LOGINO silêncio dentro do carro era mais alto do que os tiros tinham sido.
Eu já tinha visto isso antes. Depois do primeiro homem, o mundo muda de textura. Alguns quebram. Outros negam. Poucos… entendem rápido demais.Caterina não falou durante todo o caminho de volta.Não perguntou. Não comentou. Não tentou preencher o espaço com qualquer tipo de explicação inútil. Apenas ficou ali, olhando pela janela, como se estivesse recalibrando alguma coisa interna.E isHomens como aqueles acreditavam em duas coisas: Poder. E tradição. O problema era que eu começava a perceber algo perigoso: eu já ameaçava os dois. A sala da cúpula parecia menor naquela manhã. Talvez porque agora eu finalmente entendesse o que existia ali dentro. Não eram apenas líderes criminosos. Eram predadores tentando decidir qual deles sobreviveria ao próximo inverno. A enorme mesa de madeira escura ocupava o centro do salão da cobertura, cercada por homens vestidos em ternos caros, carregando décadas de violência nos olhos. Quando entrei ao lado de Diego, o ambiente silenciou por alguns segundos. Não completamente. Nunca completamente. Mas o suficiente. O suficiente para perceberem que eu já não era apenas um detalhe desconfortável na sala. Eu tinha deix
Segurança é uma mentira confortável.Você constrói muros altos, instala homens armados em cada entrada, controla rotas, horários, comunicação, comida, veículos.E então descobre que basta uma única falha para tudo desmoronar.Foi isso que aprendi naquela manhã.A mansão Ferrari sempre foi silenciosa cedo. Os funcionários caminhavam discretamente pelos corredores, os seguranças trocavam turnos no perímetro externo e Emilia normalmente descia atrasada para o café, ainda sonolenta e irritada com a existência da escola particular que minha mãe insistia em manter.Rotina.Controle.Previsibilidade.Eu estava no escritório revisando documentos quando ouvi o primeiro disparo.O som atravessou a mansão inteira.Alto.Seco.Próximo demais.Meu corpo reagiu antes da mente.Levantei da cadeira tão rápido que ela caiu para trás violentamente. A arma já estava na minha mã
A mansão estava silenciosa.Silêncio verdadeiro.Não o tipo perigoso que antecede tiros ou traições.Era tarde. Tão tarde que até os corredores pareciam cansados. As luzes estavam baixas, o mármore frio sob meus pés descalços enquanto eu caminhava lentamente até o quarto de Diego.Nos últimos dias, aquilo tinha se tornado automático.Dormir ali.Acordar ali.Voltar para ele sem pensar.Estranho como algumas coisas deixam de parecer temporárias sem que percebamos.Empurrei a porta devagar.Diego estava sentado na poltrona próxima à janela, ainda vestindo preto. A gravata já havia desaparecido, os primeiros botões da camisa abertos, uma taça de whisky esquecida sobre a pequena mesa ao lado.Mas ele não bebia.Só observava a cidade pela janela escura.Pensando.Sempre pensando.Ele ergueu os olhos quando entrei.E imediatamente alguma coisa no
Ciúme é uma emoção inútil.Improdutiva.Desorganiza raciocínio, compromete leitura de ambiente e transforma homens inteligentes em idiotas impulsivos.Foi exatamente por isso que levei alguns dias para aceitar o que estava acontecendo comigo.Porque eu conhecia posse.Conhecia obsessão.Conhecia controle.Mas aquilo?Aquilo era diferente.E começou com algo ridiculamente simples.Risadas.O som atravessou o clube de tiro antes mesmo que eu entrasse completamente no espaço principal.Minha mão ainda segurava a porta quando ouvi Caterina rir.Não um riso educado.Não aquele pequeno sorriso calculado que ela usava em reuniões.Era real.Solto.Leve.E, imediatamente depois, a voz masculina.Marco.O instrutor.Meu maxilar travou antes mesmo de eu vê-los.Quando finalmente virei o corredor pr
Existem dois tipos de pessoas naquele mundo. As que falam demais. E as perigosas. As perigosas nunca dizem exatamente o que querem. Elas insinuam. Testam. Observam quem percebe. Foi isso que comecei a entender depois do chá. Não imediatamente. Não enquanto estava sentada entre porcelanas caras, sorrisos falsos e comentários passivo-agressivos sobre casamento e herdeiros. Mas depois. Horas depois. Quando o silêncio finalmente me permitiu pensar. Eu estava sentada no pequeno sofá perto da janela do quarto, ainda usando o roupão, enquanto uma chuva fina começava a bater contra os vidros da mansão Ferrari. O céu escurecia lentamente sobre a cidade, tingindo tudo em tons frios. E minha mente continuava voltando para as conversas. Fragmentos. Palavras soltas. Detalhes pequenos demais para parecer importantes. Mas importantes mesmo assim. “Alguns acordos atravessam gerações.” “Homens inteligentes sabem quando parar guerras.” “Velhos inimigos podem se tornar… úteis.” Fech
Acordar em silêncio é um privilégio raro.Acordar em silêncio… sendo observada, não.Foi essa a primeira sensação que tive.Não foi o frio.Não foi a luz suave atravessando as cortinas.Nem o peso do corpo ao meu lado.Foi a presença.Abri os olhos lentamente, ainda presa naquele estado entre o sono e a consciência. Por um segundo, tudo pareceu normal — o teto, o cheiro familiar do quarto, o calor dos lençóis.E então virei o rosto.E congelei.Emília estava ali.Sentada na poltrona próxima à cama.Me encarando.Sem piscar.Sem desviar.Como se estivesse assistindo a algo extremamente interessante.— …há quanto tempo você está aí? — minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia.— Tempo suficiente.Ótimo.Perfeito.Fechei os olhos por um segundo, respirando fundo, tentando organizar não só meus pensamentos… mas minh







