LOGINAntonella Taranto sempre soube que seu destino estava selado por uma promessa feita antes mesmo de ela entender o mundo. Herdeira de um império do agronegócio, ela cresceu sabendo que seu futuro pertencia a um casamento arranjado. Mas, ao descobrir a fama de libertino e perigosamente arrogante do seu noivo, Antonella toma a única decisão possível: fugir momentos antes do primeiro encontro. Longe de tudo e escondida na serra, ela só não contava com uma coisa: a obstinação do homem que deixou para trás. Dante Pussent é o poderoso CEO da Pussent International Holdings. Acostumado a ter o mundo aos seus pés, ele aceitou o matrimônio por honra ao pai, esperando apenas uma esposa dócil que não atrapalhasse sua liberdade. Em vez disso, recebeu a maior afronta da sua vida: uma noiva fugitiva que o fez parecer um tolo diante das duas famílias. Determinado a não ser rejeitado por ninguém, Dante usa todo o seu poder para rastreá-la. Mas, quando finalmente fica frente a frente com Antonella, encontra uma mulher forte, deslumbrante e disposta a enfrentar cada um dos seus mandos e desmandos. Em um jogo de provocação, orgulho ferido e uma atração avassaladora que nenhum dos dois consegue sufocar, Dante e Antonella descobrem que a linha entre o ódio e o desejo é perigosamente tênue. Ele quer provar que sempre consegue o que deseja. Ela está disposta a destruir o acordo para manter sua liberdade. Até onde esse confronto de egos poderá ir antes que o coração fale mais alto?
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Eu já estava perdendo a paciência. Havia quinze minutos que esperava por Antonella Taranto na sala de estar da mansão de sua família. Meu olhar alternava entre o topo da escadaria e o Rolex no meu pulso. Onde diabos ela está? Que garota! Já começou desperdiçando meu tempo. Levantei-me, ajeitei o terno cinza Armani e me aproximei do retrato pendurado no centro da sala. A mulher da pintura parecia uma princesa de conto de fadas. Vestia um elegante vestido pêssego, tinha longos cabelos negros e olhos castanho-mel que pareciam atravessar a tela. Um crucifixo repousava entre seus seios, e seus lábios delicados formavam um sorriso capaz de hipnotizar qualquer homem. Senti uma estranha onda de desejo. Droga! O que há de errado comigo? Afastei-me da pintura, irritado com minha própria reação. Aquela imagem não passava de uma farsa. Antonella Taranto era conhecida por ser uma socialite mimada, inconsequente e acostumada a conseguir tudo o que queria. Herdeira de Lorenzo Taranto, um dos maiores empresários do agronegócio brasileiro, jamais precisara se preocupar com as consequências de suas escolhas. E agora seria minha esposa. Eu não queria me casar. Aos vinte e sete anos, estava no auge da minha vida de solteiro. Gostava de viajar, conhecer mulheres diferentes e manter minha liberdade. Não pretendia trocar tudo isso por uma esposa e uma vida doméstica. Mas meu pai, Augusto Pussent, tinha outros planos. Sete anos antes, quando eu ainda estudava Administração de Empresas em Harvard, ele me apresentara uma fotografia de Antonella. Na época, ela tinha quinze anos, usava uniforme escolar e sorria mostrando o aparelho nos dentes. Era bonita, mas ainda uma criança. Meu pai explicou que Lorenzo era seu amigo de infância. Os dois haviam crescido juntos, enfrentado dificuldades e protegido um ao outro. Lorenzo, inclusive, salvara sua vida durante um incêndio. A amizade entre eles era tão profunda que se consideravam irmãos. Agora, desejavam unir suas fortunas por meio do casamento dos filhos. — Fala sério, pai! Você enlouqueceu? Casamento arranjado não existe mais. Augusto não se abalou. — Dei minha palavra ao Lorenzo. Valentina não pode ter outro filho por causa do problema cardíaco. Antonella é a única herdeira, e eles precisam de um homem de confiança para ajudá-la a administrar os negócios. Encostei o ombro na parede e enfiei as mãos nos bolsos da calça jeans. — Eu não sou mais criança. Não pode simplesmente decidir com quem vou me casar. Ainda tenho sonhos, estudos para concluir e negócios para expandir. Não quero me prender a uma garota mimada que provavelmente será um pé no saco. — Ela ainda é jovem. Vai amadurecer. Revirei os olhos. — Diga ao Lorenzo que não vou me casar com a filha dele. Nunca. Meu pai não insistiu naquele dia. Concordou que eu deveria terminar meus estudos e aproveitar a vida de solteiro, mas deixou claro que aquela conversa não havia terminado. E não terminou mesmo. Depois de me formar em Harvard, comecei a trabalhar nos negócios da família. A Pussent International Holdings administrava uma rede global de hotéis, cassinos e resorts à beira-mar. Eu cuidava das operações internacionais, viajava constantemente e negociava com empresários, magnatas e até membros da realeza. Aos vinte e sete anos, assumi o cargo de CEO e transformei a empresa em um império ainda mais lucrativo. Minha vida era exatamente como eu queria: dinheiro, poder, liberdade e mulheres. Nunca acreditei no amor. Meus relacionamentos duravam dias ou semanas, raramente um mês. Eu me cansava das mulheres com a mesma facilidade com que trocava de camisa. Para mim, o amor era apenas uma palavra usada para disfarçar a luxúria. Talvez a mulher certa ainda nem tenha nascido. Ou pertença a outra dimensão. Casamento, por outro lado, era uma prisão. Eu sabia que um dia precisaria de um herdeiro para a fortuna dos Pussent, mas pretendia escolher minha própria esposa. Uma mulher deslumbrante, sofisticada, de boa família e, acima de tudo, submissa. Antonella não se encaixava nos meus critérios. Quando meu pai voltou a tocar no assunto, mostrou-me uma fotografia recente dela. Quase não reconheci a garota de uniforme escolar. Aos vinte e dois anos, Antonella havia se transformado em uma mulher impressionante. Usava um vestido vermelho que destacava suas curvas, saltos dourados e os longos cabelos negros caindo até a cintura. Seus lábios formavam um sorriso provocante, e seus olhos castanho-mel pareciam convidar qualquer homem a se aproximar. Fiquei encarando a fotografia por tempo demais. Malditos lábios! A atração me irritou profundamente. De jeito nenhum! Ela é uma festeira desenfreada. Provavelmente tem uma vida sexual tão agitada quanto a minha. Não suporto mulheres promíscuas. Mesmo assim, meu pai insistia no casamento. — Então se case com ela você mesmo — provoquei, sentado atrás da minha escrivaninha de mogno, em meu escritório em Nova York. — O senhor está sozinho desde que mamãe morreu. Augusto suspirou. — Não envolva sua mãe nisso. Essa união é sobre você e Antonella. — Já disse que não quero me casar. Amo minha vida. Não estou pronto para trocar minha liberdade por uma esposa resmungona e fraldas de bebê. — Chega, Dante! Os Pussent são homens de honra. Cumprimos nossas promessas. Você vai se casar com Antonella, e eu vou garantir que isso aconteça. Discutimos durante uma semana. No fim, cedi. — Tudo bem. Eu me casarei com ela. Sei que o senhor acredita que essa união será boa para nossa família. Irei ao Brasil e pedirei a mão dela. Meu pai ficou satisfeito. — Você não vai se arrepender. Ligarei para Lorenzo e organizaremos a viagem. Desliguei o telefone e caminhei até a janela do escritório. Os arranha-céus de Nova York se erguiam diante de mim, mas meus pensamentos estavam no Brasil. Em Antonella Taranto. Agora, na mansão de sua família, terminei meu uísque e voltei a olhar para o relógio. Eu estava inquieto, embora não entendesse o motivo. Nunca me sentia nervoso diante de uma negociação, muito menos de uma mulher. Meu pai conversava animadamente com Lorenzo e Valentina Taranto, enquanto os três celebravam a união que estava prestes a acontecer. Lorenzo percebeu minha impaciência. — Valentina, Antonella ainda não desceu. Peça a uma empregada que a apresse. Valentina levantou-se do sofá vitoriano vermelho e dourado. Seu vestido de cetim acompanhou seus passos enquanto ela seguia em direção à escadaria. — Vou buscá-la. Aproveitei para pegar outro uísque no minibar. Minhas mãos tremiam levemente, e aquilo me deixou ainda mais irritado. O que há de errado comigo? Ela é apenas uma mulher. E nem faz meu tipo. Eu estava acostumado a comandar, negociar e enfrentar qualquer situação sem demonstrar fraqueza. Mas, naquele momento, conhecer Antonella pessoalmente parecia mais assustador do que qualquer reunião de negócios. De repente, ouvi Valentina gritar do alto da escadaria: — Lorenzo! Lorenzo! Meu futuro sogro levantou-se imediatamente. — O que aconteceu? — Ela sumiu! Antonella não está no quarto! Lorenzo subiu as escadas às pressas. Fiquei parado, tentando entender o que acabara de ouvir. Antonella Taranto fugiu? Eu achava que ela estava louca para se casar comigo! Senti um estranho alívio, seguido por uma irritação que não consegui explicar. Era como se, de alguma maneira absurda, eu tivesse sido rejeitado. Meu pai apenas me olhou e deu de ombros. O silêncio tomou conta da sala. Alguns minutos depois, Lorenzo voltou. Seu rosto estava sombrio, e seus ombros pareciam pesar mais do que antes. — Me desculpem, Augusto e Dante. Antonella não está no quarto. Ela fugiu. Encarei novamente o retrato. A mulher que eu havia prometido desposar acabara de desaparecer. E, pela primeira vez na vida, eu não sabia o que fazer.ANTONELLA TARANTO— Sinto tanto a sua falta, meu amor. Não consigo parar de pensar em você. Minha vida perdeu completamente o sentido desde que nos afastamos. Parece que estou morrendo um pouco a cada dia. Eu te amo, Antonella. Por favor, me perdoe. Dê-me outra chance. Estou implorando.Fechei os olhos e apertei a ponte do nariz, tentando reunir a paciência que aquela ligação estava consumindo.Ah, por favor! Que discurso mais patético.— Ian, estou seguindo em frente. Será que você pode respeitar isso e parar de me ligar?Minha voz saiu mais ríspida do que eu pretendia, mas já havia passado da hora de colocar um ponto-final naquela história. Eu não queria ouvir promessas, justificativas ou declarações de amor de um homem que havia destruído minha confiança. A lembrança da traição ainda me incomodava, embora já não provocasse a mesma dor de antes. Aos poucos, eu estava recuperando minha tranquilidade, reconstruindo minha autoestima e aprendendo a viver sem esperar uma explicação que t
ANTONELLA TARANTO— Antonella! Antonella!A voz parecia vir de muito longe, mas o tremor que sacudia meu corpo era assustadoramente real.Meu Deus! Por favor, faça isso parar!— Droga, Antonella! Acorde!Senti alguém sacudir meus ombros com certa impaciência. Abri os olhos de repente, puxando o ar com força. Meu coração parecia querer saltar pela boca, e levei alguns segundos para compreender onde estava.Sentei-me imediatamente, olhando ao redor, completamente desorientada. Meu rosto devia estar tão pálido quanto o de um fantasma.— O que aconteceu? Onde estamos?Dante fechou o notebook e me encarou, preocupado.— Ainda estamos no avião. Está tudo bem com você? Você estava se debatendo enquanto dormia. Tentei acordá-la, mas demorou um pouco para reagir.— Meu Deus...Um soluço escapou da minha garganta. As imagens do pesadelo ainda estavam vivas na minha cabeça: o avião despencando, as máscaras de oxigênio, a explosão... Tudo parecia tão real!Sem pensar duas vezes, passei os braços
Antonella TarantoEu estava sentada no jato particular dos Pussent, tomando champanhe ao lado de Augusto Pussent, pai de Dante. Ele havia me buscado em casa algumas horas antes. Almoçara com a minha família, conversara sobre negócios e relembrara os velhos tempos com meu pai, Lorenzo. Durante todo o encontro, garantira aos meus pais que eu estaria em boas mãos e receberia a melhor formação em gestão empresarial.Eu apenas escutava. A conversa me fazia sentir como uma criança incapaz de cuidar de si mesma. Aos vinte e dois anos, já era adulta, formada e perfeitamente capaz de tomar minhas próprias decisões. Ainda assim, meus pais continuavam a me tratar como se eu pudesse me perder no primeiro passo que desse sozinha.Estávamos no avião havia quase uma hora quando Dante apareceu. Trazia um portátil na mão e falava ao telefone. Cumprimentou o pai e a mim com um breve aceno antes de se acomodar na poltrona à nossa frente. Usava jeans azul desbotado, camisa branca e um casaco preto. A com
DANTE PUSSENT Dois dias depois, meu pai ligou com uma notícia que eu não esperava. — Antonella voltou para casa ontem. Lorenzo ainda estava furioso, mas, por causa do problema cardíaco da esposa, decidiu perdoá-la. Segurei o telefone entre o ombro e o queixo enquanto tirava a camisa na suíte presidencial do nosso hotel, no Rio de Janeiro. — E agora? Vamos esquecer esse acordo de casamento? — Lorenzo não voltou a insistir no assunto. Antonella é completamente contra essa união e ainda não entende o quanto ela é importante para nós. Tem apenas vinte e dois anos e acabou de se formar em Gestão. Concordamos que é melhor dar um tempo para que amadureça. — Por mim, tudo bem. Não tenho pressa. Estou aproveitando minha vida — respondi, tentando parecer indiferente. A verdade era que aqueles dois dias tinham sido uma tortura. Eu também não queria me casar, mas a rejeição de Antonella havia mexido comigo de uma maneira absurda. Seu perfume, sua voz, o jeito como me enfrentava... Tudo con






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