LOGINAs portas duplas do Salão das Lanças bateram atrás de nós com um eco pesado e solene, cortando abruptamente o murmúrio atordoado que começava a explodir entre os anciãos e os capitães de guerra. Torin e a guarda de honra permaneceram na galeria externa, formando uma barreira impenetrável de escudos e lanças para impedir que qualquer conselheiro ousasse nos seguir. Rowan não soltou minha mão durante todo o percurso. Seus dedos calejados continuavam entrelaçados aos meus, quentes, possessivos e firmes como ferro forjado, guiando-me pelas arcadas de granito até o corredor reservado que levava ao gabinete do Alfa — a câmara do conselho privado, ladeada por tapeçarias de guerra antigas e protegida por portas maciças com ferrolhos duplos. Assim que entramos e a madeira pesada se fechou com o estalo seco da tranca, puxei minha mão de volta. O movimento foi rápido, seco, rompendo o contato físico que ainda enviava pequenas fagulhas pela minha carne. Girei sobre os calcanhares no centro da
As grandes portas de carvalho maciço e tiras de ferro fundido do Salão das Lanças erguiam-se no final da galeria como os dentes escuros de uma fera à espera de sua presa. Eu já havia limpado os resquícios da pasta de raiz-de-gelo com a água morna da bacia e protegido o ombro esquerdo com um linho novo e discreto, sem ataduras volumosas à mostra. A túnica escura de lã grossa, com costuras reforçadas em couro e fechos de metal fosco, moldava-se com precisão à imponência dos meus ombros, ao volume dos meus seios e à firmeza sólida dos meus quadris. Minhas botas de couro batido batiam no chão de granito em compasso firme, lado a lado com as passadas pesadas e calculadas de Rowan. Ao nosso redor, os sentinelas da guarda pessoal do Alfa abriam caminho em silêncio absoluto. Torin marchava um passo atrás do nosso flanco direito, a mão repousada casualmente no pomo da espada longa, os olhos atentos varrendo cada recanto sombrio da colunata. — Não
A luz pálida da alvorada do Norte filtrou-se pela fresta estreita da parede de cantaria, cortando a penumbra em tons de chumbo e prata. Acordei com um peso colossal e quente sobre o meu quadril. O braço musculoso de Rowan, marcado por cicatrizes brancas e veias grossas, repousava pesado sobre a curva da minha cintura nua, mantendo-me firmemente colada contra a fornalha do peito dele. Cada respiração lenta e profunda do Alfa fazia suas costelas subirem e descerem contra as minhas costas. O aroma de pinho fresco, tempestade e o cheiro denso do nosso acasalamento da noite anterior estavam impregnados nas peles que nos cobriam. Sob nós, a realidade da madrugada cobrou seu preço com um rangido surdo quando me movi. Estávamos no chão. O estrado maciço de carvalho jazia inclinado em um ângulo torto, uma das longarinas mestras partida em lascas grossas e as cavilhas de ferro forjado retorcidas contra a laje de granito. A cabeceira esculpida com o brasão do lobo nortenho estava desencaixa
O ar entre nós estalava com a voltagem de um raio contido entre quatro paredes de cantaria. A borda de carvalho da mesa cravava-se na parte de trás das minhas coxas, mas eu não me sentia encurralada. Eu me sentia viva. Cada fibra dos meus músculos, cada gota de sangue forjada na poeira e no calor das bigornas da Linhagem de Ferro respondia à insolência predatória daquele macho. Zander passara anos tentando me diminuir. Dissera que meus ombros eram largos demais para uma companheira nobre, que minhas coxas e meus quadris fartos eram uma afronta à delicadeza da corte, que minhas mãos calejadas envergonhavam os salões de seda de Silver Moon. E, no fim, aquele covarde fugira na primeira oportunidade, fraco demais para suportar o peso da fêmea que o destino colocara em seu caminho. Mas Rowan não estava fugindo. Ele estava ali, imenso, uma muralha viva de força bruta, cicatrizes e autoridade selvagem, farejando minha pele limpa como se eu fosse o único banquete capaz de saciar um invern
A noite fechou-se sobre a Fortaleza dos Espinhos com o peso de uma mortalha gélida. Do lado de fora da fresta estreita na rocha, o vento uivava como centenas de feras famintas, chicoteando as ameias de granito e atirando punhados de gelo contra a cantaria bruta. Dentro da câmara, o único som que rompia o silêncio pesado era o estalar lento das toras de pinho na lareira, que soltavam fagulhas alaranjadas na escuridão. A servente idosa de passos ligeiros havia entrado pouco antes do anoitecer, escoltada por um dos sentinelas de Torin. Ela depositara sobre a mesa de carvalho negro uma travessa de cerâmica fumegante com ensopado espesso de carne de cervo, raízes amargas cozidas e um naco generoso de pão escuro de cevada. A mulher mal ousara levantar os olhos do chão; suas narinas tremeram ao captar o odor denso de Rowan misturado à cinza da forja na minha pele, e ela fez uma reverência quase apressada antes de se retirar, ouvindo a t
A caverna das forjas pareceu subitamente vazia e gelada no instante em que a silhueta de Rowan desapareceu pela rampa de pedra. O calor das fornalhas ainda estalava nas paredes de rocha, mas a atmosfera perdera aquele pulso magnético e sufocante que o Alfa carregava consigo. Soltei o ar com força pelos dentes, sentindo os tremores da adrenalina começarem a cobrar o preço nos meus músculos. Desatei as tiras de couro cru do avental com puxões secos, jogando a peça de proteção sobre a bigorna fria de Harek. Fui até o caixote de madeira no canto, resgatei minha túnica pesada de lã cinzenta forrada de pele e vesti-a com pressa para conter o choque térmico que começava a gelar o suor acumulado nas minhas costas e no meu peito. Torin aproximou-se a passos lentos. Ele limpou com desdém uma lasca de metal incandescente presa ao cano de sua bota e fez um sinal com a cabeça em direção ao arco das escadas. — O Alfa falou, garota de ferro







