Masuk~MINA~Soltei uma risadinha.—Essa última parte foi culpa sua.—Não mude de assunto.Estreitei os olhos e fiz um gesto com a mão para que continuasse. Eu queria. Não, precisava que aquele güero cabeça-dura continuasse declarando o que sentia e o que queria.—Então continue —exigi.Seus lábios se curvaram discretamente.—Não quero que o nosso relacionamento seja ir para a cama uma noite e depois fingir que nada aconteceu. Também não quero continuar contando os meses até o divórcio chegar, como se fosse algo que estou esperando.Aquilo me atingiu com mais força do que eu esperava.—Eu também não.Artem me observou.—Também não o quê?—Também não quero nada disso. —Respirei fundo—. Eu também gosto de você, güero. Muito. E não quero continuar fingindo que você é apenas o homem com quem fiz um acordo porque precisava de proteção. Faz tempo que deixou de ser apenas isso.Alguma coisa mudou em sua expressão, uma espécie de alívio que ele tentou esconder tarde demais.—Então fomos dois idiota
~MINA~Terminei de colocar Emiliano na cama e caminhei até a porta, perguntando-me se Artem estaria lá fora, na sala, ou se teria encontrado alguma desculpa para fugir de mim.As coisas entre nós haviam melhorado consideravelmente depois do incidente com a pimenta na comida dele e daquela conversa que tivemos, mas parecia que ainda existia certo desconforto entre nós e já não conseguíamos nos tratar com a mesma naturalidade de antes.Eu sabia muito bem qual era o motivo de me sentir desconfortável com ele: era porque queria mais, queria repetir nossa noite de núpcias e que aquele pinche russo me desfizesse entre suas mãos, mas ele não me dava nenhum maldito sinal de que queria satisfazer meus desejos.Quando cheguei à porta, segurei a maçaneta e, antes de girá-la, respirei fundo para criar coragem.Finalmente abri a porta e saí, sem saber se queria encontrá-lo ou não.Pinche madre.Lá estava o güero, sentado em uma das poltronas da sala e, não sei por quê, parecia estar me esperando.
~ARTEM~—Se continuar olhando por essa janela, vou começar a pensar que está vigiando minha esposa.Não desviei os olhos do jardim.—Estou olhando para a minha.Maksim soltou uma risada atrás da escrivaninha.—Isso só piora o seu caso.Mina estava recostada em uma das espreguiçadeiras ao lado de Alessia, com o celular entre as duas e uma expressão que mudava toda vez que lia alguma coisa na tela. Às vezes franzia a testa, depois sorria e, alguns segundos mais tarde, as duas começavam a rir.Eu sabia que usavam o tradutor para conversar quando queriam ter conversas mais longas, mas, de onde estava, não tinha como saber que porra estavam dizendo uma à outra, e estava morrendo de curiosidade para descobrir.—Terminou de revisar o que te mandei? —perguntou Maksim.—Sim.—Você não passou da segunda página.Virei-me para ele.—Sei ler rápido.Maksim deixou a caneta sobre a escrivaninha e me observou com um sorriso irritante.—Você está há quinze minutos lendo a mesma página e olhando pela j
~MINA~Escrevi o que queria expressar no celular, deixei que o tradutor fizesse seu trabalho e passei o aparelho para Alessia. Ela estava recostada na espreguiçadeira ao lado, com as pernas esticadas e uns óculos de sol enormes que cobriam metade do rosto, enquanto, a alguns metros de nós, Valentina perseguia Emiliano e os gêmeos pelo jardim.Alessia leu a tela, soltando um suspiro profundo.—Juro que não entendo. Ele me proporcionou a melhor noite da minha vida. Fez com que eu me sentisse especial, como se houvesse algo mais entre nós, e, na manhã seguinte, agiu como se tivesse sido apenas mais uma noite com qualquer outra mulher. Talvez eu tenha entendido tudo errado. Talvez para ele não tenha significado nada e eu tenha criado expectativas sozinha, pensando que poderia haver algo mais da parte dele.Ela terminou de ler e balançou imediatamente a cabeça, antes de escrever sua resposta durante alguns segundos e me devolver o celular para que eu lesse.—Não acredito nisso. Eu já vi co
~ARTEM~Mina estava sorrindo demais para uma mulher que, no dia anterior, parecia prestes a me matar, e aquilo me pareceu suspeito. Suspeito demais.No entanto, decidi não pensar muito a respeito e me concentrei na comida, que tinha uma aparência e um cheiro deliciosos. Meu nariz também percebia um cheiro intenso de pimenta, mas, como era comida mexicana e normalmente, para o meu paladar russo, sempre acabava sendo mais apimentada do que minha boca e meu estômago conseguiam suportar, também não dei muita importância e me preparei para comer, sorrindo tanto quanto Mina.Peguei a primeira garfada e levei à boca.No primeiro contato com minha língua, senti um incêndio começar.Não de maneira exagerada. Não daquela forma em que a pessoa começa a tossir e perde toda a dignidade à mesa.Pior.Foi um calor lento, brutal, que subiu pela minha língua e garganta enquanto eu continuava mastigando como se absolutamente nada estivesse acontecendo.Suka.Engoli.Mina estava sentada à minha frente,
~MINA~Havia se passado um dia desde nossa discussão e, embora nenhum de nós tivesse dito isso em voz alta, Artem e eu estávamos nos evitando com bastante eficiência. Depois do que aconteceu na cozinha, ele foi embora e não voltei a vê-lo durante o resto do dia.Denis trouxe Emiliano de volta à tarde, depois da festa do pijama, e, desde então, havíamos ficado apenas nós dois no apartamento. Artem não ligou para avisar que voltaria, nem eu lhe mandei mensagem para perguntar onde estava.Se queria se afundar no trabalho para não me ver, perfeito. Eu também não pretendia persegui-lo por Chicago inteira para obrigá-lo a se comportar como meu maravilhoso e perfeito marido.Na noite seguinte, eu estava preparando o jantar enquanto Emiliano brincava com seus carrinhos na sala quando ouvi a porta se abrir. Levantei a cabeça quase por reflexo e Artem entrou alguns segundos depois.Nós nos olhamos. Ele parecia exatamente como sempre, sério, tranquilo e com aquela cara de homem que não se abalav







