Masuk~ARTEM~Apressei-me até a cozinha e a primeira coisa que vi foi Denis sentado diante do balcão, com um prato de comida à sua frente, tão à vontade como se estivesse na própria casa. Mina estava do outro lado do balcão, recolhendo algumas coisas, e Emiliano permanecia por perto, com dois de seus carrinhos sobre a superfície, acompanhando uma conversa que evidentemente já durava algum tempo.Denis dizia alguma coisa em espanhol com aquele sotaque dele que conseguia transformar uma frase simples em uma ameaça contra o idioma inteiro, Mina o corrigiu, Emiliano também, e os três riram.A cena me incomodou mais do que deveria e tive vontade de expulsar aquele filho da puta da minha casa a pontapés.—O que você está fazendo aqui? —rosnei, sem conseguir evitar.Os três se viraram para mim.Denis levantou os olhos do prato e arqueou uma sobrancelha.—Também fico feliz em te ver, irmão.—Perguntei o que você está fazendo aqui.Antes que ele respondesse, olhei para Mina. Ela deve ter interpretad
~ARTEM~Se aquele mexicano filho da puta tinha decidido se antecipar e contar a Maksim alguma coisa sobre o que havia acontecido no México ou sobre nosso acordo só para me pressionar a cumprir minha parte, eu ia matá-lo, mas antes me certificaria de que ele se arrependesse.Maksim estreitou os olhos, desconfiado.—Que cara é essa? —perguntou.Controlei minha expressão antes de me aproximar da escrivaninha e não me precipitei, porque poderia haver muitas explicações para aquela ligação e nenhuma delas teria a ver com nosso acordo.—Nenhuma —respondi—. O que Valdés queria?—Está enchendo o saco de novo por causa de uma rota.Blyat.Uma porra de rota. Não nosso acordo pessoal.O alívio me percorreu tão rapidamente quanto a irritação chegou. Pelo menos León não tinha me entregado, embora aparentemente tivesse decidido continuar sendo um pé no saco para a Bratva e para Maksim.—Ah —murmurei.Maksim franziu a testa e me estudou.—Parece que você esperava algo pior —comentou—. Por um momento
~ARTEM~Saí do prédio ainda pensando na proposta de Mina. Tentei me concentrar em qualquer outra coisa enquanto dirigia até a casa de Maksim, mas, a cada poucos minutos, minha cabeça voltava ao mesmo ponto: um ano, casamento por conveniência, proteção, treinamento, Ezequiel morto e, no final, divórcio.Mina tinha conseguido colocar uma quantidade absurda de problemas na minha cabeça antes mesmo que eu terminasse o café da manhã.Estava parado em um semáforo quando o celular começou a vibrar sobre o console. Olhei para a tela e franzi a testa ao ler o nome de León Valdés.Atendi a ligação e ativei o viva-voz.—Fala.—Olá, russo. Pelo menos cumprimente.Bufei, irritado. A última coisa que eu queria naquele momento era conversar com Valdés.—O que você quer?Sua risada veio imediatamente do outro lado.—Que temperamento, russo. A gente liga para cumprimentar e é assim que você me recebe.—Você não liga para cumprimentar.—Bom, nisso você tem razão.O semáforo abriu e voltei a avançar.—F
~ARTEM~Emiliano ainda estava dormindo quando entrei na cozinha, já vestido e pronto para sair. Tinha dormido mais do que o habitual depois da viagem e nenhum de nós dois parecia disposto a acordá-lo, então o apartamento permanecia tranquilo.Mina estava diante do fogão, me cumprimentou com um sorriso, pediu que eu me sentasse e, assim que fiz isso, colocou um prato com o café da manhã na minha frente e abriu a boca.—Podemos conversar?Peguei o garfo e suspirei.—Eu sabia que você não ia me deixar tomar café da manhã em paz.—Eu disse que não ia mudar de opinião.—E eu disse para você dormir antes de voltar a me pedir em casamento.Mina se sentou à minha frente.—Já dormi.Olhei para ela.—Estou vendo.—E continuo querendo me casar com você.Deixei o garfo sobre o prato.—Muito bem. Fale.Não era como se eu fosse me livrar do assunto fingindo que ele não existia.Mina entrelaçou as mãos sobre a mesa e respirou fundo antes de continuar. Desta vez, não parecia estar improvisando. Parec
~ARTEM~Chegamos ao prédio pouco depois. Emiliano se endireitou no banco traseiro quando estacionei e olhou ao redor com curiosidade. Mina também fez o mesmo, observando a fachada antes de se virar para mim.—É aqui que você mora?—Sim.Saímos do carro e peguei a bagagem. Não era muita coisa, mas Mina tentou carregar uma das sacolas até que a tirei de sua mão sem discutir. Emiliano levava seus carrinhos dentro de uma mochila pequena que eu tinha comprado para ele em um dos postos de gasolina onde havíamos parado para abastecer. Tinha uma estampa do Homem-Aranha e percebi que ele tinha gostado dela desde que a viu, então a comprei.Herminia segurou sua mão e o pequeno caminhou ao lado dela enquanto entrávamos no elevador que levava do estacionamento subterrâneo até o trigésimo segundo andar, o último do prédio.Eu estava cansado demais para me preocupar em impressionar alguém e ocupado demais tentando não pensar nas duas palavras que continuavam se repetindo na minha cabeça.«Case-se c
~ARTEM~Durante alguns segundos, esqueci que estava com as mãos no volante e um carro avançando pelas ruas de Chicago. Virei a cabeça para Mina, certo de que tinha ouvido errado, mas ela continuava me olhando com uma seriedade que eliminava qualquer possibilidade de estar brincando.—Güero... a estrada —alertou ela.Voltei a olhar para a frente no momento em que o carro começava a desviar para o outro lado e rapidamente manobrei, recuperando o controle do carro e de mim mesmo.Respirei fundo e perguntei:—Que porra você acabou de dizer?—Que você se case comigo.—Sim, ouvi essa parte. Estou tentando entender por que diabos você disse isso.—Porque faz sentido.Soltei uma risada seca, completamente incrédula.—Claro. Faz muito sentido. Depois de mais de trinta horas na estrada, você decidiu que se casar comigo é uma excelente ideia. O cansaço fritou seu cérebro.—Não estou delirando.—É exatamente o que alguém que está delirando diria.Mina bufou e se acomodou melhor no banco. Atrás de







