LOGIN~MINA~Acordei com uma estranha sensação de calor e conforto que demorei vários segundos para identificar. Meu corpo estava relaxado, relaxado demais depois de tudo o que tínhamos vivido nos últimos dias, e por um momento permaneci de olhos fechados, aproveitando aquele calor agradável que me envolvia.Então senti o peso de um braço sobre minha cintura. Abri os olhos devagar e o sono desapareceu de uma vez quando percebi que Artem estava colado em mim.Não em cima de mim nem me abraçando como se fôssemos um casal meloso, mas perto o suficiente para que minha cabeça estivesse acomodada junto ao seu ombro e um de seus braços descansasse sobre minha cintura, segurando-me com uma naturalidade que me deixou completamente imóvel.Seu rosto estava a poucos centímetros do meu, relaxado pelo sono, a respiração lenta e profunda. A barba cobria sua mandíbula e algumas mechas loiras caíam desordenadas sobre sua testa.Fiquei olhando para ele por mais tempo do que deveria, tentando lembrar como di
~ARTEM~Voltamos a ficar em silêncio por um momento e achei que finalmente ela pegaria no sono, mas obviamente eu tinha subestimado sua capacidade de continuar falando mesmo quase morta de cansaço.—Ei...—O quê?—Então você realmente nunca dormiu com uma mulher.Fechei os olhos, meio irritado.—Pensei que já tivéssemos encerrado esse assunto —resmunguei.—Você não respondeu —retrucou.—Respondi, sim.—Você disse que tinha compartilhado camas. Eu perguntei se tinha dormido.Blyat.Essa mulher era impossível. Um pé no saco. Não sabia que mal tinha feito para ter que aguentá-la.—Não.Mina demorou alguns segundos para responder.—Nunca?—Nunca.—Por quê?Virei a cabeça para ela.—Porque nunca tive esse tipo de relação com nenhuma delas. Quando terminávamos, elas iam embora ou eu ia. Não havia motivo para ficarmos.Sua expressão mudou. Já não havia deboche.—Você realmente nunca sentiu vontade de dormir bem agarradinho, de pernas entrelaçadas com uma mulher, especialmente nos dias de chu
~ARTEM~Mina entrou primeiro no banheiro, para se lavar e vestir roupas confortáveis para dormir. Quando saiu do banheiro, meu olhar automaticamente se desviou para as curvas tentadoras de seus seios.Ela inspirou e percebi como eles se elevaram sob a camiseta de algodão que vestia. Seus mamilos roçaram o tecido, enrijecendo-se em pontas duras e apertadas que marcavam a camiseta.Meu corpo vibrou com uma consciência ardente enquanto uma onda de luxúria percorria minhas veias e elevava a temperatura do meu sangue alguns graus.Porra.Essa era justamente uma das razões pelas quais eu não queria dormir no mesmo quarto que ela. Não porque tivesse medo... dela. Tinha medo da reação do meu próprio corpo quando a via e a tinha perto demais.Já fazia algum tempo que eu tinha percebido o efeito que ela provocava em mim e, merda, como eu ficava furioso comigo mesmo por olhar para ela daquela maneira. Por pensar nela daquela maneira.Não devia.Então, antes que a situação piorasse ou ela percebe
~ARTEM~O quarto era pequeno, limpo e bem mais decente do que eu teria esperado de um motel perdido no meio do Novo México. Havia um banheiro, uma cômoda, duas mesas de cabeceira e uma televisão pendurada em frente à cama. O problema era justamente a cama.Uma só, enorme, provavelmente king size, ocupando praticamente o centro do quarto como se estivesse zombando de mim.Mina entrou ainda carregando Emiliano, que nem sequer se mexeu quando fechei a porta atrás de nós. Deixei as poucas sacolas que carregávamos ao lado da cômoda, olhei para a cama, depois para a única poltrona que havia perto da janela e tomei uma decisão bastante simples.—Vou me acomodar na poltrona.Mina virou a cabeça.—Nem fodendo.—Mina...—Que parte de que você precisa descansar não entendeu lá embaixo? —aproximou-se da cama e começou a acomodar cuidadosamente Emiliano sobre o colchão—. Essa poltrona é menor que você. Vai acordar com as costas todas arrebentadas.—Já dormi em condições piores.—Você já me disse i
~ARTEM~Quando a escuridão terminou de engolir a estrada, já estávamos há tantas horas dentro do carro que até Emiliano tinha perdido o interesse por seus carrinhos. Durante boa parte do trajeto, tinha brincado com eles sobre as pernas, fazendo-os avançar pelo banco e criando sabe-se lá que histórias dentro da cabeça, mas, havia algum tempo, mal segurava um entre os dedos.Mina estava sentada ao lado dele, recostada contra a porta, e, embora tivesse insistido várias vezes que estava perfeitamente bem, os bocejos que tentava disfarçar diziam outra coisa. Eu também começava a sentir o peso das horas ao volante, mas estava acostumado a trajetos longos. Eles não, e Emiliano muito menos.Olhei pelo retrovisor quando o menino voltou a bocejar.—Vamos parar.Mina levantou a cabeça.—Agora?—Sim. Precisamos comer.—Podemos continuar um pouco mais se você quiser nos afastar ainda mais.—Já estamos suficientemente longe por esta noite.—Eu posso aguentar.—Não estou preocupado com você.Estreit
~MINA~Eu não fazia ideia de como Artem pretendia nos tirar do México e, quanto menos explicações ele me dava, mais minha imaginação trabalhava. A única coisa que eu sabia era que não íamos nos apresentar na imigração como uma família feliz com nossos passaportes nas mãos, porque Emiliano e eu não tínhamos absolutamente nada que nos permitisse atravessar legalmente. Artem, por outro lado, parecia ter tudo perfeitamente sob controle.Dirigiu durante algum tempo sem dizer muita coisa, seguindo as instruções que tinha recebido anteriormente, até que encontramos um homem que eu não conhecia e que também não pareceu interessado em se apresentar. Conversaram durante alguns minutos longe do carro e então vi o güero tirar vários maços de dinheiro e entregá-los a ele como se estivesse pagando uma conta qualquer.Arregalei os olhos. Não consegui calcular quanto dinheiro havia ali, mas definitivamente não eram dois trocados e um sorriso.Esperei até Artem voltar e se sentar novamente atrás do vo







