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O Encontro

last update 게시일: 2026-08-15 09:53:59

Janaína

Após o sermão do padre, é chegada a hora dos votos.

Minha irmã exibe um sorriso feliz. Meu cunhado parece nervoso. Segura o microfone com força, e meio sem jeito, inicia sua fala.

— Boa tarde, queridos convidados! Como estou feliz por esse tão esperado dia!

Ele segura a mão da esposa e os dois se encaram por um momento. A voz dele sai trêmula:

— Quero dizer a todos... que minha Jane foi... — Ele pigarreia, engolindo em seco — Foi FORÇADA a casar comigo!

— Oooooh! 

O espanto se espalha e, em seguida, um silêncio incômodo se faz no evento.

Fecho os olhos por um segundo não acreditando que o meu cunhado acabou de dizer a maior merda de todos os tempos!

O sorriso de Jane morre na hora. Ela puxa a mão, zangada. Fico tensa. Doida do jeito que é, o divórcio pode vir antes do bolo.

Minha mãe, metida a sargentona e sempre desconfiada das intenções de Miguel, se levanta num pulo e grita:

— Eu sabia! Nunca me enganou, esse bandido, safado, moleque!

Cubro o rosto com as mãos. Eita vergonha da peste!

Os murmúrios crescem entre os convidados. A fofoca, se duvidar, vai parar no jornal local. 

Deixo de cobrir o rosto e volto a olhar para o casal.

Bem... Se Miguel foi forçado a se casar ou não, não há mais o que questionar. Depois de dez anos juntos ponho minha mão no fogo se há fingimento entre os dois. Eles se amam e qualquer um ali pode comprovar isso. 

O padre rapidamente cochicha no ouvido de Miguel, que, vermelho de vergonha, percebe a mancada.

— Oh, meu Deus, desculpem-me minha distração. Perdoe-me, amor! — Ele suplica a Jane e uma microfonia aguda domina o lugar, quase acabando com os tímpanos de todo mundo.

Ele volta a pedir desculpas:

— Gente, estou nervoso, é isso! Não tenho o hábito de falar assim, mas consertando o meu erro quero dizer a todos que... — ele olha para a esposa apaixonado — você, Jane, a dez anos atrás, foi DESTINADA a casar comigo!

O alívio é geral. 

Jane volta a se desmanchar num lindo sorriso.

E tudo volta ao normal... ou quase!

O hilariante discurso do cunhado, rendeu boas risadas entre os presentes e pelo canto do olho, noto o quanto Diego se diverte com toda aquela situação embaraçosa.

Para completar o mico, Miguel desmaia, após Jane revelar uma surpresa: uma gravidez de gêmeos para encerrar a fábrica com cinco filhos.

Apesar de toda a maluquice, no final, a declaração de amor entre eles emociona, o que confirma o óbvio: o amor dos dois é inspirador.

Com o término da cerimônia, a festa fica bem animada. 

O casal tira fotos sob um arco decorado com flores silvestres, brindando a década de amor, o aroma delicioso do banquete campestre enche o ambiente e os convidados se deleitam com as iguarias saborosas.

A festa agora continua sob as estrelas da noite de lua cheia.

Lene e Jackson sumiram de novo, mas dessa vez não vou atrás. Meus olhos têm outra prioridade. Continuam furtivos, sem perder nenhum lance da "tentação em pessoa".  

Diego se afasta do amigo, troca duas palavras com um funcionário da fazenda e vai em direção ao casarão.

Pela urgência, imagino para onde foi. Sem nem pensar duas vezes, me levanto e vou atrás dele.

Lembro do aviso de Lene sobre a conduta libertina dele. 

O cara é perigoso. 

Afastar-me é ser prudente. 

Nem sou de prestar atenção em homens bonitos. Meu foco é o ENEM e não é bom misturar as coisas, mas aquele homem tem um charme tão especial!

 "Cuidado, Janaína!" Tento me frear, mas meus pés continuam me levando para o casarão. 

Escuto movimentação no banheiro de visitas. Sim, ele está lá.

Fico por ali, na sala de estar, atenta a qualquer ruído a mais.

Quando ouço o estalo da porta se abrindo, de imediato, forço um encontro casual.

O rapaz, achando estar sozinho,  ainda está terminando de fechar o zíper da calça e eu dessa vez me supero na maior mancada de todos os tempos. 

Ele levanta a cabeça, e ao se deparar comigo, resmunga algo, dando um passo para trás, surpreso.

Institivamente meus olhos descem para a região pélvica dele. 

Corada de vergonha, olhos assustados. Fico paralisada, feito uma estátua.

Refeito do susto, ele mostra um sorriso zombeteiro e sem continuar a fechar o zíper, contina com" a mão lá" só para me provocar.

— Oi, princesinha, está me seguindo?

Sem saber o que dizer, percebe a fala com segundas intenções, ao mesmo tempo que fecha a calça sem pressa. O sorriso é debochado e de perto... Mais irresistível.

— Vamos, não seja tímida... O gato comeu sua língua?

Sem alternativa. vasculho na mente alguma desculpa, e recuo até sentir a parede fria nas minhas costas.

— Não sabia que... Havia alguém no banheiro...

Com ar de descrédito, Diego diminui a distância. Uma das mãos, ele apoia na parede, me encurralando e a outra, levanta meu rosto, acariciando de leve com o polegar.

Um tremor percorre meu corpo. Meus olhos são atraídos para a tatuagem posicionada bem na lateral do pescoço, subindo em direção à mandíbula: uma rosa dos ventos desenhada em traços finos. Engulo em seco.

— Mentir é feio... Sua mãe não ensinou isso, não? Desde que cheguei aqui, não tira os olhos de mim. 

Começo a arfar. Fui pega no flagra. Ouço o grito da consciência me dizer para correr dali, mas meu corpo, inexplicavelmente, não me obedece.

Tentando uma defesa sem pé nem cabeça, falo baixinho:

— Tem olhos nas costas, por acaso? Não sou de mentir.

Ele dá um risinho, entortando a boca. 

— Hum... pelo sotaque não é daqui... Você vem de onde?

Tento me esquivar para o lado.

Ele não deixa. Diminui mais ainda o espaço e sussurra bem perto do meu ouvido:

— Tem quantos anos, criança? Vê se cresce e me aparece, tá?

CRIANÇA? 

A sensação é de levar um soco no estômago.

Ele escorregou feio com esse comentário sem noção.

Toda a minha atração por esse garanhão dos infernos morre aqui!"

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