เข้าสู่ระบบPOV: Nikolai Volkov O corredor ainda guardava o eco dos passos daquela garota insignificante, Bianca, cujos olhos tinham brilhado com uma admiração patética e barata ao me ver. Eu percebi o jeito como ela congelara, a forma como a respiração dela falhara e como o desespero de chamar a minha atenção transbordava por cada poro do seu corpo frágil. Para mim, ela não passava de poeira, um detalhe irrelevante nos corredores da minha fortaleza. Mas o fato de ela ter ousado me encarar com aquela ânsia romântica e patética me deixara com um leve rastro de irritação. Eu não precisava de distrações, muito menos de olhares que ultrapassaram a linha da submissão para tocar a impertinência. Eu virei as costas para o corredor e caminhei a passos firmes em direção à suíte principal. Apenas um lugar neste mundo inteiro tinha o poder de acalmar a fumaça escura que queimava a minha mente: o santuário onde Katerina estava. Abri a porta pesada de mogno sem fazer ruído. A luz suave das arandelas banhav
POV: Bianca Vance O ar naquela ala da propriedade parecia rarefeito, carregado com uma eletricidade invisível que fazia os meus pelos se arrepiarem antes mesmo de eu entender o porquê. Eu não pertencia àquele mundo de impérios de sangue, armas silenciadas e acordos selados à base de ameaças. Eu era apenas uma espectadora acidental, alguém que havia sido arrastada para a órbita perigosa da Máfia e da Bratva sem sequer ter o direito de escolher a própria direção. As paredes de pedra cinzenta e os corredores vigiados por homens armados pesavam sobre os meus ombros como uma condenação silenciosa. Eu caminhava pelo corredor lateral, tentando me manter invisível, com os passos leves sobre o tapete persa que abafava qualquer som. A minha respiração estava controlada, mas o meu coração batia em um ritmo frenético contra as costelas. Eu tentava me convencer de que bastava atravessar aquela ala para encontrar a saída, para voltar a respirar um ar que não estivesse impregnado pelo cheiro de pó
POV: Katerina Sokolov O corredor que levava aos aposentos privados tornou-se um campo minado de lealdades. Eu caminhava pelo mármore frio, mas não sentia o gelo sob os meus pés; o que eu sentia era a tensão estática no ar. Homens da Bratva, vestidos com os seus ternos pretos impecáveis e olhar de predadores, misturavam-se agora com a segurança de Victor Vance. Era uma coalizão forçada, um arranjo que faria o mundo tremer se soubessem que os dois lados do inferno estavam agora guardando o mesmo berço. Eu parei por um instante, observando um dos soldados de Nikolai trocar um olhar gélido com um dos homens de Victor. Nenhum deles ousou falar, mas a linguagem corporal era clara: eles se odiavam, mas ambos temiam as consequências de falhar comigo. Eu não era mais apenas a Tsarina da Bratva ou a Baronesa da Máfia; eu era a mulher que unira dois mundos através do meu filho, Thomas. Entrei n
POV: Nikolai Volkov O ar na sala de reuniões era tão saturado de tensão que eu quase podia sentir o gosto metálico do perigo na ponta da língua. Eu estava sentado à cabeceira da mesa, o meu posto de direito como Pakhan da Bratva, observando Victor Vance do outro lado. Ele exalava aquela arrogância fria, típica do homem que passou a vida inteira acreditando que o mundo era apenas um tabuleiro de xadrez onde ele movia as peças conforme a sua conveniência. Hoje, porém, o jogo mudara. Hoje, o objetivo não era mais o território; era a linhagem. O plano estava pronto. A união da Bratva com o legado Vance não era apenas uma aliança comercial; era a criação de uma potência que faria o submundo tremer. Mas, enquanto os papéis sobre a mesa detalhavam rotas de exportação e divisões de zonas de influência, a minha mente estava em outro lugar. Estava em Katerina, estava em Thomas, e estava na necessidade brutal de garantir que aquele menino — o nosso legado vivo — nunca soubesse o que era ser um
POV: Victor Vance O ar naquela suíte carregava o cheiro de lavanda e o perfume inconfundível de Katerina, uma mistura que, para mim, era o único sinal de que eu ainda possuía uma alma. Eu estava parado diante da janela, observando o movimento dos guardas no perímetro. Eles não sabiam, mas cada um deles ali era uma extensão da minha vontade, uma engrenagem que eu lubrificava com o medo alheio. Eu era o Don do Passado, o homem que construíra um império sobre o silêncio e a brutalidade, mas ali, ao olhar para o berço onde Thomas dormia, eu me sentia, pela primeira vez, refém do futuro. Eu me lembrava, com uma clareza que me causava náusea, da vida que eu levava antes de Katerina. A arrogância era a minha única armadura. Eu não temia a morte porque ela não significava nada; eu não temia a perda porque eu não possuía nada que não fosse descartável. Eu entrava em salas de reunião com o peso de uma sentença de morte no olhar, e todos ao redor se curvava
POV: Katerina Sokolov A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas pesadas da suíte, desenhando padrões dourados sobre o lençol de linho. Pela primeira vez em meses, o silêncio não me trazia o peso da sobrevivência ou o medo de uma emboscada; ele trazia apenas o som rítmico da respiração de Thomas. Eu estava sentada na poltrona de veludo, acomodando o pequeno Thomas em meus braços. Sentir o peso dele contra o meu corpo era a âncora que eu nunca soube que precisava. Enquanto ele se alimentava, seus dedinhos minúsculos apertavam o tecido da minha camisola, um gesto de posse tão puro que me fazia esquecer, por um breve momento, o sangue que manchava o nosso sobrenome. Ele era a luz na escuridão, a prova de que, entre as guerras da Bratva e as sombras da máfia, havíamos criado algo intocado. A porta se abriu com um clique suave. Não precisei olhar para saber quem era; a atmosfera do quarto mudou, tornando-se mais densa, mais elétrica. Nikolai entrou, a figura imponente do Pakhan desa







