LOGIN***Yara Yuri***
Não estou ficando doida, eu tenho certeza que o vi na rua e infelizmente não é a primeira vez, mas está ficando cada vez mais espaçado depois que esse galinha se mudou. Ele ter cuidado de mim foi uma grande surpresa, me senti segura quando o vi no topo da escada, mas não vou admitir isso a ele nunca e nem a ninguém.
Já tive algumas consultas depois do ocorrido e não toco do assunto, nem do desmaio, muito menos de ter visto ele. Afinal, agora que estou apenas com um médico, não quero voltar a viver rodeada por eles, já basta o tempo que vivi naquele inferno, o que eu puder fazer para nunca mais retornar para lá eu faço, inclusive esconder esses acontecimentos e como me deixaram em pânico.
Essa semana evitei o vizinho de todas as formas, pois ele ficou me vigiando por alguns dias e agora finalmente se cansou e me deixou em paz, porém aquele cachorro sabe sempre quando estou saindo, nunca pensei que iria gostar dele, mas ele se mostrou tão cuidadoso que cheguei a cogitar que ele também é um animal de assistência emocional.
Hoje acordei cedo com barulhos altos vindo do apartamento do meu querido galinha, digo vizinho, ele fez o maior barulho ontem à noite até madrugada e logo cedo novamente, esse infeliz não dorme? Me levanto ainda de pijama e vou bater na sua porta, poxa… custa ter um pouco de consideração?
— Você não acha que está muito desarrumada? — uma mulher apenas de lingerie que abre a porta, mostrando que lá dentro o barulho está muito maior.
— Chama ele — a minha voz é fria, mas ela começa a gargalhar — AGORA.
— O que está acontecendo? — o galinha aparece na porta após ouvir o meu grito, bom saber que se gritar ele aparece, precisei fingir uma tosse para esconder o meu sorriso que teimava em crescer ao ver a cara da mulher revoltada por ele ter vindo tão rápido.
— Já não basta o barulho da madrugada, precisa começar já as sete da manhã? — afasto todo pensamento para conseguir manter a minha postura de durona.
— Na verdade, nem terminamos a de ontem — a sua voz está carregada de malícia enquanto o seu olhar percorre o meu corpo por estar apenas de camisola, não que ela seja sensual ou coisa do tipo, mas ainda, sim, marcava o meu corpo e infelizmente não me liguei nesse detalhe.
— Aishh… — dou um tapa em sua testa, o fazendo parar de me olhar para reclamar da dor enquanto massageia a sua testa — Respeite as regras de uma boa convivência e do prédio, posso ter deixado passar ontem à noite, mas isso não vai mais acontecer.
— Está se achando muito… — ele nem teve tempo de me responder.
Afinal escutamos um rosnado e vejo o pitbull vir correndo até mim com uma coleira, era a primeira vez que o vejo dessa forma e isso realmente me incomodou. Faço um carinho em sua cabeça e quando vou entrar em casa ele vem junto, mas é parado pelo seu dono que o puxa pela coleira com um pouco de força.
— Nem ele quer participar dessa sua festinha? — estava segurando a minha risada ao perceber o seu desespero em tentar segurar o cachorro, já que ele estava sendo arrastado pelo cachorro e vindo na minha direção.
— Na verdade, ele vem rosnando para todas — não consigo evitar o meu olhar de surpresa tanto por ele me responder como pela resposta, o seu tom de voz e até mesmo o seu olhar deixou claro que nem ele sabia o motivo de ter me respondido.
— Isso mesmo, morde todas e ele também — falo baixo e segurando a risada, mas ao observar o cachorro se levantar para atacar e o galinha segura mais forte a coleira me olhando em completo espanto, agora fiz questão de não esconder o meu sorriso.
— Não era você que o chamava de monstro? — mesmo fazendo força o segurando, ele tentava de todas as formas segurar um sorriso que crescia em teimosia nos seus lábios.
— Sim, mas ele é um monstro bonzinho — faço carinho na cabeça do pitbull já que ele veio até as minhas pernas mesmo sendo puxado para a direção oposta e entro fechando a porta em seguida, deixando os dois se virarem já que ele voltou a rosnar mais alto para dentro do apartamento.
Não demorou muito escuto alguns gritos de medo ecoar do apartamento da frente, seguido da porta batendo, isso me fez gargalhar ali na sala, sei que não deveria, mas foi mais forte, sem contar que foi gratificante saber que finalmente vou ter silêncio por algumas horas. Como não conseguiria voltar a dormir, adiantei as atividades da faculdade, pois o meu psicólogo pediu urgência no término do semestre.
Mas a minha mente vez ou outra me levava a relembrar os acontecimentos anteriores, na verdade, em um certo sorriso que teimava em não sair da minha mente. Para me forçar a me concentrar, me lembrei da última consulta e também do pedido para finalizar a faculdade.
Ele não me adiantou o motivo, mas tenho a esperança que seja a respeito daquela vaga de emprego que ele irá me indicar. Apenas de lembrar sobre a vaga, a empresa e ter a minha vida de volta fico mais animada em terminar logo todos os trabalhos.
Essa empolgação me fez sorrir todo o tempo, fazia muito tempo que não me sentia assim. Nem mesmo aquelas atividades chatas e exigentes estavam tirando o sorriso do meu rosto.
Fico perdida no tempo, ao ponto de não ver nem o horário do almoço já passou a muito tempo, saio da minha bolha apenas quando a Chisai subiu no meu colo e mordendo levemente a minha mão.
— O que foi meu amor? — escuto ela resmungar e olhar para porta — Certo vamos dar uma volta.
Me troco de forma rápida pegando a primeira roupa que vejo e acompanhada por Chisai vou até a janela, travo no lugar olhando para fora e vejo que já está começando escurecer, sinto Chisai morder o meu pé me trazendo para a realidade novamente.
— Vamos ficar por aqui, tudo bem? Eu ainda não consigo sair na rua.
Vejo a Chisai ir para a porta em forma de resposta e um sorriso cresce no meu rosto, ainda não consigo entender como podem ter devolvido ela. O seu temperamento não era muito dócil, isso tenho coincidência, mas para ser um assistente ela não deve ser melosa e sim atenta.
Perdida nos meus pensamentos nem percebo que já chegamos ao jardim que fica entre os prédios, ele era simples e estava sempre vazio. Deixo Chisai solta ali enquanto me sento curtindo os últimos raios de sol que pegavam em cheio no banco.
Me assusto com alguns gritos que a cada segundo vão ficando mais perto, mas logo a Chisai já está nos meus pés. Me levanto já me preparando para sair correndo, no entanto, a cena a minha frente era a melhor.
Vejo o síndico brigando com o galinha do meu vizinho, ele parecia muito nervoso e deve ter recebido inúmeras reclamações da festinha à noite, mas ao ver ele apontando para o meu monstrinho querido, o meu sangue ferve.
— Pegando um sol, meu querido? — me aproximo sem nem olhar para os dois enquanto vejo ele vir com a cabeça contra a minha mão para receber o carinho, já não conseguia mais segurar o sorriso por achar muito fofo o jeito dele de se aproximar de mim.
— Yara — a voz do síndico era tremula, ele estava apavorado em me ver perto do pitbull — Você está você?
— Estou melhor, obrigada por perguntar — o respondo sorrindo por ver ele bagunçar a frase toda vez que ele estava nervoso ou com medo, mas não direciono o meu olhar para o vizinho galinha, mas consegui sentir o seu olhar em mim — Já vamos subir.
— Yara — o síndico me chama enquanto estou recolhendo a minha mão — Não… ele… medo…
— Ahhh não, quer dizer no começo, sim, mas agora acho que nos entendemos não é? — sorrio fazendo um pouco do carinho, mas como a Chisai começou a se mexer no meu colo, me aproveitei para deixar os dois terminarem de se resolver.
Faço mais um carinho no meu monstrinho e saio sem nem olhar para trás, já chegando à escada não consigo segurar a risada, afinal até a Chisai estava majestosa no meu colo.
— Acho que as festinhas terminaram Chisai — ela olha para mim pendendo a sua cabecinha para o lado — Vamos ter sossego por alguns dias.
O passeio me fez muito bem, tanto que até a fome voltei a sentir. Coloco a comida da Chisai e vou direto para o banheiro tomar um banho. Preciso aproveitar o silêncio e o sossego que vou ter por alguns dias.
Quando já estava terminando de comer escutei o meu vizinho reclamar alguma coisa, como a minha curiosidade é maior, me aproximei da porta para tentar ouvir enquanto ele entrava.
— Você não precisa de focinheira, não queria admitir, mas a rabugenta aí nos salvou — acabei fazendo uma careta pelo rabugenta, mas deixei passar já que o meu monstrinho não está mais em apuros.
Não estou esperando um agradecimento dele, mas também não vou me esquecer disso futuramente. Acho bom ele andar na linha, ou então eu mesmo faço as denúncias ao síndico.
Se você chegou até aqui… então, no fundo, já entendeu que essa nunca foi uma história sobre amores simples.Porque existem relações que passam pela nossa vida como uma brisa leve, quase esquecíveis.Existem outras que chegam silenciosamente, ocupam espaço, mudam quem somos e nos obrigam a enxergar partes de nós que talvez preferíssemos manter escondidas. E existem aquelas raras relações que deixam marcas permanentes. Cicatrizes invisíveis. Memórias que continuam respirando dentro da gente mesmo quando tudo parece ter acabado.Essa história nasceu exatamente desse lugar.Do caos emocional que existe entre desejo e destruição.Entre amor e obsessão.Entre aquilo que salva… e aquilo que consome.O universo Império Schutz não foi criado para ser confortável. Ele foi criado para provocar. Para mexer com sentimentos contraditórios. Para fazer você amar personagens em um capítulo… e depois questionar profundamente no próximo. Porque pessoas reais são assim. Relações reais são assim.
***Lucca Schutz***Voltei com força total após a minha conversa com a Yara, já sabia que tinha o seu amor para mim, mas agora eu tenho certeza que ela ainda me ama e mesmo com esse Oliver na jogada, ainda sim, não corro perigo.Pedi uma pesquisa sobre quem ele era e descobri que ele sempre na época de colégio e na faculdade era muito pior que eu, seja em briga como com as garotas, precisei escutar que ele tinha mais experiência e pelo jeito muito mais pegada que eu.Tenha amigos… Se espera que eles vão te ajudar, bom eles me ajudaram mas também acabaram com a minha autoestima, de qualquer forma agora sei que as credenciais dele é muito melhor do que poderia esperar.Quando finalmente consegui traçar um comportamento do Brendon consegui entender que ele estava morando em Curitiba, bem na hora que comemorei a Alice entrou na minha sala
***Lucca Schutz***Perdi a cabeça completamente quando descobri que a minha nanica fez tudo o que fez, apenas com medo de que aquele idiota pudesse nos atacar, mas tenho que concordar com ela que ele poderia mesmo fazer isso e no lugar dela teria feito o mesmo.A minha mãe teve pesadelos horríveis e por diversas vezes acordava chorando e gritando que queria a sua menina de volta, ela havia realmente partido, ou então a minha mãe não ficaria assim.Mas ela não foi a única que sentiu, o Treu choramingava e caiu doente, ninguém conseguiu encontrar o que ele tinha, mas eu sabia que isso era o seu coração partido, não teve um dia que ele não ia, onde a Chisai ficava com ele e também chorava com a cabeça na cama do mesmo lado que a Yara dormia.Em alguns momentos cheguei a comentar que se a Yara estivesse com ele certa
***Yara Yuri***Desci as escadas com tanta raiva que se encontrasse com o Flirt agora eu juro que dava uma surra nele, ao chegar no andar de baixo não encontrei nem ele e nem a Sara, olho para fora e encontro apenas a Sara recebendo uma entrega na sua casa.Mesmo ficando aqui ela não para nenhum momento, o que sinceramente admiro muito e até mesmo agradeço, pois também consigo me manter trabalhando e claro manter a empresa em ordem.Mas a pessoa que eu quero não está ali, eu vou acabar com a raça daquele cretino que é o meu cunhado, se ele não está aqui em casa só pode ter corrido para a casa do Ralf.Vou todos os dias conversar com o Ralf e conferir como ele está e também acompanhar a sua melhora. A enfermeiras que estão com ele são uns amores, competentes e até exigentes com o Ralf.Como te
***Yara Yuri***As compras com a Sara começaram naquele mesmo dia e pela primeira vez eles aceitaram ficar conosco, o Oliver no começo me pareceu incomodado, mas isso foi passando assim que ele percebeu que tanto a Sara como o Klaus o tratam com respeito, carinho e principalmente não invalidam o nosso namoro.Após alguns dias apenas o Klaus voltou para Foz e a meu pedido a Sara ligou para o Brendon que no segundo toque atendeu todo preocupado comigo, ele vem evitando as minhas ligações e até mesmo as minhas mensagens para não ter rastros do meu local.— Então o tio babão está correndo das suas mulheres preferidas?— Yara… Espera como assim? É uma menina?— Sim, Brendon e você tem algumas horas para voltar ou vou deixar a Sara pintar o seu apartamento todo de rosa e como um toque final vo
***Yara Yuri***O Oliver passou o resto da semana me perguntando o que tanto eu conversei com o seu irmão, mas em todas às vezes apenas desconversei, não quero que ele pense que estou com ele apenas por pena ou algo assim.Sei bem como essa sensação pode acabar conosco e ele mesmo já me afirmou diversas vezes que está ao meu lado porque ele quer, então não vejo motivos de trazer essa insegurança para ele.Naquele mesmo dia ele refez todos os exames, não deu tudo normal, mas estava dentro do aceitável, então ele não conseguiu me segurar na cama com um repouso absoluto. Porém, não exagerei nos meus movimentos, os mantendo sempre mais lentos e claro procuro ficar o mais confortável possível.— Oli… — a minha voz era apenas um sussurro e sinceramente não sei como ele con







