LOGINNa noite em que toda a alcateia se reuniu para coroar sua nova Luna, Maia Valença viu a própria vida ser destruída diante de centenas de testemunhas. O homem ligado a ela pelo vínculo, o poderoso Alfa Supremo Aren D’Ávila, rejeitou Maia em público. E, como se aquilo não bastasse, escolheu outra loba para ocupar o lugar que deveria ser dela. Humilhada, marcada pela rejeição e dada como morta, Maia desapareceu sem deixar rastros. Quando retorna, ela não é mais a jovem que caiu aos pés do Alfa. Carrega um poder proibido. Um dom capaz de quebrar os vínculos entre Alfas e Lunas. Agora, o homem que a destruiu faria qualquer coisa para tê-la de volta. Mas Maia não voltou para perdoá-lo. Ela voltou para descobrir por que tantas Lunas rejeitadas desapareceram ao longo dos séculos… e por que é a única mulher capaz de fazer um Alfa Supremo se ajoelhar. Só existe um problema. Quanto mais ela tenta destruí-lo, mais o vínculo entre os dois se recusa a morrer. E, quando a verdade vier à tona, Maia vai descobrir que o maior inimigo nunca foi o homem que partiu seu coração. Foi o segredo sombrio que controla o destino de todos os lobos. Ele a rejeitou diante de toda a alcateia. Agora será ele quem implorará para ser aceito.
View MoreA primeira neve do inverno cobriu os picos da cordilheira com uma camada grossa e branca, trazendo silêncio para as encostas e cobrindo de gelo os telhados reconstruídos do Jardim. Uma estação inteira havia se passado desde a queda do altar e a derrota da chancelaria, e o vale finalmente não mostrava mais as marcas abertas da guerra. Pelas ruas internas, a fumaça subia mansa das chaminés dos alojamentos, misturando o cheiro de pinho queimado ao do pão fresco que saía do forno comunitário. No pátio principal, crianças que meses atrás dormiam com medo de alarmes agora corriam e brincavam na neve fofa, e o som de suas risadas ecoava pelas muralhas de pedra que antes quase haviam vindo abaixo. Maia caminhava devagar pelo terraço superior, vestindo um casaco pesado de lã escura forrado com pele. O vento gelado da montanha batia em seu rosto, mas o frio parecia não tocar sua pele, contido pelo calor suave e constante do núcleo subterrâneo que subia pelas fundações da terra. Sob as pálpebra
O cheiro de terra molhada e mato fresco subia do vale, trazido pelo vento brando que soprava pelas encostas do Jardim após a última chuva de verão. As semanas que se seguiram à queda do altar e à derrota definitiva da chancelaria tinham o gosto raro de uma paz conquistada com sangue e coragem. Ninguém mais corria pelos corredores de pedra carregando ordens de emergência ou armas na mão. A rotina do vale havia entrado num ritmo calmo: a reconstrução acontecia sob a luz do sol, sem o medo de um ataque surpresa rondando as muralhas. Lá embaixo, no pátio, o som ritmado de martelos fincando estacas de madeira nova misturava-se às conversas e às risadas de quem finalmente podia pensar no dia de amanhã. Maia estava sentada na mureta de pedra do terraço superior, observando o verde vivo dos campos que se estendiam até a garganta da montanha. O casaco de lã grossa protegia seus ombros do vento frio do fim de tarde. O brilho prateado em suas íris já não queimava como antes; acomodara-se em seu
O sol da tarde começava a dissipar a neblina na saída das minas do sul, levando embora o cheiro pesado de fumaça, suor e poeira que impregnava as roupas de todos. A subida pelos túneis de pedra havia sido feita em silêncio, cada um lidando à sua maneira com o peso do que ficara para trás. Ao cruzarem a entrada da galeria e pisarem ao ar livre, o o vento gelado da montanha bateu no rosto de todos, trazendo um alívio que parecia impossível dias atrás. Do lado de fora, o acampamento começava a se desarmar. Cavalos pastavam soltos na beira da trilha, e os batedores da guarda recolhiam selas e arreios com a tranquilidade de quem já não precisava temer emboscadas a cada curva. Aren esperava perto de um pinheiro retorcido, segurando as rédeas de seu cavalo cinzento. O rosto do Supremo ainda trazia a marca de noites em claro, mas o olhar estava calmo, com a firmeza de quem começava a juntar os cacos do território com paciência. Quando Kaelen se aproximou amparando Denis pelo braço, Aren deu
O silêncio na caverna durou segundos que pareceram horas, quebrado apenas pelo barulho contínuo da água pingando nas fendas da rocha. Zarek apertava o corpo mole de Maia contra o peito, sentindo o desespero fechar sua garganta ao notar que ela não se mexia. Ele contou cada batida do próprio coração como um golpe seco nas costelas, recusando-se a aceitar que a batalha terminaria daquele jeito — com ela sem vida nos seus braços depois de tudo o que haviam enfrentado juntos. O corpo de Maia estremeceu de repente. Ela abriu a boca e puxou o ar com força, como quem volta à tona depois de quase afogar. Os olhos prateados se abriram devagar, piscando contra a claridade fraca que ainda restava nas paredes, firmando-se num brilho vivo e constante. Uma onda avassaladora de alívio varreu o peito de Zarek. O caçador encostou a testa na dela, soltando a respiração num suspiro pesado de pura exaustão. Do outro lado da câmara, Kaelen soltou o ar que também prendera sem perceber, e Denis, ainda en






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