LOGINDiego( Voltando a fita de novo...)Passamos o dia vinte e nove de junho no melhor dos desfrutes, como se vivêssemos uma quadrilha particular a dois no nosso ninho secreto.A tarde chega calma e, após uma leve soneca, a minha noiva pega sua câmera e decide que é hora de trabalhar.Trabalhar? Não é possível...Fico deitado na cama, com os braços cruzados sob a cabeça, observando com intenções puramente "pecaminosas" a mulher maravilhosa que tenho ao meu lado. Usando uma lingerie rosa, ela se posiciona por cima de mim, ajustando o foco da câmera e começa a registrar cada mínimo movimento meu. — Vou sair na próxima revista?Janaína curva a cabeça para trás e gargalha. O cabelo castanho cai em cascata e suspiro.— Não... É para meu acervo particular. Calminho aí!Como assim, calmo, se ela me assanha?Chega a ser quase uma obsessão charmosa a forma como ela me olha através dessa lente.Ao fundo, a música Meu Abrigo, da banda Melim, toca suavemente no celular, servindo de trilha sonora p
Padre BelloNos meus passinhos curtos, mas rápidos, sinto-me até um personagem daqueles filmes chineses de artes marciais, marchando a toda a velocidade em direção à Jane e companhia!Na pressa em que estou, conseguiria alcançar o grupo a tempo se não fosse por um inconveniente e aborrecido problema: o grupo da quadrilha, que acabara de se apresentar, decide passar num verdadeiro cortejo festivo bem na minha frente, bloqueando a minha visão e fechando o caminho até ao meu "alvo".Para mim, uma profunda frustração; para os "fujões", contudo, foi a oportunidade perfeita para desaparecerem num passe de mágica!Quando finalmente consigo me desviar daquela comitiva de brincantes e poeira, avisto apenas a fogueira a estalar, soltando o seu rastro de fumaça em direção ao céu noturno. E das "ovelhas desgarradas"? Nem sinal!Não gosto nada, mas nada mesmo do que está acontecendo. Fugir da minha presença é a confirmação clara da culpa!— Malditos traidores! Vão me pagar! — resmungo entred
Padre BelloÉ noite de mais uma festa junina na praça, que já se encontra devidamente limpa e organizada para a diversão do meu rebanho abençoado de Soure.O aroma tentador do tacacá, do mingau de milho quentinho e do bolo de mandioca paira pelo ar, misturando-se à fumaça da fogueira acesa para o tradicional esquenta-bunda, enquanto o som alegre do carimbó preenche cada canto. Soure inteira se faz presente para uma noite verdadeiramente inesquecível!Observo de longe o Miguel e a Jane com a sua linda filharada, entretidos numa boa conversa com o Francisco e a Maria, que também trouxeram as suas crias para prestigiar o movimento. Ajusto a minha batina, ajeito os pés tamanho trinta e quatro na sandália de couro e avanço praça adentro. Cheguei! Quem tiver pecado que se esconda já, pois homem avisado é homem salvo!O meu fiel sacristão vem logo atrás, completamente animado, com a praça iluminada e bandeirinhas dançando ao vento:— Que festa bonita, né, padre? Amo a festa de São Pedr
Delegado Damião Após ouvir todos os envolvidos no caso da revista, resolvi soltar aquela mulherada de uma vez. Muito barulho para a cabeça de um pobre mortal como eu.Considerei seu Tuca inocente, mas com ressalvas: terá que encomendar uma grande remessa de revistas para atender as ávidas leitoras. Deus livre a delegacia virar praça de guerra de novo.Nem bem soltei o bando, um dos policiais, muito intrigado, se aproxima da minha mesa e pergunta:— Mas Delegado, por acaso essa revista é pørnô pra ter tanto alvoroço assim?Eu, que só queria tomar meu precioso café sossegado, engasgo. Que conversa torta é esta?!O policial, preocupado com o meu sufoco, vermelho a ponto de bater as botas, sinto a mãozada violenta nas minhas costas para eu voltar ao normal. Acredite ou não, a pancada funcionou, mas quase deslocou a minha costela.— Égua, doido! Quer me matar?! — reclamo, alisando o peito.Sem graça, o policial se defende:— Matar? Eu tava era revivendo o senhor!Ainda senti
LeneNaquela manhã de vinte e nove de junho, dia de São Pedro, a praça do Centro de Soure está suja dos restos das festas juninas da véspera. Alguns búfalos vagam tranquilamente entre as bandeirinhas tremulando ao vento, procurando sobras de comida.Eu e o Jackson estamos passeando de moto sem pressa. Ajeito os meus braços ao redor da cintura dele e encosto o queixo no seu ombro enquanto rodamos pelas ruas tranquilas.— Sabe, Bebê... — comento, sorrindo alto por causa do vento. — Nós dois somos uns atores de primeira! O Jackson solta uma gargalhada ao guiar a moto:— Nem me fala! A cara da Janaína quando a gente apareceu "por acaso" na praia foi impagável! — E olha que ela ainda ficou me encarando com uma cara de desconfiada! — me divirto, lembrando. — Por um segundo achei que a nossa cumplicidade com o Diego ia vazar. Mas decoramos tudo com tanto carinho... O Diego deve ter arrasado no pedido de casamento!— Com certeza! O homem tava num nervosismo só. Bom mesmo foi ver que
Diego Olho bem fundo nos olhos de Janaína e sussurro:— Vem! Vamos assistir ao pôr do sol lá na casa.Ela concorda com um sorriso doce. A nossa nova casa tem dois andares, muito parecida com a da Vila do Céu. A varanda do piso superior é o ponto mais alto do lugar, perfeita para observarmos juntos o espetáculo do fim de tarde.Assim que ela coloca os pés na varanda, paralisa.O ambiente está impecavelmente decorado para um momento intimista. Lanternas de LED espalham uma iluminação suave e cintilante pelo chão de madeira. No centro, uma pequena mesa coberta por uma toalha branca ostenta arranjos de flores coloridas, uma garrafa do nosso vinho favorito e duas taças de cristal.Planejei cada detalhe. Jackson e Lene foram os meus cúmplices perfeitos ao longo do dia, preparando tudo em segredo.— Diego! O que...Ajoelho-me devagar diante dela, segurando a caixinha aveludada com o anel de brilhante aberto em minhas mãos. O rosto da Janaína se transforma, numa mistura visível de su







