LOGIN~MINA~Senti que a arma de repente pesava o dobro entre minhas mãos.Durante alguns segundos não consegui me mover. Nem respirar direito. Meu coração bateu com tanta força contra meu peito que até doeu e tive que entreabrir os lábios para conseguir respirar.Eu já sabia.Ou, pelo menos, suspeitava desde que aquele homem de Ezequiel tinha me dito no apartamento que meu filho estava vivo. Eu tinha querido acreditar nele e, ao mesmo tempo, tinha medo de fazer isso porque também podia se tratar de mais uma das tantas manipulações que Ezequiel era capaz de inventar para me obrigar a voltar.Mas agora era diferente.Ramiro tinha estado lá. Ele sabia que meu filho não tinha morrido.Durante seis anos chorei por uma criança que continuava viva enquanto o filho da puta que a arrancou de mim sabia perfeitamente a verdade.Senti que minhas pernas queriam falhar, mas as obriguei a permanecer firmes porque eu não ia desmoronar. Ainda não.—Como sabe que ele não morreu? —perguntei, embora minha voz
~ARTEM~—Já entendeu? —perguntou Mina, olhando para ele com uma expressão altiva.Ramiro não respondeu, apenas a olhou com raiva.Mina ergueu as sobrancelhas.—Ótimo, vou considerar seu silêncio uma resposta afirmativa, então vamos começar. Quero saber o que fizeram com meu filho.Ramiro cerrou a mandíbula e negou uma vez.—Eu não sei nada sobre isso —respondeu—. Não tenho nada a ver com essa merda.Mina inclinou a cabeça.—Não comece com essa palhaçada.—Já disse que não sei do que está falando.—Você estava lá! —gritou Mina.Ramiro não respondeu.—Você e Chuy estavam do lado de fora do quarto quando meu filho nasceu —continuou—. Vocês me seguraram quando tentei seguir Ezequiel depois que ele levou meu filho.—Já se passaram muitos anos. Não me lembro de tudo.Mina se aproximou um passo.—Então faça memória.—Vá se foder.Mina empunhou a arma e atirou com tanta rapidez na perna do tal Ramiro que a única coisa que consegui fazer foi erguer ligeiramente as sobrancelhas.Ramiro começou
~ARTEM~—Deixe que eu faça isso —insistiu Mina pela terceira vez.Olhei para o homem que permanecia inconsciente e amarrado a uma cadeira no meio do quarto antes de voltar minha atenção para ela.—Não tenho certeza de que você esteja preparada para isso —declarei.Sua expressão endureceu.—Estou mais preparada do que você pensa.—Há alguns dias você mal estava aprendendo a segurar corretamente uma pistola, Mina. Interrogar um homem como este não é a mesma coisa.—Eu já sei que não é a mesma coisa, güero. Não sou idiota.—Não disse que é.—Mas está me tratando como se eu não soubesse o que estou enfrentando.Bufei e passei uma mão pelo queixo. Não queria discutir com ela. Muito menos impedi-la de participar depois de ter aceitado que ela tinha o direito de estar ali, mas uma coisa era permitir que enfrentasse Ramiro e outra muito diferente era entregar completamente a ela o controle de um interrogatório que poderia remexer merda demais na sua cabeça.Mina ainda tinha feridas que eu nem
~MINA~Quando a noite caiu, os dois homens que acompanhavam Rami já tinham descido da caminhonete em diferentes pontos do caminho e ele continuava dirigindo sozinho.Era exatamente isso que estávamos esperando.Artem e eu o seguíamos de bastante longe, mantendo distância suficiente para não levantar suspeitas. Tínhamos deixado para trás as áreas mais movimentadas e agora avançávamos por uma estrada solitária, cercada por escuridão e vegetação, com as luzes do nosso carro apagadas para não denunciar nossa presença.Eu permanecia afundada no assento, ainda usando o boné e as roupas folgadas do meu fabuloso disfarce de narcotraficante adolescente, com uma pistola descansando sobre minhas pernas e os olhos fixos nas lanternas traseiras da caminhonete que apareciam e desapareciam ao longe.Meu coração já estava havia um bom tempo batendo rápido demais.Não era por medo.Bem, talvez houvesse um pouco de medo, mas não o suficiente para me fazer querer voltar.Enquanto continuássemos atrás da
~MINA~—Pareço um pinche moleque que vai vender maconha atrás de uma escola —murmurei enquanto ajeitava pela enésima vez o boné que Artem tinha me feito colocar.O güero afastou apenas os binóculos dos olhos para me olhar de lado e depois percorreu com o olhar a camisa folgada, as calças largas e a jaqueta que escondia bastante bem as curvas do meu corpo. Meu cabelo estava completamente preso e escondido debaixo do boné, e uns óculos escuros terminavam de me fazer parecer diferente o suficiente para que ninguém que me visse a certa distância pensasse imediatamente em Herminia Salazar.—Esse era exatamente o objetivo.—Que eu pareça um vendedor de maconha?—Que não pareça você.—Pois parabéns. Conseguimos.Artem soltou uma risada breve e voltou a levar os binóculos aos olhos.Eu fiz o mesmo.Nosso carro estava escondido a uma distância suficiente do rancho para não chamar a atenção, estacionado em um ponto de onde podíamos vigiar uma parte considerável da propriedade sem ficarmos expos
~ARTEM~Minha atenção se concentrou imediatamente na ligação e me afastei alguns passos de Mina, embora não tanto a ponto de ela não conseguir ouvir o que estávamos falando.—Fale.—Meus rapazes demoraram um pouco porque acontece que o desgraçado já não anda tão grudado em Montalvo como antes —explicou Valdés—. Mas sim, encontramos o homem que você está procurando. Ramiro Ortega, vulgo Rami. Cinquenta e dois anos, moreno, grandalhão e com o cabelo quase raspado. Trabalha para Montalvo há mais de vinte anos.A descrição coincidia demais com a que Mina tinha me dado.—Onde ele está?—Perto de Los Mochis. Montalvo tem um rancho nos arredores que usa para alguns dos seus negócios e Rami passa bastante tempo lá. Segundo a minha gente, agora ele se encarrega de supervisionar algumas operações e de manter na linha os idiotas que trabalham para eles.—Ele mora lá?—Não. Tem uma casa na cidade, mas entra e sai do rancho constantemente. Meus homens já estão seguindo ele desde ontem para confirm







