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Capítulo 9: O Segredo Protegido

Author: M.R Silva
last update publish date: 2026-07-26 19:57:51

Ao chegar em casa, o estado de Ruby era de dar pena. Ela estava toda arranhada, com os longos cabelos vermelhos bagunçados e cheios de nós, e o rosto marcado pelas lágrimas e pelos galhos da floresta.

Os empregados, que já viviam assustados naquela casa por causa dos gritos de Kylen, ficaram em choque ao ver a menina daquele jeito. Sabiam que algo terrível tinha acontecido. Imediatamente, uma das funcionárias correu para chamar Scarlett.

Scarlett estava em seu ateliê, costurando mais um lindo vestido para a festa de 18 anos de Ruby. Por mais que tentasse ser realista, no fundo do seu coração ela ainda guardava a esperança de que a filha fosse uma verdadeira Luna e que tudo se resolveria.

— Dona Scarlett! — gritou a empregada, entrando apavorada. — A senhorita Ruby... ela chegou e está toda desfigurada!

Scarlett soltou o tecido caro no chão e saiu correndo do ateliê. Quando desceu as escadas e viu Ruby parada na entrada, com o uniforme da Academia Imperial rasgado e o corpo tremendo, ela levou as mãos à cabeça, sentindo o mundo girar.

O pior pensamento passou pela mente de Scarlett: o Supremo Gideon havia descoberto a verdade? Tinha descoberto que Ruby não era filha legítima deles?

Aproximando-se da filha com o coração na mão, Scarlett perguntou, com medo da resposta:

— Minha filha... foi o Supremo? O Gideon te encontrou?

Mas, antes que Ruby pudesse responder, Scarlett mudou de ideia. O mais provável era que os vizinhos e os outros moradores da cidade, com raiva pelo ocorrido no ritual, tivessem atacado a menina na rua.

— Quem fez isso com você? — perguntou Scarlett, com a voz embargada de fúria e dor. — Fala para sua mãe que eu vou lá resolver isso agora!

Em resposta, Ruby apenas desabou em lágrimas e correu para os braços da mãe, abraçando-a com todas as forças que lhe restavam. Ao verem a cena, os empregados rapidamente se retiraram do corredor para dar privacidade às duas. Antes que saíssem, Scarlett ordenou:

— Arrumem uma banheira para a Ruby, agora! Encham a banheira com água quente!

Enquanto os funcionários corriam para obedecer, Scarlett amparou a filha. Ruby já estava sem forças nas pernas de tanto tremer, esgotada pelo medo, pela corrida e por tudo o que tinha acontecido na floresta.

A mãe foi trazendo a menina devagar para dentro da casa. Scarlett precisava pensar, acalmar o próprio coração e descobrir o que tinha acontecido. Afinal, Ruby só tinha 13 anos; era muita informação e muito sofrimento para uma menina tão nova.

Ruby entrou na banheira, sentindo a água morna aliviar os machucados pelo corpo. Scarlett permaneceu ali ao lado, esperando por uma resposta que fizesse sentido. Quando a garota finalmente criou coragem para falar, contou apenas uma parte da verdade:

— Eu... eu estava tentando encontrar o Templo do Luar — sussurrou Ruby, sem olhar nos olhos da mãe. — Queria conversar com a Deusa Lua... ou pedir perdão. Mas acabei me perdendo na floresta.

Scarlett levou a mão ao rosto, soltando um suspiro pesado de frustração e alívio:

— Mas eu não falei para você não ir lá, minha filha? Por que você é tão teimosa? Por favor, Ruby, não me faça dar razão ao Kylen! Por que você não foi para a escola?

Ruby preferiu se calar. Ela não contou nada sobre os insultos e a água jogada pelos vizinhos nas ruas, não contou sobre o ataque dos lobos renegados e, muito menos, sobre o confronto com o lobo albino e o poder de cura. Era informação demais para a sua cabeça de treze anos processar de uma vez só. Ela apenas ficou quieta na banheira, tentando encaixar as peças daquele dia assustador enquanto ouvia o desabafo da mãe.

Vendo o silêncio da filha, Scarlett respirou fundo. Pela primeira vez, sua voz deixou de lado a ternura e assumiu um tom de cobrança firme, de uma mãe que precisava preparar a filha para o pior:

— A partir de amanhã, você vai para a escola todos os dias. E vai aprender a resolver os seus problemas de cabeça erguida, não importa o que aconteça, até o dia em que completar dezoito anos.

Scarlett se aproximou da banheira, olhou no fundo dos olhos de Ruby e continuou, com a voz forte e sem vacilar:

— Esse foi o combinado que eu fiz ontem com o seu pai, e é o combinado que estou fazendo com você agora. Para não ser banida, você vai precisar que um Alfa a aceite como Luna. Para que isso aconteça, você vai fazer exatamente tudo o que eu mandar daqui para frente. Esse vai ser o seu único dever nesta casa.

A mudança de uma voz suave para uma postura firme e furiosa não vem de maldade, mas do desespero puro. Scarlett está encurralada entre o medo de ver a filha ser banida por ser vista como uma humana sem poderes e o pavor de o casamento ruir com Kylen. Exigir força de Ruby é, no fundo, a única estratégia de sobrevivência que Scarlett conhece.

Após ouvir aquelas palavras duras, Ruby olhou para a mãe com os olhos arregalados e um pavor silencioso no peito. Pela primeira vez na vida, ela sentiu medo de Scarlett. Sua mãe sempre tinha sido o seu refúgio, a pessoa da voz doce, dos abraços carinhosos e da ternura sem fim. Ver Scarlett ali, em pé ao lado da banheira, olhando-a nos olhos com uma expressão séria e furiosa, era assustador.

Mas Ruby não sabia o peso que esmagava o coração da mãe. Scarlett engoliu o choro que apertava sua garganta e manteve o olhar firme para não fraquejar. Por dentro, ela estava em pânico. Tinha um medo mortal de que Ruby fosse realmente apenas uma humana, sem lobo e sem poder algum. Lembrava-se perfeitamente de como Kylen a havia colocado contra a parede na noite anterior.

Scarlett sabia que estava prestes a perder tudo: se Ruby não se tornasse uma Luna aceita por algum Alfa até os dezoito anos, ela perderia a filha para o exílio e veria seu casamento ruir de vez. Ela precisava desesperadamente acreditar em um milagre — ou, no mínimo, ganhar tempo para encontrar uma saída e planejar uma fuga para as duas.

— Você me entendeu, Ruby? — perguntou Scarlett, com a voz embargada, reprimindo uma lágrima.

Ruby, ainda assustada com aquela nova versão da mãe, apenas concordou em silêncio, afundando o corpo um pouco mais na água quente da banheira.

A partir daquele instante, o clima na mansão Silver havia mudado para sempre. A infância de Ruby tinha acabado ali.

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