LOGIN— Preciso encontrar joias que combinem com o meu vestido para hoje à noite — Ruth dizia enquanto conferíamos as vitrines das lojas de luxo.Após o café da manhã, decidimos dar uma volta.— Você já organizou as suas coisas?A pergunta me surpreendeu.— Eu sempre deixo tudo para a última hora — ela riu. — Sou péssima com isso.— Organizar as minhas coisas? — Questionei, confusa.Ruth parou de andar e eu fiz o mesmo.Entreolhamo-nos.— Para o evento no Cala di Volpe — falou em tom de obviedade. — Esqueceu?Franzi o cenho, perdidíssima.— Não acredito que vocês não irão! — Ruth suspirou. — Vamos, Irina, vai ser divertido! A lua de mel não acontece somente no quarto!— Eu... Eu não... Não sei — ri fraco. — Brent é quem decide essas questões.Ela revirou os olhos e pressionou os lábios em descontentamento.— Brent e a sua natureza controladora — chacoalhou a cabeça negativamente. — Faça uma revolução na cabeça desse homem, ele precisa aprender a viver de verdade.Isso reverberou na minha me
Eram oito horas da noite, horário local. Ao redor da mesa, Brent e Morgana repassavam as principais informações que ela registrou durante o evento de hoje à tarde. Não paravam de falar. As vozes dos dois se misturavam às dos clientes do restaurante, porém, ao contrário de Turner e Jones, essas pessoas se divertiam.Após a minha conversa difícil com Brent na marina, ele decidiu que iríamos embora. Não nos despedimos de ninguém, simplesmente entramos no carro e voltamos para casa. O motorista ainda precisou retornar para buscar Morgana, já que ela não estava conosco e Brent Turner não espera ninguém.Dentro da residência, não nos vimos até o momento de sair para jantar. — Ele pretende entrar em contato na próxima semana — a senhorita Jones disse. — Parecia muito interessado.Ela usava um conjunto fabuloso de joias, estava resplandecente.Quem nos visse de longe, certamente pensaria que Morgana é a esposa de Brent.Eu estava tão apagada – física e emocionalmente – que ninguém me notaria
Para tornar toda a situação ainda mais esquisita e constrangedora, a sua vestimenta estava mais adequada para o evento do que a minha. Eu usava o mesmo modelo de vestido da noite anterior, porém na cor branca.Mais uma vez, foi o melhor que consegui encontrar.Naquelas malas havia apenas roupas pretas, brancas, cinza e marrom. Além disso, os modelos das peças eram antiquíssimos e nada apropriados para o clima mediterrâneo. Eu me sentia inadequada.— A senhorita Jones nos acompanhará para registrar informações importantes — Brent comunicou com a maior naturalidade do mundo.Quem leva a assistente para um evento no meio da lua de mel?Isso não levantaria suspeitas?— Brent — falei baixo. — O seu pai não vai...— Não — cortou-me. — Vamos entrar.Foi o que fizemos.O iate era gigantesco, extremamente luxuoso e confortável. Parecia uma casa, como isso é possível? Observei cada pedacinho, maravilhada com a decoração. Eu me sentia minúscula naquele lugar.Morgana nos acompanhava mantendo a d
Saímos para jantar em um clima bastante desagradável. Eu evitava olhar e falar com Brent enquanto ele parecia reflexivo. Não sei se já estamos sendo observados, mas simplesmente não consigo fingir nada.Não hoje.Não agora.— Não acredito! — Uma voz masculina bem ao nosso lado me assustou. — Brent Turner?Olhei para o homem sorridente.Era jovem, moreno, tão alto quanto Brent, porém menos musculoso. Ao seu lado estava uma mulher esguia, cabelos lisos e ruivos e um sorriso gentil.— Carl Simons — Turner disse enquanto ficava de pé. — Pensei que você estava na Suíça.Os dois se abraçaram.Surpreendi-me com o gesto íntimo.Brent é alguém tão fechado que um ato tão simples como esse me espanta.— E estava, mas resolvi passar por aqui quando descobri que tenho boas chances de negócios — riu. — Você sabe que não perco nada.— Como tem que ser — Brent sorriu minimamente.Uau...Ele sorriu?Aquilo foi mesmo um sorriso?— Como vai, Ruth? — Turner cumprimentou a mulher com um abraço rápido. — Q
O jantar foi iniciado no horário habitual e o silêncio nos acompanhou durante toda a refeição.Eu podia sentir o olhar intenso de Brent pesar sobre mim, mas não tive forças para encará-lo. Ele não falou nada comigo, limitou-se a comer e a elogiar a chef pelo preparo de hoje.Quando nos trancamos no quarto, Turner disse que eu deveria estar pronta às sete da manhã e se recolheu no closet.Não o vi mais.Após escovar os dentes e me preparar para dormir, rolei na cama por horas antes de finalmente conseguir me entregar ao sono. [...]Despertei às cinco e meia e estava indo na direção do banheiro quando me deparei com Brent saindo do closet, vestido para a sua corrida matinal.— Já acordou? — Ele perguntou, claramente surpreso.— Sim — fui breve.— Muito bom — a sua voz se tornou mais grave, séria. — Assim não teremos aborrecimentos com os seus atrasos.Turner passou pela minha frente e deixou o quarto em po
Após a conversa com Brent, decidi visitar os meus pais para informá-los sobre a viagem e para pegar alguns pertences que ficaram na casa e que eu sentia falta no meu dia a dia.Fui recebida com um abraço caloroso da minha mãe e um abraço rápido do meu pai, que estava profundamente abatido por ainda não ter notícias concretas sobre o paradeiro de Beatrice.— A única informação relevante que temos é de que ela pode estar no Canadá — ele contou. — A pior parte é que os desgraçados que a levaram não entraram contato conosco, não pediram dinheiro, nada — respirou fundo. — O que querem com a minha filha? Por que a sequestraram?O silêncio preencheu a sala de estar.— Isso é muito estranho — falei. — De fato.— A polícia vai começar a operação amanhã pela manhã e eu espero que as pistas estejam corretas e que levem até Beatrice — o meu pai, aflito, continuou. A sua voz saía embargada pela preocupação. — É a nossa maior chance.— Eles irão encontrá-la — segurei a sua mão e a apertei em forma







