INICIAR SESIÓNCheguei depois do almoço, sem ter comido nada. Só o café da manhã ainda rodando no estômago vazio. Pedi ajuda para uma das meninas da copa. Precisava finalizar uma tarefa urgente antes que meu chefe voltasse.
Mas ele voltou.E eu sabia que precisaria conversar com ele sobre o atraso.Tentei me levantar para ir até a sala dele, mas uma tontura me atingiu em cheio. Minhas pernas fraquejaram. Ainda de pé, agarrei o copo com o resto do café frio e engoli de uma vez, na tentativa de reEle me virou com cuidado, segurando meu rosto. Seus olhos encontraram os meus. E ali… eu me perdi. — Não faz isso com você… — ele disse, firme, mas cheio de carinho. Balancei a cabeça, deixando mais lágrimas caírem. — Eu coloquei ele em risco, Henri… — Não. — ele interrompeu na mesma hora. — Se eu não tivesse voltado— — Para. — a voz dele veio mais firme. Ele segurou meu rosto com mais intensidade. — Olha pra mim. Obedeci. Mesmo com os olhos marejados. — A culpa não é sua. — Mas— tentei falar... — Não é sua! — repetiu, sem deixar espaço para dúvida. O silêncio se instalou por um segundo. Pesado. — O erro é dele… — Henri continuou, com a voz carregada de raiva controlada. — E eu não vou deixar isso passar. Fechei os olhos, encostando minha testa na dele. — Eu fiquei com tanto medo…
O impacto foi direto. Preciso. Ele gemeu, dobrando o corpo. Antes que pudesse reagir, puxei sua cabeça com tudo… fazendo seu rosto encontrar meu joelho. O som seco ecoou. Ele caiu no chão, desorientado. Sangue. Me agachei lentamente, olhando dentro dos olhos dele. — Isso… — falei, fria — é só um aviso. Me aproximei um pouco mais. — E se for esperto… vai ficar bem longe. Ou eu vou atingir exatamente onde dói pra você. Me levantei, sem pressa. Segurei a mão de Henrique e entrei na casa, tentando conter a raiva que ainda fervia dentro de mim. — Henri… — falei, firme — eu quero que você abra um processo contra ele. Olhei diretamente para ele. — Com medida restritiva. Respirei fundo. — E aquilo que conversamos antes da sua viagem… pode iniciar. Minha voz saiu baixa… mas carregada de decisão. — Eu quer
Ficar longe do Henri foi difícil…Por mais que eu soubesse que logo ele estaria de volta, a saudade parecia não respeitar o tempo. Então me agarrei ao que podia: me dediquei de corpo e alma a organizar a nossa casa, a construir, nos detalhes, o início da nossa nova vida.A chegada dele… foi perfeita.Bento estava radiante, transbordando alegria, e eu… eu ainda nem tinha conseguido matar toda a saudade que carregava no peito. Mas só de estarmos juntos novamente… já era o suficiente para aquecer meu coração.Depois da ida à escola… depois do encontro com a Cecília… tudo mudou.O medo veio.Não pela verdade em si… mas pelo risco de expor o meu filho.E isso… eu não permitiria.Henri tentou me acalmar, como sempre faz. E, a cada dia que passa, tenho ainda mais certeza de que tirei a sorte grande por tê-lo na minha vida.O simples fato dele tomar a frente, de assumir o Bento como filho… de lutar por ele… é mais do que eu jamais poderia pedir.O genitor pode ter negado…Mas a vida trouxe um
Depois do café, Bento praticamente saltou da cama.— Pai! Eu preciso te mostrar a casa!Angelina cruzou os braços com um sorriso.— Eu passei dois dias escolhendo tudo, então prepare-se.— Estou curioso.Bento segurou minha mão e começou a puxar pelo corredor.— Primeiro o meu quarto!Quando ele abriu a porta, deu para ver o orgulho no olhar dele.O quarto era claro, espaçoso, com uma cama grande e prateleiras já preparadas para os brinquedos.— Uau… — falei olhando em volta. — Isso ficou incrível.Bento abriu os braços.— E olha o espaço pra brincar!Angelina encostou no batente da porta, me observando.— Eu disse que ele ia gostar.— Gostar? Ele amou.Depois ele nos arrastou para o jardim.— Aqui vai ter minhas brincadeiras!Angelina apontou para a mesa.— E aqui vamos jantar nas noites quentes.Passeamos pela casa inteira.A cozinha, a sala, os quartos de hóspedes… cada detalhe tinha o toque dela.
Bento apareceu correndo pela sala.Nem tive tempo de me abaixar direito. Ele simplesmente pulou em cima de mim.— Ei! — eu ri, segurando ele no ar. — Calma aí, campeão!Ele me abraçou pelo pescoço com força.— Você demorou muito!— Foram só dois dias!— Foi muito!Angelina cruzou os braços, fingindo indignação.— Ah, então para mim não foi nada?Bento olhou para ela e depois para mim, pensativo.— Pra mamãe também foi muito.Nós dois rimos.Abracei ele mais forte por um momento.— Eu senti saudade de vocês dois.— Eu também senti — Bento respondeu, com a sinceridade típica de criança.Angelina se aproximou novamente e passou a mão pelo cabelo dele.— Agora alguém precisa dormir.— Não! — ele protestou. — Eu falei que ia dormir com vocês hoje!Olhei para Angelina, divertido.— Já tem regras nessa casa?Ela deu de ombros.— Eu não mando mais em nada.Bento levantou o dedo, sério.— Hoje é exceç
Quando decidi que faria tudo por Angelina, não foi por impulso. Foi por amor.Um amor que chegou silencioso… e quando percebi, já tinha tomado conta de tudo.Angelina entrou na minha vida de um jeito que nenhuma outra mulher conseguiu.Com ela encontrei algo que nunca tive antes: companheirismo, amizade… e uma paixão que não era apenas fogo, era abrigo.Ela tem esse jeito dela…meigo, atencioso, cuidadoso com todos ao redor.E foi justamente isso que me desarmou.Conquistá-la não foi fácil.Minha pequena levantou muralhas altas ao redor do coração, e eu precisei provar todos os dias que não iria embora.E então havia o Bento.Eu o vi crescer desde muito pequeno.Com aquele olhar curioso, o sorriso fácil… e o mesmo jeito doce da mãe.No começo eu tomei cuidado.Não queria invadir o espaço dele, nem forçar um lugar que talvez não fosse meu.Mas a verdade… é que, dentro de mim, eu já me sentia pai dele há muito tempo.Foi por







