Inicio / Romance / A Inocente / Capítulo 31

Compartir

Capítulo 31

Autor: Liliane
last update Fecha de publicación: 2026-08-20 07:07:52

A vitória tem um gosto incrivelmente doce, especialmente quando é temperada com a ingenuidade daqueles que tentaram me destruir. Sentada na suíte principal da mansão dos Dhabajhu, observei meu reflexo no espelho de moldura dourada. Tudo tinha saído exatamente como planejei no meu caderno secreto — cada detalhe, cada peça movida no tabuleiro da vida real com uma precisão cirúrgica. Eu não era apenas uma sobrevivente; eu era a maestrina de uma sinfonia perfeita. Miguel apodreceria numa cela de pr
Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App
Capítulo bloqueado

Último capítulo

  • A Inocente    Capítulo 40

    O cheiro de fumaça e carne queimada nunca abandonou totalmente as minhas narinas. Durante doze longos meses, esse odor impregnou minha pele, disfarçado sob os perfumes importados mais caros e o álcool forte com que tentei anestesiar o inferno que minha vida se tornara. Mas a minha dor nunca foi de luto. Nunca foi de saudade. A dor que queimava minhas entranhas era feita do mais puro, gélido e concentrado ódio.Eu passei um ano inteiro vivendo no rescaldo da destruição causada por um monstro. Quando o jatinho particular explodiu no ar e caiu no interior de São Paulo, virando uma bola de fogo que reduziu tudo a cinzas e detritos carbonizados, o mundo inteiro achou que eu era o viúvo devastado. A perícia médica foi categórica: a arcada dentária encontrada entre os destroços, queimada pela fumaça de combustível, batia com precisão cirúrgica com os relatórios odontológicos de Rand. A ciência oficial assinou o atestado, fecharam o caixão lacrado, e todos choraram a morte da jovem e bela esp

  • A Inocente    Capítulo 39

    O que o público e a perícia médica jamais desconfiariam era de um detalhe macabro que planejei com meses de antecedência. Antes mesmo de colocar o pé no jatinho, eu havia providenciado a morte perfeita. Um dentista clandestino no subúrbio havia moldado e implantado estrategicamente alguns dentes falsos com arcada modificada em fragmentos ósseos sintéticos e biológicos — obtidos no mercado negro de necrotérios —, os quais deixei escondidos no compartimento de bagagem da aeronave. Quando os peritos fossem escavar as cinzas e os detritos carbonizados, encontrariam exatamente o que precisavam para fechar o caso sem sombra de dúvidas: amostras odonto-legais forjadas que confirmariam, com precisão cirúrgica, que os restos mortais pertenciam à jovem esposa de Dhehanks. Ninguém desconfiou de nada. A ciência oficial foi a minha maior aliada.Seis meses se passaram. A Suíça me acolheu com seu ar gélido, suas montanhas cobertas de neve e sua discrição inabalável. Sob o nome de Valerie Vance, uma

  • A Inocente    Capítulo 38

    O estalo metálico da câmara da Glock ecoando pelas paredes de madeira do escritório ainda ressoava nos meus ouvidos quando a porta da frente foi desferida com uma sequência de batidas violentas. Não eram batidas de um funcionário hesitation. Era o peso da autoridade. Ajustei o paletó sobre a arma velada na minha cintura, engoli o gosto amargo de fel e caminhei até o hall de entrada. Ao abrir, me deparei com o Delegado Barcellos, acompanhado de dois peritos da Polícia Civil vestindo jaquetas pretas com o brasão emborrachado e um promotor de justiça cujo rosto estampava aquela severidade burocrática de quem já havia tirado suas próprias conclusões antes de ouvir a primeira palavra. — Dhehanks — disse Barcellos, sem qualquer preâmbulo ou o mínimo decoro de pêsames. Seu olhar varreu meu rosto, demorando-se na barba por fazer de três dias e nos meus olhos injetados. — Precisamos conversar. O relatório preliminar da equipe de busca e salvamento dos destroços do jatinho acaba de chegar do I

  • A Inocente    Capítulo 37

    O silêncio do meu escritório nunca pareceu tão pesado, tão sufocante, tão carregado de um fedor invisível de traição. A poeira dançava no feixe de luz que cortava as cortinas de veludo, e cada ponteiro do relógio de parede soava como uma martelada no meu esterno. Ela estava morta. Rand estava morta. Era o que o mundo dizia. Era o que os jornais gritavam nas manchetes sensacionalistas. Era o que a perícia da Polícia Civil e da Aeronáutica tentava me vender com seus relatórios frios, cheios de termos técnicos como "fadiga de material", "combustão instantânea" e "ausência de sobreviventes". Uma tempestade de fogo a cinco mil pés de altitude. Um caixão lacrado contendo cinzas, pedaços de metal derretido e um punhado de matéria orgânica irreconhecível que os legistas diziam, com uma margem estatística fria, pertencer a uma jovem de dezoito anos. Mas a minha intuição não funciona com estatísticas. Ela funciona com o estômago. E o meu estômago estava se retorcendo em nós secos, em uma n

  • A Inocente    Capítulo 36

    O eco das palavras que ouvi no pátio daquela prisão ainda vibrava no meu crânio, mas não como uma ameaça; vibrava como uma piada de mau gosto. Eles me chamavam de serpente, de monstro, de ceifadora. Miguel, com sua cara de derrotado vestindo laranja, chorando pelo passado; Alicia e Amélia, tremendo nas sombras do próprio pânico; e Dhehanks, ah, o meu frágil e patético Dhehanks, soluçando como uma criança desmamada porque perdeu a chave do cofre e o status de grande homem. Eles achavam que compreendiam a extensão da minha escuridão. Achavam que me conheciam. Coitados. Eles não sabiam absolutamente nada sobre o que significa renascer das cinzas quando o mundo inteiro exige o seu fim.Eu ouvi cada palavra do que eles conversavam através das minhas escutas. A ingenuidade daquele conselho me fazia querer rir bem alto. Eles achavam que eu iria atrás do irmão dele, Degudenh, ou dos velhos Zamath e Chukran? Que perda de tempo. Eu nunca precisei de mais sangue nas minhas mãos do que o estritam

  • A Inocente    Capítulo 35

    O cheiro de desinfetante barato e mofo impregnava o ar do pátio de visitas daquele complexo penitenciário de segurança máxima. Cada passo que eu dava no concreto frio parecia um eco distante do meu próprio funeral. Eu, Dhehanks Dhabajhu, um homem que há poucas horas comandava um império de bilhões, agora me arrastava como um fantasma falido, carregando a carcaça de um orgulho destruído. A sala de visitas reservada era escura. Três pessoas me aguardavam do outro lado da mesa retangular. Miguel, trajando o uniforme alaranjado de presidiário; Alicia, com olheiras profundas e o olhar endurecido por anos de trauma; e Amélia, cujas mãos tremiam levemente sobre o colo. Três vítimas sobreviventes de uma mesma tempestade. Três pessoas que eu ignorei quando rotulei seus avisos como inveja ou loucura. — Você demorou para acordar, Dhehanks — disse Miguel, com a voz abafada pelo silêncio sepulcral do recinto. Caí sobre a cadeira de ferro. O choro, contido a custo durante o trajeto até ali, final

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status