LOGIN— Eu posso te chamar só de Sarah? — Perguntou a Sra. Souza.— Claro que sim, senhora Souza. — Respondeu ela, sorrindo com simpatia.Luana deu alguns passos para o lado de Sarah e brincou com a mãe:— Mãe, foi graças a mim que esses dois ficaram juntos, viu? Essa nora linda foi escolha minha, a senhora gostou?Com as bochechas coradas, Sarah deu uma leve cotovelada na amiga, tímida. Vinícius soltou uma risada baixa ao ouvir o comentário:— Não foi bem você que juntou a gente, Luana.— Como assim não fui eu? — Questionou ela, olhando desconfiada para a amiga ao lado.Sarah desviou o olhar com o rosto ainda mais vermelho.— O maior apoiador que mandava presentes nas transmissões dela era eu. — Revelou Vinícius com naturalidade.— Você? — Luana arregalou os olhos, surpresa. Ela desconfiara de meio mundo na internet, menos do próprio irmão.Vinícius cruzou os braços com ar vitorioso.— Por pouco você não descobriu antes, mas no fim deu tudo certo.— Que bonito, hein, Vinícius! Escondeu o jo
Dois dias depois, a senhora Souza finalmente despertou. Não foi aquele abrir de olhos automático e vazio de antes, mas um despertar lúcido e consciente. Ela fitou o teto do quarto por um longo instante antes de virar a cabeça devagar e fixar o olhar em Danilo e no filho, que estavam parados ao lado do leito, visivelmente surpresa.— Gisele, você acordou. — Disse Danilo com a voz embargada, segurando a mão da esposa com todo o cuidado do mundo. — Você se lembra de mim e do Vinícius?A senhora Souza piscou devagar e esboçou um leve sorriso nos lábios.— Danilo, por que você está tão velho?Ele estacou, com o coração apertado. Na época em que tinham se conhecido, era exatamente assim que ela costumava chamá-lo. Sem conseguir segurar a emoção diante dos filhos, Danilo engoliu o choro e respondeu:— É verdade... com as crianças desse tamanho, eu não ia continuar jovem pra sempre.— Nossos filhos... — Murmurou ela, voltando a atenção para os traços marcantes de Vinícius. — Como você cresceu,
A expressão de Ricardo era compenetrada, demonstrando que não havia espaço para gracejos naquele instante. Ele inclinou o tronco e tocou os lábios com suavidade na têmpora úmida da esposa.— Eu cumpro o que digo. Você já passou por um sofrimento grande demais hoje, Luana, e eu não vou deixar você passar por esse pesadelo uma segunda vez.Como a evolução do parto normal estava se mostrando exaustiva e Luana tinha pavor de dores prolongadas, a equipe médica optou por realizar uma cesariana.Cerca de uma hora e meia depois, o choro firme das recém-nascidas tomou conta da sala de cirurgia. Do lado de fora, no corredor, Ricardo sentiu um arrepio percorrer o corpo inteiro e estacou no lugar ao ouvir os primeiros sons de vida das crianças. Naquele instante, todo o peso que apertava o seu peito se desfez, e as lágrimas embaçaram o seu olhar. Aquele choro vigoroso atravessou as portas pesadas do centro cirúrgico e derrubou a última barreira de controle que ele ainda tentava manter.Sarah também
Apesar da dor dilacerante, Luana sabia que a cirurgia da mãe estava na reta final e procurou manter o autocontrole: "Preciso aguentar firme só mais um pouco."No entanto, bem no momento em que estendia a gaze hemostática para o cirurgião, sentiu um fluxo quente escorrer pelas pernas, acompanhado por um aperto súbito e violento no baixo ventre.A enfermeira percebeu a alteração na mesma hora. Ao olhar para o chão e notar o líquido, arregalou os olhos e aproximou-se com rapidez, falando baixinho junto ao ouvido dela:— Doutora Luana, a sua bolsa acabou de estourar! A senhora precisa parar agora mesmo, eu vou chamar alguém para assumir a sua posição.Ao ouvir o aviso, o doutor Frederico franziu a testa, consciente de que não podia perder o foco daquela etapa tão delicada. Ele suspendeu o movimento das mãos por um segundo e deu a ordem para a equipe:— Liguem agora para o bloco obstétrico e peçam para virem buscá-la! Doutora Luana, deixe o resto com a gente e vá tranquila para a sala de pa
A Sra. Souza estava sentada no leito, com o olhar perdido no vazio, alheia a tudo ao redor. Ao lado da cama, Danilo passava a escova pelas mechas da esposa com extrema delicadeza, temendo puxar qualquer fio ou causar o menor incômodo. Havia uma ternura comovente em cada movimento daquele homem.A claridade da manhã entrava pela fresta da cortina e iluminava os fios prateados da paciente, mas não conseguia acender qualquer centelha de vida naqueles olhos vidrados. Parecia uma boneca de porcelana sem alma, incapaz de reagir à voz do marido ou ao toque carinhoso das mãos dele, apenas se deixando cuidar de forma passiva.Do outro lado do vidro, Luana sentiu um aperto doloroso no peito. Engoliu a angústia, respirou fundo para recuperar a postura e bateu de leve na porta antes de entrar.— Olha só quem chegou. — Disse Danilo, erguendo o rosto com um sorriso afetuoso. Ele se inclinou perto do ouvido da esposa. — A nossa menina veio ver você de novo, meu bem.A Sra. Souza não esboçou qualquer
Por pouco Luana não engasgou com o chá ao ouvir o que a amiga dizia, surpresa com tamanha franqueza. Liliane nunca era de meias palavras.Depois de quase meia hora de conversa descontraída, a porta da frente se abriu e Ricardo entrou na sala. Liliane se levantou na hora, abrindo um sorriso simpático para cumprimentá-lo.— Ricardo!Ele mal olhou para ela. Seus olhos passaram direto por Liliane e pousaram em Luana. Caminhou até a esposa e, com um gesto natural e protetor, pegou o copo vazio da mão dela, apoiando-o na mesinha de centro.— Você não ia tirar uma soneca à tarde? — Perguntou ele, com uma voz calma e aveludada. — Acordaram você?Luana abriu a boca para responder, mas Liliane se adiantou, indignada:— O que você está insinuando, Ricardo? Eu não acordei ninguém, viu? Você implica comigo de graça! Ela puxou Luana de leve pelo braço, buscando apoio. — Luana, olha como ele me trata!— Se você quer dengar para conseguir atenção, vá procurar o Valentino. — Retrucou Ricardo, sem a m







