MasukNaquela madrugada, Elara acordou com um barulho que fez seu coração gelar.
Gritos. Não eram gritos comuns. Era a voz do seu pai. — Corram! Fujam daqui! Ela se levantou assustada, ainda sonolenta, e correu até a porta. Mas quando olhou para fora, seu corpo inteiro paralisou. Dois lobos enormes estavam na entrada da casa. Não eram como os lobos brancos que seus filhos eram. Aqueles tinham uma presença sombria, ameaçadora. Eles atacavam seu pai adotivo, que tentava proteger a família. — Pai! O grito de Elara saiu desesperado. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, sua mãe adotiva apareceu correndo pelo corredor, segurando um dos bebês. Seu rosto estava tomado pelo medo. — Elara, precisamos ir! Agora! Ela olhou para a mãe sem entender. — O que está acontecendo? — Não temos tempo para explicar! A mulher colocou o bebê nos braços dela. — Proteja eles. São tudo o que importa agora. Elara segurou o pequeno filhote de lobo branco contra o peito. O outro bebê, que estava com sua mãe adotiva, também voltou à forma humana, assustando ainda mais as duas. Mesmo com o medo, Elara não pensou duas vezes. Ela só pensava em salvar seus filhos. As duas correram pela floresta escura, guiadas apenas pela luz da lua. Mas então um estalo ecoou entre as árvores. Sua mãe adotiva parou. Uma armadilha havia sido ativada. — Não… Elara correu até ela. — Mamãe! A mulher caiu nos braços da filha, tentando permanecer forte. — Elara… leve eles… não pare… As lágrimas de Elara começaram a cair. — Não, eu não vou deixar você! Mas sua mãe segurou o rosto dela com carinho. — Você é a mãe deles agora… proteja meus netos. O coração de Elara se partiu. Ela segurou os dois bebês e ficou alguns segundos sem saber o que fazer. Estava sozinha. Sem casa. Sem seus pais. Sem saber quem estava atrás dela. Mas então ouviu sons na floresta. Ela sabia que precisava continuar. Com os dois pequenos protegidos em seus braços, Elara correu. Correu até suas pernas doerem. Até encontrar uma velha cabana escondida entre as árvores. Ela entrou rapidamente, fechou a porta e encostou nela, tentando controlar a respiração. O silêncio tomou conta do lugar. Só então ela permitiu que o desespero aparecesse. Ela se sentou no chão, abraçando seus filhos contra o peito. As lágrimas caíram sem parar. — Meus filhos… Ela beijou a testa dos dois. — Eu prometo que vou proteger vocês. Os pequenos se aconchegaram nela, sentindo o medo e a tristeza da mãe. Elara olhou para a lua pela pequena janela da cabana. — Tomara que o pai de vocês realmente nos ache… Sua voz saiu baixa e quebrada. — Porque eu não sei quanto tempo mais consigo fugir sozinha. Enquanto isso, muito longe dali, Zack sentiu uma dor atravessar sua ligação. Algo estava errado. O cheiro do medo da sua companheira chegou até ele pela conexão de alfa. Ele levantou no mesmo instante. — Simon. O homem entrou rapidamente. — Alfa? Os olhos de Zack estavam diferentes. Frios. Perigosos. — Encontraram minha família. Simon ficou sério. — A Elara? Zack fechou a mão. — Alguém tentou machucar minha companheira e meus herdeiros. Ele caminhou até a porta. — Agora eu vou encontrar quem fez isso. E pela primeira vez em anos, todos na mansão Lockwood sentiram o verdadeiro poder do alfa quando alguém ameaçava aquilo que ele mais amava. horas depois Zack atravessou a floresta como uma sombra. Cada passo carregava uma fúria que ninguém ousava desafiar. O alfa sentia a ligação com Elara enfraquecida pelo medo dela, pela dor que ela carregava. Ela estava sofrendo. E ele podia sentir. Simon vinha logo atrás, acompanhado de alguns guerreiros da alcateia. — Alfa, encontramos rastros. Zack parou e se abaixou, tocando a terra. O cheiro dela estava ali. O cheiro dos seus filhotes também. Mas havia outro cheiro misturado. Um cheiro estranho. Um cheiro de inimigos. O olhar de Zack ficou sombrio. — Eles chegaram até ela antes de mim. Simon cerrou os punhos. — Vamos encontrá-los. Zack levantou. — Não. Todos ficaram em silêncio. — Eu vou primeiro. Ele precisava vê-la. Precisava ter certeza de que Elara e seus filhos estavam vivos. Enquanto isso, na pequena cabana, Elara tentava cuidar dos bebês. Ela tinha encontrado alguns cobertores antigos e feito uma pequena cama improvisada. Mesmo cansada, ela não dormia. Cada barulho da floresta fazia seu coração disparar. Ela segurava os dois pequenos contra o peito. — Desculpem a mamãe… Uma lágrima caiu. — Eu queria dar uma vida melhor para vocês. Um dos bebês abriu os pequenos olhos e tocou o dedo dela. Elara sorriu entre lágrimas. — Vocês são tão pequenos… e já passaram por tanta coisa. De repente, ela ouviu um barulho do lado de fora. Seu corpo ficou tenso. Ela se levantou devagar, protegendo os filhos. A porta da cabana tremeu. Elara segurou a respiração. Então uma voz profunda atravessou a noite. — Elara. Ela congelou. Aquela voz. Ela conhecia aquela voz. O homem da floresta. O homem que ela tentou esquecer. Seus olhos se encheram de lágrimas. — Zack? Do lado de fora, o alfa fechou os olhos ao ouvir a voz dela. Ela estava viva. Ele abriu a porta devagar. Quando Elara viu aquele homem parado ali, forte, imponente, seus sentimentos se misturaram. Alívio. Medo. Raiva. Meses de perguntas sem resposta. — Você… A voz dela falhou. Zack olhou para ela e depois para os dois pequenos em seus braços. Pela primeira vez, o poderoso alfa ficou sem palavras. Seus herdeiros. Seus filhos. Ele se aproximou lentamente. — Eu procurei por você todos esses meses. Elara apertou os bebês contra si. — Eu não sabia quem você era. A expressão dele mudou. — Eu sei. Ela olhou para ele com os olhos cheios de lágrimas. — Eu tive medo de que você tirasse eles de mim. Zack se ajoelhou na frente dela, ficando na mesma altura. — Elara… A voz dele ficou mais suave. — Eu nunca tiraria meus filhos da mulher que salvou minha vida. Ela ficou em silêncio. Então Zack olhou para os pequenos lobos brancos. — Eles são perfeitos. Um dos bebês se mexeu ao sentir a presença do pai. E Zack sorriu pela primeira vez em muito tempo. — Eles sentiram meu cheiro. Elara observou aquele momento sem conseguir falar. Porque naquele instante ela percebeu uma coisa: O homem que ela achou que nunca encontraria novamente não era apenas o pai dos seus filhos. Ele era o alfa que atravessaria o mundo inteiro para proteger sua família.A sala ficou completamente em silêncio.O ancião, diante de todas as provas, já não conseguia negar.Simon colocou o último documento sobre a mesa.— Alfa… a confirmação veio dos próprios envolvidos.Todos os olhares se voltaram para o ancião.Zack permaneceu parado no centro da sala.Mas não era apenas raiva em seus olhos.Era a dor de um homem que quase perdeu sua família.— Então foi você.O ancião tentou manter a postura.— Eu fiz o que achei necessário para proteger a tradição da alcateia.A expressão de Zack mudou.— Tradição?Sua voz ecoou pela sala.— Você chama de tradição envenenar uma mulher grávida? Tentar matar minha companheira e meu filho?Ninguém respondeu.Zack respirou fundo.Então se virou para todos.— Eu sou o alfa desta alcateia.Ele fez uma pausa.— E minha decisão será final.O ancião ficou tenso.Zack levantou a mão.— Eu, alfa Zack Lockwood, decreto a perda do seu lobo e seu exílio da matilha.Um choque percorreu a sala.Alguns dos presentes ficaram de pé, as
Depois de algum tempo, Eron e Zefrom voltaram a brincar pelo jardim com os funcionários por perto.Os dois corriam felizes, ora na forma humana, ora como pequenos lobinhos brancos, enchendo o lugar com suas risadas.Elara, sentindo o peso da gravidez, decidiu entrar um pouco para descansar.Zack acompanhou ela com o olhar até ter certeza de que estava bem.Quando voltou para o jardim, encontrou a mãe observando os netos.Ele ficou em silêncio por alguns segundos.Roberta percebeu imediatamente.— O que foi, filho?Zack olhou para a mansão, onde Elara estava.Seu rosto ficou sério.— Mãe… foi um dos anciões.Roberta franziu a testa.— Um dos anciões fez o quê?A voz de Zack ficou baixa e cheia de raiva contida.— Foi um deles que mandou envenenar o suco da Elara.O sorriso de Roberta desapareceu.— Zack…Ele continuou:— Quase mataram minha companheira.Fez uma pausa, olhando para a porta da mansão.— E quase mataram meu filho.Roberta ficou em choque.— Isso é grave.Zack fechou as mã
Zack ficou em silêncio por alguns segundos, surpreso com as palavras da mãe.Ele conhecia Roberta.Ela era uma mulher forte, acostumada a comandar e a analisar tudo com cuidado. Ela não entregava sua aprovação facilmente.Elara também parecia surpresa.Ela apertou levemente a mão de Zack.— Sua mãe é muito diferente do que eu imaginava.Zack olhou para ela com um pequeno sorriso.— Ela é difícil de impressionar.Roberta ouviu e arqueou uma sobrancelha.— Eu ouvi isso.Zack soltou uma risada baixa, algo que fez Elara sorrir.Os pequenos lobinhos correram pelo jardim e voltaram para perto de Roberta.Dessa vez, sem rosnar.Eron se aproximou e encostou o focinho na mão dela.Roberta ficou imóvel por um instante.Depois acariciou o pelo branco dele.— Eles têm a força da família Lockwood.Elara sorriu.— Mas também têm meu coração.Roberta olhou para ela.— E é exatamente isso que faz deles completos.A frase surpreendeu Elara.Durante tanto tempo ela ouviu que era diferente, que era apen
Alguns dias se passaram, e a mansão Lockwood estava mais tranquila.Zack havia saído para resolver assuntos da alcateia, deixando Elara descansando em casa.Naquele fim de tarde, o jardim estava cheio de vida.Elara estava sentada em uma cadeira confortável, com uma das mãos apoiada na barriga já grande, enquanto observava seus filhos brincarem.Eron e Zefrom corriam pelo gramado na forma de pequenos lobinhos brancos.Eles estavam maiores, mais rápidos e cada vez mais parecidos com o pai.— Não corram tão longe, meus amores — Elara chamou sorrindo.Os dois pararam e olharam para ela.— Mamãe, olha!Eron correu fazendo uma volta pelo jardim.Zefrom veio logo atrás, todo orgulhoso.Elara riu.— Vocês dois são impossíveis.Aquela cena parecia perfeita.Até que os portões da mansão se abriram.Uma mulher elegante entrou.Ela era uma senhora de postura imponente, roupas sofisticadas e um olhar que carregava autoridade.Os funcionários imediatamente ficaram em silêncio e fizeram uma reverên
Os meses passaram, e a mansão Lockwood já não era mais a mesma.O som dos pequenos passos e das risadas dos herdeiros do alfa preenchiam todos os corredores.Eron e Zefrom tinham crescido bastante. Os dois pequenos lobinhos brancos já estavam maiores, mais fortes e começavam a falar cada vez mais.Mesmo ainda sendo jovens, a ligação com a família era intensa.Eles eram extremamente protetores com Elara.Sempre que ela caminhava pelo jardim, os dois corriam ao lado dela em suas formas de lobinhos, atentos a qualquer movimento.— Mamãe devagar — dizia Eron, segurando a mão dela quando ela se levantava.— Mamãe e bebê precisa cuidar — completava Zefrom, encostando o focinho na barriga dela.Elara sorria emocionada.— Vocês dois já parecem pequenos guardiões.Os dois ficavam orgulhosos.— Proteger mamãe.— Proteger irmãozinho.A barriga de Elara continuava crescendo.Cada dia mais redonda, grande e bonita, mostrando que o bebê estava se desenvolvendo forte.Ela passava muito tempo no jard
Zack ficou parado por alguns segundos, absorvendo aquelas palavras.Alguém de dentro da mansão.O lugar que deveria ser o mais seguro para Elara e seus filhos tinha sido onde alguém tentou destruí-los.Seu olhar ficou frio.— Quem teve acesso ao suco? — perguntou ele, com a voz baixa.Simon abriu o relatório que segurava.— Estamos verificando todos os funcionários. Mas existe uma coisa estranha.Zack estreitou os olhos.— O quê?— A pessoa que preparou a bandeja não foi a mesma que levou até o jardim.O silêncio tomou conta do quarto.Elara, que ainda estava deitada, ouviu aquilo e segurou a mão de Zack.— Zack…Ele imediatamente voltou a atenção para ela.— Eu estou aqui.Ela olhou preocupada.— E se tentarem de novo?A expressão dele suavizou ao ver o medo dela.— Não vão.Ele se aproximou e beijou sua testa.— A partir de agora, ninguém chega perto de você sem minha autorização.Eron e Zefrom, sentindo a tensão, se aproximaram do pai.Os pequenos ainda eram novos, mas a ligação co







