assenti. — Sua preocupação ficará registrada. E, se eu não conseguir administrar a companhia de maneira responsável, o conselho terá instrumentos para me cobrar. Não estou pedindo poder sem limites. Estou exigindo que a vontade expressa no testamento do meu pai seja respeitada. Ele me encarou por alguns segundos, depois assentiu. — Não tenho outra objeção a apresentar. A votação foi iniciada, dessa vez, não tirei os olhos da tela, os votos apareceram um a um. Favorável. Favorável. Abstenção. Favorável. Favorável. Cada palavra parecia carregar um pedaço do meu passado. Eu me lembrei de meu pai me levando pela primeira vez à sede da Donovan Tech. Lembrei-me de caminhar ao lado dele pelos corredores, tentando acompanhar seus passos largos.







