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A Marca do Prazer Um Recomeço com o CEO
A Marca do Prazer Um Recomeço com o CEO
Author: Giulia Campos

Capítulo 1 A verdade inegável

Author: Giulia Campos
last update publish date: 2025-03-14 08:51:56

Samanta

Samanta Bastos é uma jovem publicitária de vinte e oito anos romântica e sonhadora, que desde criança sonhava com um casamento de princesa, uma família grande cercada de carinho; almoços de domingo recheados de risadas e feriados barulhentos e alegres.

No entanto, o silêncio que a recebia nesse momento ao entrar em casa, era a sua triste realidade.

Sam depositou as chaves do carro no aparador da sala e rumou para a cozinha em busca de uma garrafa de vinho. No caminho suas roupas sujas de terra ficaram largadas no chão.

O barulho da rolha saindo do gargalo da garrafa se propagou pela cozinha silenciosa. Ela levou a garrafa a boca e se sentou no chão somente de calcinha e sutiã.

Seus pensamentos bagunçados se alinharam em uma única pergunta. Como foi que chegou a esse ponto?

A lembrança ainda queimava dentro dela, tão vívida e cruel como se estivesse acontecendo novamente.

Flashback on

Com o rosto banhado de lágrimas, Samanta viu Alberto Darius, o homem que durante dois anos foi seu tudo, estava caminhando tranquilamente enquanto segurava uma corrente dourada que deslizava pelo pescoço de uma mulher loira de pele alva. A submissão nos olhos da desconhecida era quase religiosa, enquanto o seguia como um cão fiel.

Seu coração se contorceu numa dor que palavras não podiam descrever. As lembranças de cada momento, cada promessa vazia, cada sonho destruído, cortavam como navalhas em sua alma.

Alberto amarrou a mulher no suporte em forma de X, os fios dourados de seus cabelos caindo como uma cascata sobre sua pele clara com as costas nuas. A primeira chicotada cortou o silêncio e a pele da loira ao mesmo tempo. Um gemido suave preencheu o ar, mas para Samanta, foi como se o som ecoasse dentro de seu peito, rasgando o que restava dela.

— Então é isso que você quer? Uma boneca perfeita que obedece sem contestar? Alguém como ela é o que te faz sentir desejo?! Porque eu nunca fui suficiente para você?

— Você não deveria estar aqui. Esse lugar não é para alguém como você.

Alguém como você...

As palavras atingiram Samanta como um soco no estômago. A humilhação queimava sua pele como ácido. Seu mundo desmoronava, não apenas pelo homem que amava, mas pela brutalidade da verdade.

Flashback off.

O líquido descia doce por sua garganta, contrastando com o gosto amargo de sua boca.

A solidão sempre foi sua companheira indesejada, e mais uma vez sentia seu abraço frio. Sam sorriu tristemente, as palavras de Alberto ressoando novamente dentro dela.

Sam sempre soube que não era o bastante para ele, que não era bonita, atraente e bem sucedida o suficiente. Os olhares das pessoas quando saiam juntos como um casal, o escrutínio aberto durante as conversas com os amigos e contatos deles; a forma como a julgavam só pela cor de sua pele.

Todos aqueles gestos com os quais teve que lidar, só acontecia porque ela era negra e sem nenhum sobrenome importante, e o seu namorado era branco, com um sobrenome que o precedia. O homem que ela amava loucamente era rico, poderoso e influente; tudo o que as pessoas achavam que ela não merecia ter.

Para completar esse quadro deprimente, Alberto Darius mantinha o título de playboy mais cobiçado do país. Loiro de olhos verdes iridescentes, uma pele clara com um bronzeado cor de mel, músculos esculpidos em pedra; ele era o sonho e o desejo da maior parte das mulheres deste país.

Ou seja, ele era o homem ideal para todas as mulheres, mas ela não era adequada para ele, e só de sair em público com ela era o suficiente para causar desconfortos por onde passavam.

Sam olhou para a tela do celular que voltou a vibrar. Era Joaquim, seu pai, seu herói.

Respirou fundo e atendeu a chamada no viva-voz.

- Oi paizinho.

- Já estava ficando preocupado, filha. Por que não atendeu o dia todo?

- Foi um dia cheio. Está tarde, vai descansar pai.

- Quero saber como você está de verdade, Samanta. – a voz tensa de seu pai tinha motivo. Ele era seu confidente, sabia que ela foi traída.

- Ainda não consigo aceitar que eu fui tão tola desse jeito, pai.

- Eu te disse que esse homem não era para você, filha. Ele não vai conseguir te dar valor, você sempre vai se sentir inferior ao lado desse rapaz. As pessoas vão te ridicularizar por ser quem é, por ambicionar ficar com um alguém como ele.

- Mas eu... eu o amo pai.. eu o amo como se minha vida dependesse da presença dele.

- Samanta, eu já te disse o que acontece quando uma pessoa com poder decide olhar para um de nós. A prova disso é a minha história com a aquela mulher que te deu a luz.

- Não me lembre disso pai, eu não quero pensar nela.

- Então esqueça esse rapaz, Samanta. Ele não é para você.

- Estou tentando pai... eu juro que estou...

A ligação foi encerrada e ela levou a garrafa aos lábios, e bebeu mais um pouco de vinho. O amortecimento de suas emoções estava demorando essa noite.

Talvez seja porque pela primeira vez ele disse uma verdade abertamente. A triste verdade que ela tanto tentou sufocar.

Que ela, Samanta Bastos, não passava de um relacionamento cômodo para afastar parte do assédio que cercava Alberto.

Durante mais de dois anos ela amou esse homem com paixão e devoção, se dedicando totalmente ao relacionamento que tinham, sem se importar com as críticas, com o jeito que alguns não disfarçavam a insatisfação pela presença dela nas festas e jantares.

Alberto nunca foi doce, sensível e romântico; na verdade ele era o oposto de tudo isso.

Mas ela se deixou levar pelos seus sentimentos, e pela ilusão da família perfeita que ele lhe deu. Entretanto, há alguns dias ela recebeu um convite da Masmorra Diè, no cartão havia uma única frase. “Descubra quem o seu namorado é de verdade.”

O mundo perfeito que ela lutava com unhas e dentes para construir, se desmanchou diante de seus olhos naquela noite.

Alberto escondia não só uma outra vida, mas uma outra personalidade e também uma amante. Uma submissa. Era assim que elas eram chamadas.

Samanta se levantou lentamente, se apoiando no balcão. Caminhou para o seu quarto tropeçando nos próprios pés.

Não importava.

Nada mais importava. Ser abandonada e trocada por outra pessoa melhor não era novidade para ela. Alberto só foi mais rápido em deixar claro que ela não era a mulher certa para ele, provando que tudo o que diziam sobre ela não ser digna dele, era verdade.

Na primeira vez que passou por isso, só foi abandonada por seu ex-noivo quando ficou defeituosa, quebrada e inútil para o propósito da outra pessoa.

Quanto tempo iria demorar dessa vez para essa dor diminuir? Por quanto tempo seu coração ia sangrar e ela iria se incomodar com a solidão e o vazio devastador?

Se jogou na cama chorando desconsoladamente. Seu pai tinha razão, ela nunca devia ter insistido nisso.

A garrafa caiu no chão se estilhaçando em vários fragmentos. Suas lágrimas molharam o travesseiro.

Quem poderia ficar alguém como ela, que nem mesmo a própria mãe foi capaz de amar?

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Comments (2)
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Ilia
Quero votar ao livro que estava lendo e não consigo
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Dentistaline
o sobrenome da Samanta era outro, não?
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