LOGINUma noite para salvar a vida do irmão. Uma eternidade presa ao homem mais perigoso da cidade. Pressionada por uma dívida de hospital esmagadora de duzentos mil dólares para salvar seu irmãozinho, Maya não vê outra saída a não ser aceitar uma proposta desesperada: cadastrar-se no Velvet, um aplicativo ultra-secreto frequentado pela elite mais sombria do país. Acreditando estar vendendo sua virgindade por apenas oito horas, ela publica seu perfil em busca do valor mínimo. Mas ela não esperava chamar a atenção de Dominic Vance — o implacável e temido chefe do submundo, um homem acostumado a obter tudo o que deseja. Com um lance milionário de dois milhões de dólares, Dominic encerra o leilão e liquida a dívida de Maya em questão de minutos. O alívio de Maya, no entanto, dura pouco. Na manhã seguinte, ao tentar ir embora, ela descobre a verdade cruel: levada pelo desespero, ela não leu as letras miúdas do contrato. Maya não vendeu uma noite. Ela vendeu sua liberdade, sua custódia e sua vida por tempo indeterminado. Agora, presa na fortaleza de um homem frio, possessivo e moralmente cinzento, Maya precisa aprender a sobreviver no perigoso jogo de poder de Dominic. O que ela não sabe é que Dominic não a escolheu por acaso — e que a linha entre o ódio mortal e uma paixão avassaladora pode ser a armadilha mais perigosa de todas. Um Dark Romance intenso, repleto de segredos, perigo e um amor que nasce no meio do caos.
View MoreO cheiro acre de antisséptico e remédio concentrado sempre me causou náuseas, mas por volta das seis da tarde, ele parecia impregnar até a minha garganta. A luz alaranjada do crepúsculo invadia a pequena janela do quarto número 304, projetando sombras longas sobre os aparelhos médicos que apitavam em um ritmo contínuo.
Deitada na cama estreita estava a única razão pela qual eu ainda me mantinha de pé: meu irmão mais novo, Léo. Com apenas sete anos, seu corpo franzino parecia engolido pelas cobertas brancas do hospital. Ele lutava contra uma forma agressiva e rara de leucemia que, nos últimos três meses, devorara não apenas sua energia e o brilho dos seus olhos castanhos, mas também todas as minhas economias e qualquer resquício de sanidade que me restava.
Desde que nossos pais morreram em um acidente de carro há dois anos, assumi a guarda de Léo. Eu tinha vinte e dois anos, dois empregos exaustivos — um como garçonete em um restaurante movimentado no centro e outro cobrindo turnos da madrugada como atendente em uma farmácia 24 horas — e um sonho interrompido de me formar em Literatura. Nada disso importava mais. Eu trocara meus livros por contas de hospital e minhas horas de sono por idas de emergência ao pronto-socorro.
Apertei o papel amassado contra o peito. Era o boletim de transferência. A medicação de última geração que mantinha o quadro de Léo estável não era coberta pelo sistema público. Se eu não efetuasse o pagamento da cota de tratamento experimental até o meio-dia do dia seguinte, ele seria transferido para uma enfermaria superlotada. O próprio oncologista já havia me alertado, sem meias-palavras, que uma infecção simples naquele estado seria fatal para o sistema imunológico dele. O valor cobrado pela clínica privada era de duzentos mil dólares.
Eu havia vendido meu carro caindo aos pedaços, as alianças de casamento que minha mãe me deixara e até a televisão da nossa sala. O saldo na minha conta bancária era de trinta e quatro dólares.
Meu celular sobre a mesa de cabeceira vibrou, quebrando o silêncio pesado do quarto. Ajustei a manta sobre o peito de Léo, que dormia um sono pesado induzido por sedativos, e peguei o aparelho.
A tela exibia uma mensagem de Chloe.
Chloe fora minha colega de quarto no primeiro ano da faculdade. Na época, ela era uma garota tímida que dividia miojo comigo e chorava por causa das contas atrasadas. Porém, seis meses atrás, Chloe trancou o curso sem dar explicações e desapareceu. Quando reapareceu nas redes sociais, sua vida parecia uma alucinação: fotos em iates na Costa Amalfitana, bolsas de grife que custavam o equivalente a anos do meu salário e jantares em restaurantes com estrelas Michelin. Quando perguntei como sua vida mudara tão radicalmente, ela apenas riu e disse que havia encontrado o "patrocinador certo".
“Maya, eu vi o seu post pedindo doações no arrecadador online”, dizia a mensagem de Chloe, acompanhada por um link criptografado que não parecia com nenhum endereço da web comum. “Sei que você é orgulhosa e sempre quis fazer tudo da forma correta, mas você me disse que faria qualquer coisa para salvar o Léo. Qualquer coisa.”
Meus dedos congelaram sobre a tela.
“Esse link é para um aplicativo exclusivo chamado Velvet”, continuou Chloe em uma segunda mensagem. “Ele não está na App Store. É um clube privado para a elite global — homens com mais dinheiro do que bom senso, que pagam quantias absurdas por discrição, beleza e, acima de tudo, pureza. Há um leilão de virgindade acontecendo hoje à noite. Uma noite, Maya. Oito horas da sua vida com um homem rico em troca da vida do seu irmão. Você vende uma noite, resolve sua vida para sempre e nunca mais precisa ver a cara dele. Pense nisso.”
Uma onda de repulsa subiu pelo meu estômago. Vender o meu corpo? Vender a minha virgindade para um estranho qualquer por dinheiro? A ideia parecia grotesca, vil, humilhante. Eu sempre fora a garota responsável, a que tirava notas altas, a que acreditava no amor romântico e na dignidade do trabalho duro.
Mas o trabalho duro não estava salvando o meu irmão. O trabalho duro estava matando Léo aos poucos.
Olhei para a cama. O rosto pálido do meu irmãozinho parecia quase translúcido sob a luz fraca do quarto. Léo costumava desenhar super-heróis em cadernos velhos e me dizer que, quando crescesse, compraria uma casa gigante para nós dois. Ele não teria a chance de crescer se eu continuasse a apegar-me a princípios que não pagavam as contas de um hospital.
Engoli o orgulho que queimava na minha garganta. O orgulho era um luxo que os pobres não podiam se dar.
Com a mão trêmula, toquei no link enviado por Chloe.
A tela do meu telefone apagou por dois segundos antes de ser preenchida por um fundo preto profundo com um logotipo dourado e elegante: VELVET. A interface não parecia nada com os aplicativos de relacionamento comuns. Não havia fotos públicas, biografias engraçadas ou curtidas casuais. Tudo exalava um luxo frio, intimidador e altamente sigiloso.
Para entrar, o aplicativo exigiu um código de convite de uso único, que Chloe havia incluído na mensagem. Assim que digitei a senha, fui direcionada para o processo de cadastro de 'Provedora'.
O formulário era minucioso. Pediu meus dados pessoais, confirmação de idade com envio de documento, histórico médico detalhado e uma verificação facial biometricamente escaneada em tempo real. Minhas mãos tremiam tanto que o sistema rejeitou a leitura do meu rosto duas vezes. Na terceira tentativa, forcei uma respiração funda, segurei o choro e deixei que a câmera capturasse a minha imagem.
Em seguida, o aplicativo abriu a página de configuração da transação.
Havia abas específicas para diferentes tipos de serviços: Acompanhamento de Luxo, Viagens Internacionais, Encontro Privativo (8 horas) e uma aba em tom vermelho-escuro, quase preto, com os dizeres: Transação Definitiva de Posse.
Parei o polegar sobre a tela. Transação Definitiva de Posse? Que tipo de jargão extravagante e pretensioso era aquele? Deduzi que fosse apenas a linguagem pomposa que a elite usava para descrever a compra de um leilão exclusivo, garantindo que nenhum outro cliente pudesse interferir durante o período contratado. Rolei a tela rapidamente, passando por parágrafos imensos de termos contratuais em fonte miúda. O texto estava recheado de termos em inglês e expressões jurídicas sobre "exclusividade", "transferência de custódia" e "renúncia de pleitos".
Eu não tinha paciência nem clareza mental para ler cláusulas de um aplicativo de acompanhantes. Chloe tinha sido explícita: era um leilão por uma noite. Oito horas.
Marquei a caixa "Declaro que li e concordo com os termos de serviço" e fui para a tela de definição de valor. Digitei a quantia mínima necessária: US$ 250.000. O suficiente para quitar o hospital de Léo e garantir os remédios do pós-operatório.
O aplicativo pediu uma foto de perfil imediata. Olhei no espelho do banheiro do quarto do hospital. Meus olhos castanhos estavam fundos pelas noites em claro, os cabelos cacheados presos em um coque frouxo e a pele pálida. Tirei a foto ali mesmo, sob a luz fluorescente e cruel do banheiro. Eu parecia exatamente o que era: uma mulher desesperada à beira do abismo.
Pressionei o botão dourado no centro da tela: PUBLICAR LEILÃO.
Um cronômetro regressivo de 24 horas surgiu na tela, piscando suavemente.
Apoiei as costas contra a porta do banheiro e me deixei escorregar até o chão frio de azulejos, escondendo o rosto entre os joelhos. O choro reprimido finalmente erupcionou em soluços silenciosos. Eu havia acabado de colocar um preço na minha própria dignidade. Mas quando pensei em Léo sorrindo novamente, correndo pelos corredores sem os tubos de soro presos ao braço, a culpa se transformou em uma determinação fria. Eu faria aquilo. Suportaria qualquer homem velho, nojento ou arrogante por oito horas se isso significasse a vida do meu irmão.
O celular em cima da pia começou a vibrar freneticamente.
Levantei-me num pulo, limpando as lágrimas com as costas da mão. Não fazia nem três minutos que o anúncio fora publicado.
Ao abrir o Velvet, vi o painel principal piscar em tons de vermelho e dourado, emitindo um som suave e metálico.
NOVO LANCE RECEBIDO. Usuário: D.V. Valor do Lance: $ 250.000
Meu coração deu um salto violento contra o peito. Alguém cobrira o valor mínimo instantaneamente! Mas antes que minha mente conseguisse processar a informação, a tela atualizou novamente, os números subindo em uma velocidade insana.
NOVO LANCE RECEBIDO. Usuário: D.V. Valor do Lance: $ 500.000
NOVO LANCE RECEBIDO. Usuário: D.V. Valor do Lance: $ 1.000.000
Arfei, cobrindo a boca com as duas mãos. O usuário "D.V." não estava apenas cobrindo o valor; ele estava cobrindo os próprios lances, escalando a quantia de forma agressiva e dominante, como se estivesse marcando território e expulsando qualquer outro potencial comprador antes mesmo que pudessem tentar.
A tela do aplicativo piscou e travou por três segundos inteiros antes de exibir um aviso em letras garrafais douradas:
LEILÃO ENCERRADO. COMPRA EFETUADA VIA LANCE DE ARREMATE IMEDIATO. Comprador: D.V. Valor Final: US$ 2.000.000 (Dois Milhões de Dólares) Status: Transferência Efetuada e Custodiada.
Dois milhões de dólares.
Eu pisquei várias vezes, sem conseguir acreditar no que meus olhos viam. Segundos depois, uma notificação do meu aplicativo bancário surgiu no topo da tela: Sua conta recebeu uma transferência no valor de US$ 2.000.000,00 via Velvet Escrow.
O valor era tão absurdo que parecia irreal. O tratamento do meu irmão não apenas estava pago, mas nós nunca mais passaríamos fome na vida.
Antes que o choque se dissipasse, o Velvet redirecionou a interface para uma aba de b**e-papo privado com o comprador. A foto de perfil de 'D.V.' não mostrava um rosto, apenas um brasão elegante gravado com a figura de um leão em prata sobre fundo negro.
A primeira mensagem dele surgiu na tela:
D.V.: O dinheiro já está disponível na sua conta. Dirija-se à recepção do hospital em dez minutos. Há um carro preto com vidros fumê esperando por você na entrada principal. Meu motorista a trará até mim.
Meus dedos tremeram brutalmente sobre o teclado.
Maya: Obrigada. Eu só vou resolver aqui. Estarei aí em cinco minutos. Onde exatamente vamos nos encontrar?
A resposta dele demorou apenas alguns segundos para aparecer.
D.V.: No meu domínio. Não se atrase, Maya.
Um calafrio percorrer minha espinha. Ele sabia quem eu era. Mas naquele momento, anestesiada pelo alívio de ter salvo Léo, ignorei o aviso que meu instinto tentava me dar.
Corri até a administração do hospital, apresentei o comprovante bancário e assinei a autorização para que o procedimento experimental de Léo fosse iniciado imediatamente. O oncologista, surpreso com a rapidez do pagamento, garantiu que cuidaria pessoalmente do meu irmão durante toda a noite.
Ajoelhei-me ao lado da cama de Léo, beijei sua testa quente e sussurrei em seu ouvido: — Vai ficar tudo bem agora, meu amor. A mana resolveu tudo.
Com o coração na mão, saí do quarto e caminhei em direção às portas de vidro da recepção.
A noite já havia caído sobre a cidade. O ar frio daquela noite úmida atingiu meu rosto assim que pisei no passeio. Estacionado bem em frente à entrada principal, ocupando a vaga de emergência com uma impunidade absoluta, estava um sedan de luxo preto reluzente.
No segundo em que me aproximei, a porta traseira foi aberta por um homem alto, de terno escuro impecável e postura militar, que me encarou em silêncio antes de fazer um gesto contido para que eu entrasse.
Respirei fundo, ajustei o casaco surrado sobre os ombros e entrei no veículo. O cheiro de couro novo e perfume caro tomou conta dos meus sentidos enquanto a porta se fechava com um baque surdo, isolando completamente o barulho do mundo exterior.
O carro arrancou em silêncio pela avenida iluminada, cortando a noite em direção à zona mais exclusiva e misteriosa da cidade. Eu estava a caminho de encontrar o homem que pagara dois milhões de dólares pela minha virgindade — sem imaginar que, ao cruzar a porta do seu mundo, eu jamais teria permissão para voltar.
O final da tarde passou em um ritmo tranquilo e silencioso. Conforme Dominic prometera durante o almoço, Marta bateu à porta do meu quarto por volta das dezessete horas, acompanhada por duas funcionárias que traziam capas de proteção com três opções de vestidos de alta-costura, além de caixas aveludadas com joias discretas e sapatos de salto alto. Escolhi um modelo em tom azul-noite, confeccionado em seda fluida, com um decote sutil em V e alças finas que contornavam minhas costas. O corte era elegante, sóbrio e perfeito para a ocasião: sem exageros ostensivos, mas com uma presença inquestionável. Prendi os cabelos em um coque elegante, deixando apenas duas mechas suaves emoldurando o rosto, e apliquei uma maquiagem leve que destacava meus olhos. Quando olhei no espelho em tamanho real antes de descer, mal reconheci a imagem refletida. A garota assustada e exausta que chorava pelos corredores do hospital parecia ter sido substituída por uma mulher serena, dona de seus gestos e a
A mão de Dominic continuou firme na minha cintura, os dedos cravando-se com uma pressão quente contra o tecido da minha blusa. O toque dos seus lábios no meu pescoço era lento, quase doloroso de tão denso, subindo devagar pela minha pele até o contorno da minha saboneteira.Fiquei completamente sem jeito. Minha respiração falhou, o copo de água na minha mão direita pareceu pesar uma tonelada e meus ombros se tencionaram de imediato. A proximidade excessiva do seu corpo, o aroma amadeirado do seu perfume e o calor sufocante que emanava dele pareciam paralisa os meus sentidos, criando uma paralisia confusa no meu peito.Percebendo a minha rigidez, Dominic afastou o rosto do meu pescoço devagar. Sua mão livre subiu do meu quadril até o meu rosto, os dedos compridos e firmes envolvendo o meu maxilar com uma autoridade calculada, forçando o meu queixo para cima até que eu fosse obrigada a olhar diretamente no fundo dos seus olhos azuis-acinzentados.— Não desvie o olhar, Maya — ordenou ele
A sexta-feira passou em um ritmo arrastado, marcada pelo silêncio dos corredores e pela expectativa que consumia meus pensamentos. Cada segundo parecia uma eternidade enquanto eu contava as horas para a manhã de sábado. A mansão Vance, em sua imponência fria, tornara-se o cenário de uma espera angustiante, onde minha única âncora de sanidade era a promessa de Dominic.Quando o sol de sábado finalmente despontou no horizonte, cobrindo o céu de tons acinzentados e alaranjados, eu já estava de pé. Vesti uma calça de alfaiataria em tom azul-marinho e uma blusa de seda branca de mangas compridas, simples e sóbria, exatamente como ele exigia. No espelho do quarto, os sinais de cansaço ainda permaneciam em meus olhos, mas havia também uma chama renovada de determinação.A porta do quarto destravou às sete e meia da manhã. Ao cruzar o batente, encontrei Dominic no corredor, vestindo um terno cinza-chumbo sob medida. Ele não disse uma palavra de início; apenas me avaliou da cabeça aos pés co
Os dias seguintes não trouxeram reviravoltas dramáticas, mas sim uma mudança lenta, quase imperceptível, na textura do meu confinamento. O tempo parecia ter desacelerado, escorrendo como mel espesso. A ordem de Dominic para que eu deixasse o isolamento do quarto não significava liberdade, mas sim a transição para uma cela maior, cujas grades agora abarcavam a rotina silenciosa da prisã... obs, da mansão.Minhas manhãs começavam cedo. O sol mal surgia no horizonte quando a porta do quarto era destravada sem o alarde dos dias anteriores. Gabriel já não ficava de pé no corredor com a mão no coldre; em vez disso, ele permanecia posicionado no final do corredor do segundo andar, lendo relatórios em um tablet ou conversando em voz baixa ao rádio.Conforme prometido por Dominic, o acesso aos jardins dos fundos fora liberado, desde que eu mantivesse o trajeto restrito à área da piscina e ao pequeno orquidário de vidro nos limites do gramado.Caminhei pelo gramado úmido de orvalho por volta da


















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