Home / Romance / A MOCINHA E O EX-CHEFE DA FACÇÃO / Cap 4 "SENTENÇA DE MORTE"

Share

Cap 4 "SENTENÇA DE MORTE"

last update publish date: 2026-06-07 23:31:33

O sol começou a entrar implacável pelas frestas da cortina do quarto de luxo, desenhando linhas de luz pelo chão. Abri os olhos devagar, sentindo a minha cabeça latejar como se estivesse prestes a explodir — a conta por ter bebido além da conta na noite anterior tinha chegado. Meu corpo inteiro doía de um jeito novo, e a minha boca estava completamente seca.

Tentei me mover, mas senti um peso quente e firme sobre a minha cintura. O choque real veio quando virei o rosto para o lado. Ali, dormindo feito um anjo calmo — bem diferente do homem dominante e intenso da noite passada —, estava o asiático misterioso. A pele contrastava com os lençóis claros, e os cabelos pretos estavam totalmente bagunçados no travesseiro. Por um momento, eu o observei bem de perto, reparando em cada traço do seu rosto, e vi o quanto ele era lindo.

“Valeu a pena cada momento...”, pensei, sentindo um frio na barriga. “Mas eu acabei de assinar a minha sentença de morte.”

A realidade bateu com tudo. Eu tinha entregado a minha virgindade para um completo desconhecido na boate, a poucos dias do meu casamento forçado. E agora?

Prendendo a respiração, comecei a tirar o braço pesado do San-jin devagar de cima de mim. Ele se mexeu um pouco, mas continuou dormindo feito uma pedra. Saí da cama na ponta dos pés e coube a mim catar e vestir minhas roupas que estavam espalhadas pelo chão.

— Cadê o meu lençol? — murmurei para mim mesma, sussurrando bem baixinho enquanto procurava o tecido tradicional que eu usava.

Leia também: Como publicar no W*****d.

Finalmente o avistei, jogado bem em cima da cabeceira da cama. Dei um passo à frente e estiquei o braço para pegá-lo. Antes que meus dedos tocassem o tecido, uma mão firme e quente fechou-se ao redor do meu pulso. O San-jin segurou o meu braço.

— Achou mesmo que eu estava dormindo? — a voz dele soou grave, rouca pelo sono, me dando um susto enorme.

Eu olhei para éle, com o rosto queimando de vergonha, e desviei o olhar imediatamente, sem saber onde enfiar a cara. Sentindo a minha timidez, ele soltou o meu braço lentamente. San-jin permaneceu sentado na cama, apenas me observando colocar o resto das roupas rapidamente. O olhar dele estava fixo em cada movimento meu, compenetrado e indecifrável.

— Qual é o seu nome, por acaso? — San-jin perguntou, curioso.

Assim que terminei de ajustar o meu lençol pelo corpo, respirei fundo e olhei para ele uma última vez.

— Sou Alya — respondi, tentando manter a voz firme. — E nós nunca mais vamos nos ver. Mesmo se eu estiver viva.

Peguei a minha bolsa no chão com pressa e dei as costas, indo direto em direção à porta para sair daqueles aposentos. San-jin franziu o cenho, sem entender absolutamente nada do que eu quis dizer com aquelas palavras duras. Uma expressão de preocupação cruzou o rosto dele, e ele se inclinou para frente na cama.

— Você vai morrer? — ele questionou, a voz carregada de uma dúvida genuína.

Eu parei por um segundo com a mão na maçaneta. Sem olhar para trás, respondi:

— Talvez.

Abri a porta e saí direto para o corredor, batendo-a atrás de mim sem olhar para trás nenhuma vez. No quarto, San-jin permaneceu imóvel, encarando a porta de madeira, confuso e com o coração intrigado por aquela misteriosa garota que havia acabado de sumir de sua vida.

CIDADE DE TALEGAON DABHADE

A manhã havia chegado de vez, e a tensão entre Kiara e Asha só aumentava na vila. As duas caminhavam juntas, tentando disfarçar o pânico que estampava seus rostos.

— O que nós devemos fazer agora? — Kiara perguntou, nervosa e impaciente, andando de um lado para o outro. — Por que a Alya tomou essa decisão? O que deu na cabeça dela?

Asha segurou o braço da amiga, olhando firme nos olhos dela.

— Escute bem: nós não vamos abrir o bico. Mesmo se formos pressionadas pela família dela, vamos ficar caladas, ok? Ninguém pode saber.

De repente, as duas travaram. O senhor Girish Chandra estava caminhando pela vila, conversando seriamente com Tamasi. Kiara e Asha se encolheram rapidamente, escondendo-se atrás de uma estrutura para observar o movimento deles de longe.

— Meu Deus... eles devem estar procurando a gente para saber onde está a Alya — Kiara sussurrou, com o coração batendo na garganta.

Asha e Kiara saíram agachadas, esgueirando-se pelas sombras das paredes para que Tamasi não as visse de jeito nenhum. Elas correram em direção às portas da frente da vila para tentar encontrar a Alya. Mas, para o azar delas, o destino foi cruel: deram de cara com Ravan.

Ele cruzou os braços e abriu um sorriso debochado, medindo as duas de cima a baixo.

— Parece que as duas estão se escondendo de algo a essa hora da manhã, não é? — ele provocou.

Asha e Kiara se encolheram, segurando uma na mão da outra, completamente assustadas. O olhar de Ravan era puro veneno.

— Irmã... até você? — ele disse, cravando os olhos em Kiara. — Mas a pergunta que não quer calar é: cadê a Alya? O marido dela já está na vila esperando por ela. — Ele sorriu, vitorioso, sabendo do inferno que aquilo significava.

Asha olhou de lado para Kiara, sabendo o quanto a amiga tinha pavor do próprio irmão. Vendo que Kiara estava prestes a desabar, Asha tomou a frente e decidiu falar:

— Nós não sabemos! Você, como irmão dela, é quem deveria saber! — Asha disparou, tentando usar um tom firme e ameaçador para mascarar o medo.

Ravan mudou a expressão na hora. O deboche sumiu, dando lugar a uma fúria perigosa. Ele deu um passo à frente, encurtando a distância.

— Ela saiu com vocês ontem à noite! Me fala logo: cadê ela?! — ele deu um grito grave, com a voz carregada de ameaça.

Antes que elas pudessem responder, Ravan avançou e segurou o braço de Kiara com força. Sem o menor pudor, começou a arrastá-la em direção ao lugar onde Tamasi estava.

— Solta ela! Solta ela, você está machucando! — Asha foi atrás, desesperada, tentando puxar a amiga de volta, mas Ravan nem se importava.

Tamasi, Patel e o senhor Girish Chandra estavam tomando um chá na sala de casa, tentando manter as aparências. O clima era tenso, mas a megera tentava amenizar a situação.

— A Alya deve estar se arrumando, não se preocupem. Ela já deve descer — Tamasi comentou, tomando um gole do seu chá, tentando acalmar os homens.

De repente, o som de uma gritaria vinda do lado de fora cortou o silêncio da sala. A porta da frente foi empurrada com violência e Ravan entrou. Ele ainda segurava o braço de Kiara com força, enquanto Asha vinha logo atrás, tentando intervir de qualquer maneira. Todos na sala se levantaram imediatamente, olhando assustados para aquela cena lamentável.

— O que está acontecendo aqui? — Tamasi perguntou, franzindo o cenho.

— Elas não querem falar onde está a Alya! — Ravan disparou, jogando a acusação no ar com um sorriso maldoso. — Parece que ela não voltou para casa desde ontem à noite!

Tamasi cravou os olhos em Asha, que estava logo atrás de Ravan. A mulher deixou a sua xícara de chá de lado na mesma hora e marchou a passos firmes em direção às duas, com os olhos faiscando de puro ódio.

— Cadê a Alya? — Tamasi exigiu, a voz tremendo de raiva. — O que vocês fizeram com ela? Vocês planejaram a fuga dela para ela não se casar?!

Kiara, tremendo dos pés à cabeça, nervosa e com muito medo da reação da mãe, tentou gaguejar uma defesa:

— Mãe... não é nada disso! A Alya simplesmente desapareceu ontem à noite, nós não sabemos!

Tamasi ignorou a própria filha e apontou o dedo diretamente para Asha.

— Por isso eu não gosto de você, garota! E não gosto nem um pouco da sua família de merda! — Tamasi esbravejou, despejando todo o seu veneno. — O que você planejou? Vocês duas vão sofrer as consequências disso! Me diga com todas as palavras agora: CADÊ A ALYA?! — ela gritou, completamente descontrolada.

Ravan, assistindo ao espetáculo de camarote, deu um sorriso de deboche e cruzou os braços, adorando ver o circo pegar fogo. Asha engoliu em seco, mas se recusou a abrir a boca. Ela manteve a cabeça erguida, sustentando o olhar de puro ódio e desprezo para Tamasi.

Aquela audácia foi o estopim. Sem pensar duas vezes, Tamasi desferiu um tapa violento no rosto de Asha. O som do estalo ecoou pela sala inteira.

— Sua vaca! Me diz onde está a Alya! — berrou a mulher.

Kiara levou as mãos à boca, completamente assustadas e angustiada ao ver a amiga ser agredida daquele jeito dentro de sua própria casa. O rosto de Asha ardia e as lágrimas de raiva ameaavam cair, mas ela cerrou os punhos e permaneceu calada. Ela sabia perfeitamente que, se revidasse ou partisse para cima de Tamasi, todos os homens ali dentro bateriam nela sem dó. Ela estava encurralada pela lealdade à amiga.

De repente, a porta da sala se abriu novamente.

Eu passei pelo batente, encarando aquele caos generalizado. Meu semblante estava completamente sério, frio e distante.

Tamasi cravou os olhos em mim, e a sua ira pareceu triplicar instantaneamente. Ela deu alguns passos na minha direção, trêmula de ódio.

— Onde você estava?! — ela gritou, a voz ecoando pelas paredes. — Você dormiu fora da vila?! O seu noivo está aqui te esperando! Me diga agora: onde você estava?!

Eu a encarei de frente, sem demonstrar um único pingo de medo. Com uma calma cortante, respondi de forma simples:

— Eu estava com um homem

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A MOCINHA E O EX-CHEFE DA FACÇÃO   Cap 35 O PERVERTIDO NO CASAMENTO

    Ao me aproximar, o meu pai olhou para mim todo orgulhoso e abriu um sorriso largo para os vizinhos verem. Eu continuei séria, encarando-o com frieza. Ele podia fingir o quanto quisesse para a vizinhança, mas eu sabia a verdade. Eu nunca iria perdoá-lo O meu pai pegou na minha mão e a entregou para San-jin segurar. Eu não fazia a menor questão de que o meu pai me levasse até o altar, e a minha frieza deixava isso bem claro. ​San-jin olhou para mim de cima a baixo, percebendo o meu incômodo com o toque do meu pai. Ele segurou a minha mão com firmeza, e o calor dos seus dedos me fez recuperar o ar na mesma hora. Era como se ele estivesse me dizendo, sem precisar falar nada, que dali para frente eu estava segura com ele. ​Disfarcei o meu nervoso, sustentei o olhar dele e dei o passo definitivo para o altar, deixando o meu pai para trás onde ele realmente merecia ficar: no passado. ​O celebrante começou a falar, dando início à cerimônia, mas a voz dele parecia distante, como um som

  • A MOCINHA E O EX-CHEFE DA FACÇÃO   Cap 34 NOIVA DA VINGANÇA

    San-jin tinha acabado de descer das escadas do quarto com passos silenciosos. Tamasi e Kiara estavam na cozinha quando ele cruzou a porta. ​— Meu querido genro, venha! Eu preparei uma refeição especial para você e a Alya — disse Tamasi, com um sorriso largo. ​San-jin se aproximou friamente ​— Por que você me chama de genro se a Alya nem sua filha é? — rebateu San-jin. ​Kiara olhou para a cara da mãe com aquela expressão de "eu te avisei que não era para tratar ele assim". Tamasi, que estava arrumando o prato de comida, ficou completamente sem graça e tentou disfarçar: ​— É... é que já é hábito... Eu a considero como uma filha. ​San-jin olhou para ela, sabendo perfeitamente que tudo aquilo era falsidade. Enquanto isso, Kiara ficava parada, observando cada detalhe e expressão dele. ​"Esse cara nem parece humano, ele é tão estranho", pensou Kiara, desconfiada daquela frieza toda. ​— Eu vou levar um prato para a Alya — avisou San-jin. ​— Todos da vizinhança te elogiam! D

  • A MOCINHA E O EX-CHEFE DA FACÇÃO   Cap 33 FOGO NA PELE

    — Ainda acho que você vai roubar o marido da minha irmã.Asha nem piscou, fuzilando-o com os olhos:— Vai para a merda, Ravan!E saiu da presença dele antes que ele pudesse falar mais qualquer besteira Eu entrei em silêncio, e os olhos dele me acompanharam enquanto eu fechava a porta.— Ontem você quase contou todo o nosso segredo para o Kabir — ele disse, respirando fundo.Por dentro, entrei em pânico. Eu realmente não lembrava do que tinha falado com o Kabir. San-jin se aproximou, ficando bem perto do meu rosto:— Você se lembra de alguma coisa?Eu continuei de cabeça baixa, olhando para o chão para disfarçar o nervoso.— Eu só me lembro que você deu uma rasteira nele.San-jin deu um sorriso de canto.— Que bom que você lembrou dessa parte.Olhei para ele com raiva. Na cabeça dele aquilo por acaso era bom?— Olha só, eu me lembro muito bem da nossa briga antes de eu beber — confrontei. — Lembro perfeitamente do motivo.— Exatamente — San-jin concordou. — Você deveria ter sido mais

  • A MOCINHA E O EX-CHEFE DA FACÇÃO   Cap 32 O ALTAR DA VINGANÇA

    No restaurante de luxo Adabe, a mesa estava cheia dos pratos mais caros e sofisticados do cardápio, mas o comportamento ali não tinha elegância nenhuma. Ravan e meu pai estavam comendo igual a dois porcos, limpando os pratos com pressa e mastigando de boca cheia. Eles estavam completamente fanáticos pela comida do restaurante luxuoso, aproveitando que não eram eles que iam pagar a conta.San-jin observava os dois discretamente, segurando seu copo com total elegância. O plano de despachar os dois por um tempo estava dando certo. Ele limpou os lábios com o guardanapo de tecido, olhou para o relógio de pulso e se levantou.— Eu tenho que resolver algumas pendências — explicou San-jin, com a voz calma de sempre. — Posso deixar vocês aqui? Volto em quarenta minutos.Ravan, com a boca cheia de carne, olhou para o prato quase intacto do cunhado e franziu a testa, folgado:— Nossa, você come tão pouco! O que vai fazer de tão importante agora?San-jin manteve a expressão tranquila, usando sua

  • A MOCINHA E O EX-CHEFE DA FACÇÃO   Cap 31 A NOIVA DO MAFIOSO

    Chega, Ravan! Às vezes você passa dos limites, seu idiota! — Patel brigou logo em seguida, cortando o filho para tentar consertar a burrada, com medo de irritar o genro rico.San-jin piscou, relaxou os músculos do rosto e voltou a olhar para a estrada. Num piscar de olhos, aquela energia assustadora sumiu e ele voltou a usar a sua máscara de bom moço.— Está tudo bem — falou San-jin de um jeito amigável, fingindo que nada tinha acontecido para não levantar suspeitas.Ele continuou dirigindo calmamente em direção ao restaurante, enquanto os dois sanguessugas da minha família não tinham coragem nem de respirar alto ao lado dele.A atendente olhou para nós com atenção:— Quem é a noiva?Eu dei um passo à frente, sentindo o peso do olhar de falcão da Tamasi queimar minhas costas.— Sou eu — respondi.E, naquele momento, percebi que o teatro mais perigoso da minha vida estava apenas começando.— Temos vários tipos de modelos que vão ficar lindos em você — disse a atendente, educada.Tamasi

  • A MOCINHA E O EX-CHEFE DA FACÇÃO   Cap 30 MÁQUINA NA CAMA?

    No banco de trás, a Kiara encolheu os ombros, visivelmente sem graça ao ver a mãe agir de forma tão arrogante e sem noção. Ela olhou para mim pelo retrovisor com um pedido mudo de desculpas nos olhos.O motorista, que eu também havia contratado junto com o carro, apenas escutava aquela conversa estranha pelo retrovisor, mantendo a postura profissional enquanto o clima esquentava no banco de trás.Tamasi ajeitou o corpo no banco de couro, cruzou as pernas e disparou mais uma pergunta cheia de interesse e malícia:— E a lua de mel, onde vocês vão passar? Em Londres? Paris?Eu apertei os dentes. Estava ficando extremamente incomodada porque, obviamente, eu e o San-jin não tínhamos falado nada sobre isso. Para um casamento de fachada, uma viagem romântica internacional não era nem um pouco necessária. Eu mal conseguia olhar para ele sem lembrar do passado de mafioso, quem dirá planejar uma lua de mel!Percebendo o meu silêncio tenso, Kiara tentou intervir com a voz mansa:— Mãe, por favor

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status