Mag-log in~MINA~No dia seguinte, a doutora Robles chegou pouco depois do meio-dia. Aproximou-se de mim e me entregou uma caixa com um sorriso.—Trouxe seu novo brinquedo.Franzi a testa.—Meu o quê?—O telefone que Artem me pediu para conseguir para você.Imediatamente olhei para a caixa com mais atenção. Artem havia cumprido rápido o que me disse antes de ir embora.Mariana abriu a caixa, tirou um telefone simples e começou a me explicar que a linha estava preparada exatamente como ele havia indicado, que eu deveria usá-la apenas para me comunicar com ela e com Artem, e que, enquanto continuasse escondida, era melhor não correr riscos desnecessários fazendo ligações para outros números.Assenti enquanto a ouvia, sem discutir dessa vez porque já entendia que não se tratava de controlar o que eu fazia, mas de evitar que qualquer descuido acabasse revelando onde eu estava.Depois de deixar o aparelho carregando, Mariana se sentou diante de mim e começou a examinar meu pé, fazendo perguntas de ro
~MINA~Artem voltou para a sala alguns minutos depois e não precisei perguntar para saber que alguma coisa havia mudado. A expressão com que havia atendido o telefone já tinha me dado uma pista, mas agora sua mandíbula estava mais tensa e havia aquela seriedade em seu rosto que aparecia quando ele se transformava no homem perigoso que eu sabia que era, embora comigo nunca tivesse se comportado daquela maneira.Fiquei tensa enquanto o observava se aproximar, esperando que me dissesse que diabos havia acontecido para que estivesse daquele jeito.—O que aconteceu? —apressei-me a perguntar.—Tenho que voltar para Chicago —respondeu.Pisquei.—Como assim tem que voltar?—Hoje mesmo.A surpresa deve ter ficado evidente demais no meu rosto porque Artem sustentou meu olhar enquanto eu tentava processar aquilo.Ele havia voltado apenas no dia anterior. Nem sequer havia passado tempo suficiente para cumprir a promessa de começar a me ensinar defesa pessoal e agora já estava me dizendo que iria
~ARTEM~Afastei-me alguns passos da sala antes de atender, embora não o suficiente para perder Mina completamente de vista.Eu havia olhado para a tela do telefone esperando encontrar qualquer nome menos o de Maksim, especialmente depois da conversa que acabara de ser interrompida. Herminia havia estado prestes a me dizer alguma coisa. Eu tinha certeza. Havia reconhecido perfeitamente aquela hesitação, a maneira como desviara o olhar enquanto discutia consigo mesma e finalmente voltara a me olhar como se tivesse acabado de decidir que podia confiar a mim aquilo que ainda guardava. Então meu maldito telefone havia tocado.Contive a irritação e atendi a ligação enquanto caminhava em direção a uma das janelas.—O que aconteceu?—Preciso que você volte.Franzi a testa.—Acabei de chegar.—Eu sei.—Então também sabe que ainda tenho pendente a reunião com Valdés quando você me mandar a contraproposta.—Valdés pode esperar.O tom de Maksim fez minha irritação diminuir um pouco.Ele não estav
~MINA~Artem soltou uma gargalhada tão forte que afastei a xícara de café dos lábios e virei a cabeça para ele completamente indignada.Estávamos tomando café da manhã diante da televisão porque, depois de tanto insistir, finalmente havia conseguido fazê-lo aceitar assistir a uma novela comigo, convencida de que bastaria um capítulo para demonstrar que elas não eram aquela perda de tempo absurda que ele dizia que eram.Até aquele momento, ele havia permanecido bastante calado, comendo enquanto observava a tela com uma expressão que não me permitia saber se estava entretido ou simplesmente esperando aquilo acabar, mas justo quando a cena havia ficado dramática e Marimar estava sofrendo, o desgraçado teve um ataque de riso.—Do que você está rindo? —perguntei, franzindo a testa—. É um momento dramático, não cômico.Artem tentou se conter, embora ainda tivesse um sorriso enorme no rosto.—Porque isso é ridículo.Abri a boca, ofendida.—Como você pode chamar de ridículo o sofrimento da po
~ARTEM~Fiquei olhando para ela com a mão ainda fechada ao redor de seu pulso e a frigideira suspensa a poucos centímetros da minha cabeça, tentando decidir que caralhos tinha acabado de acontecer.Eu havia entrado no apartamento esperando encontrá-la talvez deitada, assistindo a alguma daquelas novelas de que tanto gostava, ou se movimentando com as muletas que Mariana havia levado para ela, mas definitivamente não esperava que saísse de trás de uma parede disposta a partir a porra do meu crânio com uma frigideira de ferro.Mina me observou durante um segundo com os olhos ainda arregalados pelo susto e depois soltou o ar de uma vez, como se até aquele momento o tivesse prendido.—Pinche güero! —exclamou, levando a mão livre ao peito—. Que susto do caralho você acabou de me dar!Olhei para ela incrédulo.—Que diabos há de errado com você? —soltei, abaixando seu braço para afastar a frigideira da minha cabeça—. Por que caralhos está me atacando?Ela me olhou como se eu tivesse acabado
~MINA~O óleo começou a chiar assim que coloquei os pedaços de frango na frigideira, e tive que me afastar um pouco para evitar que uma gota espirrasse no meu braço. Já conseguia me movimentar melhor com as muletas que a doutora Robles havia levado alguns dias antes, embora ainda fosse incômodo depender delas para ir de um lado para o outro e eu tivesse aprendido a deixá-las perto da bancada para poder me apoiar com uma mão enquanto cozinhava com a outra.Não era exatamente a maneira mais prática de preparar o jantar, mas depois de tantos dias presa entre a cama e o sofá eu me recusava a continuar comendo apenas coisas que pudesse esquentar no micro-ondas. Precisava fazer alguma coisa normal, nem que fosse preparar umas quesadillas e reclamar porque o maldito óleo queria me queimar viva.A televisão estava ligada na sala, alta o suficiente para que eu pudesse ouvir a novela da cozinha, e de vez em quando virava a cabeça para tentar acompanhar o que estava acontecendo enquanto mexia a






