ANMELDENDiegoA minha ideia inicial era cumprir meu compromisso com minhas alunas sozinho, mas fiquei feliz quando Janaína se prontificou em me acompanhar e ela está ali ajustando a bolsa no ombr e joga um sorriso leve, daqueles que acalmam qualquer inquietação no peito. Saber que ela está ao meu lado nessa jornada, sem um pingo de preconceito, olhando para cada uma daquelas mulheres com a mesma empatia que eu sinto, faz o meu amor por ela transbordar.Sem me controlar a beijo com sofreguidão e ela corresponde na mesma intensidade, mas depois ela se afasta, os nossos olhos queimando de desejo.— Vamos, Diego! As meninas já devem estar esperando — ela diz, pegando na minha mão e entrelaçando nossos dedos.— Tá, mas depois será que a gente...— Sim. — Ela intertompe e sabemos sim como nossa noite vai acabar. — Hoje o dia vai ser bonito — respondo, beijando a testa dela antes de entrarmos na caminhonete. — Vamos, antes que eu mude de ideia.No trajeto até o Centro, ela me conta sobre a vi
ValdirObservo Soure, o fim de mundo onde Janaína se meteu e me pergunto porque diabos ela continua num lugar com tanta caca de búfalo no chão.Tem nada, não. Estou aqui atrás do prejuízo, resgatar o que é meu: ela!Caminho pela rua principal, olhando em volta com desdém. Depois do almoço parece que a cidade inteira dorme.Para minha sorte, avisto um adolescente com uma bicicleta encostada num muro. Ele chupa um picolé e mexe no celular.— Ei, garoto, psiu! O garoto dá uma lambida no picolé, me olha de baixo para cima com uma cara de preguiça danada e responde:— Eu?Seguro a impaciência. — Sim, tu mesmo.— Diga.— Tu sabe onde Janaína está morando?— Que Janaína, moço? Tem umas três por aqui.— A irmã da Jane, esposa do fazendeiro Miguel Monteiro. A fisionomia do rapazinho muda.— Ah, sim... A fotógrafa gost...— A minha noiva!Aí o moleque para. Ele dá mais uma chupada no picolé para disfarçar o impacto.— Tua o quê?! Rapaaaiz... Tem certeza?— Absoluta! — Falo com a
DiegoAssim que a Janaína vai embora com os irmãos e o cunhado, o celular vibra no bolso da minha calça. Imaginando ser o Fred com alguma novidade no avanço das obras do hotel, pego imediatamente o dispositivo.Ao acender a tela, tomo um susto daqueles!São dezenas de mensagens no aplicativo. Quando abro as conversas para entender o que está acontecendo, fico completamente pasmo. É uma mulherada mandando recadinhos cheios de segundas intenções, cantadas descaradas e até fotos duvidosas."Oi, garanhão! Louca por você! Aceito ser a outra de boa!""Você é o cowboy que quero pra sempre em minha vida. Cavalga a noite toda comigo, vem...""Me jogo no teu laço na hora que quiser!"Passo a mão pelo rosto, preocupado com a repercussão de tudo aquilo.— Arre égua... Que diabo é isso? Se a Janaína sonha com um negócio desse, tô lascado!Se as cantadas já estão naquele nível, nem quero ver o conteúdo das fotos. Decido apagar tudo de uma vez, porque não quero confusão para o meu lado. Ser
A tela do celular ainda mostra a imagem fixa do chão da cozinha do meu pai, para onde o aparelho voou depois do desmaio da minha mãe. No fundo da ligação, dá para ouvir o desespero do meu pai ao longe: “Joana?! Pelo amor de Deus, Joana, acorda, mulher!”.Na varanda da fazenda Magalhães, o silêncio é tão pesado que dá para escutar até o voo das araras de D. Vera.O Diego está paralisado ao meu lado, de boca aberta. — A mamãe desmaiou... — sussurro, sentindo o joelho tremer. Jackson e Jane se olham em pânico.Nisso, a voz do meu pai volta no alto-falante. A imagem balança até focar nele, visivelmente assustado:— Janaína? Filha? Fica calma! A tua mãe já voltou... Foi só um susto.A câmera vira para a dona Joana. Ela pega o telefone e soltando aquele suspiro dramático que só ela sabe fazer.— Mãe, a senhora tá bem? — pergunto, com o coração na mão.— Bem é uma palavra exagerada, né?Diego dá um passo à frente, assumindo uma postura firme:— Dona Joana, com todo o respeito, a s
JanaínaJackson fica pálido como um cera, engole em seco e se aproxima da Lene, que tá roendo as unhas, nervosa do lado dele:— Calma, mãe... Deixa eu te apresentar a minha namorada. É a Lene, filha da dona Léa, lembra? Agora é oficial!A dona Joana arregala os olhos, paralisada na tela. O impacto da notícia cai como uma bomba na cara dela, mas, disfarçando o profundo desconforto, ela força um sorriso amarelo e cumprimenta:— Oi, Lene... Cresceu, né? Tá bonita, pequena! E a tua mãe, como vai? Tudo bem com ela?Olho para a Jane e faço uma careta. Uma artista completa na encenação!— T-tudo bem, dona Joana! E a s-senhora? Minha mãe tá ótima... — Lene responde, sem jeito, com a voz completamente trêmula e olhando para o Jackson em busca de socorro. — e a senhora?Joana solta um suspiro pesado e faz uma fisionomia visivelmente abatida de vítima:— Ah, minha filha... Tô com dor nos joelhos, nas costelas, nas juntas das mãos e por toda parte! O
JanaínaPara a nossa surpresa geral, quem aparece na tela quando a videochamada finalmente conecta é o meu pai, André.Aperto o celular com força na mão, com o coração pulando na boca, e pergunto na hora:— Pai?! Cadê a mamãe?— A Joana? Ah, minha filha, eu não sei... — ele responde, com a calma que lhe é peculiar. — Acabei de chegar da pesca e, quando entrei aqui na cozinha, encontrei o celular dela jogado na mesa. Deve ter saído para resolver alguma coisa e esqueceu o aparelho.Eu e meus irmãos nos encaramos na sala, soltando um suspiro de alívio instantâneo. Pelo menos a sargentona não estava na linha para nos fuzilar de primeira.— Mas tá tudo bem por aí, meus filhos? — meu pai pergunta, desconfiado com o nosso silêncio.Nós três confirmamos com a cabeça, com carinhas de paisagem bem sem graça. Mas, vendo a fisionomia tranquila do meu pai, tomo coragem. É a minha chance: vou contar sobre o casamento agora, porque pelo menos ele não vai surtar.— Ah, pai... Tenho uma novidad







