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CAPÍTULO 65 — QUASE UMA VERDADE

Author: Gell Pereira
last update publish date: 2026-09-15 19:09:36

Annaluz puxou a maçaneta com força, abrindo a porta de rompante para fugir dali, mas Henry foi mais rápido. Com um movimento firme, ele chocou a palma da mão contra a madeira, batendo a porta de volta e fechando-a com o corpo, bloqueando totalmente a saída dela.

Ela virou-se para ele, com os olhos a faiscarem de pura indignação.

— Você não vai sair daqui deste jeito, Annaluz! — disparou ele, com a respiração ofegante.

— E quem é que vai me impedir? Você, por acaso?

— Exatamente. Eu não vou deix
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    Annaluz puxou a maçaneta com força, abrindo a porta de rompante para fugir dali, mas Henry foi mais rápido. Com um movimento firme, ele chocou a palma da mão contra a madeira, batendo a porta de volta e fechando-a com o corpo, bloqueando totalmente a saída dela.Ela virou-se para ele, com os olhos a faiscarem de pura indignação.— Você não vai sair daqui deste jeito, Annaluz! — disparou ele, com a respiração ofegante.— E quem é que vai me impedir? Você, por acaso?— Exatamente. Eu não vou deixar você ir embora sozinha e neste estado.— Sai do meu caminho! — gritou ela, desferindo um empurrão com as duas mãos contra o peito dele.Henry sentiu o impacto do empurrão, o corpo recuou por mera inércia, mas ele firmou os pés no chão e não arredou o pé, mantendo-se intransigente à frente da saída.— O que é que você quer afinal?! — esbravejou ela, com a voz embargada que ameaçavam transbordar.— Conversar com você como deve ser. É só isso que eu peço.— Conversar o quê? Poupem-me das desculp

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    — Sabe... é realmente impressionante, chega a ser cômico — comentou ela, destilando veneno disfarçado de gentileza — ver como você já se instalou tão rápido e confortavelmente na vida do Henry, Annaluz.A mesa inteira ficou em silêncio por um instante.Henry tencionou os ombros de imediato, disparando um aviso severo.— Rose... é melhor parar por aí. — Henry começou, o tom de aviso já na voz.Mas ela ignorou o tom de advertência, erguendo as mãos com uma expressão cínica de falsa inocência.— Oh, por favor, Henry, eu só estou comentando um fato óbvio. Ser carregada no colo, as roupas, a atenção constante... você chega aqui há poucos dias, Annaluz, e já tem tudo isso de mão beijada. Coisa que eu, com anos de convivência, nunca consegui ter.Annaluz manteve o semblante controlado, embora sentisse o sangue ferver nas veias. Ela pousou os talheres devagar e respondeu com serenidade.— Eu não pedi absolutamente nada disso, Rose. As coisas aconteceram porque simplesmente precisavam acontece

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    Enquanto isso, Henry caminhou a passos largos até à porta de entrada e girou a maçaneta. No entanto, para o seu completo choque e irritação imediata, ao abrir a porta ele deparou-se não apenas com Beatrice e Liam, mas também com a figura indesejada de Rose, que vinha logo atrás colada a eles.— Rose? O que você está fazendo aqui? — disparou Henry, surpreso e visivelmente contrariado ao abrir a porta e dar de caras com a jovem.Rose abriu um sorriso calculista, dando um passo à frente.— Eu soube que você estava aqui, aproveitei e vim. — Ela cruzou os braços. — Te liguei de manhã, mas você não me atendeu.Beatrice, constrangida por trazer a confusão, se meteu logo no meio.— Desculpa, Henry, ela escutou quando eu liguei pra você — admitiu Beatrice, encolhendo os ombros.Henry suspirou pesadamente, tentando manter a compostura na presença da família.— Está bem, Beatrice... Mas escuta bem, Rose. Não arme nenhuma confusão. Estamos em família.— Tá bem, relaxa, eu me comporto — respondeu

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    Annaluz olhou fixamente para dona Isabel, desconfiada. — Sabe... Pela forma como a senhora está a conduzindo esta conversa, eu tenho a forte sensação de que quer me perguntar alguma coisa mais profunda. Estou errada?Isabel sorriu abertamente, sem disfarçar.— Posso fazer uma pergunta bem direta, querida?— Pode, sim... Sinta-se à vontade — respondeu Annaluz, respirando fundo.— O que acha do Henry?— Eu acho que ele é teimoso, mas é um bom homem.— Digo, não apenas como um homem comum, mas como um companheiro para a vida. O que acha dele? Você seria capaz de se casar com ele?Annaluz engasgou com o suco que acabou de beber, tossindo levemente e arregalando os olhos.— Nossa, dona Isabel!... A senhora foi direto ao ponto e me deixou completamente sem graça agora! — murmurou ela, corando e pegando num guardanapo para se limpar.— Pode falar com total sinceridade, minha filha. Prometo que esta conversa não sai daqui, fica estritamente entre nós duas. Pode confiar em mim.Annaluz respir

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    Passadas algumas horas, Henry continuava na sala de estar, andando de um lado para o outro em passos curtos e compassados. O cérebro dele trabalhava em ritmo acelerado, girando em círculos infrutíferos enquanto tentava desesperadamente entender o que havia desencadeado aquela reação dela querer ir embora tão de repente.Ele revirava cada momento da noite anterior, cada palavra, cada gesto, tentando encontrar o erro, o deslize, o momento exato em que as coisas deram errado. “Será que fomos rápido demais?”“Será que eu disse alguma coisa errada durante o café da manhã na cama?”“Fiz algo que a assustou?”As perguntas batiam contra as paredes de sua mente. Por mais que revirasse a própria memória, tudo parecia ter sido perfeito. Doloroso e circular, o pensamento não levava a lugar nenhum.O silêncio denso da casa foi subitamente quebrado pelo toque estridente do seu celular, que repousava sobre a mesinha de centro. Respirando fundo para recompor a postura, ele pegou o aparelho e atendeu

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